Acolhimento - O Pensar, o Fazer,o Viver

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    23-Jun-2015

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ACOLHIMENT O

Plinio A F Silveira pliniosilveira@hotmail.com

Poltica Nacional da Humanizao da Gesto e da Ateno Sade

Princpios:Inseparabilidade entre gesto e ateno Transversalidade: inter e da comunicao intra-grupos

Mtodo:

Incluso dos diferentes sujeitos Incluso dos analisadores sociais Incluso dos coletivos

Diretrizes:Clnica Ampliada Co-gesto Valorizao do Trabalho Acolhimento Sade do Trabalhador Defesa dos Direitos do Usurio

I - Acolhimento, enquanto postura:

O Pensar O Fazer O Viver

ALGUNS FUNDAMENTOS: Primeiro: -Sade como direito de cidadania -Sade como condio para a paz e como conseqncia dela -Sade como instrumento de valorizao da vida

Segundo: Temos dificuldades em compreender o mundo em que vivemos. Para ns fcil entender as coisas divididas, aos pedaos: os acontecimentos isolados, as pessoas separadas umas das outras. Lidamos bem com fragmentos. Mas no compreendemos que o que nos cerca s existe em relao, em conjunto que tudo tem a ver com tudo, tudo depende de tudo...

Terceiro: Acolhimento pode ser definido como a ARTE de interagir, construir algo em comum, descobrir nossa humanidade mais profunda na relao com os outros e o mundo natural. E deixar que os outros descubram em ns sua humanidade e o mundo nos mostre sua amplitude...

Quarto: O mundo em que vivemos, o nosso dia a dia marcado pela excluso, pela rejeio e pela diviso. Nosso quotidiano nos empurra para o individualismo, para o egosmo e o comportamento narcisista, numa frentica competio para termos cada vez mais...

Quinto: Pela necessidade de explicar as coisas, nasceu a cincia. A sade foi, sem dvida, uma das grandes beneficirias dos progressos cientficos e tecnolgicos. Porm a tecnocincia d conta de explicar alguns aspectos/dimenses de nossa existncia, mas pouco ou nada valem suas explicaes para a intuio, as emoes e a subjetividade. O QUE NO PODE SER EXPLICADO PRECISA SER COMPREENDIDO.

Razo e Objetividade, Intuio e Subjetividade : precisam conviver. A Tecnocincia deve buscar a clareza da explicao. As Humanidades buscam a sutileza da compreenso. O Tecnocientfico e o Humano precisam estar juntos. Precisam conviver, acolher-se um ao outro. SE O MUNDO FOSSE CLARO A ARTE NO EXISTIRIA

EIS, TALVEZ, O PONTO CENTRAL DA TICA DO ACOLHIMENTO: ELA TEM MUITO DE CINCIA, MAS TAMBM TEM MUITO DE ARTE.

Uma parte de mim todo mundo: outra parte ningum Fundo sem fundo Uma parte de mim multido: outra parte estranheza e solido

Uma parte de mim pensa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoa e janta: outra parte se espanta

Uma parte de mim permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim s vertigem: outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte Na outra parte - que uma questo de vida ou morte ser arte ?

Traduzir-se Ferreira Gullar

Se isso fcil de ser descrito, muito difcil de ser resolvido na PRTICA, porque exige uma transformao, uma mudana. E esta depende de pelo menos dois componentes: 1. Do DESEJO, de uma dimenso subjetiva portanto; 2. Do DOMINIO DE UM CERTO CONHECIMENTO, de um projeto conscientemente construdo e inapelavelmente vinculado ao exerccio da RAZO.

O problema que a Tecno-Cincia atingiu em cheio a sade e a medicina: 1. Os profissionais so preparados para a viso quantitativa, objetiva e concreta. 2. As aes de sade privilegiam aspectos tcnicos, econmicos e administrativos que, embora indispensveis, so insuficientes para lidar com a complexidade da condio humana. 3. Os profissionais de sade se transformaram em fornecedores e as pessoas que procuram seus servios em consumidores. 4. O excesso de pragmatismo tende a reduzir

O resultado disso ? Relaes frias, mecnicas, distantes e impessoais e que geram uma atmosfera pesada que atinge a todos e a todos embrutece.

Como mudar essa realidade? Para pensar o acolhimento necessrio partir da base, do modelo mental, ou sistema de pensamento, por meio do qual construmos o mundo e fomos construdos por ele. H poucas esperanas de mudar o mundo que construmos se no modificarmos o modo de pensar.

O que se prope a seguinte dinmica: Mudar o modo de pensar Mudar o modo de falar Mudar o modo de agir Mudar o modo de sentir

O que caracteriza um sistema de sade que nele atuam pessoas, seres humanos que estabelecem relaes entre si. A qualidade dessas relaes que reflete a qualidade dos servios prestados.

Em outras palavras:

A eficcia e a efetividade do Sistema de Sade est fortemente determinada pela qualidade do relacionamento humano estabelecido entre os profissionais e os usurios no processo de

Portanto, qualquer processo de mudana no sentido da humanizao significa necessariamente um processo de mudana das relaes entre todos os envolvidos e onde a palavra tem lugar destacado.

Mas para que possamos melhor entender e refletir sobre como agir no sentido da humanizao precisamos rever e reavaliar os papis que desempenhamos, os conceitos que construmos, as organizaes das quais participamos, os atos que praticamos...

Essa reflexo implicar numa releitura das organizaes em que trabalhamos: hospitais, clnicas, unidades de sade... E onde certamente encontraremos a necessidade de se fazer uma transformao: uma MUDANA NA NOSSA CULTURA ORGANIZACIONAL, no sentido de inserir atitudes e prticas humanizantes.

MUDANAS NAS PESSOAS

MUDANA NA CULTURA ORGANIZACIONAL

Grande

MUDANAS NAS PESSOASComportamento do Grupo

Dificuldades Envolvidas

Comportamento Individual Atitudes ConhecimentoCurto Tempo Necessrio LongoFonte: Hersey / Blanchard

Pequen a

Uma mudana s ser possvel mediante a utilizao de um importante atributo, que s possvel aos seres HUMANOS...

TxH

... a !

LIBERDADE

Essa LIBERDADE nos remete a duas importantes questes: 1. No somos livres para escolher O QUE NOS ACONTECE, mas somos livres para RESPONDER AO QUE NOS ACONTECE DE UM OU OUTRO MODO. 2. Sermos livres para TENTAR no significa CONSEGUIR INFALIVELMENTE. Portanto a liberdade, que consiste em escolher dentro do possvel, no o mesmo que onipotncia, que seria conseguir sempre o que se quer.

H coisas que dependem da MINHA vontade (e isso ser livre) mas nem tudo depende de minha vontade (porque a eu seria onipotente) pois no mundo existem OUTRAS vontades.

RESUMINDO: Ao contrrio de outros seres, animados ou inanimados, ns SERES HUMANOS podemos inventar e escolher nossa forma de viver ou, melhor ainda, de conviver. A arte da convivncia , em ltima instncia, a base do ACOLHIMENTO.

RELAO eis a palavra-chave da convivncia, do ACOLHIMENTO. Se soubermos tudo sobre uma doena, uma tcnica ou um tratamento, podemos dizer que somos especialistas, eruditos. Mas s quando compreendermos e vivermos as relaes entre as pessoas, as coisas e os fenmenos que poderemos afirmar que somos educados. Nesse sentido, acolher educar. Acolhimento , pois, um processo pedaggico. Nossas escolas instruem, adestram e treinam. Poucas educam.

Educar, especialmente no contexto da sade, significa entender o significado do OUTRO. Como ns o percebemos e o tratamos? Qual a natureza, a qualidade da relao que estabelecemos com o outro? Como falamos com o outro? Como a nossa interao no verbal?Ela nos aproxima ou nos afasta dele?Ex: RC

Para iniciar essa discusso preciso admitir que:

No fcil ser um paciente: ...se est fragilizado, ansioso para saber o que est acontecendo,com medo e dor. De repente, chega um estranho que apalpa, aperta, injeta, corta, dita normas...

Mas tambm devemos admitir que: No fcil ser profissional de sade......percebemos que no podemos tudo, que temos limitaes; testemunhar a dor e o sofrimento dos pacientes nos deixa igualmente vulnerveis, e quanto mais conscientes disso maior tambm o nosso sofrimento...

Mas quem o outro, quem o usurio? O usurio BIOLGICO; um SER

Mas tambm um SER BIOGRFICO; um SER SOCIAL; e um SER SIMBLICO.

Os exames (sangue, urina, fezes, RX, tomografias, endoscopias, eletrocardiogramas, ultrassonografias, etc...) e as medies (presso arterial, temperatura, pulso) podero mostrar as alteraes do corpo do SER BIOLGICO.

Mas como iremos entender/correlacionar/ decifrar os aspectos BIOGRFICOS, SOCIAIS e SIMBLICOS dos pacientes ???

O profissional da sade deve agir como um DETETIVE:...OUVIR o que o paciente diz; ...VER o que o paciente mostra; ...DECODIFICAR o que o paciente fala; ...INFERIR o que o paciente esconde; ...ENCONTRAR o que o paciente desconhece; ...DESVENDAR o que o paciente no quer conhecer.

Somente essa busca que ir identificar todos os ingredientes envolvidos na ateno sade. E somente assim poderemos verificar que o Ato Cuidador pode nos revelar a dimenso altamente subjetiva dessa relao...

....pois o preo que pagamos pela suposta objetividade da cincia a eliminao da condio humana da palavra, que no pode ser reduzida mera descrio tcnica dos sintomas e da evoluo de uma doena, por exemplo.

O ATO CUIDADOR :... Prioritariamente uma ATIVIDADE BENEFICENTE; ... Essencialmente um ENCONTRO ENTRE SERES HUMANOS; ... Intrinsecamente uma ATIVIDADE TICA; ... Necessariamente uma ATIVIDADE TCNICA.

Temos que imaginar estratgias para a imploso de uma ordem conservadora, que trata as pessoas como coisas. preciso criar um modelo de ateno que valorize a FALA e a ESCUTA. As falas do profissional, das pessoas, da sociedade; a escuta de uns pelos outros.

ATRIBUTOS DO PROFISSIONAL:EMPATIA - capacidade de se imaginar no lugar do outro HUMILDADE - d o sentido da limitao TOLERNCIA - admite e respeita opinio contrria RESPEITO - ato de reverenciar, ter considerao.

ATRIBUTOS DO PROFISSIONAL:CAPACIDADE DE COMUNICAO AMOR VERDADE FLEXIBILIDADE - aptido para adaptar-se PACINCIA - ter perseverana com tranqi