ANÁLISE SEMIÓTICA DA VINHETA DE ABERTURA DA ?· comunicação. Partindo de teorias da semiótica de…

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Centro Internacional de Semitica e Comunicao CISECO

V COLQUIO SEMITICA DAS MDIAS ISSN 2317-9147

Albacora Praia Hotel Japaratinga Alagoas 21 de setembro de 2016

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ANLISE SEMITICA DA VINHETA DE ABERTURA DA

ANIMAO AUDIOVISUAL OS URSINHOS CARINHOSOS

Patrcia Csar Gonalves Pereira

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Resumo

As produes audiovisuais destinadas ao pblico infantil vm ganhando espao na

mdia televisiva, consolidando-se, principalmente, durante os anos de 1990 a 2000,

sendo um meio de formao cultural e entretenimento para crianas de vrias idades.

Com o intuito de chamar a ateno do pblico infantil, as vinhetas de abertura dos

desenhos fazem a seduo do olhar das crianas, voltando-os os aparelhos de televiso.

Para este trabalho, temos trs objetivos a saber: i) identificar desenho exibido durante a

dcada de 1990 que teve mais visualizao; ii) compreender o trabalho com as

linguagens verbais e no verbais a partir do sincretismo dentro das vinhetas de aberturas

dos desenhos infantis audiovisuais; iii) analisar uma vinhetas pelo plano do contedo

nos nveis: discursivo, narrativo e fundamental; e pelo plano da expresso, nas

categorias: cromticas, eidticas e topolgicas. Como corpus, selecionamos uma vinheta

de abertura do desenho audiovisual que foi mais assistido em rede aberta durante os

anos de 1990 a 2000. Utilizaremos a semitica de linha francesa com as contribuies

de Greimas e Courts (1983) e Susanne (2004) para compreendermos a linguagem; os

estudos de Greimas (2008) e Proop (1965) para fazer as anlises das vinhetas pelo plano

do contedo, e Greimas (2008) e Oliveira (1995) para a anlise no nvel da expresso.

Os resultados apontam que as crianas, ao assistirem conseguem, por meio desse

conjunto de imagens, tomar conscincia e discernir entre o certo e o errado.

Palavras-chave: desenhos animados; semitica: linguagens verbais; no verbais

Abstact

ANALYSIS SEMIOTICS ON ANIMATION OF OPENING THE VIGNETTE

AUDIVISUAL CARE BEARS

1 Mestranda em Cincias Humanas da Universidade de Santo Amaro Unisa. Professora de Educao

Infantil da Prefeitura Municipal de So Paulo e Docente de Artes na Prefeitura de Taboo da Serra/SP.

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Audiovisual production aimed at children is becoming more popular in television

media, consolidating itself in the 1990s as a means of cultural education and

entertainment for children of various ages. To get the attention of child public, the

drawings opening vignettes are handling the eyes of children returning them to

television sets. For this work we have the following objectives: i) Identify which of the

1990s design had more viewing; ii) Understand how vignettes of audio visual children's

drawings openings work with verbal and nonverbal languages from syncretism; iii)

analyze a vignette for the content of the plan level, discursive, narrative and

fundamental; and the level of expression in the categories: chromatic, eidetic and

topological. As corpus wes elected is visually or audibly drawing opening vignette that

was most watched in open network in the 1990s will use the French line of semiotics

with the contributions of Greimas and Courtes (1983) and Susanne (2004) to understand

the language and studies of Greimas (2008) and Proop (1965) to the analysis of

vignettes for the content of the plan and Greimas (2008) and Oliveira (1995) to analyze

the level of expression.

Keywords: cartoon; semiotics; verbal languages; nonverbal languages.

Introduo

Por que os desenhos audiovisuais nos encantam? natural do ser

humano criar desenhos e trabalhar para torna-los melhores, utilizando todas as

ferramentas disposio. Essa busca pelo novo fez chegar a ns os desenhos

audiovisuais como os conhecemos hoje, mas isso no significa que sejam

melhores, apenas que so mais atuais. Assim, foi percebido que, esse tipo de

narrativa interessava as crianas, fazendo-as criar e aumentar o seu repertrio

imagtico. Qual o segredo ntimo que os desenhos audiovisuais animados

guardam, fazendo-os perdurarem desde os anos de 1910? Por que um

desenho como o Gato Felix, ainda se mostra atual, ou de que maneira os

contos de fadas foram eternizados nesses desenhos?

Floch (1986) tem como conceito de sincretismo a definio dada por

Greimas, que caracterizam-se pelo emprego de vrias linguagens de

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manifestao. Para ele, a sincretizaco, um mecanismo de enunciao.

Podendo ser usado para um dado enunciado sincrtico, uma enunciao

visual, uma enunciao verbal, uma enunciao gestual, etc. S

Basta que algum se ponha a nos contar sobre um desenho de sua

infncia que logo se lembra tambm das aberturas desses desenhos. O

conjunto sincrtico de sons e imagens chama a nossa ateno. Essa

curiosidade acontecia quando as crianas ligavam os aparelhos de televiso

pelas manhs, deixando-as literalmente paralisadas, com olhares fixos, e

tomadas pelas narrativas dos desenhos audiovisuais infantis, principalmente

pelas aberturas, cuja repetio nunca as cansava. Ao ouvirmos as vinhetas de

abertura dos desenhos, automaticamente j fazemos referncia a todo ele.

Lembramos de episdios anteriores e j imaginamos os prximos.

Entendemos aqui as vinhetas das aberturas dos desenhos animados

audiovisuais como uma introduo e um chamariz a fim de que o expectador

fique curioso e assista o restante. Para este trabalho, selecionamos a abertura

do desenho animado Os Ursinhos Carinhosos, que foi exibido em rede aberta,

na emissora SBT, durante a dcada de 1990. A escolha dessa vinheta foi

realizada a partir de pesquisas no site super.abril.com.br, indicando se este o

desenho mais assistido no Brasil na dcada de 1990. Segundo o site, Os

Ursinhos Carinhosos, foi assistido por nove entre dez pessoas pesquisadas.

Para compreendermos o termo linguagem nos apoiamos em Greimas e

Courts que nos explica que:

Sendo a linguagem um objeto do saber, que pela semitica geral no pode ser um objeto que se define, e sim uma funo dos procedimentos e mtodos, que permitem construir sua anlise, sobre qualquer definio da linguagem podendo ser (faculdade humana, funo social, meio de comunicao, etc.) refletindo uma atitude terica, que se ordena construindo um conjunto nomeado de fatos semiticos. ( GREIMAS & COURTS;1983; p.129).

Greimas (1983) ainda ressalta que substituir o termo linguagem pela

expresso conjunto significante seria menos comprometedor, uma vez que a

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esse conjunto de significantes, auxilia na construo de qualquer anlise de

comunicao.

Partindo de teorias da semitica de linha francesa, procuraremos

compreender como as vinhetas dos desenhos infantis audiovisuais propagados

em rede aberta na dcada de 1990 trabalham com o conjunto significante.

Teremos como metodologia, osestudos bibliogrficos de Greimas e Courts

(1983) na anlise das vinhetas no plano da expresso, nas categorias

cromticas, eidticas e topolgicas. No plano do contedo, nos nveis:

discursivo, narrativo e fundamental; o estudo bibliogrfico foi efetuado sobre

Greimas (1973), Fiorin (2006) e Barros (2002).

1. Breve histrico dos desenhos audiovisuais

Os desenhos audiovisuais animados, surgiram muito antes do cinema.

Seu percursor foi mile Reynaud, um francs que no fim do sculo XIX,

inventou um sistema de animao utilizando um aparelho, de nome o

praxynoscpio. Esse aparelho servia para projetar na parede as diferentes

imagens que utilizavam movimento.

O desenho animado Fantasmagorie foi produzido em 1908, e pode ser

considerado como a primeira animao da histria. Criado pelo francs Emile

Cohl, esse desenho tinha apenas dois minutos, e foi exibido no Theatre

Gymnase. O incio dos desenhos audiovisuais animados, como conhecemos

hoje, aconteceram somente na dcada de 1910, com o cinema mudo e sem

cor. A maioria das animaes era de curta-metragem e destinada adultos. O

roteiro utilizava piadas, e os contedos indicados a um pblico de maior idade.

Em 1917, foi produzido o desenho que faz sucesso at hoje, O Gato

Flix, na poca, criado sem cores nem falas. Nessa mesma dcada, surgiu

a Disney, e o com isso o famoso Mickey, que veio com a inovao, e foi

considerado o primeiro desenho com efeitos sonoros, trazendo uma completa

revoluo para a poca. Seu sucesso foi total. Durante a dcada 1930, foi

criada a personagem Betty Boop, que tinha influncias da poca. Suas

caractersticas fsicas eram de uma pessoa do sexo feminino com uma cabea

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