Acidentes 2010

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    18-Nov-2014

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  • 1. Ministrio da Sade Secretaria de Vigilncia em Sade Departamento de DST, Aids e Hepatites ViraisRecomendaes para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV- 2008 Suplemento III - Tratamento e preveno Braslia DF Outubro de 2010
  • 2. Recomendaes para abordagem da exposio ocupacional a materiaisbiolgicos: HIV e hepatites BeC
  • 3. Recomendaes para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV- 2008 - Suplemento III - Tratamento e preveno 77 4. Recomendaes para abordagem da exposio ocupacional a materiais biolgicos: HIV e hepatites B e C 4.1. Consideraes iniciais Em atividades da rea da sade, h exposio auma multiplicidade de riscos, tais como riscos fsicos,qumicos, biolgicos, psicossociais, ergonmicos,mecnicos e de acidentes, mas, historicamente, ostrabalhadores da sade no vinham sendo consideradoscomo categoria de alto risco para acidentes do trabalhoe doenas ocupacionais. Uma grande variedade de agentes infecciosospode ser transmitida para esses trabalhadores, j tendosido descritos casos de infeco ocupacional com 60diferentes agentes aps exposio a sangue e outrosmateriais biolgicos. O HIV-1, o vrus da hepatite B e ovrus da hepatite C so os agentes mais frequentementeenvolvidos nessas infeces ocupacionais1.
  • 4. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Secretaria de78 Vigilncia em Sade Ministrio da Sade As estimativas da OMS so da ocorrncia mundial de dois a trs milhes de acidentes percutneos com agulhas contaminadas por material biolgico por ano entre trabalhadores da rea da sade: dois milhes com exposio ao vrus da hepatite B (VHB), 900.000 ao vrus da hepatite C (VHC) e 170.000 ao vrus da imunodeficincia humana (HIV)2. Embora o risco para aquisio ocupacional de hepatite B seja conhecido desde 1949, um plano sistemtico para reduo dos riscos de exposio s foi desenvolvido aps o aparecimento da epidemia de aids. Apesar de a preveno contra exposio a sangue ou a outros materiais biolgicos ser a principal medida para evitar a transmisso ocupacional dos patgenos de transmisso sangunea, as condutas apropriadas a serem adotadas aps a exposio constituem importante componente de segurana no ambiente de trabalho. Os acidentes de trabalho com sangue e outros fluidos potencialmente contaminados devem ser tratados como casos de emergncia mdica, uma vez que, para se obter maior eficcia, as intervenes para profilaxia da infeco pelo HIV e hepatite B, denominadas profilaxias ps-exposio (PEP), necessitam ser iniciadas logo aps a ocorrncia do acidente. Neste documento, sero considerados trabalhadores da rea de sade todos os profissionais e trabalhadores do setor sade que atuam, direta ou indiretamente, em atividades em que h risco de exposio a sangue e a outros materiais biolgicos, incluindo aqueles profissionais que prestam assistncia domiciliar e
  • 5. Recomendaes para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV- 2008 - Suplemento III - Tratamento e preveno 79atendimento pr-hospitalar, alm das aes de resgaterealizadas por bombeiros ou outros profissionais. O objetivo deste manual abordar e orientar ascondutas, pr e ps-exposio, indicadas para preveniro risco de contaminao de trabalhadores da sade peloHIV e pelos vrus das hepatites B e C no ambiente detrabalho.
  • 6. Recomendaes para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV- 2008 - Suplemento III - Tratamento e preveno 81 4.2. Tipos de exposies As exposies que podem trazer riscos detransmisso ocupacional do HIV e dos vrus dashepatites B e C esto definidas como: Percutneas: leses provocadas por instrumentos perfurantes e cortantes, como, por exemplo, agulhas, bisturi, vidrarias; Mucosas: por exemplo, quando h respingos envolvendo olho, nariz, boca ou genitlia; Cutneas: por exemplo, contato com pele no ntegra, como no caso de dermatites ou feridas abertas; Por mordeduras humanas: consideradas como exposio de risco quando envolvem a presena de sangue. Devem ser avaliadas tanto para o indivduo que provocou a leso quanto para aquele que tenha sido exposto.
  • 7. Recomendaes para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV- 2008 - Suplemento III - Tratamento e preveno 83 4.3. Riscos de transmisso 4.3.1. Risco de transmisso do vrus da imunodeficincia humana (HIV) Vrios fatores podem interferir no risco detransmisso do HIV. Estima-se, em mdia, que o riscode transmisso do HIV de 0,3% (IC 95% = 0,2 - 0,5%),em acidentes percutneos envolvendo sangue3. O risco demonstrado de 0,3% representa amdia entre diversos tipos de exposio percutnea,envolvendo pacientes-fonte em diferentes estgiosde infeco pelo HIV. provvel que alguns tipos deexposio apresentem riscos maiores ou menores doque essa mdia. O risco de transmisso do HIV aps exposioocupacional mucocutnea ou mucosa estimado em0,03% (IC 95% 0,006-0,19%)3. As estimativas baseiam-se em situaes deexposio a sangue. O risco de infeco associado aoutros materiais biolgicos provavelmente inferior. So materiais biolgicos que implicam risco detransmisso do HIV4: Sangue e outros materiais contendo sangue, smen e secrees vaginais so considerados
  • 8. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Secretaria de84 Vigilncia em Sade Ministrio da Sade materiais biolgicos envolvidos na transmisso do HIV. Apesar de o smen e as secrees vaginais estarem frequentemente relacionados transmisso sexual desses vrus, esses materiais no esto habitualmente ligados s situaes de risco ocupacional para profissionais de sade. Lquidos de serosas (peritoneal, pleural, pericrdico), lquido amnitico, lquor e lquido articular so fluidos e secrees corporais potencialmente infectantes. No existem, no entanto, estudos epidemiolgicos que permitam quantificar os riscos associados a esses materiais biolgicos. Tais exposies devem ser avaliadas de forma individual, j que, em geral, esses materiais so considerados como de baixo risco para transmisso viral ocupacional. Suor, lgrima, fezes, urina, vmitos, secrees nasais e saliva (esta, exceto em ambientes odontolgicos) so lquidos biolgicos sem risco de transmisso ocupacional. Nesses casos, as profilaxias e o acompanhamento clnico- laboratorial no so necessrios. Todavia, a presena de sangue nesses lquidos torna-os materiais infectantes. Alm disso, qualquer contato sem barreira de proteo com material concentrado de vrus (laboratrios de pesquisa, cultura de vrus e vrus em grandes quantidades) deve ser considerado uma exposio ocupacional que requer avaliao e acompanhamento.
  • 9. Recomendaes para terapia antirretroviral em adultos infectados pelo HIV- 2008 - Suplemento III - Tratamento e preveno 85 Casos de transmisso ocupacional pelo HIV podemser caracterizados como comprovados ou provveis3,4.De maneira geral, casos comprovados de transmissopor acidente de trabalho so definidos como aquelesem que h evidncia documentada de soroconversoe sua demonstrao temporal associada exposioao vrus. No momento do acidente, o profissionalapresenta sorologia negativa ou no reagente e duranteo acompanhamento a sorologia torna-se positiva oureagente. Casos provveis de contaminao so aqueles emque a relao causal entre a exposio e a infeco nopode ser estabelecida porque a sorologia do profissionalacidentado no foi obtida no momento do acidente.Nessa condio incluem-se os indivduos com sorologiareagente, quando no foi possvel a documentaotemporal da soroconverso, e que no apresentamhistria prvia de exposies de risco. Um estudo caso-controle multicntricoretrospectivo, envolvendo acidentes percutneos,demonstrou maior risco de transmisso associados exposies com grande quantidade de sangue dopaciente-fonte, nas seguintes situaes: a) leso profunda; b)dispositivo com sangue visvel; c) procedimentos com agulha diretamente inserida em acesso arterial ou venoso5. Ficou demonstrado, ainda, que o uso profiltico doAZT (zidovudina) esteve associado reduo de 81%
  • 10. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Secretaria de86 Vigilncia em Sade Ministrio da Sade do risco de soroconverso aps exposio ocupacional (Tabela 1)5. O mesmo estudo demonstrou que o maior risco de transmisso tambm esteve relacionado a exposies envolvendo pacientes com aids em fase avanada de doena, qual se associa carga viral elevada ou a presena de outros fatores, como, por exemplo, cepas virais indutoras de sinccio5. Tabela 1. Estudo caso-controle de fatores de