1 Edio Da RBVE 2009

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    30-Dec-2014

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<p>Associao Brasileira de Enologia</p> <p>SUMRIO</p> <p>DIRETORIAPresidente: CARLOS ABARZA Vice-Presidente: CHRISTIAN BERNARDI 1 Tesoureiro: DARIO CRESPI 2 Tesoureiro: DIRCEU SCOTT 1 Secretrio: LUCIANO VIAN 2 Secretria: TAS KLEIN Diretor Social: DELTO GARIBALDI Diretores de Eventos: VANESSA STEFANI JOO CARLOS TAFFAREL Diretores de Degustao: CLUDIA A. STEFENON MAURO CELSO ZANUS Diretor Cultural: MARCOS VIAN Diretores Tcnicos em Viticultura: JLIO MENEGUZZO DANIEL DALLA VALLE Diretores Tcnicos em Enologia: VALTER MARZAROTTO JULIANO PERIN Diretor Regional Centro-Sul: MARCEL SALANTE Diretor Regional Norte-Nordeste: GIULIANO ELIAS PEREIRA Secretrias: ELIANE CERVEIRA ADRIANE BIASOLI</p> <p>4 | Apresentao 6 | Editorial 9 | Mercado do Vinho 19 | Viticultura 59 | Enologia 79 | Concurso do EspumanteEXPEDIENTE Comit Editorial z Dr. Alberto Miele z Dr. Carlos Eugnio Daudt z M.Sc. Cludia Stefenon z Dr. Celito Crivellero Guerra z Dr. Eduardo Giovannini (Editor) z Dr. Eduardo Pinheiro de Freitas z Dr. Jean Pierre Rosier z Dr. Luciano Manfroi z M.Sc. Mauro Celso Zanus z Dra. Regina Vanderlinde z Dr. Srgio Ruffo Roberto z Dra. Simone Gonalves Teixeira Giovannini z Dr. Vitor Manfroi Comisso Organizadora z Carlos Abarza z Christian Bernardi z Cludia Stefenon z Dario Crespi z Dirceu Scott z Eduardo Giovannini z Mauro Celso Zanus</p> <p>Revista Brasileira de Viticultura e Enologia uma publicao da ABE Associao Brasileira de Enologia Rua Matheus Valduga, 143 95700-000 - Bento Gonalves - RS Tel. (54) 3452.6289 revista@enologia.org.br www.enologia.org.br Editorao: Arte &amp; Texto Fotos: Giovani Nunes Impresso: Frmula Prtica Tiragem: 1.000 exemplares Distribuio Gratuita</p> <p>APRESENTAO</p> <p>Carlos Abarza Presidente Associao Brasileira de Enologia</p> <p>A vitivinicultura brasileira em evidnciaNos ltimos anos a vitivinicultura brasileira vem evoluindo em qualidade e quantidade. Nossos vinhos e espumantes esto conquistando medalhas e distines em renomados concursos internacionais nas mais diversas partes do mundo. No Brasil, embora a concorrncia com os importados ainda seja um grande obstculo para o crescimento do setor, j registramos um pequeno aumento no consumo, especialmente, de nossos espumantes. Os resultados hoje alcanados so fruto de muito estudo, investimento e trabalho. Tecnologias, conceitos e inovaes implantadas na vitivinicultura brasileira, foram conquistas alcanadas depois de anos de pesquisa. Por isso, ao publicar a primeira edio da Revista Brasileira de Viticultura e Enologia (RBVE), a Associao Brasileira de Enologia (ABE) d um importante passo no sentido de contribuir para aprimorar os conhecimentos tcnicos e cientficos de nossos associados e tambm divulgar as atividades de pesquisa na rea vitivincola em andamento no Brasil. Temos certeza que esta revista ir cumprir um papel relevante para a formao e informao dos profissionais da cadeia produtiva da uva e do vinho. Sendo assim, quero fazer um agradecimento especial Comisso Organizadora e ao Comit Editorial da Revista Brasileira de Viticultura e Enologia pelo empenho em transformar este projeto em realidade. Atravs deste veculo de comunicao, o setor vitivincola brasileiro ganha um instrumento para a divulgao de trabalhos tcnico-cientficos originais, resultantes de pesquisas de interesse vitcola, enolgico ou de mercado de uvas e vinhos. Em suas pginas, a vitivinicultura brasileira estar em evidncia e receber o reconhecimento merecido. Que esta seja a primeira edio de uma excepcional safra!</p> <p>4 | REVISTA BRASILEIRA DE VITICULTURA E ENOLOGIA</p> <p>EDITORIAL</p> <p>Eduardo Giovannini Editor Revista Brasileira de Viticultura e Enologia</p> <p>Parabns uva e ao vinho BrasileiroDesde sua fundao em 1977, a Associao Brasileira de Enologia (ABE) propicia aos seus associados uma gama de atividades que visam ao aperfeioamento profissional. Daquela data at hoje, muito aconteceu no cenrio do vinho e, especialmente, no que diz respeito qualidade do vinho nacional. Reconhecido internacionalmente, o vinho brasileiro vem conquistando espao ao obter premiaes em concursos internacionais e ao aumentar suas vendas para o exterior. Isso tudo foi possvel graas ao dedicado trabalho dos profissionais desta rea. Estes abnegados enlogos, porm, ao necessitarem mais informaes tcnicas e cientficas sobre seu campo de atuao, esbarravam na dificuldade de obter publicaes em portugus e, menos ainda, em trabalhos feitos nas condies brasileiras. Para suprir esta lacuna e proporcionar a todos um enriquecimento na sua formao, a ABE, atravs de um comit editorial, com apoio da sua diretoria e secretaria, se empenhou em lanar a Revista Brasileira de Viticultura e Enologia (RBVE). Neste ano em que tambm se comemoram os cinquenta anos de fundao do Colgio de Viticultura e Enologia, de onde oriunda a grande maioria dos profissionais enlogos do Brasil, o lanamento da RBVE a concretizao de um sonho. De agora em diante a produo tcnica, tcnico-cientfica e cientfica nas reas referentes produo da uva, de vinhos e seus derivados, bem como das condies de mercado destes produtos, tem onde divulgar o trabalho que est sendo feito em nosso pas. Isso permitir aos envolvidos nesta atividade, paixo/profisso, aperfeioar os j excelentes produtos que vem sendo feitos, agregando mais saber sua vida. Parabns a todos os que participaram da criao da RBVE. Boa leitura!</p> <p>6 | REVISTA BRASILEIRA DE VITICULTURA E ENOLOGIA</p> <p>Mercado do VinhoARTIGO TCNICO-CIENTFICO</p> <p>O Consumo do Vinho no BrasilGeni Satiko Sato</p> <p>REVISTA BRASILEIRA DE VITICULTURA E ENOLOGIA | 9</p> <p>MERCADO DO VINHO</p> <p>O Consumo do Vinho no BrasilGeni Satiko Sato (1)</p> <p>ResumoO artigo reflete sobre questes relativas aos hbitos alimentares e os diversos enfoques tericos e, analisa o consumo de vinhos no Brasil atravs de dados do IBGE. Os resultados indicam que o consumo maior nas regies Sul, Sudeste e CentroOeste do pas e para as classes de renda mensal familiar superior a trs mil Reais. Termos para Indexao: consumo, vinhos, Brasil</p> <p>AbstractThe article presents some theoretical approaches about habits in food and beverages and analyses the data, from IBGE, about wine consumption in Brazil. The results show that the consumption is higher in South, South-east and Center-West Regions of the country and for families with income above three thousands Reais per month. Index Terms: consumption, wines, Brazil</p> <p>(1)Instituto de Economia Agrcola Av. Miguel Estefano, 3900 CEP 04301-903,So Paulo, SP sato@iea.sp.gov.br</p> <p>IntroduoA complexidade que envolve o comportamento do indivduo no consumo de alimentos e hbitos alimentares demanda abordagens multidisciplinares. Estudos sobre consumo de alimentos e bebidas e, comportamentos de consumo, foram realizados por pesquisadores de diversas reas do conhecimento, tais como: marketing, sociologia, antropologia, economia e psicologia. A contribuio das diferentes escolas do conhecimento foram abordadas de forma sucinta com o objetivo de oferecer um panorama terico sobre o tema. A demanda de produtos, sem a especificidade do alimento, foi objeto de estudo da microeconomia neoclssica ao desenvolver a teoria do consumidor. Na economia, a teoria do com10 | REVISTA BRASILEIRA DE VITICULTURA E ENOLOGIA</p> <p>portamento do consumidor, parte da premissa que o indivduo age racionalmente na escolha ou preferncia de um produto para compor sua cesta de mercadorias. Outra premissa importante que a escolha de um produto estaria sujeita s restries oramentrias. Considerando estes dois fatores, preferncia e restrio oramentria, cada consumidor buscar maximizar sua satisfao ou sua utilidade. Dessa forma a utilidade definida como o nvel de satisfao que uma pessoa tem ao consumir um bem. Os economistas neoclssicos modelaram a utilidade atravs da funo utilidade e definiram a Utilidade Marginal como a satisfao adquirida pelo consumo adicional de mais um bem ou produto (Pindyck &amp; Rubinfeld,1991). Apesar de admitirem que a</p> <p>preferncia tem um componente psicolgico, a utilidade como medida de satisfao um conceito limitado para uma anlise do comportamento do consumidor. No entanto, no podemos deixar de valorizar, estes primeiros conceitos, que formaram a base da teoria econmica e a teoria de equilbrio entre oferta e demanda que ir definir os preos de bens e servios. Estudos de Marketing sobre o comportamento de consumidor, com base na contribuio da economia, utilizam modelos economtricos adotando como variveis explicativas do consumo, a renda, o gnero, o grau de instruo, compromissos com o meio ambiente, preocupao com a sade, etc. (Bocaletti &amp; Nardella ,2000). Outros trabalhos sobre consumo utilizam os dados da POF, Pesquisa de Oramentos Familiares. A escola behaviorista ou a psicologia comportamentalista contribuiu para estudos do comportamento do consumidor ao elaborar o conceito de hbito de consumo. De acordo com esta escola, as repeties de consumo quando relacionadas a experincias positivas cria um hbito de consumo (Cheung, 2007; apud Funder, 2201). Investimento em propaganda e anlise de feed back foram tambm utilizadas nos estudos com base comportamentalistas por estudiosos do Marketing. Ressalte-se que muitos estudos utilizaram o Modelo Estimulo Resposta para melhorar vendas, melhorar a imagem institucional e obter posicionamento do produto no mercado (Cheung, 2007, apud Kotler &amp; Armstrong, 1998). Especificamente, sobre consumo de alimentos, Cheung (2007), cita o modelo proposto por Gains (1994), que considera trs fatores fundamentais na anlise do comportamento do consumidor para alimentos: o produto (gosto, cheiro, sabor, nutrientes e embalagem), o consumidor (personalidade, hbitos, cultura e humor) e o contexto (lugar, tempo, com quem e o qu). No perodo Ps-moderno, a partir da dcada de 80, surgem novas contribuies para estudos do comportamento do consumidor, que incorporaram conceitos do campo da sociologia e antropologia para compreender este objeto de estudo. As dimenses culturais e simblicas dos produtos passaram a ser mais valorizadas no contexto para a anlise. A Teoria das Representaes Sociais, tambm utilizada para auxiliar nos estudos do comportamento do consumo alimentar e compreender a simbologia que o alimento transmite. A idia principal que a preferncia e a atitude em relao a um alimento estaria fortemente relacionada ou vinculada com o sistema de representaes sociais. Representao social entendido como um sistema de valor que estabelece uma ordem e que possibilita aos indivduos se orientarem e se comunicarem, ou seja, fa-</p> <p>lem a mesma linguagem e consumam produtos que representam uma ligao entre pessoas do mesmo grupo. No caso de vinhos as confrarias e sociedade dos amigos do vinho representam um grupo no qual seus membros se identificam. Neste tipo de abordagem Warde (1997) realizou estudos sobre hbitos alimentares fora de casa na Europa. Apesar das diferenas de abordagens sobre comportamento do consumidor, elas se complementam e, dependendo do contexto, poder prevalecer uma ou outra abordagem. Estudar o comportamento do consumidor em pases emergentes, onde a distribuio de renda extremamente desigual, provavelmente, o oramento familiar ser uma varivel que ir, influenciar nas decises de compra e consumo de determinado produto. Porm ao estudar isoladamente alguns grupos que consomem vinho, em pases emergentes, a abordagem da escola comportamentalista ps-moderna poder auxiliar na compreenso da dinmica do consumo deste produto. Voltando a questo da simbologia do alimento ou at de uma bebida, de acordo com Barbosa (2007) os alimentos so ingeridos de uma forma culturalizada. A autora, ainda, reitera que quando tratamos o alimento como classe e no estamos tratando do que se come efetivamente, pois existe uma distino entre o que se come e o alimento, pois ningum come genericamente mas de alguma forma diferenciada. A gastronomia surge como um movimento cultural que prope a criar novas formas de comer, que tem um compromisso com o corpo, com a esttica, com a nutrio e a sade. Da mesma forma, o beber um vinho ou degustar um vinho um ato diferenciado de consumo. A iniciao uma bebida pode envolver uma relao com o ritual de uma ceia ou o hbito rotineiro de uma famlia ou estar relacionado com eventos comemorativos que evocam prazer e afetividade. Novas pesquisas sobre a relao do consumo dirio moderado de vinho com a sade cardiovascular, tem sido divulgadas e podem estar influenciando ou no a substituio de outras bebidas espirituosas por vinho. O vinho apresenta uma particularidade que a diferencia das outras bebidas, por estar fortemente associado ao comer ao acompanhar o alimento. Todas estas questes merecem ser investigadas com objetivo de fornecer elementos elucidativos para os agentes econmicos que atuam na cadeia produtiva do vinho no Brasil. Os objetivos de um estudo so identificar o consumo de vinhos no Brasil, atravs da anlise de dados secundrios, por regies do pas e classes de renda. A fonte de dados utilizada da POF- IBGE (Pesquisa de Oramentos Familiares Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica).</p> <p>REVISTA BRASILEIRA DE VITICULTURA E ENOLOGIA | 11</p> <p>Resultados e Discusso O Mercado Global de VinhosDados da OIV indicam que o market share, no comrcio global, comparando-se qinqnios 86/90 e 2001/05, dos Pases do Novo Mundo, produtores de vinhos, (Argentina, Chile, frica do Sul, Austrlia/Nova Zelndia - hemisfrio Sul - mais os Estados Unidos), apresentou crescimento de 3,1% para 23,4%, enquanto que os cinco principais pases europeus, tradicionais produtores (Alemanha, Espanha, Itlia, Frana e Portugal) apresentaram perda de 78,8% para 64,6%. Isto indica que est ocorrendo um deslocamento da do consumo para vinhos do Novo Mundo. (Sato, 2008).</p> <p>Tabela 1 | Share no Comrcio Global de Vinhos, por pases 86/90 % EU (Alemanha,Espanha,Itlia,Frana,Portugal) Hem.Sul (Arg., Chile, Afr. Sul, Austr/NZ) + USA CCEE (Bulg., Hungria,Romnia) + Maghreb Outros pasesFonte: OIV - Organization Internationale de la Vigne et du Vin, 2006</p> <p>91/95 % 75,5 8,0 5,1 11,4</p> <p>96/00 % 71,2 14,8 4,9 9,0</p> <p>01/05 % 64,6 23,4 3,2 8,8</p> <p>78,8 3,1 10,3 7,8</p> <p>Um dos diferenciais observados nos vinhos dos novos pases produtores est no rtulo que apresentado com a marca, a vincola, o pas de origem, o grau alcolico e o varietal ou tipo da uva, Merlot, Cabernet Sauvignon, etc., enquanto que na Frana e outros pases europeus, no se expressa a uva utilizada, dando-se relevncia regio produtora. Os vinhos franceses vm com a certificao AOC (Appellation d origine controle - Denominao de origem controlada), e so submetidos s regras estabelecidas pelos produtores sob controle do poder pblico. So considerados no processo de certificao a zona vitcola, tipos de uva, modos de cultivo rendimento da colheita e tcnicas de vinificao. Pode-se ainda proceder anualmente uma degustao para atestar a qualidade exigida. De acordo com Garcia-Parpet (2004) a oferta de vinhos internacionalizou-se mais fortemente12 | REVISTA BRASILEIRA DE VITICULTURA E ENOLOGIA</p> <p>com a entrada do pases emergentes no mercado global. Os pases do Novo Mundo se estrutur...</p>