A Queda - Chuck Hogan

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Text of A Queda - Chuck Hogan

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    "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e no maislutando por dinheiro e poder, ento nossa sociedade poder enfim evoluir a

    um novo nvel."

  • GUILLERMO DEL TOROE

    CHUCK HOGAN

  • A QUEDA

    Livro II daTrigolia da Escurido

  • Ttulo originalTHE FALLBook II Of

    The Strain Trilogy

    Este livro uma obra de fico. Personagens, incidentes e dilogos so produtos da imaginao dos autores e no devemser interpretados como reais. Qualquer semelhana com acontecimentos reais ou pessoas, vivas ou no, mera coincidncia.

    Copyright 2010 by Guillermo del Toro e Chuck Hogan

    Todos os direitos reservados.Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida sob qualquer forma sem autorizao do editor.

    Edio brasileira publicada mediante acordo com HarperCollins Publishers.

    Direitos para a lngua portuguesa reservados com exclusividade para o Brasil EDITORA ROCCO LTDA.Av. Presidente Wilson, 231 8 andar

    20030-021 Rio de Janeiro RJTel.: (21) 3525-2000 Fax: (21) 3525-2001

    rocco@rocco.com.brwww.rocco.com.br

    Printed in Brazil/Impresso no Brasil

    preparao de originaisFTIMA FADEL

    CIP-Brasil. Catalogao na fonte.Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

    Formatao epub: Lucjedi

    D439qDel Toro, Guillermo, 1964-A queda / Guillermo del Toro e Chuck Hogan; traduo Srgio Moraes Rego e Paulo Reis. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.(Trilogia da Escurido, v. 2)Traduo de: The fallISBN 978-85-325-2609-01. Fico norte-americana. I. Hogan, Chuck. II. Rego, Srgio Moraes. III. Reis, Paulo. IV. Ttulo. V. Srie.10-5216CDD-813CDU-821.111(73)-3

  • Este para Lorenza, com todo o meu amor.- GDT

    Para minhas quatro criaturas favoritas.- CH

  • Trecho do dirio de Ephraim Goodweather

    Sexta-feira, 26 de novembro

    Bastaram sessenta dias para que o mundo acabasse.E estvamos l contribuindo para isso com nossas omisses, nossa arrogncia...Quando a crise chegou ao Congresso para ser analisada, legislada e por fim vetada, j

    havamos perdido a luta. A noite pertencia a eles.Restou-nos a saudade da luz do sol, que a ns no mais pertencia...Tudo aconteceu poucos dias depois que a nossa "incontestvel evidncia visual" alcanou o

    mundo... sua verdade foi afogada por milhares de refutaes irnicas e pardias que invadiramo YouTube antes que pudssemos ter qualquer esperana.

    Tornou-se uma brincadeira nos programas de fim de noite, piadistas que ramos, qu-qu-qu... at que o crepsculo nos encobriu, deixando-nos diante de um vazio imenso e cruel.

    O primeiro estgio da resposta pblica a qualquer epidemia sempre Negar.O segundo, Procurar o Culpado.Todos os costumeiros espantalhos foram apresentados como distraes: agruras econmicas,

    agitao social, o bode expiatrio racial, ameaas terroristas.No final, porm, fomos simplesmente ns. Todos ns. Permitimos que isso acontecesse porque

    nunca acreditamos que pudesse acontecer. ramos espertos demais. Adiantados demais.Fortes demais.

    E agora a escurido total.No h mais garantias ou certezas absolutas; no existem mais razes para a nossa

    existncia. Os dogmas bsicos da biologia humana foram reescritos, no no cdigo do DNA,mas em sangue e em vrus.

    Parasitas e demnios esto por toda parte. Nosso futuro no mais o declnio orgniconatural da morte, mas uma transmutao diablica. Uma infestao. Uma transformao.

    Eles nos tiraram nossos vizinhos, nossos amigos e nossas famlias. E agora usam esses rostos,os rostos de nossos familiares, de nossos Entes Queridos.

    Fomos expulsos de nossas casas. Banidos de nosso prprio reino, vagamos por terrasestranhas procura de um milagre. Ns, os sobreviventes, estamos ensanguentados, quebrados

  • e derrotados.Mas no nos transformamos. No somos Eles.Ainda no.Isso no pretende ser um registro ou uma crnica, mas um lamento, a poesia dos fsseis,

    uma reminiscncia sobre o fim da civilizao.Os dinossauros no deixaram para trs quase nenhum vestgio. Apenas uns poucos ossos

    preservados em mbar, o que havia em seus estmagos e seus dejetos.Minha nica esperana que possamos deixar para trs algo mais do que eles deixaram.

  • CEUS DE CHUMBO

  • OLoja de Penhores Knickerbocker, rua 118 Leste,Harlem espanhol

    Quinta-Feira, 4 de Novembro

    s espelhos so portadores de ms notcias, pensou Abraham Setrakian, paradodebaixo da arandela fluorescente esverdeada, enquanto olhava para o espelho dobanheiro. Um velho olhando para um vidro ainda mais velho. As bordas do espelho

    estavam escurecidas com a idade, a decomposio indo sorrateiramente para mais perto docentro. Para o reflexo dele. Para ele.

    "Voc vai morrer em breve."O espelho de prata lhe mostrava isso. Muitas vezes ele estivera prximo da morte, ou pior,

    mas aquilo era diferente. Na sua imagem, Setrakian via essa inevitabilidade. E, ainda assim,de certa forma, encontrava conforto na verdade dos velhos espelhos. Honestos e puros.Aquele era uma pea magnfica, da virada do sculo, bastante pesado, pendurado por umarame tranado na antiga parede de azulejos e inclinado para baixo. Nas paredes, pousadosno cho ou encostados nas estantes, havia cerca de oitenta espelhos de prata, espalhados portoda a residncia. Setrakian os colecionava compulsivamente. Assim como as pessoas que jcruzaram um deserto sabem o valor da gua, ele tambm achava impossvel desdenhar aaquisio de um espelho de prata, especialmente um espelho pequeno e porttil.

    Alm disso, porm, Setrakian confiava na mais antiga caracterstica desses objetos.Contrariando o mito popular, os vampiros certamente tm reflexo. Nos espelhos modernos,

    produzidos em massa, sua imagem refletida como a de cada humano. Mas no espelho deprata, seus reflexos ficam distorcidos. Alguma propriedade fsica da prata produz umainterferncia visual na imagem dessas atrocidades carregadas de vrus, como se fosse umalerta. Tal como o espelho da histria da Branca de Neve, um espelho de prata no conseguementir.

    E assim Setrakian olhava para seu rosto no espelho, diante da grossa pia de porcelana e dobalco onde ficavam seus ps e pomadas, os blsamos para a artrite, o unguento aquecidopara aliviar a dor das juntas nodosas. Olhava e estudava o espelho.

    Ali ele se confrontava com sua fora decadente. O reconhecimento de que seu corpo era

  • apenas isso: um corpo. Envelhecido e enfraquecendo. Decaindo at o ponto em que ele nosabia mais se sobreviveria ao trauma corporal de uma transformao em vampiro. Nem todasas vtimas sobreviviam.

    Seu rosto: as linhas profundas pareciam uma impresso digital, com o polegar do tempoestampado firmemente em sua face. Envelhecera uns vinte anos da noite para o dia. Seusolhos pareciam pequenos e secos, amarelados como marfim. O rubor da pele desaparecera, eo cabelo se assentava sobre o crnio como uma fina relva prateada remexida por uma recentetempestade.

    Toque-toque-toque.Ele ouvia a morte chamando. Ouvia a bengala. Seu corao.Setrakian olhou para as mos retorcidas, moldadas por pura fora de vontade para se

    adaptarem e segurar o cabo daquela espada-bengala de prata, mas pouco capazes de fazeroutras coisas mais com alguma destreza.

    A batalha com o Mestre o deixara muito enfraquecido. O Mestre era mais forte at mesmodo que Setrakian se recordava ou presumia. Era preciso rever as prprias teorias diante dasobrevivncia do Mestre exposto luz solar direta, luz solar que o enfraquecera e marcara,mas que no o destrura. Os raios ultravioleta que esmagavam o vrus deveriam terpenetrado no Mestre com a fora de dez mil espadas de prata; contudo, a terrvel criaturaaguentara o impacto e fugira.

    O que a vida, no fim das contas, seno uma srie de pequenas vitrias e fracassosmaiores? Mas o que mais se podia fazer? Desistir?

    Setrakian nunca desistia.Imaginar o que poderia ter acontecido era tudo que lhe restava no momento. Se ele ao

    menos tivesse feito isso em vez daquilo. Se tivesse conseguido, de alguma forma, dinamitar oprdio ao saber que o Mestre estava l dentro. Se Eph houvesse deixado que ele morresse,em vez de salv-lo naquele momento crtico...

    Seu corao disparou novamente s de pensar nas oportunidades perdidas. Os batimentosondulavam, irregulares. Dando arrancos. Feito uma criana impaciente dentro dele,querendo correr e correr.

    Toque-toque-toque.Um zumbido surdo soava acima das batidas de seu corao.Setrakian conhecia aquele rudo muito bem: era o preldio do oblivio. Depois acordaria

    numa sala de emergncia, se ainda houvesse alguma funcionando...Com um dedo endurecido, pescou uma plula branca na caixa. A nitroglicerina evitava a

    angina, ao relaxar os vasos que carregavam sangue para o seu corao, fazendo com que sedilatassem, aumentando o fluxo e o suprimento de oxignio. Um tablete sublingual que elecolocou debaixo da lngua seca, para que dissolvesse.

    Teve imediatamente uma sensao doce, de formigamento. Em poucos minutos omurmrio em seu corao cessaria.

  • De ao rpida, a plula de nitroglicerina lhe devolveu a confiana. Todos aquelespensamentos sobre o que poderia ter acontecido, aquelas recri