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  1. 1. Guia do acordo-02.indd 1 1/09/08 6:39:23 PM
  2. 2. Sumrio 3 Apresentao 4 Linha do tempo das mudanas ortogrficas da lngua portuguesa 8 Objetivos do Acordo Ortogrfico 9 Principais mudanas do Acordo 14 Texto oficial 35Escreva certo pelo Acordo 54 Bibliografia Guia do acordo-02.indd 2 1/09/08 6:39:23 PM
  3. 3. Apresentao Este guia foi feito para auxiliar voc, professor, a entender melhor as mudanas que iro ocorrer na escrita da lngua com a aprovao do novo Acordo Ortogrfico. Ele apresenta uma linha do tempo que mostra como a questo da unificao da escrita do portugus surge no sculo XIX e con- tinua at os dias atuais, sempre com muita polmica e discusso. Em seguida, um quadro sintetiza de modo prtico as prin- cipais mudanas na ortografia. O texto oficial do acordo vem logo aps. No final, apresentamos listas de exemplos, que serviro de consulta rpida para as dvidas que surgiro. importante ressaltar, porm, que este guia no substitui o Vocabulrio ortogrfico da lngua portuguesa (Volp), que dever ser lanado pela Academia Brasileira de Letras de acordo com as novas regras e ir oficializar a grafia padro para as palavras em lngua portuguesa. Guia do acordo-02.indd 3 10/09/08 12:16:28 PM
  4. 4. Duas capas de Os lusadas, uma de 1572 e outra de 1584, mostram o nome do poeta grafado de maneiras diferentes: Luis de Camoes e Lvis de Cames. Sculos XII a XV Surgem os primeiros documentos escritos em portugus. A ortografia portuguesa tenta reproduzir os sons da fala para facilitar a leitura: a duplicao das vogais indica slaba tnica: ceeo = cu, dooe = di; a nasalizao das vogais representada pelo til (manhas = manhs), por dois acentos (mos = mos) e por m e n (omde = onde; senpre = sempre). o i pode ser substitudo por y ou j (ay = ai; mjnas = minhas). Mas no h uma padronizao e uma mesma palavra aparece grafada de modos diferentes: ygreja, eygreya, eygleyga, eigreia, eygreia (= igreja); home, homee, ome, omee (= homem). reproduo reproduo 4 Linha do tempo das mudanas ortogrficas da lngua portuguesa Guia do acordo-02.indd 4 1/09/08 6:39:31 PM
  5. 5. Carto-postal de 1903, em que aparecem palavras com as consoantes dobradas cc e nn. Em 1881, foi publicada a 1a edio em livro de Memorias posthumas de Braz Cubas, de Machado de Assis. reproduo reproduo 1904 Sculos XVI a XX A partir da segunda metade do sculo XVI, a lngua portu- guesa sofre influncia do latim e da cultura grega, graas ao Renascimento e necessidade de valorizao do idioma. O critrio passa ser o de respeitar as letras originrias das palavras, isto , sua origem etimolgica. Empregam-se: ph, th, ch, rh e y, que representavam fonemas gregos: philosophia, theatro, chimica (qumica), rheumatismo, martyr, sepulchro, thesouro, lyrio; consoantes mudas: septembro, enxucto, maligno; consoantes duplas: approximar, immundos. No incio do sculo XIX, o escritor Almeida Garrett defen- de a simplificao da escrita e critica a ausncia de normas que regularizem a ortografia. No final do sculo XIX, cada um escreve da maneira que acha mais adequada. 1904 Ortografia nacional, do fillogo Gonalves Viana (1840-1914), publicada em Portugal. Nela, o estudioso apresenta proposta de simplificar a ortografia: eliminao dos fonemas gregos th (the- atro), ph (philosofia), ch (com som de k, como em chimica), rh (rheumatismo) e y (lyrio); eliminao das consoantes dobradas, com exceo de rr e ss: cabello (= cabelo); communicar (= comunicar); ecclesiastico (= ecle-sistico); sbbado (= sbado). eliminao das consoantes nulas, quan- do no influenciam na pronncia da vo- gal que as precede: lico (= lio); dacta (= data); posthumo (= pstumo); innun- dar (= inundar); chrystal (= cristal); regularizao da acentuao grfica. 5 Guia do acordo-02.indd 5 1/09/08 6:39:37 PM
  6. 6. 1907191119151919193119331934194319451971 Carto-postal de 1908, em que se v a palavra telephone, grafada com ph, e escriptorio, com p mudo. Capa de partitura do samba Pelo telephone, sucesso do carnaval de 1917. Alm do uso do ph, chama a ateno a grafia da palavra successo. 1907 A partir de uma proposta do jornalista, pro- fessor, poltico e escritor Medeiros e Albuquerque, a Academia Brasileira de Letras (ABL) elabora projeto de reformulao ortogrfica com base nas propostas de Gonalves Viana. 1911 Portugal oficializa, com pequenas modificaes, o sistema de Gonalves Viana. 1915 A ABL aprova a proposta do professor, fillogo e poeta Silva Ramos que ajusta a reforma ortogrfica brasileira aos padres da reforma portuguesa de 1911. 1919 A ABL volta atrs e revoga o projeto de 1907, ou seja, no h mais reforma. 1931 A Academia das Cincias de Lisboa e a Aca- demia Brasileira de Letras assinam acordo para unir as ortografias dos dois pases. 1933 O governo brasileiro oficializa o acordo de 1931. 1934 A Constituio Brasileira revoga o acordo de 1931 e estabelece a volta das regras ortogrficas de 1891, ou seja, ortografia voltaria a ser grafada ortho- graphia. Protestos generalizados, porm, fazem com que essa ortografia seja considerada optativa. 1943 Conveno Luso-Brasileira retoma, com peque- nas modificaes, o acordo de 1931. 1945 Divergncias na interpretao de regras re- sultam no Acordo Ortogrfico Luso-Brasileiro. Em Portugal, as normas vigoram, mas o Brasil mantm a ortografia de 1943. 1971 Decreto do governo altera algumas regras da ortografia de 1943: abolio do trema nos hiatos tonos: sadade (= saudade), vadade (= vaidade); supresso do acento circunflexo diferencial nas le- tras e e o da slaba tnica das palavras homgrafas, com exceo de pde em oposio a pode: almo (= almoo), le (= ele), endero (= endereo), gsto (= gosto); eliminao dos acentos circunflexos e graves que marcavam a slaba subtnica nos vocbulos deriva- dos com o sufixo -mente ou iniciados por -z-: be- bzinho (= bebezinho), vovzinho (= vovozinho), smente (= somente), szinho (= sozinho), ltima- mente (= ultimamente). reproduoreproduo 6 Guia do acordo-02.indd 6 1/09/08 6:39:42 PM
  7. 7. Anncio de 1932 do sabonete das estrlas. 200820042006200219951990198619751998 1975 As colnias portuguesas na frica (So Tom e Prncipe, Guin-Bissau, Cabo Verde, An- gola e Moambique) tornam-se independentes. 1986 Reunio de representantes dos sete pa- ses de lngua portuguesa no Rio de Janeiro resul- ta nas Bases Analticas da Ortografia Simplificada da Lngua Portuguesa de 1945, mas que nunca foram implementadas. 1990 Surge o Acordo de Ortografia Simplifica- da entre Brasil e Portugal para a Lusofonia, nova verso do documento de 1986. 1995 Brasil e Portugal aprovam oficialmente o documento de 1990, que passa a ser reconheci- do como Acordo Ortogrfico de 1995. 1998 No Primeiro Protocolo Modificativo ao Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa fica estabelecido que todos os membros da Comunidade dos Pases de Lngua Portuguesa (CPLP) devem ratificar as normas propostas no Acordo Ortogrfico de 1995 para que este seja implantado. 2002 O Timor Leste torna-se independente e passa a fazer parte da CPLP. 2004 Com a aprovao do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa, fica determinado que basta a ratifi- cao de trs membros para o acordo entrar em vigor. No mesmo ano, o Brasil ratifica o acordo. 2006 Cabo Verde e So Tom e Prncipe rati- ficam o documento, possibilitando a vigorao do acordo. 2008 Portugal aprova o Acordo Ortogrfico. reproduoreproduo Em 1960, as palavras cr e cres eram grafadas com acento circunflexo. 7 Guia do acordo-02.indd 7 1/09/08 6:39:46 PM
  8. 8. ATLNTICO OCEANO OCEANO BRASIL 191,3 milhes PORTUGAL 10,6 milhes SO TOM E PRNCIPE 157 mil TIMOR LESTE 1,1 milho MOAMBIQUE 20,5 milhes ANGOLA 16,9 milhes CABO VERDE 530 mil GUIN-BISSAU 1,7 milho NDICO Unificar a ortografia da lngua portu- guesa que, atualmente, o nico idio- ma do ocidente que tem duas grafias oficiais a do Brasil e a de Portugal, esse , segundo o MEC, o principal objetivo do acordo ortogrfico elaborado em 1990 e rati- ficado pelo Brasil em 2004. Ainda segundo o MEC, com o acordo, as diferenas ortogrficas existentes entre o portugus do Brasil e o de Portugal sero re- solvidas em 98%. A unificao da ortografia acarretar alteraes na forma de escrita em 1,6% do vocabulrio usado em Portugal e de 0,5%, no Brasil. Oito pases (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin-Bissau, Moambique, Portugal, So Tom e Prncipe e Timor Leste) tm o por- tugus como lngua oficial. Juntos, totalizam uma populao de cerca de 230 milhes de falantes. A unificao facilitar a circulao de materiais, como documentos oficiais e livros, entre esses pases, sem que seja necessrio fa- zer uma traduo do material. Alm disso, o fato de haver duas grafias oficiais dificulta o estabelecimento do portu- gus como um dos idiomas oficiais da Orga- nizao das Naes Unidas (ONU). Como diz o texto oficial do acordo, ele constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da lngua portuguesa e para o seu prestgio internacional. Objetivos do Acordo Ortogrfico Fonte: Almanaque Abril 2008. So Paulo: Abril, 2008. ALeSSANdropASSoSdACoSTA 8 Guia do acordo-02.indd 8 1/09/08 6:40:13 PM
  9. 9. E o Principais mudanas do Acordo O que mudou Observaes Alfabeto (Base I) As letras k, w e y foram incorporadas ao alfabeto. O alfabeto passa a ter 26 letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z. As letras k, w e y so usadas em casos especiais: em nomes de pessoas de origem estrangeira e seus derivados: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Byron, byroniano. em nomes geogrficos prprios de origem estrangeira e seus derivados: Kuwait, kuwai- tiano; Malawi, malawiano; Okinawa, okina- wano; Seychelles, seychellense. em siglas, smbolos e palavras adotadas como unidades de medida: www (World Wide Web); K (smbolo qumico de potssio); W (de west, oeste); kg (quilograma); km (quilmetro); kW (kilowatt), yd (de yard, jarda). Vogais tonas (Base V) Os adjetivos e os substantivos derivados com termi- nao -iano e -iense so escritos com i, e no com e, antes da slaba tnica. Exemplos: acriano (de Acre