Arca - 4ª Edição

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    07-Apr-2016

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Revista ARCA - 4 edio - da Academia de Letras de So Joo da Boa Vista

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    Temos o imenso prazer em fechar o ano de 2014 com mais uma edio da Revista ARCA. Chegamos quarta edio. Com as dificuldades normais em conseguir verba,

    public-la tem sempre um sabor de vitria! A

    cada edio atingimos um nmero sempre cres-cente de leitores, o que nos deixa realizados e

    convictos de que fazemos um bom trabalho.

    Nesta edio, alm das sees impor-

    tantes com dicas sobre a Lngua Portuguesa e

    indicao de boa leituras, mostramos que o se-

    gundo semestre de 2014 foi rico em atividades acadmicas, como os leitores podero conferir

    na seo Aqui Aconteo. Tivemos muito pra-zer em mostrar a alegria e satisfao dos pre-

    miados nos concursos Literrio de Poesia e

    Prosa e Redao na Escola.

    Assim, terminamos o ano com a certeza

    de que caminhamos no caminho certo e bons

    frutos temos colhido.

    com gratido aos acadmicos, colabo-

    radores, apoiadores e patrocinadores, que en-

    cerramos este ano. Boa leitura e que 2015 seja profcuo em

    eventos literrios e que venham outras edies

    da revista ARCA!

    EDIO 04 | ANO 02 | DEZEMBRO 2014Palavra do Editor01 Palavra do Editor

    02 Bastidores

    04 Letras em Retrato

    08 Por Onde Andei...

    10 Crtica Literria

    12 So Joo Vista

    16 Academia em Revista

    18 Luz Grafia

    20 Arcadianas

    56 Luz Grafia

    50 Aqui Aconteo...

    62 Sopa de Letras

    64 Afiando a Lngua

    66 Livros

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    Bastidores

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    Mais um ano se finda! Chegam ao fim o ano e tambm a gesto desta diretoria, idealizadora da Revista ARCA. A presidente est reeleita e com ela segue a diretoria com pequenas modificaes, de acordo com o novo Estatuto. Quanto aos projetos e eventos culturais, foram oito acon-tecimentos ao longo do segundo semestre, en-tre palestras, concursos e homenagens, alm de posse de seis novos acadmicos. Deve-se acres-centar aos acontecimentos a visita da presidente cidade de Treze Tlias/SC, em que esteve com a Consulesa Honorria da ustria para Santa Catarina, Sra. Anna Lindner von Pichler, e para ela deixou muitos dos trabalhos realizados pela Academia de Letras de So Joo. Estudam a possibilidade de instalao de uma Arcdia por l. As fotos ao lado mostram o quanto se trabalhou nos bastidores para essas realizaes, que podero ser vistas nas pginas finais da Revista. Os textos continuam de acadmicos, a abrilhantarem a ARCA, j em sua 4 edio. Ela chega s mos do sanjoanense pou-cos dias antes das festas natalinas, por isso toda a equipe de realizao procurou deix-la fra-terna, para ser um presente no Feliz Natal de cada lar. No prximo ano, novas edies chegaro at voc, leitor. Aguarde! Boas Festas!

    Lucelena MaiaPresidente

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    Letras em Retrato

    So Joo da Boa Vista, 10 de setembro de 2014, Theatro Municipal. O ensaio durante a tarde deixou o ma-

    estro Paulo Rowlands, da Orquestra Camerata

    Brasileira, preocupado. No havia sido dos

    melhores. O grupo parecia desatento, e o mais

    desatento de todos era o solista Jean William.

    Experiente, o maestro j assistiu (ou re-

    geu) a espetculos desastrosos. Sabe que tem

    dias em que inexplicavelmente nada d certo:

    a plateia no vibra, os msicos no se acertam e

    Uma Noite Daquelas em So Joo...

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    a coisa acontece sem vida. Diante da aparente desateno do solista Jean William e da falta de

    entrosamento dos msicos, temeu que aquela

    seria mais uma dessas desastradas apresenta-es.

    Apesar dos desacertos, a tranquilidade de

    Jean William espantava o maestro. De camiseta

    e bermuda, muito vontade, o olhar do solista

    percorria os detalhes do Theatro de So Joo da

    Boa Vista e parecia estar longe dali.

    Em quantos outros teatros Jean

    William j se havia apresentado antes? Tan-

    tos mais bonitos ou mais glamourosos como o

    Avery Fisher Hall, no Lincoln Center de Nova

    York, Sala So Paulo ou os ricos Teatros de

    Milo, onde estudou msica?

    E foi regido antes por quantas outras

    batutas alm da dele: Carlos Spierer, Cludio

    Cruz, Olivier Toni, Diogo Pacheco, Martinho

    Lutero Gallati, Guido Rimonda, entre tantos,

    sem falar em Joo Carlos Martins, o revelador

    de Jean William para o cenrio lrico.

    Depois de percorrer o mundo todo, de

    pisar nos palcos mais famosos e cantar, en-

    tre outros, para o Papa Francisco, o maestro

    Paulo Rowlands no poderia imaginar que Jean

    William estivesse emocionado por estar em So

    Joo da Boa Vista. Mas, o solista estava verda-

    deiramente emocionado. E o resultado desse

    estado de esprito o maestro s conheceria

    noite. A noite era em comemorao dos 100

    anos do Theatro Municipal e dos 50 anos da

    Unifae. Fazia tempo que os dirigentes do

    Theatro tentavam trazer Jean William a So

    Joo. Um sonho distante, afinal, o jovem solista

    vinha de turn internacional, sendo requisita-

    do para vrios espetculos. S havia uma data

    em sua agenda e muitas cidades disputavam a apresentao. Mas, a escolhida foi So Joo da Boa

    Vista.

    O empresrio Fred Rossi, o criador do

    famoso Circuito Universitrio na dcada

    de 70, interferiu na escolha. Fred, que foi em-

    presrio de Vinicius de Moraes, entre outros,

    um romntico por natureza. O Circuito tinha

    esta caracterstica: o romantismo de contesta-

    dores que queriam a volta da democracia. Ar-

    tistas como Vinicius de Moraes, Toquinho, Elis

    Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso se

    apresentavam para estudantes, cantando pelo

    fim da ditadura. Romanticamente apaixonados

    pelo Brasil e pela liberdade.

    A apresentao para comemorar os 50

    anos de uma universidade era como reviver um pouco do que foi o Circuito Universitrio.

    O prprio Jean William tambm interfe-

    riu na escolha de So Joo. Depois da turn pela

    Europa, estava com saudade do interior, de uma

    cidade que o fizesse lembrar-se de Sertozinho,

    onde nasceu, ou de Barrinha, onde foi criado.

    Absolutamente comprometido com as

    questes sociais, Jean William se emocionou

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    quando soube do perfil dos universitrios da

    Unifae: jovens, trabalhadores, de origem humil-

    de, que trabalham durante o dia para estudar

    noite, procura de um lugar ao sol, mesmo

    diante de tantas adversidades. Impossvel no

    lembrar-se de sua prpria luta.

    Tambm se emocionou ao saber que iria

    cantar no Theatro Municipal. Diria depois: Sou

    um artista e este meu habitat. O lugar lindo,

    um monumento do Estado de So Paulo que eu

    queria conhecer. Por isso, Jean William estava disperso

    naquele ensaio. Lembrava-se da infncia po-

    bre, quando subia no alto de uma rvore l em

    Barrinha e ficava comtemplando o horizonte,

    tentando imaginar o que a vida lhe reservaria.

    Quando a noite comeou, o maestro

    Paulo Rowlands ainda se preocupava com o

    descompasso do ensaio. No havia entendido a aparente desateno de Jean William e a in-

    sistncia de incluir no show a apresentao

    de um aluno da Unifae, Guilherme Quartier

    Costa. Uma apresentao desastrada do rapaz poria tudo a perder, quebraria o ritmo do show.

    Melhor seria no arriscar, mas Jean William in-

    sistia. Queria dar uma oportunidade ao garoto

    e fez questo de trat-lo como um colega e no

    como um amador. Depois, o maestro reconhe-

    ceu que aquela havia sido uma grande ideia. O

    garoto deu conta do recado e logo no primeiro

    segundo de Il sole mio, arrancou aplausos da

    plateia surpreendida com seu talento.

    Antes, no incio do show, o maestro j

    havia percebido que aquela no seria uma noite

    comum. Jean William estava impressionan-

    temente inspirado e sua inspirao contagiou a todos, a comear pelos msicos, atingindo a

    plateia.

    Com lgrimas nos olhos, e ainda vibran-

    do com os aplausos calorosos dos sanjoanenses,

    Paulo Rowlands definiu assim o espetculo que

    regeu:

    Tem coisa que acontece e no se expli-

    ca. Havia algo de muito especial no ar. A qumi-

    ca foi perfeita, tudo deu certo. A vibrao da

    plateia contagiou ainda mais a todos ns. Jean

    William esteve prximo da perfeio. Uma

    noite daquelas, para jamais ser esquecida.

    SOBRE JEAN WILLIAM

    Apaixonado desde cedo por msica

    e extremamente dedicado aos estudos, Jean

    formou-se em msica pela ECA-USP; ainda

    estudante, participou dos mais importantes

    festivais do Brasil, dentre eles, o Festival Inter-

    nacional de Campos do Jordo. Apoiado pelo

    maestro Joo Carlos Martins, desde 2009, apre-

    sentou-se como solista em palcos como a Sala

    So Paulo e Avery Fisher Hall, no Lincoln Cen-

    ter de Nova York, recebendo elogiosa crtica.

    Como bolsista do projeto VOCALIA viveu e

    frequentou aulas em Milo com grandes nomes

    do cenrio lrico como Davide Rocca, Luciana

    Serra, Umberto Finazzi, entre outros.

    O cantor de 28 anos fala fluentemente

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    ingls, espanhol, italiano e francs, o que lhe

    permite apresentar-se nos mais renomados pal-

    cos nacionais e internacionais, destacando-se no

    cenrio artstico e cantando frente de impor-

    tantes orquestras e grupos no Brasil e em pases

    como Emirados rabes, EUA, Itlia, Portugal,

    Sua e Argentina.

    Desde 2012, faz temporadas de concertos

    e recitais dentro e fora do pas, tendo estreado

    uma pera moderna pelo teatro Comunale de

    Vicenza (Itlia), recebendo calorosa recepo

    do programa Ridotto Del pera da Rdio Sua

    italiana.

    Jean j cantou sob a batuta de maestros,

    como: Carlos Spierer, Claudio Cruz, Olivier

    Toni, Diogo Pacheco, Martinho Lutero Gallati,

    Guido Rimonda e apresentou-se com distintos

    grupos e orquestras nacionais e internacionais,

    sendo admirado pelo pblico e por artistas.

    Nascido em Sertozinho e criado em

    Barrinha, cidade da regio de Ribeiro Preto,

    que vive da cultura canavieira e atrai imigran-

    tes de todo pas em poca de safra, no dia 29

    de junho de 2012, Jean entrou para a histria da

    cidade ao ser homenageado com o anfiteatro do

    local que foi batizado com o seu nome: Anfite-

    atro Municipal de Barrinha Jean William Silva.

    Uma inaugurao cheia de emoo em que o homenageado se lembrou de uma citao an-

    nima apropriada para o momento: Para saber

    aonde chegamos, preciso nunca nos esque-

    cer de onde viemos, afinal, de l que a gente

    aprende a ver o cu.

    Francisco de Assis Carvalho ArtenCadeira 10Patrono Darcy Ribeiro

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    Todos temos sonhos de conhecer lugares... O meu era conhecer a terra das vaquinhas... Explico: quando pequena, nos finais de semana, meu pai, presentea-va-nos, a meus irmos e a mim, com o esperado chocolate ao leite da extinta marca Falchi. Maravilhoso, delicioso, derretia na boca, cuja embalagem retratava um cenrio da Sua: os montes nevados ao fundo e, nos pastos verdejantes e floridos, vaquinhas malhadas . Quem do meu tempo, com certeza se lembra! Sonhava com essa imagem e dizia: um dia conhecerei esta paisagem... E no me decepcionei! No ano passado, acom- panhada de meu eterno companheiro, pude realizar mais este sonho, ora realidade. Nos meses mais frios do ano, a terra dos relgios pre-cisos, das vacas gorduchas, contas bancrias sigilosas e dos canivetes multifunes , lota de turistas vidos por curtir o frio em meio ao charme dos Alpes. Mas no vero que se tem a oportunidade de vivenciar as quatro estaes de uma s vez. Enquanto al-guns aproveitam para se banhar nas guas lmpidas do Rio Limmat, os picos de neve eterna garantem temperaturas abaixo de zero, seja qual for a poca do ano. Estive por l, justamente nesse clima. Nessa brincadeira de t quente, t frio, a fantstica rede ferroviria exerce papel fundamental. O turista embar-ca no calor do vero e desembarca, com luvas, cachecol e dentes batendo, em montanhas com temperatura abaixo de zero. Desculpe-me o chavo, porm, no h deixar de dizer: foi uma viagem de sonho muito esperado, mas realizado!

    Por onde andei...

    Maria Jos Gargantini Moreira da SilvaCadeira 39Patrona Clarice Lispector

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    Crtica Literria

    H uma crnica de Rubem Alves com o ttulo Escrevo o Que No Sou, e nela ele trabalha com a questo da duplicidade existente entre o escritor e o que escrito, e con-sequentemente sobre a identidade do autor. Desta maneira, ele questiona: - O autor e sua obra mostram a mesma personalidade? So as mesmas pessoas? Exis-tiriam dois eus: o que escreve e o que vive o prosaico cotidiano? O autor seria personagem de si mesmo? Qual seria o eu real, o eu ver-dadeiro? Ele mesmo tenta responder relatando-nos que: Eu no sou igual ao que escrevo e, como Fernando Pessoa, sou um fingidor:O poeta um fingidor.Finge to completamenteQue chega a fingir que dorA dor que deveras sente.

    Antnio Machado, grande poeta espanhol, de Andaluzia, sabendo desta dicoto-mia, afirmava que o poeta Si miente ms de la cuentaPor falta de fantasia:Tambin la verdad se inventa

    Zaratustra, profeta e poeta persa, nas-cido antes de Cristo, j advertia que os poetas mentem demais.

    Fernando Pessoa, possuindo os mesmos questionamentos, talvez numa tentativa de fuga, ou de encontro de seu eu, chegou a construir vrios heternimos e trafegou poeticamente entre ele prprio e os Outros. Acreditava, no entanto, que era muito pequeno quando com-parado com a sua obra e num dos seus poemas chega a dizer:Depois de escrever, leio...Por que escrevi isso?Onde fui buscar isto?Isto melhor do que eu... Vinha-lhe ento a suspeita de que aquilo que ele escrevia no era obra dele, mas de um Outro e assim se expressou: Seremos ns, neste mundo, apenas canetas com tinta com que algum escreve a valer o que ns aqui traamos?. Em outro poema, lvaro Campos, heternimo de Pessoa, a procura desse eu, es-creve:

    DuplicidadeEscrevo o Que No Sou

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    No: devagar.Devagar, porque no seiOnde quero ir.H entre mim e meus passosUma divergncia instintiva.H entre quem sou e estouUma diferena de verboQue corresponde realidade. (...)

    Se dermos, no entanto, um passeio pela literatura, veremos que este questionamento, esta duplicidade, esta inquietao quanto da prpria identidade, no raro de se encontrar. Jorge Luiz Borges escreveu um conto intitulado: Borges e Eu onde trabalha a mes-ma problemtica, em que o eu a pessoa de carne e osso, a que caminha por Buenos Aires, a que se detm para olhar o arco de um saguo e a porta en-vidraada, quem se deixa viver para que Borges, o escritor, possa tramar sua literatura. Dessa ma-neira sentencia: , a este a quem sucedem as coisas. Ainda, num desabafo diz: Estou desti-nado a perder-me definitivamente, e sei que apenas algum instante de mim poder sobreviver no escritor Borges. H anos tratei de livrar-me dele e passei a interessar-me por outros temas como o tempo e o infinito, mas logo Borges apropriou-se deles. E, de-sorientado conclui: minha vida uma fuga. No sei qual dos dois escreve esta pgina.

    ...