A ICTIOFAUNA DA REPRESA DE PONTE NOVA, ? A ictiofauna da represa de Ponte Nova (Alto Rio Tiet, So

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  • A ICTIOFAUNA DA REPRESA DE PONTE NOVA, SALESPOLIS(SO PAULO) - BACIA DO ALTO TIET*

    Maria Teresa Duarte GIAMAS 1, 2*; Elmar Cardozo CAMPOS 1*; Jaime Jos Casari daCAMARA 1*; Harry VERMULM JUNIOR 1*; Geraldo BARBIERI 1*

    RESUMO

    A ictiofauna da represa de Ponte Nova (Alto Rio Tiet, So Paulo) constituda por 24 espcies, namaioria de natureza endmica na Bacia do rio considerado, de pequeno porte e pouco valor comercial.Os resultados atuais de capturas quando comparados com resultados obtidos anteriormente (1975),indicam depleo populacional de algumas espcies. Por outro lado, a introduo de espcies exticastem se observado no decorrer dos anos. A capacidade de auto-regulao populacional e o tipo dedesova das espcies da represa possibilitam o estabelecimento de programas de recuperao econservao propostos no presente trabalho.Palavras-chave: ictiofauna; represa; manejo; Ponte Nova; Alto Rio Tiet

    THE ICHTHYOFAUNA OF PONTE NOVA RESERVOIR (SO PAULOSTATE) HIGH TIET RIVER - SOUTHEASTERN BRAZIL

    ABSTRACT

    The ichthyofauna of Ponte Nova reservoir (high Tiet River, So Paulo State, Southeastern Brazil) iscomposed by 24 species, most of them endemical and of a small size and little commercial value. Thecurrent results of captures when compared with those previously obtained (1975), indicate populationdepletion of some species. On the other hand, the introduction of exotic species has been observedin elapsing of the years. The capability of population auto regulation and the type of spawning inthe reservoir enable the establishment of programs of recovery and conservation considered in thepresent work.Key words: ichthyofauna; reservoir; management; Ponte Nova; high Tiet River

    B. Inst. Pesca, So Paulo, 30(1): 25 - 34, 2004

    Artigo Cientfico: Recebido em: 19/05/2003 - Aprovado em: 30/07/20041 Pesquisadores do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Recursos Hdricos Instituto de Pesca - APTA - Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de So Paulo.2 Endereo/Addresss: Av. Francisco Matarazzo, 455, gua Branca, So Paulo. CEP: 05001-900* Projeto financiado pelo FEHIDRO 007/2000: Diagnstico limnolgico e levantamento ictiofaunstico da Represa de Ponte Nova, Alto Tiet, com vistas ao manejo e preservao.

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    INTRODUODentro de uma abordagem ecolgica, a tomada de

    deciso relacionada ao manejo ambiental contemplaestudos relativos a estrutura e funo dosecossistemas, para o conhecimento do comportamentodos mesmos frente a diferentes perturbaes. O manejoambiental consiste, segundo ODUM (1985), nahabilidade de monitorar e avaliar os efeitosantropognicos. A considerao do ecossistema comoum complexo multidimensional, scio-econmico eecolgico (PUCCINI, 1971) refora o conceito de que omanejo deve ser realizado dentro de uma abordagemholstica e interdisciplinar da teoria ecolgica(DWIVEDI, 1959). Neste sentido, os tcnicos do Centrode Pesquisa e Desenvolvimento de RecursosHdricos, do Instituto de Pesca, cientes de suasresponsabilidades e da importncia do presenteprojeto, apresentaram uma proposta holstica einterdisciplinar para conservao e manejo doecossistema Represa de Ponte Nova.

    A comunidade de peixes, como integranteimportante deste ecossistema, foi contemplada nesteprograma. Dentro dessa abordagem, a identificaodas espcies e a anlise da variao temporal daestrutura populacional, podem contribuir para oconhecimento da dinmica da represa e para ofornecimento de subsdios para a implantao defuturos de programas de povoamento e/ourepovoamento e conservao.

    Tem sido enfatizado que para todos os corpos degua, em especial para aqueles dos pases emdesenvolvimento, necessrio que se projetemmodelos de conservao que procurem conciliar apreservao da biodiversidade e o desenvolvimentosocial. Esse modelo deve contemplar o uso sustentveldos recursos naturais, atravs do estabelecimento enormalizao de atividades econmicas. Essa metapode ser alcanada atravs de um gerenciamento dosrecursos disponveis, e deve ser administradaconjuntamente pelo setor pblico e a comunidadeenvolvida. As reas das represas funcionam comoviveiros e habitats permanentes e temporrios paramuitas espcies de peixes e so oriundas datransformao de ambientes naturais pelainterferncia do homem. As represas construdas noBrasil nos ltimos 50 anos so exemplos tpicosdestas transformaes. A mudana do regime dosnossos rios, de ltico para lntico, tem alteradosignificativamente a qualidade e a grandeza daictiofauna das reas naturais. A dificuldade da

    realizao de migraes, de carter reprodutivo ealimentar, ocasionadas pela construo de barragens,quando associadas a crescente poluiodomstica e industrial, bem como ao assoreamentomarginal, tm sido apontadas como a principalcausa do desaparecimento de espcies nobres, demaior valor comercial. Espcies de menor valor,oportunistas e em geral carnvoras, tendem a ocuparo nicho das outras espcies.

    A Comisso de Pesca Continental para a AmricaLatina, em reunio realizada em maio de l993 nacidade de Montevidu (FAO, 1993) sugeriu, para osestudos a serem realizados em represas e lagos, umaanlise da estrutura das comunidades de peixes emfuno das modificaes no tempo e das variveisabiticas e, sempre que possvel, o estabelecimento deprogramas que contemplem no s a preservao dabiodiversidade, mas tambm as atividades sociais eeconmicas.

    PIANKA (1994) define a estrutura da comunidadecomo as diversas maneiras como seus membros serelacionam. A medida mais simples da estrutura dacomunidade o nmero de espcies, que estrelacionada riqueza, diversidade e regularidade desua distribuio. Estudos conduzidos em ambienteslnticos tm estabelecido relaes entre algumasvariveis abiticas e a composio e estrutura dacomunidade. Dentre essas variveis, tem sidodemonstrado que a temperatura, condutividade, alturada coluna de gua, variaes na velocidade dacorrente, reteno hidrulica (POFF e ALLAN, 1995),concentrao de oxignio dissolvido, pH (TONN eMAGNUSON, 1982), tipo de substrato e coberturavegetal (BENSON e MAGNUSON, 1992), intensidadede precipitao (TAKEDA et al., 1997), variaosazonal relativa a diferentes estaes do ano(BEMVENUTI, 1987), afetam a riqueza, abundncia eocorrncia de espcies.

    Ao longo dos ltimos 20 anos, poucos foram osrelatos sobre a situao da ictiofauna da represa dePonte Nova e antes do barramento do rio nada foiregistrado.

    No presente trabalho avaliou-se qualitativa equantitativamente a composio da ictiofauna darepresa de Ponte Nova alto rio Tiet, em dois perodosdistintos. Assim, a composio da ictiofauna atualfoi comparada da ictiofauna estudada no ano 1975.Uma proposta de conservao e povoamento darepresa foi apresentada. A atividade da pesca e o perfildo pescador artesanal da represa foram analisados.

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    rea de EstudoA represa de Ponte Nova est situada no Estado

    de So Paulo e pertence bacia do alto rio Tiet.Segundo SCHROEDER-ARAUJO (1980), foi con-cluda em 1972, com a finalidade de controlar asenchentes e possibilitar condies de navegabilidadedo rio Tiet, bem como a recuperao de vrzeas e oabastecimento de gua. Sua rea de 2.760 hectares,com profundidade mdia de 15 metros. A barragemest situada entre os municpios de Salespolis eBiritiba Mirim (SP), a aproximadamente 800 metros ajusante da confluncia dos rios Claro e Tiet. O climada regio do tipo Cfb, isto , temperado e mido semestiagem. A vegetao das terras vizinhas natural(mata tropical) apresentando faixas de reflo-restamento com pinheiros e eucaliptos. A represa estlocalizada a uma altitude de 840 metros. O curso dorio Tiet segue a direo leste-oeste at a cidade deSo Paulo, mudando, a seguir, para o rumo norte-oeste. Atravessa todo o territrio do Estado de SoPaulo e, aps percorrer 1.126 quilmetros, desguano rio Paran (MACHADO et al., 1968)

    MATERIAL E MTODOSAs coletas para o levantamento da ictiofauna da

    represa de Ponte Nova foram realizadas mensalmente,no perodo de novembro de 2000 a outubro de 2001.Na rea de amostragem foram utilizados, 2 pontos decoleta: um ponto a montante da barragem e prximaa na margem esquerda do Rio Tiet e outro situadoprximo confluncia dos rios Claro e Tiet. Para operodo anual de 1975 foram usados quatro pontosao longo do eixo longitudinal da represa, sendo osdois mais prximos barragem coincidentes com osdo atual perodo de coleta. Cabe lembrar que os doispontos pesquisados esto na rea de proteoambiental, sem permisso para a pesca.

    Para padronizar o esforo de pesca utilizaram-seas capturas de um dia de pesca por ms (perodonoturno de 12 horas), com o emprego de duas bateriasde 7 redes cada uma, pelo mtodo de espera, sendouma bateria em cada ponto pr-determinado, com asseguintes caractersticas: rede de nilonmonofilamento, com comprimento de 20 metros, alturamdia de 1,65 metro e malha de 3,0 a 9,0 centmetros(entre-ns opostos). O material coletado foitransportado para o Laboratrio de Ictiologia doCentro de Pesquisa e Desenvolvimento de RecursosHdricos do Instituto de Pesca (SP), para identificao

    das espcies, e do sexo e registro de medidas. Osexemplares foram identificados de acordo comBRITSKI (1972), BRITSKI et al. (1999), FOWLER (1950)e GODOY (1975). As freqncias mensais de capturasforam registradas para posterior anlise da variaoem relao aos dados obtidos pela Seo de Controlee Orientao da Pesca do Instituto de Pesca (PROJETODAEE) em 1975. Ressalta-se que, neste perodo, foiusada a mesma metodologia de captura, j descritaanteriormente para o perodo anual de 2000/2001,ou seja, rede de emalhar, pelo mtodo de espera, como mesmo tempo de permanncia na gua, sendotambm utilizadas duas baterias de 7 redes com asmesmas malhagens, porm com 10 metros decomprimento e em 4 pontos diferentes. As freqnciasabsolutas das espcies capturadas nos dois perodosforam agrupadas em tabela e o teste de similaridadede Mann-Whitney (SPIEGEL, 1981) foi aplicado.

    Para cada exemplar determinou-se macrosco-picamente o sexo e o estdio de desenvolvimento dagnada. Durante o perodo de coletas foram mantidoscontatos com pescadores profissionais que atuam narepresa, visando estabelecer preliminarmente umaanlise scio-econmica do setor naquela rea.

    RESULTADOSNo presente estudo, os 1.507 exemplares

    capturados em 1975 e 2000/2001 foram, distribudossistematicamente, conforme consta na tabela 1,verificando-se a presena de 3 superordens, 5 ordens,11 famlias, 19 gneros e 24 espcies. Destas, 3 soespcies exticas (Tilapia rendalli, Oreochromis niloticuse Micropterus salmoides) e 3 no nativas (Hopliaslacerdae, Platanichthys platana e Hoplosternum littorale).Algumas espcies foram capturadas apenas noperodo de 1975 (lambari, Astyanax scabripinnis;lambari, Pseudocorynopoma heterandria; sagiru,Steindachnerina insculpta; cadela, Oligosarcus sp.; tilpiapreta, Tilapia rendalli; cascudo, Hypostomus sp.; bagre,Rhamdia hilarii; mandi, Pimelodella meeki, tuvira,Eigenmannia virescens), e outras, apenas no perodo2000/2001 (tuvira, Gymnotus carapo; trairo, Hopliaslacerdae; tamboat, Hoplosternum littorale; black-bass,Micropterus salmoides; cadela, Oligosarcus paranensis;sardinha, Platanichthys platana e bagre, Rhamdiaquelen). Do total capturado, 6 espcies (lambaris,Astyanax eigenmanniorum e Astyanax fasciatus; sagiru,Cyphocharax modestus; acar, Geophagus brasiliensis;trara, Hoplias malabaricus e tilpia-do-Nilo,

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    Oreochromis niloticus) ocorreram nos dois perodos.Todas as espcies apresentaram caractersticasmacroscpicas da gnada, que indicavam desova do

    tipo parcelada, 62,50 % so de pequeno porte, 29,17%de mdio porte e 8,33 % de grande porte (VAZZOLERet al., 1997).

    Tabela 1. Espcies de peixes da Represa de Ponte Nova Alto Rio Tiet, (Salespolis, SP) registradas nos anos2000-2001 (*), 1975(**) e em ambos os perodos de captura (***), com indicao do porte e do tipo de desova

    CLASSIFICAO NOME POPULAR PORTE DESOVA Superordem Ostariophysi

    Ordem Characiformes Famlia Characidae

    Astyanax fasciatus (Cuvier, 1819) *** lambari P Parcelada Astyanax eigenmanniorum (Cope, 1894) *** lambari P Parcelada Astyanax scabripinnis (Jenyns, 1842) ** lambari P Parcelada Hyphessobrycon bifasciatus (Ellis, 1911) ** lambari P Parcelada Pseudocorynopoma heterandria (Eigenmann, 1914) ** lambari P Parcelada Oligosarcus paranensis * peixe cadela P Parcelada Oligosarcus sp ** peixe cadela P Parcelada

    Famlia Curimatidae Cyphocharax modestus (Fernandez -Ypez, 1948) *** saguiru P Parcelada Steindachnerina insculpta (Steindachner, 1875) ** saguiru P Parcelada

    Famlia Erythrinidae Hoplias malabaricus (Bloch, 1794) *** trara G Parcelada Hoplias lacerdae (Ribeiro, 1908) * trairo G Parcelada

    Famlia Parodontidae Apareiodon affinis (Steindachner, 1879) * canivete P Parcelada

    Ordem Gymnotiformes Famlia Gymnotidae

    Gymnotus carapo (Linnaeus, 1758) * tuvira M Parcelada Famlia Sternopygidae

    Eigenmannia virescens (Valenciennes, 1847) *** tuvira M Parcelada Ordem Siluriformes Famlia Loricariidae

    Hypostomus sp ** cascudo M Parcelada Famlia Callichthyidae

    Hoplosternum littorale (Hancock, 1828) * tamboat P Parcelada Famlia Pimelodidae

    Rhamdia quelen (Quoy & Gaimard, 1824) * bagre M Parcelada Rhamdia hilarii (Valenciennes, 1840) ** bagre M Parcelada Pimelodella meeki (Eigenmann, 1910) ** mandi-choro P Parcelada Superordem Acanthopterygii

    Ordem Perciformes Famlia Cichlidae

    Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) *** acar P Parcelada Tilapia rendalli (Boulenger,1896) ** tilpia preta P Parcelada Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758) * Tilpia-do-Nilo M Parcelada

    Famlia Centrarchidae Micropterus salmoides (Lacpde, 1802) * black-bass M Parcelada Superordem Clupeomorpha

    Ordem Clupeiformes Platanichthys platana (Regan, 1917) * sardinha P -

    P= pequeno porte M= mdio porte G= grande porte

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    A tabela 2 apresenta as freqncias relativasmensais de captura de cada espcie, no perodo denovembro de 2000 a outubro de 2001. A tabela 3 mostraas freqncias relativas mensais de cada espciecapturada no perodo de janeiro a dezembro de 1975.A tabela 4 apresenta as freqncias absoluta e relativadas espcies mais capturadas nos dois perodos. Como

    se pode observar pelos resultados obtidos, a represade Ponte Nova apresenta ictiofauna pobre do pontode vista quali-quantitativo. A presena de espciesexticas (Micropterus salmoides, Oreochromis niloticus)e espcies alctones (Hoplosternum littorale,Platanichthys platana , Hoplias lacerdae) tem sidoconstatada nos ltimos anos.

    Tabela 2. Freqncia relativa mensal das espcies capturadas no perodo de novembro de 2000 a outubro de2001, na Represa de Ponte Nova, Alto Tiet/SP

    Tabela 3 . Freqncia relativa mensal das espcies capturadas no perodo de janeiro a dezembro de 1975, naRepresa de Ponte Nova, Alto Tiet

    Tabela 4. Freqncias absoluta (fa) e relativa (fr) das espcies mais capturadas na Represa de Ponte Nova, AltoTiet , nos anos de 1975 e 2000/2001

    ESPCIES NOV/00 DEZ/00 JAN/01 FEV/01 MAR/01 ABR/01 MAI/01 JUN/01 JUL/01 AGO/01 SET/01 OUT/01 A. eigenmanniorum 4,05 12,50 11,15 15,20 3,72 3,72 10,47 3,38 10,81 11,49 8,11 5,41

    A. fasciatus 9,69 13,35 3,47 15,36 6,76 6,22 11,15 1,83 8,96 12,25 5,48 5,48 C. modestus 21,48 10,07 16,11 26,17 1,34 2,01 0,67 5,37 5,37 2,01 2,68 6,71

    G. brasiliensis 17,83 6,98 12,66 10,08 9,30 4,39 2,84 1,55 3,62 4,91 11,89 13,95 G. carapo 0,00 50,00 0,00 50,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

    H. lacerdae 75,00 0,00 0,00 0,00 0,00 25,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 H. malabaricus 20,00 0,00 20,00 6,67 6,67 6,67 13,33 0,00 13,33 0,00 6,67 6,67

    H. littorale 0,00 0,00 0,00 100,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 M. salmoides 0,00 0,00 4,76 71,43 19,05 0,00 0,00 4,76 0,00 0,00 0,00 0,00 O. paranensis 21,21 9,09 9,09 9,09 15,15 3,03 3,03 9,09 0,00 12,12 3,03 6,06 O. niloticus 15,15 9,09 12,12 3,03 24,24 6,06 0,00 3,03 0,00 3,03 6,06 18,18 P. platana 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 33,33 0,00 66,67 R. quelen 13,33 20,00 0,00 0,00 13,33 6,67 13,33 0,00 20,00 6,67 6,67 0,00

    E. virescens 0,00 0,00 0,00 0,00 100,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

    ESPCIES JAN/75 FEV/75 MAR/75 ABR/75 MAI/75 JUN/75 JUL/75 AGO/75 SET/75 OUT/75 NOV/75 DEZ/75 A. eigenmanniorum 10,66 13,93 9,93 6,62 14,77 12,70 4,04 2,32 8,97 4,18 3,43 8,46

    A. scabripinnis 11,06 15,99 9,67 6,32 12,36 12,45 3,53 2,23 9,85 4,18 2,97 9,39 A. fasciatus 9,06 17,32 8,66 5,12 15,35 12,60 3,94 2,36 8,66 4,72 4,33 7,87 C. modestus 9,00 20,11 7,77 4,94 4,46 5,09 8,56 6,89 7,60 6,85 8,62 10,11

    G. brasiliensis 9,54 22,34 17,71 11,04 8,04 8,58 1,09 3,00 7,49 1,09 5,31 4,77 Oligosarcus sp 6,23 17,21 3,86 3,56 13,06 6,82 13,65 7,72 10,98 2,08 8,61 6,23 H. malabaricus 13,68 11,11 6,84 5,13 6,84 2,56 11,11 13,68 4,27 5,98 8,55 10,26 Hypostomus sp 4,17 60,42 6,25 4,17 2,08 20,83 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2,08

    R. quelen 6,67 10,00 20,00 3,33 20,00 26,67 0,00 0,00 0,00 0,00 6,67 6,67 T.rendalli 38,46 3,85 23,08 7,69 11,54 15,38 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 P. meeki 5,88 76,47 5,88 0,00 11,76 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

    E. virescens 0,00 0,00 0,00 0,00 100,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

    1975 2000 / 2001 ESPCIES fa fr fa fr

    A. eigenmanniorum 8.667 0,49 296 0,20 C. modestus 6.499 0,36 149 0,10

    A. scabripinnis 1.076 0,06 0 0 G. brasiliensis 734 0,04 387 0,25

    A. fasciatus 254 0,01 547 0,36

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    Pela anlise dos dados nos perodos considerados,a represa vem apresentando uma crescente depleopopulacional, pois, no perodo de janeiro a dezembrode 1975, foram capturados 17.806 exemplares em4 dias por ms (48 dias/ano), sendo um dia em cadaum dos 4 pontos, utilizando 2 baterias de rede(14 redes), totalizando 672 redes/dia, com um esforode 26,50 indivduos por rede/dia (PROJETO DAEE).Da mesma forma, para o perodo anual de novembrode 2000 a outubro de 2001, foram capturados 1.507exemplares em um dia/ms (12 dias/ano), sendo umdia para os 2 pontos, utilizando 2 baterias de redes(14 redes), totalizando 168 redes/dia, com um esforode 8,97 indivduos por rede/dia. Do exposto, pode-seconcluir que, para o perodo 2000/2001, mesmo quefosse aumentada a unidade de esforo (rede/dia) em4 vezes, para igualar a do perodo anterior (1975), ter-se-ia uma produo em nmero de indivduos deaproximadamente 6.000 indivduos, o que seriapraticamente 3 vezes menor que a produo doprimeiro perodo (17.806 indivduos).

    A tabela 5 mostra a variao quantitativa da

    ictiofauna nos dois perodos analisados e o teste deMANN-WHITNEY indicou uma similaridadesignificativa entre os dados de captura nos doisperodos (Z=2,31 e =0,01). Pela anlise desta tabelaverifica-se que algumas espcies apresentaramreduo populacional (Astyanax eigenmanniorum,Cyphocharax modestus), outras, apresentaramcrescimento populacional (Geophagus brasiliensis eAstyanax fasciatus). A espcie Astyanax scabripinnis nofoi capturada no perodo 2000/2001. Acredita-se quea causa dessa acentuada depleo populacional estejarelacionada com a presena de Micropterus salmoides(black-bass) e de trairo (Hoplias lacerdae) no local deocorrncia da espcie (cabeceira do rio Claro).

    As espcies mais capturadas no perodo de janeiroa dezembro de 1975 foram Astyanax eigenmanniorum eCyphocharax modestus, correspondendo a 56,3 % dapopulao total amostrada. No perodo de novembrode 2000 a outubro de 2001, as espcies maiscapturadas foram Astyanax fasciatus e Geophagusbrasiliensis, correspondendo a 61,9 % da populaototal amostrada.

    Tabela 5. Anlise quantitativa da ictiofauna da Represa de Ponte Nova, Alto Tiet/SP, nos anos de 1975 e2000/2001

    DISCUSSOO desmatamento ciliar, a construo de barragens,

    a introduo de poluentes domsticos e industriais, asobrepesca e a falta de controle sobre a qualidade dagua tm sido as principais causas das modificaes

    do meio ambiente, provocando conseqncias diretassobre a fauna em geral, especialmente sobre aspopulaes de peixes nas represas do Estado de SoPaulo (BARRELLA, 1997). Mais recentemente, osespecialistas tm-se preocupado com os efeitos destes

    ESPCIES 1975 2000/2001 Astyanax eigenmanniorum (lambari) 8.667 296 Astyanax fasciatus (lambari) 1.076 547 Astyanax scabripinnis (lambari) 254 - Cyphocharax modestus (saguiru) 6.499 149 Geophagus brasiliensis (acar) 734 387 Oligosarcus paranensis (peixe-cadela) - 33 Oligosarcus sp. (peixe-cadela) 337 - Gymnotus carapo (tuvira) - 2 Eigenmannia virescens (tuvira) 1 1 Hoplias malabaricus (trara) 117 15 Hoplias lacerdae (trairo) - 4 Hypostomus sp (cascudo) 48 - Rhamdia quelen (bagre) 30 15 Tilapia rendalli (tilapia) 26 - Oreochromis niloticus (tilapia) - 33 Pimelodella meeki (mandi) 17 - Micropterus salmoides (black-bass) - 21 Platanichthys platana (sardinha) - 3 Hoplosternum littorale (tamboat) - 1 Total 17.806 1.507

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    impactos e, infelizmente, poucos so os trabalhos quetratam das alteraes da ictiofauna nativa ao longodos ltimos anos e que apresentam propostas derecuperao, conservao e programas de manejosustentvel. A expanso de pesque-pague e ocrescente nmero de pequenas pisciculturas tmaumentando a freqncia de escape de espciesexticas e no nativas, que se dirigem para as represas.Os registros destes escapes e da introduo deespcies exticas e alctones so escassos e falhos.De uma forma geral, aps estas alteraes e, emespecial, devido aos represamentos que transformamos rios em uma seqncia de represas, a ictiofaunapassa a ser composta por espcies oportunistas e depequeno porte. importante enfatizar que todo estudovisando implantao de programas de recuperao,conservao e manejo de uma determinada represadeve ser precedido de um completo inventrioictiofaunstico e, sempre que possvel, de uma anliseda sucesso da ictiofauna dos ltimos vinte anos,destacando as espcies que desapareceram, espciesnovas e as introduzidas.

    Os levantamentos tm-se restringido enumerao pura e simples de espcies de valoreconmico e de grande porte e, mesmo assim, semidentificao criteriosa e completa dos exemplares.Geralmente, nesses levantamentos tem sido ignoradaa existncia de espcies de pequeno porte e de baixovalor comercial, esquecendo que os ecossistemas soconstitudos de uma complexa organizao, tendocada espcie seu papel definido. Alm disso, osestudos realizados at o momento, em especial nabacia do alto Tiet, no apresentam propostas derecuperao, conservao ou manejo (BARRELLA,1997).

    Segundo MCLACHLAN (1974), as alteraesno ambiente e a passagem gradativa de ambiente lticopara lntico, resultam no desaparecimento dasespcies estritamente fluviais e em um rearranjo geraldas demais espcies. Como nem todas as espcies socapazes de se adaptar, espera-se que a represa passea apresentar uma ictiofauna menos diversificada quea do rio primitivo e composta, por espcies de menorporte e de menor valor econmico. Tratando-se derepresa localizada na cabeceira de rio, a tendnciadessa ictiofauna ficar mais restrita ainda, dos pontosde vista quali e quantitativo.

    A ictiofauna da represa de Ponte Nova constituda de espcies, na sua maioria poucodiferentes daquelas da ictiofauna das outras duas

    importantes represas do alto Tiet, Billings eGuarapiranga, estudadas, respectivamente, porMITRE-VERA (1997) e BARBIERI et al. (2000). Aictiofauna da represa de Ponte Nova pobre emnmero de espcies e em nmero de exemplares. Emsua grande maioria, essas espcies so de pequenoporte e endmicas, com pouco valor comercial,sedentrias e dotadas de desova parcelada. Suacomposio em grande parte, distinta daquelas deoutras cabeceiras de rios como, por exemplo, a da baciado alto Paran.

    As espcies mais capturadas na represa de PonteNova so lambaris, sagiru e acar, enquanto que naBillings e Guarapiranga, a tilpia-do-Nilo e o lambariso as mais capturadas. BARRELLA (1997), em seusestudos sobre a ictiofauna da represa de Ponte Novanos anos de 1994 e 1995, constatou a ocorrncia de 14espcies, sendo mais abundantes as espcies dosgneros Astyanax, Cyphocharax e Geophagus. Narepresa de Ponte Nova, a localizao da populaode tilpia-do-Nilo est limitada a locais prximos barragem, considerada rea de proteo ambientalsem permisso para pesca, enquanto que, nasrepresas do complexo Billings e Guarapiranga, a suadistribuio no est limitada a nenhuma regio.

    A ictiofauna atual da represa de Ponte Nova,quando comparada com a ictiofauna estudada em1975 pela Seo de Controle e Orientao da Pesca doInstituto de Pesca, apresenta algumas espcies novase ausncia de outras. Como se pode observar numabreve anlise, a produo das diferentes espcies emnmero de exemplares capturados no perodo anualde janeiro a dezembro de 1975, foi trs vezes maiorque a do perodo anual de novembro de 2000 a outubrode 2001, guardando as devidas propores, quantoao esforo de pesca (nmero de indivduos capturadospor rede/dia) utilizado nos dois perodos, o qual foiquatro vezes maior no primeiro perodo considerado. bastante evidente a presena de espcies exticasintroduzidas a partir da dcada de 1980, tais como atilpia-do-Nilo e black bass. Esta ltima, segundopescadores da regio, foi introduzida, maisrecentemente com a expanso da atividade da pescaesportiva na represa.

    A introduo de novas espcies de peixes embacias hidrogrficas do Estado de So Paulo foiamplamente difundida entre empresasconcessionrias de energia eltrica, visandoprincipalmente diminuio de impactos causadospelos represamentos de rios. O Decreto Lei no. 794/38

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    exigiu a implantao de estaes de piscicultura, afim de manter sistemas permanentes de repovoamentode rios e represas.

    A falta de informaes biolgicas sobre as espciesnativas levou prtica da introduo de espcies deoutras bacias e at mesmo de espcies exticas.Segundo AGOSTINHO e JULIO (1996), essa prtica,salvo poucas excees, no foi bem sucedida nosentido de provocar uma auto-sustentao da pesca,pois algumas espcies trouxeram gravesconseqncias s comunidades de peixes endmicos.Dependendo da espcie introduzida, ocorreram, emalgumas represas, reduo ou extino de estoquesde peixes nativos, alm da disseminao de patgenose parasitos e diminuio da variabilidade genticados estoques naturais.

    A tilpia preta, Tilapia rendalli, foi introduzida nabacia do alto Tiet no ano 1953. Esta espcie proliferounas represas da bacia do alto Tiet at 1984 (ROCHAet al., 1985). A partir desse ano, com a introduo datilpia-do-Nilo, Oreochromis niloticus, a tilpia pretaveio apresentando uma crescente depleopopulacional. O seu nicho ecolgico passou a serocupado pela outra espcie extica de melhorqualidade para o consumo humano. O sucesso dacolonizao pela tilpia-do-Nilo pode ser atribudo auma combinao de vrios fatores: tolerncia agrandes variaes de oxignio e temperatura, altacapacidade de aproveitar o plncton como alimento,alto potencial reprodutivo, tolerncia a poluentesqumicos, cuidados parentais e desova parcelada.

    Segundo BARRELLA (1997), as cabeceiras derios so ambientes oligotrficos, com baixaprodutividade e que abrigam uma ictiofaunacomposta por espcies endmicas de pequeno porte esem valor econmico.

    A pesca na represa de Ponte Nova no apresentagrande expresso na economia da regio sendorealizada por poucos pescadores artesanais. Essaatividade ampliada nos finais de semana, comoforma de lazer de pescadores e de famlias da regio.No perodo de estudo, constatou-se que apenas cincopescadores dependiam da pesca para suasobrevivncia. A escassez do produto disponvel narepresa, cada vez mais intensa, tem provocado amigrao peridica dos pescadores para outrasrepresas e rios.

    O perfil socioeconmico predominante dospescadores da represa de Ponte Nova pode serresumido em: possuem baixo grau de instruo, idade

    avanada, e famlia numerosa, utilizam embarcaesde alumnio motorizadas, geralmente vendem aproduo para intermedirios ou nas cidadesprximas represa e no pescam todos os dias. Esteperfil no coincide com o apresentado por CASTROet al. (2001) para o pescador artesanal do mdio rioTiet. A reduo da atividade da pesca tem sidoexplicada pelo alto custo do combustvel necessriopara a locomoo e pela diminuio do produtodisponvel.

    A idia de que os recursos naturais aquticosseriam inesgotveis e que assim, poderiam serexplorados livremente, sem nenhum critrio,prevaleceu por muito tempo. Essa prtica foi muitodifundida no passado, e atualmente pode-se observaruma gradativa perda da qualidade ambiental atravsdas aes antropognicas. Para reverter essa situaoser necessrio segundo BARRELLA (1997), integrarmedidas de conservao dos recursos dentro dosplanos de desenvolvimento regionais ou nacionais.O manejo adequado destes recursos dever permitiruma explotao contnua e duradoura,principalmente visando favorecer a populaoribeirinha, com baixo poder econmico e que vive emcondies precrias de alimentao e sade. O usomltiplo desses ambientes no pode ser feito, sem quehaja o conhecimento integral da bacia hidrogrfica esuas comunicaes com as outras grandes bacias(PETRERE e AGOSTINHO, 1993; TUNDISI, 1994).

    Segundo BARRELLA (1997), o manejo dosecossistemas aquticos deve ser realizado levando-se em conta, as necessidades locais e os interessescomuns de toda a populao. Assim, especificamentepara cada bacia, h necessidade da elaborao de umplano de ao bem definido e com a participao dacomunidade local e de todos os setores a elarelacionados.

    A represa de Ponte Nova, como se podeconstatar pelos resultados do presente estudo,apresenta uma ictiofauna pobre, de pequeno porte,constituda por espcies de pequeno valor comercial,mas que tem atendido em parte s necessidades dapopulao ribeirinha de pequena renda. Alm disso,as atividades da pesca esportiva e de lazer nos finaisde semana tm aumentado significativamente.

    Segundo MOREIRA (1990), a questo dosmananciais metropolitanos da Grande So Paulo nodepende apenas de decises de ordem tcnica, mastambm de decises polticas. Segundo a maioria dosespecialistas no assunto, a poltica pblica deve

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    contemplar, alm de decises a respeito deabastecimento de gua e gerao de energia, amanuteno da qualidade da gua, sem ignorar osbenefcios sociais proporcionados pela represa.

    Levando em considerao as caractersticas darepresa de Ponte Nova, apresentam-se algumassugestes de medidas visando sua recuperao,conservao e explotao:

    1. incentivar programas de proteo de cabeceirasdos rios; 2. monitorar a qualidade da gua; 3. reverprogramas sobre vegetao ciliar adequada para arepresa; 4. aumentar a fiscalizao dos recursoshdricos, impondo normas sobre proibio temporriada pesca, com vista a recuperao das populaes depeixes l existentes. Por tratar-se de espcies queapresentam capacidade de auto-regulaopopulacional no haver necessidade derepovoamento das espcies endmicas; 5.estabelecerprogramas de educao ambiental, envolvendoprefeituras municipais e escolas da regio.

    CONSIDERAES FINAISA ictiofauna da represa de Ponte Nova pobre em

    nmero de exemplares e de espcies, que na suagrande maioria so de pequeno porte e endmicas,com pouco valor comercial, sedentrias e dotadas dedesova parcelada. Sua composio , em grande parte,distinta daquela da ictiofauna de outras cabeceirasda Bacia do Alto Paran, sendo bastante semelhante das represas de Guarapiranga e Billings. A pescana represa de Ponte Nova no tem grande expressona economia da regio, sendo praticada por poucospescadores artesanais. Essa atividade ampliada nosfinais de semana, como forma de lazer de pescadorese famlias da regio. O perfil socioeconmicopredominante dos poucos pescadores artesanais quel atuam pode ser resumido em: possuem baixo graude instruo, idade avanada e famlia numerosa,utilizam embarcaes de alumnio motorizadas,geralmente vendem o produto para intermedirios ounas cidades mais prximas e no pescam em todos osdias da semana. Segundo os pescadores, a reduoda atividade de pesca tem sido causada pelo alto custodo combustvel necessrio para a locomoo e reduo do produto disponvel.

    Atravs da anlise dos dados obtidos no presenteestudo e daqueles obtidos pela Seo de Controle eOrientao da Pesca (Instituto de Pesca) para o anode 1975, verifica-se acentuada variao populacional,com o aumento da freqncia da ocorrncia de

    algumas espcies (Geophagus brasiliensis e Astyanaxfasciatus), reduo de outras (Astyanax eigenmanniorum,Cyphocharax modestus e Astyanax scabripinnis) eintroduo de espcies exticas (Oreochromis niloticuse Micropterus salmoides). A presena de espciesalctones (Hoplosternum littorale, Platanichterusplatana, Hoplias lacerdae) tambm foi constatada.

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