291 1543 O Foco Narrativo

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    10-Apr-2016

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sobra narratividade

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O foco narrativo

O foco narrativoNarraoInterposio do narrador entre fatos narrados e pblicoAlgum que tenha autoridade para narrarAlgum que venha de outros tempos e outras terrasWalter BenjamimPercurso da narraoHistrias narradas foram se complicandoNarrador foi se ocultando atrs de outros narradores ou atrs dos fatosNarrador e personagemDistanciamento e aproximao

Narrao e ficoPlato simulao poesia cpia do mundo sensvel e simulacro em segundo grauAristteles imitao como reveladora das essnciasHegel e a objetividade picaGneros pico, Lrico, Dramtico

pico trata-se de uma realidade exterior ao autor, com a qual ele no se identifica a ponto de se envolver com os sentimentosLrico alma agigantada pelos sentimentosDramtico sntese dos doisRomance convivncia entre pico e dramtico - eixo do estudo sobre foco narrativoA tipologia de Norman Friedman1) Quem conta a histria?2) De que posio?3) Que canais de informao so usados? (palavras, pensamentos, falas)4) A que distncia o leitor colocado?

Cena e Sumrio

Autor onisciente intrusoTal narrador coloca-se como bem desejar dentro da narrativa, pode narrar como se estivesse dentro da histria, fora, na periferia, no centro ou mudando e adotando vrias posies no decorrer da narrativa . Vem do Lbano, esposa minha, vem do Lbano, vem... As mandrgoras deram o seu cheiro. Temos s nossas portas toda a casta de pombos... Eu vos conjuro, filhas de Jerusalm, que se encontrardes o meu amado, lhe faais saber que estou enferma de amor... Era assim, com essa melodia do velho drama de Jud, que procuravam um ao outro na cabea do Cnego Matias um substantivo e um adjetivo... No me interrompas, leitor precipitado; sei que no acreditas em nada do que vou dizer. Di-lo-ei, contudo, a despeito da tua pouca f, porque o dia da converso pblica h de chegar.

Matias, cnego honorrio e pregador efetivo, estava compondo um sermo quando comeou o idlio psquico. Tem quarenta anos de idade, e vive entre livros e livros para os lados da Gamboa. Vieram encomendar-lhe o sermo para certa festa prxima; ele que se regalava ento com uma grande obra espiritual, chegada no ltimo paquete, recusou o encargo; mas instaram tanto, que aceitou. Narrador onisciente neutroDifere do primeiro porque no d instrues ou faz comentrios, fala em 3 pessoa, descreve a personagem para o leitor e tende ao sumrio utilizando-se da cena geralmente em momentos de dilogo e ao.Noite de almiranteDeolindo Venta-Grande (era uma alcunha de bordo) saiu ao Arsenal de Marinha e enfiou pela Rua de Bragana. Batiam trs horas da tarde. Era a fina flor dos marujos e, demais, levava um grande ar de felicidade nos olhos. A corveta dele voltou de uma longa viagem de instruo, e Deolindo veio terra to depressa alcanou licena. Os companheiros disseram-lhe, rindo: Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante vai voc passar! ceia, viola e os braos de Genoveva. Colozinho de Genoveva...

Deolindo sorriu. Era assim mesmo, uma noite de almirante, como eles dizem, uma dessas grandes noites de almirante que o esperava em terra. Comeara a paixo trs meses antes de sair a corveta. Chamava-se Genoveva, caboclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido. Encontraram-se em casa de terceiro e ficaram morrendo um pelo outro, a tal ponto que estiveram prestes a dar uma cabeada, ele deixaria o servio e ela o acompanharia para a vila mais recndita do interior. A velha Incia, que morava com ela, dissuadiu-os disso; Deolindo no teve remdio seno seguir em viagem de instruo. Eram oito ou dez meses de ausncia. Como fiana recproca, entenderam dever fazer um juramento de fidelidade.

Eu como testemunhaEle narra em primeira pessoa algo de que ele participa ou participou, podendo ser o protagonista ou uma personagem secundria. o prprio testemunho de algum, nesse sentido, a personagem narradora limitada, pois no tem acesso ao pensamento das outras personagens, podendo somente supor algo, sem certeza alguma.

Em meus anos mais juvenis e vulnerveis, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci:

- Sempre que voc tiver vontade de criticar algum - disse-me ele - lembre-se de que criatura alguma neste mundo teve as vantagens de que voc desfrutou.

Ele nada mais disse, mas sempre fomos comunicativos de uma maneira bastante incomum e reservada, e eu compreendi que ele queria dizer muito mais do que isso. Por conseguinte, sinto-me inclinado a guardar para mim todos os meus juzos, hbito esse que fez com que muitas naturezas curiosas se abrissem comigo, mas que tambm me tornou vtima de muitos maadores inveterados.

Eu morava em West Egg, o... bem, o menos elegante dos dois, embora este seja um rtulo sumamente superficial para exprimir o contraste bizarro - e que no deixava de ser, de certo modo, sinistro - existente entre ambos. Minha casa ficava bem na ponta do ovo, a somente cinquenta jardas de distncia do Estreito, espremida entre duas enormes manses, cujo aluguel, durante a estao, variava entre doze e quinze mil dlares. A da direita era colossal, comparada a qualquer construo do mesmo gnero: tratava-se, com efeito, de uma imitao de algum htel de ville da Normandia, com uma torre ao lado esplendidamente nova sob o seu tnue revestimento de hera, uma piscina de mrmore e mais de quarenta acres de relvados e jardins. Era a manso de Gatsby. Ou melhor, como eu no conhecia o Sr. Gatsby, era uma manso habitada por um cavalheiro desse nome. Quanto minha casa, era uma monstruosidade, mas uma monstruosidade insignificante, e, assim, fora deixada no esquecimento, de modo que eu desfrutava de uma paisagem parcial proporcionada pelos relvados do meu vizinho e da consoladora proximidade de milionrios - tudo isso por oitenta dlares mensais.

Narrador protagonistaTem aspectos do anterior. Esse narrador tambm no onisciente, no tem acesso ao pensamento e limitado, pois narra somente suas percepes e pensamentos, podendo assim modificar a distncia entre leitor e histria.Escapei ao agregado, escapei a minha me no indo ao quarto dela, mas no escapei a mim mesmo. Corri ao meu quarto, e entrei atrs de mim. Eu falava-me, eu perseguia-me, eu atirava-me cama, e rolava comigo, e chorava, e abafava os soluos com a ponta do lenol. Jurei no ir ver Capitu aquela tarde, nem nunca mais, e fazer-me padre de uma vez. Via-me j ordenado, diante dela, que choraria de arrependimento e me pediria perdo, mas eu, frio e sereno, no teria mais que desprezo, muito desprezo; voltava-lhe as costas. Chamava-lhe perversa. Duas vezes dei por mim mordendo os dentes, como se a tivesse entre eles.Da cama ouvi a voz dela, que viera passar o resto da tarde com minha me, e naturalmente comigo, como das outras vezes; mas, por maior que fosse o abalo que me deu, no me fez sair do quarto e Capitu ria alto, falava alto, como se me avisasse; eu continuei surdo, a ss comigo e o meu desprezo. A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoo, enterr-las bem, at ver-lhe sair a vida com o sangue...

Oniscincia seletiva mltiplaA histria vem diretamente da mente das personagens.No neutra porque os pensamentos, percepes e sentimentos so filtrados pela mente dos personagens.Discurso indireto livreAgora queria entender-se com Sinha Vitria a respeito da educao dos pequenos. Certamente ela no era culpada. Entregue aos arranjos da casa, regando os craveiros e as panelas de losna, descendo ao bebedouro com o pote vazio e regressando com o pote cheio, deixava os filhos soltos no barreiro, enlameados como porcos. E eles estavam perguntadores, insuportveis. Fabiano dava-se bem com a ignorncia. Tinha o direito de saber? Tinha? No tinha.

Oniscincia seletivaUm pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tric, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde comeou a andar. Recostou-se ento no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfao.Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaosa, o fogo enguiado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mo, no outras, mas essas apenas. E cresciam rvores. Crescia sua rpida conversa com o cobrador de luz, crescia a gua enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifcio. Ana dava a tudo, tranqilamente, sua mo pequena e forte, sua corrente de vida.Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa hora da tarde as rvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua fora, inquietava-se.Dramatic ModeO Lixo Encontram-se na rea de servio. Cada um com seu pacote de lixo. a primeira vez que se falam.- Bom dia...- Bom dia.- A senhora do 610.- E o senhor do 612- .- Eu ainda no lhe conhecia pessoalmente...- Pois ...- Desculpe a minha indiscrio, mas tenho visto o seu lixo...- O meu qu?- O seu lixo.- Ah...- Reparei que nunca muito. Sua famlia deve ser pequena...- Na verdade sou s eu.- Mmmm. Notei tambm que o senhor usa muito comida em lata.- que eu tenho que fazer minha prpria comida. E como no sei cozinhar...- Entendo.- A senhora tambm...- Me chame de voc.- Voc tambm perdoe a minha indiscrio, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...

- que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, s vezes sobra...- A senhora... Voc no tem famlia?- Tenho, mas no aqui.- No Esprito Santo.- Como que voc sabe?- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Esprito Santo.- . Mame escreve todas as semanas.- Ela professora?- Isso incrvel! Como foi que voc adivinhou?- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.- O senhor no recebe muit