ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA: A ALTERAÇÃO ?· Key words: Ultrasound. Transrectal ultrasound. Prostate…

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<p>Radiol Bras 2001;34(4):213216 213</p> <p>Kkeny GP et al.Artigo OriginalArtigo OriginalArtigo OriginalArtigo OriginalArtigo Original</p> <p>ADENOCARCINOMA DA PRSTADENOCARCINOMA DA PRSTADENOCARCINOMA DA PRSTADENOCARCINOMA DA PRSTADENOCARCINOMA DA PRSTAAAAATTTTTA: A ALA: A ALA: A ALA: A ALA: A ALTERAOTERAOTERAOTERAOTERAOHIPOECOGNICA DIFUSA DA PRSTHIPOECOGNICA DIFUSA DA PRSTHIPOECOGNICA DIFUSA DA PRSTHIPOECOGNICA DIFUSA DA PRSTHIPOECOGNICA DIFUSA DA PRSTAAAAATTTTTA UM ACHADOA UM ACHADOA UM ACHADOA UM ACHADOA UM ACHADOULULULULULTRA-SONOGRFICO IMPORTTRA-SONOGRFICO IMPORTTRA-SONOGRFICO IMPORTTRA-SONOGRFICO IMPORTTRA-SONOGRFICO IMPORTANTANTANTANTANTEEEEE ?*?*?*?*?*</p> <p>Greice Priscilla Kkeny1, Giovanni Guido Cerri 2, Luciana Mendes de Oliveira Cerri 3,Nestor de Barros4</p> <p>OBJETIVO: Avaliar se h associao entre a observao de alterao hipoecognica difusa da prstata, comperda da demarcao entre a zona perifrica e a glndula interna, e o diagnstico de adenocarcinoma deprstata na bipsia prosttica transretal. MATERIAIS E MTODOS: Avaliamos 143 homens com nvel sricode antgeno prosttico especfico maior do que 4 ng/ml. Todos os pacientes foram submetidos ultra-sono-grafia endorretal e bipsia randomizada da prstata. RESULTADOS: Foi diagnosticado adenocarcinoma deprstata em 36,4% dos pacientes. A alterao hipoecognica difusa da prstata, caracterizada por perda dademarcao entre a zona perifrica e a glndula central, foi observada em 22 pacientes e correspondeu ao diag-nstico de adenocarcinoma de prstata em 21 deles (95,4%). CONCLUSO: A alterao hipoecognica difusada prstata constituiu um critrio de suspeita ultra-sonogrfica de adenocarcinoma de prstata altamentesignificativo, j que em 95,4% das prstatas que apresentavam essas caractersticas a bipsia foi positiva paraadenocarcinoma de prstataUnitermos: Ultra-sonografia. Ultra-sonografia endorretal. Carcinoma da prstata.</p> <p>Prostate adenocarcinoma: is transrectal ultrasound diffuse hypoechoic appearance of the prostate an impor-tant finding?PURPOSE: The purpose of this study was to evaluate the relationship between diffuse hypoechoic appearanceof the prostate, which is characterized by indistinguishable boundaries between the peripheral zone and theinner gland, and the diagnosis of prostate adenocarcinoma established by transrectal prostate biopsies.MATERIALS AND METHODS: We performed transrectal ultrasonography in 143 male patients with serumprostate specific antigen levels above 4 ng/ml. Randomized biopsies were carried out in all patients. RESULTS:Prostate adenocarcinoma was diagnosed in 36.4% of the patients. Twenty-one (95.4%) out of 22 patients withdiffuse hypoechoic appearance of the prostate had positive biopsies for prostate adenocarcinoma. CON-CLUSION: Ultrasound diffuse hypoechoic appearance of the prostate is a significant criterion for suspectingadenocarcinoma, since 95.4% of the patients exhibiting this ultrasound findings presented positive biopsies.Key words: Ultrasound. Transrectal ultrasound. Prostate carcinoma.</p> <p>Resumo</p> <p>Abstract</p> <p>* Trabalho realizado no Instituto de Radiologia (InRad)do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da Uni-versidade de So Paulo (HC-FMUSP), So Paulo, SP.</p> <p>1. Doutora em Medicina pela FMUSP, Membro Titular doColgio Brasileiro de Radiologia (CBR).</p> <p>2. Professor Titular do Departamento de Radiologia daFMUSP, Membro Titular do CBR.</p> <p>3. Mdica Assistente do InRad/HC-FMUSP, Membro Ti-tular do CBR.</p> <p>4. Professor Doutor do Departamento de Radiologia daFMUSP, Membro Titular do CBR.</p> <p>Endereo para correspondncia: Dra. Greice PriscillaKkeny. Rua Cotox, 1289, apto. 62, Perdizes. So Paulo, SP,05021-001. E-mail: nestorbarros@uol.com.br</p> <p>Aceito para publicao em 21/5/2001.</p> <p>avaliao ultra-sonogrfica da glndulaprosttica(2), e como conseqncia hou-ve uma mudana deste conceito de pa-dro hiperecico do CAP.</p> <p>Atualmente, h um consenso de queos CAPs da zona perifrica so hipoeci-cos na maioria das vezes em que os pa-cientes so examinados com transduto-res de alta freqncia(5), tendo sido rela-tadas porcentagens de at 70% em queos CAPs tm esta apresentao ultra-so-nogrfica(3,68). Apesar de o aspecto hipo-ecico ser o mais comum, no h umaapresentao patognomnica ultra-sono-grfica do CAP(9).</p> <p>Os CAPs tambm podem ser isoeci-cos e, portanto, indistinguveis da prs-tata normal em cerca de 24% a 39% dasvezes(10,11).</p> <p>Alm dos aspectos iso, hipo e hipe-recico que o CAP pode apresentar na</p> <p>ultra-sonografia endorretal (USER), de-vemos estar atentos para avaliar se hperda da demarcao entre a glndula in-terna e a perifrica(12).</p> <p>O objetivo deste trabalho foi avaliarse h associao entre a observao dealterao hipoecognica difusa da prs-tata, com perda da demarcao entre azona perifrica e a glndula interna, e odiagnstico de CAP na bipsia prostti-ca transretal.</p> <p>MATERIAIS E MTODOS</p> <p>Foram estudados 143 pacientes dosexo masculino que apresentavam nveissricos de antgeno prosttico especfico(PSA) maiores do que 4 ng/ml, dosadospor meio do mtodo imunoenzimtico,mediante consentimento prvio dessespacientes. Este estudo foi submetido </p> <p>INTRODUO</p> <p>At 1985, a maioria dos estudos rela-tou o adenocarcinoma da prstata (CAP)como sendo hiperecico(13). O desenvol-vimento tcnico dos equipamentos deultra-sonografia (US)(4), aliado revisodos conceitos da anatomia da prstata,contribuiu para modificar os critrios da</p> <p>214</p> <p>Adenocarcinoma da prstata: a alterao hipoecognica difusa da prstata um achado ultra-sonogrfico importante?</p> <p>Radiol Bras 2001;34(4):213216</p> <p>avaliao e aprovado pelo Comit detica da Faculdade de Medicina da Uni-versidade de So Paulo. No foram in-cludos na casustica pacientes que tives-sem sido submetidos previamente a ci-rurgia e/ou radioterapia da prstata. Aidade dos pacientes variou de 40 a 88anos (mdia de 64 anos).</p> <p>Estes pacientes fazem parte de umacasustica j apresentada em trabalho pu-blicado anteriormente(13).</p> <p>Todos os pacientes foram submetidosa USER e bipsia da prstata, por viatransretal, aps antibioticoterapia profi-ltica (quatro comprimidos de ciproflo-xacim 500 mg, via oral, de 12 em 12horas, esquema iniciado duas horas an-tes do incio dos procedimentos) e lim-peza da ampola retal por intermdio dofleet-enema.</p> <p>As bipsias foram realizadas subse-qentemente avaliao ultra-sonogr-fica da prstata, nos seus planos longitu-dinal e transversal, em uma mesma opor-tunidade, por um dos autores ou sob suasuperviso. O equipamento ultra-sono-grfico utilizado foi o Tosbee (Toshiba,Japo), com transdutor biplano de altafreqncia do tipo end-fire (6,0 MHz-linear / 7,5 MHz-convexo).</p> <p>Consideramos alterao hipoecog-nica difusa da prstata quando esta apre-sentava-se difusamente heterognea ehipoecognica, com perda da demarca-</p> <p>o entre a zona perifrica e a glndulainterna (Figura 1).</p> <p>Todos os pacientes foram submetidosa bipsias randomizadas atravs da zonaperifrica nos sextantes da prstata, iden-tificados como base, mdio e pice, direita e esquerda, tcnica primeira-mente descrita por Hodge et al.(14).</p> <p>Os fragmentos retirados foram depo-sitados em frascos contendo formol a 6%e etiquetados, indicando-se as regies daprstata das quais pertenciam.</p> <p>Subseqentemente, foram avaliadas,estatisticamente, as correlaes entre osresultados da USER e os da bipsia daprstata. O teste do qui-quadrado (2) foiutilizado para avaliar a associao entrea observao de alterao hipoecogni-ca difusa da prstata e os resultados dabipsia. Adotou-se o nvel de significn-cia de 0,05 ( = 5%). Nveis descritivos(p) inferiores a este valor foram conside-rados significantes.</p> <p>RESULTADOS</p> <p>Dentre os 143 pacientes estudados,foi diagnosticado CAP em 36,4% deles(52/143).</p> <p>A alterao hipoecognica difusa daprstata foi observada em 22 dos 143pacientes estudados, e correspondeu aodiagnstico de CAP em 95,4% deles (21/22) (Figura 2).</p> <p>A associao entre a observao dealterao hipoecognica difusa na US ea positividade de CAP na bipsia foi es-tatisticamente significante (2 = 16,82; p&lt; 0,0001).</p> <p>DISCUSSO</p> <p>De acordo com a literatura consulta-da, podemos verificar que h consensocom relao investigao de CAP empacientes que apresentam nveis sricosde PSA aumentados(1517).</p> <p>Em nosso estudo os pacientes foramsubmetidos USER e bipsia da prs-tata, por apresentarem nveis sricos dePSA maiores do que 4 ng/ml. No total,detectamos CAP em 36,4% deles.</p> <p>A bipsia transretal da prstata temsido apontada como a melhor tcnica pa-ra a deteco de CAP nos pacientes comnveis sricos elevados de PSA(18,19). Noentanto, as medidas estatsticas da USER,com valores bastante variveis de sensi-bilidade e especificidade(20), levaram tentativa de melhoria da deteco doCAP por meio deste mtodo, investigan-do-se outras tcnicas associadas, como o caso do Doppler(21,22) e da utilizaodos meios de contraste na US(23).</p> <p>Recentemente, a tomografia compu-tadorizada helicoidal da pelve tambmfoi avaliada como mtodo de detecodo CAP(24). A ressonncia magntica tem</p> <p>Figura 1.Figura 1.Figura 1.Figura 1.Figura 1. Cortes transversais da prstata. Prstata de aspecto difusamente heterogneo e hipoecognico, caracterizada por perda da demarcaoentre a zona perifrica e a glndula interna. O resultado da bipsia foi adenocarcinoma.</p> <p>AAAAA BBBBB</p> <p>Radiol Bras 2001;34(4):213216 215</p> <p>Kkeny GP et al.</p> <p>AAAAA BBBBB</p> <p>sido utilizada como modalidade de esta-diamento do CAP(25).</p> <p>Tomando uma direo um pouco dife-rente dos estudos mais recentes com re-lao ao CAP, gostaramos de chamar aateno para a existncia de prstatasque na USER apresentam-se difusamen-te heterogneas e hipoecognicas, comperda da demarcao entre a zona peri-frica e a glndula interna. Na nossa ca-sustica, a observao deste tipo de alte-rao constituiu importante critrio desuspeita ultra-sonogrfica de CAP, j queem 95,4% das vezes em que a prstataapresentou estas caractersticas ultra-so-nogrficas foi detectado CAP pela bip-sia. A associao entre a observao desta</p> <p>alterao ultra-sonogrfica e a positivi-dade de CAP na bipsia foi estatistica-mente significante.</p> <p>H poucas referncias na literaturaconsultada com relao a este tipo de al-terao ultra-sonogrfica da prstata.</p> <p>Griffiths et al.(26) referem que a perdade demarcao entre a zona perifrica e orestante da glndula pode ser considera-da um sinal ultra-sonogrfico adicionalde CAP, j que 70% das prstatas dospacientes por eles estudados que apre-sentavam CAP extensos, porm confina-dos, apresentaram estas caractersticas naUSER.</p> <p>Para Shinohara et al.(7), a identificaoda ausncia da margem normal entre a</p> <p>zona perifrica e a zona de transio emprstata de aspecto arredondado devealertar o ultra-sonografista sobre a possi-bilidade da presena de grandes tumores.</p> <p>Allen e Embry(27), realizando bipsiasde prstatas com alterao difusa da eco-genicidade, encontraram CAP em todaselas.</p> <p>No foram encontradas refernciasmais recentes, na literatura consultada,com relao a esta descrio de alteraoultra-sonogrfica suspeita da presena deCAP (alterao hipoecognica difusa daprstata, caracterizada por perda da de-marcao entre a zona perifrica e a gln-dula interna), apesar de que um dos cri-trios de suspeita ultra-sonogrfica de</p> <p>CCCCC</p> <p>Figura 2.Figura 2.Figura 2.Figura 2.Figura 2. Cortes transversal (AAAAA) e longitudinais (BBBBB,CCCCC) da prstata. Prsta-ta apresentando alterao hipoecognica difusa, com perda da demar-cao entre a zona perifrica e a glndula interna. A bipsia revelou tra-tar-se de adenocarcinoma. Notar a irregularidade dos contornos daprstata (setas).</p> <p>216</p> <p>Adenocarcinoma da prstata: a alterao hipoecognica difusa da prstata um achado ultra-sonogrfico importante?</p> <p>Radiol Bras 2001;34(4):213216</p> <p>CAP, proposto por Leibowitz e Staub(28),foi a perda da arquitetura zonal, que cor-respondeu a CAP em quatro de quatrocasos em que foi observada, mas esta al-terao no foi por eles considerada sig-nificativa, devido ao pequeno nmerode pacientes em que foi observada (qua-tro de 282 pacientes).</p> <p>Apesar de as descries das caracters-ticas ultra-sonogrficas das prstatas dostrabalhos citados no serem idnticas,elas devem corresponder s mesmas alte-raes ultra-sonogrficas por ns obser-vadas.</p> <p>CONCLUSO</p> <p>Conclumos que, apesar de a alteraohipoecognica difusa da prstata, comperda da demarcao entre a zona perif-rica e a glndula interna, no constituirapresentao patognomnica do CAP naUSER, no podemos deixar de ressaltar aimportncia desta alterao como crit-rio ultra-sonogrfico de suspeita de CAP.</p> <p>Talvez estudos posteriores analisandocasusticas maiores possam vir a confir-mar a importncia deste achado ultra-sonogrfico para o diagnstico de CAP,definindo melhor a sua especificidade.</p> <p>REFERNCIAS</p> <p>1. 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