A roda que não roda

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    21-Jan-2018

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<ol><li> 1. A RODA QUE NO RODA A roda que quando chega a ser roda, j dela ningum precisa. Para quem nunca ouviu falar, a roda da vida uma ferramenta de coaching utilizada como tcnica de diagstico auto-reflexiva que se materializa num crculo colorido com uma escala visual representativa do estado actual da nossa vida. Para quem j ouviu falar, talvez ela possa ser mais que isso. Commumente recomendada pela sua simplicidade, flexibilidade e impacto visual, a maioria dos artigos, posts ou captulos que podemos encontrar focam-se sobretudo numa de duas abordagens: (i) na demonstrao do seu potencial face a to baixo investimento (conscencializao do estado global, apoio deciso, eventual alavancagem para o futuro); ou (ii) no ensino da utilizao da mesma (desenho das reas, preenchimento da escala, perguntas orientadoras, etc). Neste artigo, prope-se (i) discutir o alargamento do mbito da sua utilizao e (ii) explorar as suas limitaes. A anlise de um todo ou a escolha de um caminho? Conceptualmente, o mapeamento e a comparao constituiro sempre a essncia da roda. Contudo, a sua flexibilidade permite que a mudana de objetivo dite a forma, abrindo variadas possibilidades de aplicao. Imaginemos as seguintes contextos: A) um estudante que quer saber como se encontra nas vrias reas acadmico-profissionais; B) um estudante que quer saber qual o estabelecimento de ensino que deve escolher tendo em conta os seus objetivos pessoais e profissionais. O objetivo do estudante em A diferente do da situao B. No primeiro, interessa comparar um conjunto de competncias que co-existem e podem at correlacionar-se entre si ou com elas prprias em momentos diferentes; no segundo, o foco consiste na escolha de uma opo em detrimento das outras, todas independentes e concorrentes, baseando-se em critrios iguais e que so pertinentes para a tomada dessa deciso. Vejamos os exemplos: 1 Grfico 1. Exemplo de uma Roda da Vida, aplicada vertente profissional. </li><li> 2. O grfico 2 um exemplo para a situao A pode responder a questes como: (i) qual a rea estudo em que o estudante melhor ou pior; (ii) se o estudante domina muito algumas reas e pouco outras (tem mais aptido para uma das reas?) ou (iii) se no domina nenhuma em particular, mas domina todas de forma suficiente ( equilibrado/multifacetado)? O mapeamento feito de forma a se ter uma viso global (uma s roda) em relao ao objectivo e a comparao feita entre si (reas de estudo). J os grficos 3 e 4 um exemplo para a situao B podem responder a questes como: (i) qual a universidade que vai mais ao encontro dos interessesdo estudante; (ii) qual a universidade que, embora de forma mediana, rene todos os seus objetivos (a mais equilibrada) ou (iii) aquela que, no reunindo todos, rene de forma elevada alguns deles? No mapeamento necessrio ter mais de que uma viso global do contexto (mais do que uma roda) de forma a que a comparao possa ser feita entre os critrios homlogos dos contextos e no entre si ou seja, a Localizao da U. Nova Lisboa com a da U. Beira Interior e no a da Localizao da U. Nova Lisboa com a Empregabilidade, Custo, Investigao ou Plano de Estudo tambm da U. Nova Lisboa (pois estes so independentes, no comprarveis entre si). Podemos pegar nestes exemplos e mudar-lhe os assuntos e/ou especific-los e.g., de reas de estudo para competncias profissinais ou para competncias profissinais na rea da Informtica ou adaptar os seus critrios de seleo e/ou aument-los e.g., dentro do critrio da Empregabilidade, subdividi-lo em Empregabilidade a 1, 3 e 5 anos; ou acrescentar outros como o Ranking, os Parceiros (no mercado de trabalho) ou Academia (da universidade). agora tudo uma questo de adaptao ao assunto o qu - e de definio de objetivos e se queremos analis-lo como um todo ou fazer uma escolha de caminho. E fosse mais objetiva, orientadora e ajustada? Da limitao nasce a oportunidade (ou no fosse este artigo um artigo sobre lean!), e a roda, como outras ferramentas, no so perfeitas. Tentemos responder s seguintes perguntas: 1. como defeniria a simplicidade ou complexidade da sua funo/trabalho? 2. a situao profissional ou a vida pessoal a rea que mais pode alavancar a sua vida? 3. o que ter de que fazer para alavancar essa mesma rea? A verdade que pessoas diferentes, do respostas diferentes, e nem todas respoderiam 10 primeira pergunta; a vida profissional segunda; e nem to pouco existe uma s resposta correcta para a terceira. Na tentativa de tornar a roda mais (i) objectiva, (ii) orientadora e (iii) ajustada poderemos, respectivamente: i. tentar criar valores-referncia para os quais haja exemplos de correspondncia mais concretos, como acontece, por exemplo, no Quadro Europeu Comum de Referncias para as Lnguas; ii. anexar informaes que ajudem a identificar quais as reas com maior poder de alavancagem, baseados em dados ou estudos relevantes; 2 Empregabilidade Localizao Plano de estudo Investigao Custo 0 5 10 U. Nova Lisboa Grfico 3. Exemplo de uma situao B, opo 1. Empregabilidade Localizao Plano de estudo Investigao Custo 0 5 10 U. Beira Interior Grfico 3. Exemplo de uma situao B, opo 2. Cincias Letras Artes Desporto Tecnologia 0 5 10 reas de estudo Grfico 2. Exemplo de uma situao A. </li><li> 3. iii. definir ponderaes (peso) para as diferentes reas, tendo em conta fatores como a complexidade das competncias a adquirir, tempo necessrio a tal, investimento econmico requerido, nvel de motivao, entre outros. Agarrando novamente na situao A, eis uma tentativa de aplicao: (i) atribuio de significado escala nmerica (referncia), ficando a escolha do maior nmero dependente do grau de confiana e/ou ajuste do estudante em relao descrio de competncias sugerida; Tabela 1 Exemplo de um quadro de referncias aplicado situao A. Pontuao Referncias (significado) 0-1 No estar familiarizado com a temtica. 2-3 Estar familiarizado com a temtica e conhecer algumas das suas aplicaes e/ou os seus princpios-base. 4-5 Dominar os seus princpios-base e saber aplic-los na prtica; e/ou estar familiarizado com aspectos mais complexos. 6-7 Dominar princpios-base e intermdios, e saber aplic-los na prtica; e/ou estar familiarizado com aspectos mais complexos. 8-9 Dominar princpios-base, intermdios e avanados, e saber aplic-los na prtica. 10 Inovar em assuntos da temtica (Investigao) e/ou saber transmitir esses conhecimentos a outros (Ensino). (ii) baseada em pesquisa diversificada e fontes com graus de confiana e imparcialidade significativos, atribuir um valor numrico correspondente ao seu poder de alavancagem, to detalhado quanto o pretendido (e.g., subdiviso por localizao) e adequado ao objetivo pesssoal do estudante (e.g. alavancagem formativa, econmica, funcional, etc); Tabela 2 Exemplo de possvel resumo de informao sobre poder de alavancagem aplicado situao A. rea Nvel de alavancagem Pontuao Fonte Cincias Mdio (Portugal) Elevado (Amrica do Norte) 2 3 www.fct.pt www.princetonreview.com Letras Mdio (Portugal) Elevado (frica) 2 3 infocursos.mec.pt www.sokanu.com Artes Baixo (Portugal) Mdio (Europa) 1 2 infocursos.mec.pt www.careeraddict.com Desporto Baixo (Portugal) Baixo (Europa) 1 1 www.forum.pt sporteducation.eu Tecnologia Elevado (Portugal) Elevado (sia) 3 3 revistas.rcaap.pt www.princetonreview.com (iii) a definio de um potencial pode ajudar a perceber a margem de progresso de cada rea at ao estado definido como ideal, independente do seu poder de alanvancagem. Os critrios que compe esse potencial e a sua ponderao nmerica deve ser ajustada de forma a refletir os objetivos e sentimentos do estudante. Imaginemos: o Desporto pode ser uma rea de pouca alavancagem, mas que se consegue, em pouco tempo e com pouco investimento, chegar ao estado pretendido (bom potencial para progresso). Tabela 3 Exemplo de definio de critrios e respectivo peso aplicado situao A. Ponderao/Peso Dificuldade Tempo Investimento Motivao x0.05 Muito difcil &gt; 2 ano &gt; 2000 euros S/ interesse x0.10 Difcil 6 meses a 2 ano 500-2000 euros C/ interesse X0.15 Pouco dficil &lt; 6 meses &lt; 500 euros C/ muito interesse 3 </li><li> 4. Tabela 4 Tabela de apoio ao clculo do potencial representado no Grfico 5. reas Estudo Sit. Atual Dificuldade Durao Investimento Motivao Pond. Final Potencial Cincia 4 x1.05 x1.05 x1.15 x1.05 x1.08 4.30 Letras 6 x1.15 x1.05 x1.10 x1.15 x1.11 6.68 Artes 7 x1.15 x1.05 x1.15 x1.10 x1.11 7.79 Desporto 5 x1.00 x1.05 x1.15 x1.00 x1.05 5.25 Tecnologia 5 x1.10 x1.05 x1.15 x1.10 x1.10 5.50 Comparando com o Grfico 2, o 5 permite-nos responder a um novo conjunto de questes para alm das apresentadas anteriormente: (iv) qual a rea em que o estudante poder ter mais possibilidade de evoluir; (v) qual a rea em que poder ter maior probabilidade de obter maior sucesso; (vi) qual a rea que menos esforo necessita para atingir o objectivo; (vii) qual a rea que mais poder impulsionar as outras. Tambm a interpretao torna-se mais interessante. Em vez da comparao entre reas de estudo, podemos (i) compar-las com elas mesmas no futuro; (ii) o seu potencial com a sua situao atual; (iii) ou o seu potencial com o seu poder de alavancagem. Concluso Mais que simples, intuitiva e barata, a roda , sobretudo, flexvel! E essa a caracterstica que permite suprimir aquilo que podem ser as suas limitaes. Depende agora dos objetivos, criatividade e sinceridade de cada um p-la a rodar da forma mais til. Ins Marques Lopes 4 Cincias Letras Artes Desporto Tecnologia 0 5 10 Alavancagem Sit. Atual Potencial Sit. Ideal Grfico 5. Exemplo de aplicao das sugestes propostas situao A. </li></ol>