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    15-Jun-2015

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<ul><li> 1. 1AyurvedaOs especialistas garantem que,graas s descobertas da cinciamdica, o homem moderno caminha nadireco da quarta idade. O idealalqumico da vida eterna pode terficado para trs, mas no h quem nosonhe em viver mais e melhor. Nomundo de hoje, a sade esta fontenatural nem sempre renovvel passou a ser o bem mais precioso. OAyurveda, uma cincia indiana toantiga quanto o homem, define a sadecomo uma condio de harmoniainterna e externa capaz de habitar oser humano no buscar dos seusobjectivos mais profundos epermanentes. Para a medicinaAyurveda, ser saudvel umacondio normal e toda a terapia deveser baseada no restabelecimento desseestado natural. Por isso, tambmchamada denatureza querestabelece. Vinod Verma (director daNew Way Health Organization nandia)O que proponho uma digresso guiada ao mais antigo sistema de medicinaconhecido, visitando a sua histria, filosofia, princpios bsicos, avaliao da condiohumana e formas de tratamento. Para os leitores menos experimentados da filosofiaoriental, sugiro que no faam um juzo definitivo, sem primeiro terem efectuado umaleitura completa e minuciosa do texto.Origem histricaPor muito que valorizemos no Ocidente, as nossa razes civilizacionais no MdioOriente, a misteriosa ndia que reconhecida como o bero da civilizao. Os</li></ul><p> 2. historiadores acreditam que os primeiros hindus habitaram a Meseta do Pamir h 6.000anos antes de Cristo, mas segundo estudos recentes, os Vedas parecem ter sidocompilados h mais de 14.000 anos.2No sem razo que os antigos mdicos hindus so considerados verdadeirossacerdotes, conhecedores no s dos problemas do corpo fsico como da alma humana,mas tambm da prpria essncia e origem do homem. na ndia milenar que vamosencontrar as bases do mais antigo e misterioso sistema mdico organizado de que se temnotcias: o Ayurveda.O Ayurveda, ou medicina vdica, significa cincia da vida ou do conhecimentodos ciclos da vida e faz parte dos Vedas. O sistema ayurvdico, com aproximadamente5.000 Anos, uma cincia completa, que inclui aspectos fsicos e espirituais da vida. Oseu princpio bsico que a mente exerce a mais profunda influncia no corpo e, advogaque a boa sade resultado directo de viver em harmonia com o Universo. O seuobjectivo obter o equilbrio do corpo e da mente, no numa perspectiva de eternidade,como foi ambicionada em tempos remotos, mas para numa vida longa e feliz.Os Vedas so hinos religiosos da tradio hindu, fonte das principais filosofiasda ndia. A Medicina Vdica encontraseem dois dos quatro Vedas: o Rig Veda e oAtharva Veda. Nos Vedas a religio, mitologia, magia e a medicina so coisasinseparveis, o que levou alguns autores a afirmar que a medicina Vdica, foi umsistema mgicoreligioso,baseado no contacto com o sobrenatural. A doena, segundoos Vedas, era resultante da invaso de espritos malignos e demonacos e que paraafastloseram necessrios rituais e sacrifcios feitos por sacerdote ou Brmanes.Segundo textos do perodo vdico tardio (900 a 500 a.C.) os mdicos e amedicina foram desacreditados pela hierarquia sacerdotal dos Brmanes, quecensuravam os mdicos pela sua associao com todo o tipo de pessoas, o que ostornava impuros. Os mdicos estavam, de facto, em contacto com pessoas das castasmais baixas, devido sua profisso e isto, tornavanosimpuros na viso dos Brmanes.O dogmatismo da religio hegemnica dos Vedas, levou a medicina e osmdicos a refugiaremsenoutras tradies sem castas, ou seja, no vdicas, pois atradio vdica considerava a medicina inadequada para o sacerdote e os mdicosimpuros.No primeiro milnio antes da nossa era, surgiram duas tradies que estavamrelacionadas com as prticas mdicas, mas ambas no vdicos, ou seja, sem a restriodo rgido sistema de castas.Estas tradies no vdicas deram origem a uma medicina nova que veio arivalizar com a medicina mgicoreligiosados Vedas. O novo sistema era baseado naobservao dos fenmenos naturais e das suas influncias no ser humano, de uma formaracional, a nova abordagem a sade no estava limitada pelo rgido sistema de castas e,era baseado no empirismo e no racionalismo.As tradies no vdicas, foram o motor adequado para a formao da medicinaempricoracionalque de uma forma diferente da medicina mgicoreligiosados Vedas,baseada em fenmenos sobrenaturais, est estruturada na relao do ser humano com osfenmenos da natureza. 3. Esta medicina tornouseto popular na ndia antiga, que os hindus brmanesresolveram incorporlano corpo de conhecimento dos Vedas e passaram a denominlaAyurveda ou literalmente, conhecimento da vida e, divulgaram a ideia que a raiz doAurveda est nos Vedas, porm no existe em nenhum dos hinos qualquer referncia aoAyurveda como est descrito pelos seus autores.3Pelo estudo dos Vedas e dos textos clssicos do Ayurveda verificousequehouve uma adaptao progressiva do paradigma da medicina mgicoreligiosadosVedas, baseada no contacto com o sobrenatural, para uma medicina emprico racional,atravs da observao dos fenmenos naturais.Estas tradies, no vdicas, foram os budistas e os ascetas errantes queprevaleciam na ndia na segunda metade do primeiro milnio antes de Cristo.O Ayurveda uma medicina indiana que foi desenvolvida a partir da poca deBuda, no sculo V a.C. e prope uma vida em harmonia com as leis da natureza, mastambm uma vida til sociedade como um todo. Na Medicina Ayuvedica sade umestado de felicidade e, para o alcanar, o ser humano deve trilhar um caminho de autoconhecimento.Como dizia o orculo de Delphos na Grcia antiga:conhecetea timesmo e conhecers o universo e os deuses.A doena, para o Ayurveda, muito mais que a manifestao de sintomasdesagradveis ou perigosos manuteno da vida. O Ayurveda, como cincia integral,considera que a doena iniciasemuito antes de chegar fase em que ela finalmentepode ser percebida. Assim, pequenos desequilbrios tendem a aumentar com o passar dotempo, se no forem corrigidos, originando a enfermidade muito antes de podemospercebla.Polarizao O movimento constanteOs indianos, como mais tarde Parmnides com o seu Eon, recusavam a ideia deVazio Absoluto, a densidade nula, privilegiando em seu lugar o Ser no sentido maisabstracto, a Existncia omnipresente e esttica, imutvel, perfeita.A partir da polarizao, os elementos assim formados estaro em constanteprocesso de atraco e repulso, ou em atrito, determinando a prpria dinmica da vida:plos contrrios atraemsee, sem modificarem a sua estrutura, geram uma terceiracoisa. Tudo aquilo que adquire ento uma conotao polar est sujeito a transformaescontnuas. O processo s chega a um fim quando o mecanismo arquetpico da criaodetermina uma aco de retorno, ocasio em que a Substncia Original recebe de voltaaquilo que teve origem no seu prprio seio.Entre a criao e manifestao de um Universo e o que lhe sucede, h umperodo de repouso, onde a matria catica ou no manifestada, denominado Pralaya.Pralaya quer dizer em snscrito dissoluo, mas sem destruio, pois a dissoluoconduz recreao. 4. A Essncia Una, infinita e desconhecida existe em toda a eternidade, que ora activa Manvatara ora passiva Pralaya em sucesses alternadas, regulares eharmoniosas.Ao iniciarseum perodo de actividade dsea expanso daquela Essncia Unado mesmo modo, quando sobrevm a condio passiva, efectuasea contraco daEssncia e, a anterior da criao desfazsegradual e progressivamente, o universovisvel desintegrase,os seus elementos dispersamse.Uma expirao da Essnciadesconhecida produz o mundo (o universo), uma inspirao flodesaparecer.Peregrino o nome dado nossa Mnada (ser individual) durante o seu ciclo deencarnaes. o nico Princpio imortal e eterno que existe em ns, sendo uma parcelaindivisvel do todo integral, o Esprito Universal, de onde emana e no qual absorvido4no final do ciclo. A peregrinao obrigatria para todas as almas atravs do Ciclo daEncarnao. Nenhum Buddhi puramente espiritual (Alma Divina) pode ter umaexistncia consciente independente antes que haja passado por todas as formaselementares do mundo fenomenal do Manvatara, custa dos prprios esforosregulados pelo karma, escalando assim todos os degraus de inteligncia, desde o Manas(entendimento) inferior at ao Manas superior; desde o mineral a planta ao Arcanjomais sublime.Neste estgio de Pralaya as Gunas encontramseem perfeito equilbrio, todas aspotncias e energias que aparecem no Universo manifestado, repousam numainactividade; porm, quando o equilbrio se rompe, produzseuma forma, umamanifestao e, toda a manifestao ou forma produto da Prakriti em que hpredomnio de uma sobre as duas restantes. Nem Sattava nem Tamas podem por si sentrar em actividade; requerem o impulso do motor e da aco (Rajas) para secolocarem em movimento e desenvolver as suas propriedades caractersticas. Vimos,deste modo, como sempre a paixo ou desejo que catapulta para a manifestao (e,assim, para o fenmeno encarnador, por via do apego, rompendo a unidade ouhomogeneidade primordial.Cessa o Estado de Pralaya, de Abstraco ou Repouso. A partir da, os doisplos da Natureza, o esprito (Purusha) e a matria (Prakriti) agindo sobre as trsGunas do origem aos cinco Grandes Elementos que so a base e a causa do UniversoFenomenal em todas as numerosas e constantemente mutveis formas e aparncias.Purusha fornece a energia a Prakriti atravs das trs Gunas, procedendo de Prakriti osTattvas ou princpios.Constatamos, igualmente, como todo o ser, todo o fenmeno ou toda amovimentao existente no universo manifestado corresponde expressopredominante de uma ou duas das Gunas. assim com o ser humano e com cada umdos seus pensamentos, sentimentos, aces, palavras, escolhas ou graus evolutivos; assim com os animais ou as plantas; assim com todas as formas materiais. relativamente fcil reconhecer o homem tamsico: caracterizasepela sualetargia, pela sua insensibilidade, pela lentido e inanimidade das reaces psicolgicas,pela reaco quase exclusiva a estmulos brutais ou grosseiros, que so aqueles que lheagradam e despertam interesse. o nscio conformado. Este tipo de ser humano vai ser 5. oportunamente e progressivamente despertado pelos choques rajsicos que, nessesentido, so teis e necessrios.O homem rajsico, que hoje predomina, sobretudo, nos meios mais urbanos ecosmopolitas, vido, passional e egosta, insacivel na busca de coisas para o seu eupessoal, sempre agitado e excitado, embora superfcie, pelos impactos externos. activo no sentido de reactivo. O seu pensamento predominantemente desordenado,incapaz de uma sntese. Julgaseinteligente mas est perdido na iluso. Est polarizadonos nveis de KamaMnas,ou seja, da Alma Animal, da mente (Manas) escravizadapelo desejo egosta (Kama). A civilizao contempornea eminentemente rejsicaO homem sttvico um tipo humano superior, mais interiorizado, capaz deencontrar uma sntese lcida no meio dos impactos externos, dos quais se vai deixandode tornar dependente. o homem que encontra os Valores da Harmonia, da Justia, daVerdade, da Sabedoria, e que se desapega das coisas que satisfazem o desejo egosta. o homem polarizado nos nveis superiores do Mental, em BuddniManas,ou seja, a5Mente (Manas) iluminada por Buddhi (Razo Pura, Discernimento, Intuio). Peloexposto, uma raridadeTambm na manifestao da Divindade verificaseo ritmo, isto , o perodoactivo e passivo. Na verdade, o Absoluto jamais pode estar em repouso, pois representao movimento intrnseco e transcendente, que gera e mantm a vida, embora a nossalimitada compreenso o perceba como uma imobilidade absoluta, o vazio.Assim, a Substncia Eterna se polariza e se despolariza, voltandoconstantemente ao NoSer,o No Manifestado ou ParaBrahmam,numa sucessoque a sabedoria oriental chama de os dias e as noites de Brahma. No perodo danoite Brahma, a vida entra em latncia, ou numa condio absoluta; no dia deBrahma, a vida acorda para a actividade, entrando na sua fase relativa.Os princpios fundamentais da existnciaPara os antigos mestres da ndia, a existncia tinha dois princpios fundamentais:Purusha, o principio espiritual ou a conscincia superior ou Atmam; e Prakriti, ou anatureza material, o principio criativo ou a fora de criao dos mundos fsicos.Purusha alimentado pelo fogo csmico chamado Fohat; Prakriti alimentado porKundalini, fogo csmico antagnico e complementar a Foaht.Dessas duas grandes foras, que inicialmente estavam juntas, surge aInteligncia Csmica, ou Mahat, que contm as sementes de toda a manifestao davida e qual as leis da Natureza so inerentes. Esta Inteligncia Csmica tambm estpresente no ser humano como Inteligncia pura, ou Eu Superior. atravs do EuSuperior que se desperta para a vida universal, atinge o seu pleno desenvolvimentoespiritual e pode alcanar a iluminao, ou seja, a felicidade no seu sentido mais amploe profundo.O Eu Superior tambm chamado de Buddhi ou princpio bdico e representa,ainda, a capacidade de percepo, a capacidade de discernir entre realidade e iluso. 6. Ao obedecer s leis da evoluo, a Inteligncia Csmica projectaseem direco aosmundos materiais, dando origem ao ego, ou Ahamkara. Assim, somente o nossolimitado sentido de individualidade nos separa da unidade da vida. O ego manifestaseatravs da mente condicionada, de um estado de conscincia mais grosseiro denominadoManas (ou mental inferior), que representa a nossa autoimagem,nosso universoconceptual particular, e que, por sua vez, cria o campo do pensamento limitado dentrodo qual nos confinamos. Alm disso, o ego funciona como uma ponte para oinconsciente colectivo, que tambm uma dimenso condicionante, manifestandosenocampo mental como Chitta, o turbilho dos pensamentos. Devido a Chitta, o serhumano permanece sob a influncia de latncias ancestrais, de compulses e deimpulsos passionais prprios das conscincias inferiores.O retorno unidade com a NaturezaO Ayurveda, em contra partida, aponta para uma vida em harmonia com aInteligncia Csmica, onde a nossa inteligncia se aperfeioa e atravs da qualretornamos unidade com a Natureza. S a partir dela possvel encontrar o verdadeiro6Eu, mergulhar no domnio do esprito; ou Purusha. Este o fundamento do Ayurveda,assim como o Yoga que tambm tem as suas razes nos Vedas, e funciona como basepara a psicologia ayurvdica.O retorno a Purusha exige o despertar da inteligncia que est constantementesob o comando do ego. o ego, por sua vez, que se antagoniza conscincia do EuSuperior e a base de todo o desvio da Natureza. Nesse sentido, segundo o Ayurveda, asade um estado que s existe se houver harmonia com Prakriti, a natureza fenomenal.A doena ou Vikruti, gerada pela condio artificial de distanciamento da Natureza;assim, segundo o Ayurveda todas as molstias, excepto aquelas que ocorrem poracidente, so provocadas por desequilbrios resultantes de um estgio inferior daconscincia individual.GunasGunas, so as trs qualidades da matria. Atributos fundamentais da Natureza,as gunas so a fonte de todas as caractersticas que associamos ao ser humano. Gunasso condies segundo as quais a matria csmica surge e se desenvolve. A matria daqual o universo feito em qualquer de seus estados, resulta de uma combinao de trsqualidades: Sattva (ritmo), Rajas (movimento), Tamas (inrcia.).No nvel fsico, S...</p>