Cabelo Bom. Cabelo Ruim

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    12-Mar-2016

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Percepes da Diferena, volume 4

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  • CABELO BOM. CABELO RUIM

    Rosangela Malachias

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    C O L E OC O L E OPERCEPESPERCEPES DA DIFERENA DA DIFERENANEGROS E BRANCOS NA ESCOLANEGROS E BRANCOS NA ESCOLA

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  • APRESENTAO

    A coleo Percepes da Diferena. Negros e brancos na escola destinada a professores da educao infantil e do ensino fundamental. Seu intuito discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas que constituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminaes sofridas por crianas negras de diferentes idades em seu cotidiano nas escolas.Diferenciar uma caracterstica de todos os animais. Tambm uma caracterstica humana muito forte e muito importante entre as crianas, mesmo quando so bem pequenas, na idade em que freqentam creches e pr-escolas e comeam a conviver com outras observando que no so todas iguais.Mas como lidar com o exerccio humano de diferenciar sem que ele se torne discriminatrio? O que fazer quando as crianas se do conta da diferena entre a cor e a textura dos cabelos, os traos dos rostos, a cor da pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo e excludente? Como sugerir que as crianas brinquem com as diferenas no lugar de brigarem em funo delas?Os 10 volumes que compem a coleo Percepes da Diferena chamam a ateno para momentos em que a diferenciao ocorre, quando se torna discriminatria, e sugerem formas para lidar com esses atos de modo a colaborar para que a auto-estima e o respeito entre crianas sejam construdos.Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestes de como explorar as diferenas de maneira positiva, por meio de brincadeiras e histrias, e de leituras que possam auxili-los a aprofundar a refl exo sobre os temas, caso desejem faz-lo. Para compor a coleo convidamos especialistas e educadores de diferentes reas. Cada volume refl ete o ponto de vista do autor ou da autora de modo a assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntos tratados.Desejamos que a leitura seja prazerosa e instrutiva.

    Gislene Santos

  • VOLUME 4

    CABELO BOM.CABELO RUIM!

    COLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA

    Agradeo pesquisa realizada por Ellis Regina Feitosa do Vale.

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  • Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da SIlva

    Ministro da EducaoFernando Haddad

    Secretrio-ExecutivoJos Henrique Paim Fernandes

    Secretrio de Educao Continuada, Alfabetizao e DiversidadeAndr Luiz Figueiredo Lzaro

    COLEO PERCEPES DA DIFERENA. NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA.

    Apoio:Ministrio da Educao - Secretaria de EducaoContinuada, Alfabetizao e Diversidade (SECAD)Programa UNIAFRO.

    Realizao:NEINB - Ncleo de Apoio Pesquisas emEstudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro, da Universidade de So Paulo - USP.Coordenao da coleo: Gislene Aparecida dos SantosProjeto grfi co: Jorge KawasakiPinturas das capas: Zulmira Gomes LeiteIlustraes: Marcelo dSaleteEditorao: Nove&Dez Criao e Arte Reviso: Lara Milani

    ISBN 978-85-296-0082-6 (Obra completa)ISBN 978-85-296-0086-4 (Volume 4)Impresso no Brasil2007

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  • SumrioIntroduo .................................................................................................... 11

    Parte 1 - Algumas histrias. Aprendendo a conhecer o cotidiano escolar ........ 11

    Parte 2 Aprendendo a fazer ....................................................................... 24

    Parte 3 Aprendendo a conviver com as diferenas ................................... 31

    Parte 4 - Aprender a ser ............................................................................... 42

    5. Curiosidades para saber mais ................................................................ 47

    Referencias bibliogrfi cas ............................................................................ 53

    Glossrio da coleo .................................................................................... 56

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  • PLANO DA OBRAA coleo Percepes da Diferena. Negros e brancos na escola composta

    pelos seguintes volumes:1 - Percepes da diferena. Autora: Gislene Aparecida dos SantosNeste volume so discutidos aspectos tericos gerais sobre a forma como

    percebemos o outro. Para alm de todas as diretrizes pedaggicas, lidar com as diferenas implica uma predisposio interna para repensarmos nossos valores e possveis preconceitos. Implica o desejo de refl etir sobre a especifi cidade das relaes entre brancos e negros e sobre as difi culdades que podem marcar essa aproximao. Por isso importante saber como, ao longo da histria, construiu-se a ideologia de que ser diferente pode ser igual a ser inferior.

    2 - Maternagem. Quando o beb pelo colo. Autoras: Maria Aparecida Miranda e Marilza de Souza Martins

    Este volume discute o conceito de maternagem e mostra sua importncia para a construo da identidade positiva dos bebs e das crianas negras. Esse processo, iniciado na famlia, continua na escola por meio da forma como professores e educadores da educao infantil tratam as crianas negras, oferecendo-lhes carinho e ateno.

    3 - Moreninho, neguinho, pretinho. Autor: Luiz Silva - CutiEste volume mostra como os nomes so importantes e fundamentais no

    processo de construo e de apropriao da identidade de cada um. Discute como as alcunhas e os xingamentos so tentativas de desconstruo/desqualifi cao do outro, e apresenta as razes pelas quais os professores devem decorar os nomes de seus alunos.

    4 - Cabelo bom. Cabelo ruim. Autora: Rosangela MalachiasMuitas vezes, no cotidiano escolar, as crianas negras so discriminadas

    negativamente por causa de seu cabelo. Chamamentos pejorativos como cabea fu, cabelo pixaim, carapinha so naturalmente proferidos pelos prprios educadores, que tambm assimilaram esteretipos relativos beleza. Neste volume discute-se a esttica negra, principalmente no que se refere ao cabelo e s formas como os professores podem descobrir e assumir a diversidade tnico-cultural das crianas brasileiras.

    5 - Professora, no quero brincar com aquela negrinha! Autoras: Roseli Figueiredo Martins e Maria Letcia Puglisi Munhoz

    Este volume trata das maneiras como os professores podem lidar com o preconceito das crianas que se isolam e se afastam das outras por causa da cor/raa.

    6 - Por que riem da frica? Autora: Dilma Melo Silva Muitas vezes crianas bem pequenas j demonstram preconceito em relao

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  • a tudo que associado frica: msica, literatura, cincia, indumentria, culinria, arte... culturas. Neste volume discute-se o que pode haver de preconceituoso em rir desses contedos. Apresentam-se ainda elementos que permitem uma nova abordagem do tema artes e africanidades em sala de aula.

    7 - Tmidos ou indisciplinados? Autor: Lcio OliveiraAlguns professores estabelecem uma verdadeira dade no que diz respeito

    forma como enxergam seus alunos negros. Ora os consideram tmidos demais, ora indisciplinados demais. Neste volume discute-se o que h por trs da suposta timidez e da pretensa indisciplina das crianas negras.

    8 - Professora, existem santos negros? Histrias de identidade religiosa negra. Autora: Antonia Aparecida Quinto

    Neste volume se discutem aspectos do universo religioso dos africanos da dispora mostrando a forma como a religio negra, transportada para a Amrica, foi reconstituda de modo a estabelecer conexes entre a identidade negra de origem e a sociedade qual esse povo deveria se adaptar. So apresentadas as formas como a populao negra incorporou os padres do catolicismo sua cultura e como, por meio deles, construiu estratgias de resistncia, de sobrevivncia e de manifestao de sua religiosidade.

    9 - Brincando e ouvindo histrias. Autora: Sandra SantosEste volume apresenta sugestes de atividades, brincadeiras e histrias

    que podem ser narradas s crianas da educao infantil e tambm aspectos da Histria da dispora africana em territrio brasileiro, numa viso diferente da abordagem realizada pelos livros didticos tradicionais. Mostra o quanto de contribuio africana existe em cada gesto da populao nacional (descendentes de quaisquer povos que habitam e colaboraram para a construo deste pas multitnico), com exemplos de aes, pensamentos, formas de agir e de observar o mundo. Serve no s a educadores no ambiente escolar, mas tambm ao lazer domstico, no auxlio de pais e familiares interessados em ampliar conhecimentos e tornar mais natural as reaes das crianas que comeam a perceber a sociedade e seu papel dentro dela.

    10 - Eles tm a cara preta. Vrios autoresEste exemplar apresenta prticas de ensino que foram partilhadas com

    aproximadamente 300 professores, gestores e agentes escolares da rede municipal de educao infantil da cidade de So Paulo. Trata-se da Formao de Professores intitulada Negras imagens. Educao, mdia e arte: alternativas implementao da Lei 10.639/03, elaborada e coordenada por pesquisadoras do NEINB/USP simultnea e complementarmente ao projeto Percepes da Diferena Negros e brancos na escola.

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  • A Autora: Rosangela Malachias doutora em

    Cincias da Comunicao pela Escola de Comunicaes e Artes da Universidade de So Paulo. Fellow Ryoichi Sasakawa (Japo), pesquisadora do NEINB/USP, consultora acadmica do Programa Raa, Desenvolvimento e Desigualdade Social Brasil Estados Unidos (USP-UFBA-Howard University Vanderbilt University) e co-fundadora do Grupo Mdia e Etnia oriundo do CCA-USP

    Projeto grfi co: Jorge KawasakiDiretor de Arte e designer grfi co, iniciou a carreira em 1974, trabalhou em empresas como Editora Abril e Editora Globo. Criou e produziu vrios projetos como colaborador na Young&Rubican, Salles, H2R MKT, Editora K.K. Shizen Hosoku Gakkai (Tquio, Japo), entre outras.

    Pinturas das capas: Zulmira Gomes LeiteTeloga, Artista Plastica, Acadmica da Academia de Letras, Cincias e Artes da Associao dos Funcionrios Pblicos do Estado de So Paulo.Assina as Obras de Artes como Zul+

    Ilustraes internas: Marcelo dSalete ilustrador e desenhista / roteirista de histrias em quadrinhos. Ele mora em So Paulo, capital, estudou comunicao visual, graduado em artes plsticas e atualmente mestrando em Histria da Arte. Seu tema de estudo arte afro-brasileira.Ilustrou os livros infantis Ai de t, Tiet de Rogrio Andrade Barbosa; Duas Casas, de Claudia Dragonetti; entre outros.Participou da Exposio Conseqncias do Injuve, Espanha, 2002; da Exposio de originais da revista Front no FIQ, MG, 2003; e da Exposio Ilustrando em Revista, Editora Abril, 2005. Foi fi nalista do Concurso Folha de Ilustrao 2006.

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  • Rosangela Malachias

    VOLUME 4

    CABELO BOM.CABELO RUIM!

    COLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA

    OrganizaoGislene Aparecida dos Santos

    1a edioSo Paulo

    Ministrio da Educao2007

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  • Cabelo bom. Cabelo ruim.

    Coleo Percepes da Diferena - Negros e brancos na escola 11

    INTRODUOEste livro apresenta refl exes, anlises e extratos de histrias relatadas por

    professoras(es), gestoras(es), mes e crianas sobre a questo do cabelo. A narrativa tenta exercitar um olhar sobre o cotidiano da escola e das pessoas na sociedade. Alguns relatos podem parecer engraados, mas so tristes para alguns de seus personagens. Por isso, a narrativa prope alguns desafi os. O primeiro deles aprender a conhecer o real signifi cado dos conceitos que estruturam a desigualdade preconceito, racismo e discriminao. A partir desse aprendizado, buscaremos estruturar as aes didtico-pedaggicas nos demais pilares da educao aprendendo a conviver, a fazer e a ser.

    Esperamos contribuir para que a percepo das diferenas seja um passo inicial dos educadores rumo s prticas efetivas do respeito diversidade tnica e cultural.

    PARTE 1 - ALGUMAS HISTRIAS. APRENDENDO A CONHECER O COTIDIANO ESCOLAR

    1.1 - Conversa entre amigasDuas professoras se encontram no corredor da escola e conversam sobre

    o fi nal de semana. Ambas saram. Foram a lugares distintos. Uma foi a uma festa de casamento que obrigava o uso de traje social. A outra professora tinha ido ao clube com os fi lhos. Tomou muito sol, banho de piscina e uma cervejinha para refrescar.

    As amigas iniciaram um rpido dilogo sobre os programas de cada uma: Voc teve coragem de molhar seu cabelo na piscina?A colega que fora ao clube respondeu: Em anos de sofrimento eu desenvolvi algumas estratgias. Prendi o

    cabelo bem apertado e depois que sa da piscina passei bastante gel para abaixar a juba.

    E voc? O que fez com seu cabelo? Ele est bem bonito! Ah, fui ao salo de beleza e paguei bem caro por uma escova progressiva.

    Durante um bom tempo no vou mais precisar me preocupar.De repente, passa por ambas a supervisora da escola sorrindo e cumpri-

    mentando-as. As duas amigas retribuem o sorriso olhando para ela com admi-rao e um certo qu de inveja. Depois que ela entra na diretoria, comentam:

    Que cabelo bom que ela tem, no ? Quem me dera ter um cabelo desses!

    A amiga concorda suspirando.

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  • Cabelo bom. Cabelo ruim.

    Coleo Percepes da Diferena - Negros e brancos na escola12

    Cada uma segue para a sua sala de aula. As crianas acabaram de chegar e a diversidade tnica das classes da escola se apresenta num painel de ros-tos em tons de pele dgrad, da criana mais clara mais escura. Os cabelos tm tambm texturas diversas. As assistentes, responsveis pelo cuidar, que inclui dar banho e pentear, apelidaram algumas cabeas de fu, provavel-mente porque, para elas, esta palavra defi ne o embarao dos cabelos des-penteados. Mas, na realidade, a palavra fu apresenta vrios signifi cados: intriga, fuxico, caspa, doena de pele produzida por piolhos, p fi nssimo que se desprende da pele arranhada... Estes signifi cados no so positivos e reforam pejorativa e negativamente a idia de...

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