Apostila Relações Interpessoais

  • Published on
    29-Jun-2015

  • View
    3.482

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

<p>FACULDADE DE TIMBABA</p> <p>Relaes InterpessoaisAdministraoProf. Roosevelt Suna [Escolha a data]</p> <p>Cuidado com as palavras pronunciadas em discusses e brigas que revelem sentimentos e pensamentos que na realidade voc no sente e no pensa... pois, minutos depois, quando a raiva passar, voc delas no se lembrar mais... Porm, aquele a quem tais palavras foram dirigidas, jamais as esquecer.... - Charles Chaplin</p> <p>RELAES INTERPESSOAIS - MBA</p> <p>Sumrio1. Relaes Interpessoais............................................................................................. 3 1.1.1. Constructo ......................................................................................................... 3 1.1.2. Competncia Interpessoal ................................................................................. 4 1.1.3. Inteligncia Emocional ...................................................................................... 5 1.2. Auto conhecimento ............................................................................................... 6 1.3. Relaes interpessoais em pequenos grupos........................................................ 8 1.4. Conhecimento do outro ........................................................................................ 9 1.5. Percepo e Relaes Interpessoais ................................................................... 12 2. Processo de comunicao X relao interpessoal ................................................. 14 2. 1. Comunicao ..................................................................................................... 14 2.1.1. O Processo de Comunicao ........................................................................... 14 2.1.2. Comunicao verbal e no verbal ................................................................... 16 2.1.3. Princpios para uma boa escuta ...................................................................... 17 2.2. Feedback ............................................................................................................. 19 2.2.1. A importncia do feedback .............................................................................. 19 2.2.2. Por que difcil receber feedback? ................................................................. 20 2.2.3. Por que difcil dar feedback? ........................................................................ 20 2.2.4. Para tornar-se realmente um processo til .................................................... 20 2.2.5. Preparao para o feedback ............................................................................ 24 2.2.6. Como lidar positivamente com a crtica ......................................................... 24 2.3. Como superar dificuldades ................................................................................ 25 3. Gerncia de conflito .............................................................................................. 26 3.1 Definio .............................................................................................................. 26 3.1.1. Transies na conceituao de conflito........................................................... 26 3.1.2. A viso de relaes humanas ........................................................................... 27 3.1.3. A viso interacionista ...................................................................................... 27 3.1.3.1. Conflito funcional versus conflito disfuncional ........................................... 27 3.2. O Processo de conflito ........................................................................................ 28 3.2.1. Oposio potencial ou incompatibilidade ....................................................... 28 3.2.2. Cognio e Personalizao .............................................................................. 29 3.2.3. Intenes .......................................................................................................... 29 3.2.4. Comportamento............................................................................................... 30 3.2.5. Conseqncias ................................................................................................. 31 3.3 Sugestes para gesto de conflitos ...................................................................... 31 3.4 Concluso ............................................................................................................ 32 4. Interpretando a linguagem corporal .................................................................... 34 4.1. Fazendo Contato ................................................................................................ 35 4.2. A Descoberta de Padres ................................................................................... 37 4.3 Cultura local ou nacional .................................................................................... 38 4.4 Exemplos de Linguagem Corporal ..................................................................... 39 5. Referncia Bibliogrfica.................................................................................... 41</p> <p>2</p> <p>RELAES INTERPESSOAIS - MBA 1. Relaes Interpessoais O convvio pessoal sempre foi um desafio para a humanidade e, durante algum tempo, passou sem ser notado devido a algumas condutas relacionadas individualidade, centralizao do poder e valorizao dos produtos em vez das pessoas. Porm, com o aumento da facilidade de acesso informao e com o sensvel aumento da escolaridade da populao, temos a formao de cidados exigentes e crticos. Desta forma, passou-se a valorizar a qualidade de produtos e servios e, posteriormente, as pessoas que os produzem. As instituies perceberam que o sucesso de sua filosofia est no fator humano, ou seja, em seu interior. Para que ocorra efetivo desenvolvimento organizacional, deve-se buscar, alm do aprimoramento estritamente tcnico, desenvolver a competncia pessoal e interpessoal, no mais possvel negar a necessidade de investir no ser humano. Ao adotar tal postura, a organizao estar visando ao melhor relacionamento entre os membros que a compem, com o intuito de melhorar a qualidade de vida no trabalho com conseqentes reflexos na vida do indivduo. Mas, estaremos realmente condenados a sofrer com os outros? Ou podemos ter esperanas de alcanar uma convivncia razoavelmente satisfatria e produtiva? Como trabalhar bem com outros? Como entender os outros e fazer-se entender? Por que os outros no conseguem ver o que eu vejo, como eu vejo, por que no percebem a clareza de minhas intenes e aes? Por que os outros interpretam erroneamente meus atos e palavras e complicam tudo? Por que no podemos ser objetivos no trabalho e deixar problemas pessoais fora? Vamos ser prticos, e deixar as emoes e sentimentos de lado. Quem j no pensou assim, alguma, vez, em algum momento ou situao? Pessoas convivem e trabalham com pessoas e portam-se como pessoas, isto, , reagem s outras pessoas com as quais entram em contato: comunicam-se, simpatizam e sentem atraes, antipatizam e sentem averses, aproximam-se, afastam-se, entram em conflito, competem, colaboram, desenvolvem afeto. H, em torno de todos ns, um universo de coisas com as quais interagimos, mas principalmente pessoas das quais dependemos mais do que se possa superficialmente avaliar. Essas interferncias ou reaes, voluntrias ou involuntrias, intencionais ou no, constituem o processo de interao humana. Sendo algo complexo, que ocorre permanentemente entre pessoas, sob forma de comportamentos manifestos e nomanifestos, verbais e no-verbais, pensamentos, reaes mentais e/ou fsico corporal. Assim, podemos considerar que um olhar, um sorriso, um gesto, uma postura corporal, um deslocamento fsico de aproximao ou afastamento constituem formas no-verbais de interao entre as pessoas. Mesmo quando algum vira as costas ou fica em silncio, isto tem um significado, pois comunica algo aos outros. O fato de sentir a presena dos outros j interao. 1.1.1. Constructo Repetidas vezes utilizado na realidade organizacional da atualidade, o termo interpessoal acaba tendo o mesmo destino de todos os outros que so objeto de uso abusivo, isto , passa a abranger um conjunto incompreensvel fenmenos. Refere-se a tudo, mas no explica nada. Para que possamos entender esse termo importante termos em mente que ningum vive sem a perspectiva do outro. Sendo essa uma caracterstica comum a todos os seres humanos, s possvel pensar a existncia de uma pessoa no convvio com outras pessoas. S possvel encontrar felicidade, ser saudvel na presena do outro. </p> <p>3</p> <p>RELAES INTERPESSOAIS - MBA na presena do outro que me reconheo: homem, mulher, feio, bonito, inteligente, etc. esse processo de interao que chamamos relacionamento interpessoal. Por isso, o ser humano nunca ser absolutamente independente. Ele depende do outro para se reconhecer, para ser saudvel, para ser feliz. Para Bergamini (1982), o sucesso ou insucesso na formao de vnculos interpessoais inegavelmente fonte de alegria ou sofrimento e pode, conseqentemente, ser um poderoso determinante dos nveis dos sentimentos de auto-estima de cada um. O termo interpessoal, portanto, refere-se a relaes que ocorrem entre duas pessoas, sendo o oposto daqueles relacionamentos nos quais pelo menos um dos participantes inanimado (BERGAMINI, 1989). A partir dessa afirmao, podemos entender que todas as relaes interpessoais desenvolvem-se em decorrncia de um processo de interao. Em situaes de trabalho, compartilhadas por duas ou mais pessoas, h atividades predeterminadas a serem executadas, bem como interaes e sentimentos recomendados, tais como: comunicao, cooperao, respeito, amizade. Na media em que as atividades e interaes prosseguem, os sentimentos despertados podem ser diferentes dos indicados inicialmente e ento inevitavelmente os sentimentos influenciaro as interaes e as prprias atividades. Assim, sentimentos positivos de simpatia e atrao provocaro aumento de interao e cooperao, repercutindo favoravelmente nas atividades e ensejando maior produtividade. Por outro lado, sentimentos negativos de antipatia e rejeio tendero diminuio das interaes, ao afastamento, menor comunicao, repercutindo desfavoravelmente nas atividades, com provvel queda de produtividade (MOSCOVICI, 1998). O referido autor prossegue em seu texto afirmando que esse ciclo atividadeinteraes-sentimentos no se relaciona diretamente com a competncia tcnica de cada pessoa. Profissionais competentes individualmente podem render muito abaixo de sua capacidade por influencia do grupo e da situao de trabalho. 1.1.2. Competncia Interpessoal Moscovici (1998) afirma que a competncia tcnica para cada profissional no posta em dvida, uma vez que todos reconhecem que qualquer profissional precisa ser competente em sua rea especfica de atividade. A competncia interpessoal, porm, s reconhecida para algumas categorias profissionais notrias, tais como assistncia social, magistrio, psicoterapia, vendas, servios de atendimento ao pblico, em geral. A Competncia interpessoal pode ser entendida como a habilidade de lidar eficazmente com relaes interpessoais, de lidar com outras pessoas de forma adequada s necessidades de cada uma e s exigncias da situao. Para o autor supracitado, dois componentes da competncia interpessoal assumem importncia capital: a percepo da situao interpessoal e a habilidade de resolver os problemas interpessoais, de tal forma que no haja regresses. O processo de percepo muitas vezes precisa ser treinado para uma viso mais acurada da situao interpessoal. Isto significa um longo processo de crescimento pessoal e autoconhecimento, como pr-requisitos de possibilidades de percepo mais realsticas dos outros e da situao interpessoal. O autoconhecimento s pode ser obtido com a ajuda dos outros, por meio de feedback, o qual precisa ser elaborado para autoaceitao de componentes do eu cego. Se o indivduo tem uma percepo mais acurada de si, ento pode, tambm, ter uma percepo acurada da situao interpessoal, primeiro passo para poder agir de forma adequada e realstica. O sucesso da interao parece intimamente ligado a dois aspectos interdependentes: flexibilidade perceptiva e comportamental, que significa procurar</p> <p>4</p> <p>RELAES INTERPESSOAIS - MBA ver vrios ngulos ou aspectos da mesma situao e atuar de forma diferenciada, norotineira, experimentando novas condutas percebidas como alternativas de ao. Desenvolve-se, concomitantemente, a capacidade criativa para solues de problemas e para propostas menos convencionais. Outras habilidades consistem em dar e receber feedback, sem o que no se constri um relacionamento autntico, conducente ao encontro de pessoa a pessoa, ao invs da relao de sujeito objeto, na percepo de Martin Buber (apud MOSCOVICI, 1998). Um terceiro componente da competncia interpessoal refere-se ao relacionamento em si e compreende a dimenso emocional-afetiva. Num relacionamento a mdio prazo, preciso considerar o contedo cognitivo e a relao afetiva em qualquer situao de conflito interpessoal. Muitas vezes, a soluo vivel para o contedo cognitivo, mas afeta a relao afetiva. O equilbrio desses dois componentes que far com que o relacionamento no sofra danos, s vezes irreversveis. Competncia interpessoal, portanto, resultante de percepo acurada realstica das situaes interpessoais e de habilidades especificas comportamentais que conduzem a conseqncias significativas no relacionamento duradouro e autentico, satisfatrio para as pessoas envolvidas. 1.1.3. Inteligncia Emocional Viver com o outro no fcil. Todas as vezes que as pessoas se deparam umas com as outras em situao de formao de vnculo social h, naturalmente, uma inteno particular de cada uma delas em conseguir lograr xito no relacionamento, e isso significa entrar em entendimento para que algum objetivo seja atingido. A chegada ao objetivo depende ento, necessariamente, desse relacionamento. Embora tanto uma como outra pessoa esteja particularmente empenhada em conseguir uma interao produtiva, em grande nmero de vezes o bom xito almejado no atingido. No to simples desenvolver uma interao adequada. Cada pessoa possui uma histria de vida nica, com desejos, ritmos diferentes de crescimento, interesses, necessidades que so frontalmente diferentes de outra pessoa. Mesmo nesta sala em que todos tm um mesmo objetivo, cada um tem interesses, sonhos que divergem de todos os outros. E no processo de nossas relaes o confronto entre nossos interesses dificulta a comunicao. No interior das organizaes econmicas as divergncias tendem a se ampliar, e o conflito sentido de forma mais contundente com a falncia do empreendimento. Considerarmos que a maioria das situaes de trabalho envolve o relacionamento entre as pessoas, tanto a competncia interpessoal, quanto a inteligncia emocional podem exercer forte influncia no sucesso ou insucesso das pessoas. J a Inteligncia Emocional (IE) seria a aptido emocional ou capacidade para lidar bem com os nossos sentimentos e tambm com os sentimentos das demais pessoas....</p>