Identidade mulheres

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    20-Dec-2014

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Pesquisa sobre mulheres da profa Selma Felerico www.selmafelerico.com.br

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  • 1. Profa. Dra. Selma Felerico - Doutora em Comunicao e Semitica pela PUC-SP. Professora de Ps-Graduao em Comunicao na ESPM /SP sfelerico@espm.br www.selmafelerico.com.br Ttulo do Artigo: Identidade: Mulheres Os modos de consumir e tratar o corpo feminino acima dos 50 anos.

2. objetivo avaliar a satisfao das mulheres acima dos 50 anos, das classes sociais A e B com a sua aparncia e compreender as diferenas e as transformaes contemporneas nas prticas de consumo relacionadas beleza, ao corpo e categorizar os vrios tipos de corpos veiculados, que contribuem para a construo de novas identidades femininas, por meio da percepo e do discurso das mulheres investigadas. 3. Este artigo parte de uma pesquisa em desenvolvimento no CAEPM Identidade Mulheres Fonte: rosaleonor.blogspot.com 304 400 - Mulheres & Deusas: A Velhice, isso no existe! 4. Objetivo I avaliar a satisfao das mulheres acima dos 50 anos, das classes sociais A e B , com a aparncia. Fonte:http://www.universofeminino.info/corpo/ a-idade-da-beleza-feminina 5. Objetivo II Compreender as transformaes atuais nas prticas de consumo relacionadas beleza, ao corpo 6. Categorizar os vrios tipos de corpos encontrados que contribuem para a construo de novas identidades femininas. 7. A classificao das identidades femininas resgata os trs pilares corpo comunicao consumo 8. corpos reeducados: que querem apreender os modos consumir e de tratar o corpo para mant- lo jovem e belo http://www.saudedicas.com.br/dicas/os-melhores-alimentos-para-os-idosos-277713 9. corpos renegados: mulheres que sentem-se velhas, gordas e feias, margem da sociedade consumidora http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/em-dia/4291/ 10. Corpos renovados: corpos que foram esculpidos em academias, clnicas de estticas e intervenes cirrgicas. http://divadiz.com/7-dicas-para-um-corpo-sarado 11. corpos revisitados: so mulheres que aprendem a conhecer seu corpo, seus limites e convivem com ele de forma segura. http://ateliemadamecharlott.blogspot.com.br/2010/06/moda-aos-50-60-70-sim- senhora.html 12. Ser bela ser jovem? Consumir para no ser velha? Que marcas e significaes corporais no discurso miditico so decodificadas pelas mulheres maduras acima de 50 anos? Quais so as novas prticas de consumo nos saberes e nos modos de tratar o corpo feminino na maturidade? 13. Hiptese H um ideal de beleza predominante no imaginrio feminino imposto pela mdia. E de acordo com o padro elegido pela mulher surgem novos hbitos sociais e prticas de consumo. 14. Etapas do projeto 15. 1.Levantamento documental Anncios publicitrios, capas, matrias e/ou editorias veiculados em revistas femininas, no perodo de 2011/12 Beleza, Juventude e Corpo O dilogo entre a mdia e a leitora 16. 2. Aplicao de uma pesquisa qualitativa com vinte e cinco mulheres das classes A e B, na faixa etria de 50 a 65 anos, moradoras na cidade de So Paulo para conhecer o imaginrio esttico feminino e suas prticas de consumo 17. Optou-se por um nmero restrito de mulheres (25) para maior detalhamento. Entrevistas em profundidade e acompanhamento das mesmas com visitas as suas residncias. / 18. Justificativa Aps a pesquisa Corpos em Revista (2011) desenvolvida pela autora, em 2011, com mulheres na faixa de 20 a 45 anos, das classes A e B, notou-se uma crescente preocupao em manter a beleza na maturidade e, em alguns momentos, at a maternidade foi questionada a favor de um corpo magro, firme e jovem. / 19. Mas normalmente na gravidez a mulher se deixa um pouco, eu nunca tive filho. A prioridade outra. Ela se doa tanto, que ela fala: a hora que der eu fao. Eu quero tentar, a hora que eu tiver um filho, pelo menos, aplicar o que falo para todas as minhas amigas: Quando voc conheceu o seu marido voc se cuidava bem, agora voc tem que se dividir, tem que cuidar do seu marido, do seu filho e de voc tambm. (CLAUDETE, publicitria, 37 anos). No s na gravidez, os hormnios..., mas so os primeiros anos, mal dormidos, que voc se pe em segundo plano, voc dorme mal, voc come mal, voc faz um monte de coisa mal, e isso tem um peso na aparncia para sempre. (EMMA, designer, 52 anos). 20. Reeducao alimentar, atividade fsica, tratamentos de preveno, anti-idade, so palavras que habitam o imaginrio feminino, assim como ser feliz a qualquer preo, linda, leve e realizada, voc responsvel por seu corpo so algumas mensagens publicitrias que legitimam a mulher brasileira, hoje em dia, e esto presentes no cotidiano. Destaca-se que as mes, avs e amigas mais velhas tambm foram citadas em suas prticas e cuidados femininos a serem perseguidos e como smbolo de feiura a serem desprezados, um bom motivo para dar continuidade ao tema Mulher corpo, comunicao e consumo estendendo os estudos com mulheres, entre 50 e 65 anos, a fim de compreender os modos de tratar e consumir para o corpo na contemporaneidade. 21. De acordo com Wolf (1992), o culto beleza e boa forma fsica transmitido como um evangelho, criando um sistema de crenas to poderoso quanto o de qualquer religio e tomando conta dos hbitos de uma parcela representativa da nossa sociedade (WOLF,1992, p. 33). 22. Ressalta-se que as normas culturais se inscrevem desde sempre no corpo, porm, para Parasoli (2004) na atualidade, com a amplitude do fenmeno e com o reforo dos critrios estticos e ticos de controle aplicados aos corpos, a sociedade do consumo promove um ideal de corpo, espelho no qual cada um tenta reconhecer-se, deplorando sempre no assemelhar- se suficientemente a ele, isto a um ideal completamente assptico e abstrato. 23. Um exemplo adverso desta normatizao social a capa da revista TPM agosto de 2012 apresenta saberes femininos diferentes do padro esttico ideal e tambm modos exclusivos de encarar um corpo revisitado que aprendem a conhecer seu corpo, seus limites e convivem com ele de forma segura com a imagem sensual da cantora Gaby Amarantos, mostrando suas curvas e seios avantajados 24. As manchetes presentes na mesma edio reforam os pensamentos da psicanalista Joana Vilhena Novaes (2008) que credita ao corpo uma importncia maior do que simplesmente um fsico a ser construdo e assumido pelo indivduo . Ao corpo cabe algo muito alm de ocupar um espao no tempo. Cabe a ele uma linguagem que se institui antes daquilo que denominamos falar, que exprime, evoca e suscita uma gama de marcas e falas implcitas. (NOVAES, 2008, p.19). 25. . Uma das entrevistadas vai alm deste questionamento e se indaga sobre a posse do seu prprio corpo. Uma vez escutei um mdico falar que quando voc solteira, advinda da minha gerao, o corpo dos seus pais, quando voc casa o corpo do seu marido e quando voc fica viva e sozinha voc fala: E agora? O corpo meu, o que eu fao? E at voc se reconstruir... Porque verdade, meu pai no deixava usar minissaia, eu nunca usei biquni e eu fui magra, fui bonita, fui jovem tambm, durinha. Ele no deixava. A eu casei e o meu corpo foi para o meu marido, tive filhos, fui esposa; ento eu fiquei viva, no tenho pai, no tenho marido e agora? Preciso me reconstruir, aceitar, rever meu corpo, s que s vezes eu comeo a pensar nisso e falo: Mas com 52 anos? Deixa para l. No! No vou deixar para l! Vou cuidar, no vou. E fico naquela de um p c e outro l. (ROSANA, professora de literatura e tradutora, 52 anos). 26. Diferentemente das preocupaes atuais advindas das mulheres acima de 50 anos: Diminui o abdmen, mas depois engordei outra vez. Agora estou fazendo um regime bravo, j emagreci 9 quilos, estou com 20 quilos a mais do que eu deveria. medicamentoso, pois de forma natural a gente no emagrece. Eu quero emagrecer para depois fazer uma cirurgia plstica na plpebra, ela est muito cada. (IVANI, professora universitria, 64 anos). 27. Na maturidade, de acordo com Novaes (2008, p. 98), a mulher ao transgredir sua funo reprodutora comum a sua espcie , passa a ter que se incluir em um novo lugar na polis, numa nova posio sedutora e, para tanto, busca realizar um trabalho psquico e fsico que lhe outorgue uma abertura ao jogo objetal. 28. E as entrevistadas nesse projeto ratificaram essa posio: um desaforo porque o que conta a aparncia da mulher. Pois se uma celebridade estiver numa sala junto comigo, lgico que a outra vai ser sempre mais olhada porque bonita, ento eu acho que para os homens de uma forma geral e para a sociedade, a beleza o que mais importa. (EMMA, designer, 52 anos). 29. Eu me surpreendi na maturidade, achei que ia aceitar melhor a velhice e a minha aparncia. Eu sempre me achei uma pessoa esclarecida o suficiente, realizada em termos profissionais, financeiros, familiares. Eu me olho no espelho e percebo que minha aparncia no combina comigo, pois no me sinto velha, pois penso como uma mulher mais nova. (EMMA, designer, 51 anos). 30. Consideraes finais 31. A sociedade cobra um padro esttico no qual a pessoa tem que ser magra. Isso uma questo da constituio fsica de cada um. A sociedade cobra isso. As campanhas registram muito isso. (CASSIA, publicitria, 52 anos). As entrevistadas afirmam existir um padro de beleza social miditico confirmando a hiptese principal sinalizada no incio deste texto, em que h um ideal de beleza predominante no imaginrio feminino imposto pela mdia. 32. O padro de beleza mutante, e que varia de acordo com a temporada. H pocas e houve pocas em que a mulher mais cheinha foi o auge, depois a mulher magra. Tem perdurado essa ideia da mulher magra por muito tempo, mas eu acho que no existe um ideal de beleza. (ROSANA, professora de literatura e tradutora, 52 anos). 33. Corpo tudo. tudo, sinceramente, eu, por exemplo, eu j me preocupei muito mais com o meu corpo, at que eu fiz a cirurgia e tudo mais, hoje em dia eu me preocupo menos com o meu corpo, mas eu sei que eu sou cobrada pela minha aparncia tambm. (ANGELA, mdica, 54 anos). 34. Acima de tudo sade, j no me preocupa tanto a questo esttica. Eu sou de uma gerao em que havia uma diviso entre intelectual