Cabelo Bom, Cabelo Ruim. Coleção Percepções da Diferença na Escola

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    29-Nov-2014

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<ul><li> 1. COLEO 4VOLUMEPERCEPESDADIFERENAN EGROS E B RANCOS NA E SCOLACABELO BOM. CABELO RUIM Rosangela Malachias</li></ul><p> 2. APRESENTAOAcoleo Percepes da Diferena. Negros e brancos na escola destinada a professores da educao infantil e do ensino fundamental.Seu intuito discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas queconstituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminaessofridas por crianas negras de diferentes idades em seu cotidiano nasescolas.Diferenciar uma caracterstica de todos os animais. Tambm umacaracterstica humana muito forte e muito importante entre as crianas,mesmo quando so bem pequenas, na idade em que freqentam crechese pr-escolas e comeam a conviver com outras observando que no sotodas iguais.Mas como lidar com o exerccio humano de diferenciar sem que ele setorne discriminatrio? O que fazer quando as crianas se do conta dadiferena entre a cor e a textura dos cabelos, os traos dos rostos, a corda pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo eexcludente? Como sugerir que as crianas brinquem com as diferenas nolugar de brigarem em funo delas?Os 10 volumes que compem a coleo Percepes da Diferena chamama ateno para momentos em que a diferenciao ocorre, quando se tornadiscriminatria, e sugerem formas para lidar com esses atos de modoa colaborar para que a auto-estima e o respeito entre crianas sejamconstrudos.Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestesde como explorar as diferenas de maneira positiva, por meio de brincadeirase histrias, e de leituras que possam auxili-los a aprofundar a reexosobre os temas, caso desejem faz-lo.Para compor a coleo convidamos especialistas e educadores de diferentesreas. Cada volume reete o ponto de vista do autor ou da autora de modoa assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntostratados.Desejamos que a leitura seja prazerosa e instrutiva.Gislene Santos 3. COLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLAVOLUME 4CABELO BOM.CABELO RUIM! Agradeo pesquisa realizada por Ellis Regina Feitosa do Vale. 4. Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da SIlvaMinistro da EducaoFernando HaddadSecretrio-ExecutivoJos Henrique Paim FernandesSecretrio de Educao Continuada,Alfabetizao e DiversidadeAndr Luiz Figueiredo Lzaro COLEO PERCEPES DA DIFERENA. NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA. Apoio: Ministrio da Educao - Secretaria de Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade (SECAD) Programa UNIAFRO. Realizao: NEINB - Ncleo de Apoio Pesquisas em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro, da Universidade de So Paulo - USP. Coordenao da coleo: Gislene Aparecida dos Santos Projeto grco: Jorge Kawasaki Pinturas das capas: Zulmira Gomes Leite Ilustraes: Marcelo dSalete Editorao: Nove&amp;Dez Criao e Arte Reviso: Lara Milani ISBN 978-85-296-0082-6 (Obra completa) ISBN 978-85-296-0086-4 (Volume 4) Impresso no Brasil 2007 5. SumrioIntroduo .................................................................................................... 11Parte 1 - Algumas histrias. Aprendendo a conhecer o cotidiano escolar........ 11Parte 2 Aprendendo a fazer ....................................................................... 24Parte 3 Aprendendo a conviver com as diferenas ................................... 31Parte 4 - Aprender a ser ............................................................................... 425. Curiosidades para saber mais ................................................................ 47Referencias bibliogrcas ............................................................................ 53Glossrio da coleo .................................................................................... 56 6. PLANO DA OBRA A coleo Percepes da Diferena. Negros e brancos na escola compostapelos seguintes volumes: 1 - Percepes da diferena. Autora: Gislene Aparecida dos Santos Neste volume so discutidos aspectos tericos gerais sobre a forma comopercebemos o outro. Para alm de todas as diretrizes pedaggicas, lidar com asdiferenas implica uma predisposio interna para repensarmos nossos valorese possveis preconceitos. Implica o desejo de reetir sobre a especicidade dasrelaes entre brancos e negros e sobre as diculdades que podem marcar essaaproximao. Por isso importante saber como, ao longo da histria, construiu-sea ideologia de que ser diferente pode ser igual a ser inferior.2 - Maternagem. Quando o beb pelo colo. Autoras: Maria AparecidaMiranda e Marilza de Souza Martins Este volume discute o conceito de maternagem e mostra sua importncia paraa construo da identidade positiva dos bebs e das crianas negras. Esse processo,iniciado na famlia, continua na escola por meio da forma como professores eeducadores da educao infantil tratam as crianas negras, oferecendo-lhes carinhoe ateno. 3 - Moreninho, neguinho, pretinho. Autor: Luiz Silva - CutiEste volume mostra como os nomes so importantes e fundamentais noprocesso de construo e de apropriao da identidade de cada um. Discute comoas alcunhas e os xingamentos so tentativas de desconstruo/desqualicao dooutro, e apresenta as razes pelas quais os professores devem decorar os nomesde seus alunos. 4 - Cabelo bom. Cabelo ruim. Autora: Rosangela Malachias Muitas vezes, no cotidiano escolar, as crianas negras so discriminadasnegativamente por causa de seu cabelo. Chamamentos pejorativos como cabeafu, cabelo pixaim, carapinha so naturalmente proferidos pelos prprioseducadores, que tambm assimilaram esteretipos relativos beleza. Neste volumediscute-se a esttica negra, principalmente no que se refere ao cabelo e s formascomo os professores podem descobrir e assumir a diversidade tnico-cultural dascrianas brasileiras. 5 - Professora, no quero brincar com aquela negrinha! Autoras: RoseliFigueiredo Martins e Maria Letcia Puglisi Munhoz Este volume trata das maneiras como os professores podem lidar como preconceito das crianas que se isolam e se afastam das outras por causada cor/raa. 6 - Por que riem da frica? Autora: Dilma Melo Silva Muitas vezes crianas bem pequenas j demonstram preconceito em relao 7. a tudo que associado frica: msica, literatura, cincia, indumentria, culinria,arte... culturas. Neste volume discute-se o que pode haver de preconceituoso emrir desses contedos. Apresentam-se ainda elementos que permitem uma novaabordagem do tema artes e africanidades em sala de aula. 7 - Tmidos ou indisciplinados? Autor: Lcio Oliveira Alguns professores estabelecem uma verdadeira dade no que diz respeito forma como enxergam seus alunos negros. Ora os consideram tmidos demais,ora indisciplinados demais. Neste volume discute-se o que h por trs da supostatimidez e da pretensa indisciplina das crianas negras. 8 - Professora, existem santos negros? Histrias de identidade religiosanegra. Autora: Antonia Aparecida Quinto Neste volume se discutem aspectos do universo religioso dos africanos dadispora mostrando a forma como a religio negra, transportada para a Amrica, foireconstituda de modo a estabelecer conexes entre a identidade negra de origeme a sociedade qual esse povo deveria se adaptar. So apresentadas as formascomo a populao negra incorporou os padres do catolicismo sua cultura ecomo, por meio deles, construiu estratgias de resistncia, de sobrevivncia e demanifestao de sua religiosidade. 9 - Brincando e ouvindo histrias. Autora: Sandra Santos Este volume apresenta sugestes de atividades, brincadeiras e histriasque podem ser narradas s crianas da educao infantil e tambm aspectosda Histria da dispora africana em territrio brasileiro, numa viso diferenteda abordagem realizada pelos livros didticos tradicionais. Mostra o quanto decontribuio africana existe em cada gesto da populao nacional (descendentesde quaisquer povos que habitam e colaboraram para a construo deste pasmultitnico), com exemplos de aes, pensamentos, formas de agir e de observaro mundo. Serve no s a educadores no ambiente escolar, mas tambm ao lazerdomstico, no auxlio de pais e familiares interessados em ampliar conhecimentose tornar mais natural as reaes das crianas que comeam a perceber a sociedadee seu papel dentro dela. 10 - Eles tm a cara preta. Vrios autores Este exemplar apresenta prticas de ensino que foram partilhadas comaproximadamente 300 professores, gestores e agentes escolares da rede municipalde educao infantil da cidade de So Paulo. Trata-se da Formao de Professoresintitulada Negras imagens. Educao, mdia e arte: alternativas implementaoda Lei 10.639/03, elaborada e coordenada por pesquisadoras do NEINB/USPsimultnea e complementarmente ao projeto Percepes da Diferena Negros ebrancos na escola. 8. A Autora: Rosangela Malachias doutora emCincias da Comunicao pela Escola deComunicaes e Artes da Universidadede So Paulo. Fellow Ryoichi Sasakawa(Japo), pesquisadora do NEINB/USP,consultora acadmica do Programa Raa,Desenvolvimento e Desigualdade Social Brasil Estados Unidos (USP-UFBA-Howard University Vanderbilt University)e co-fundadora do Grupo Mdia e Etniaoriundo do CCA-USP Projeto grco: Jorge Kawasaki Diretor de Arte e designer grco, iniciou a carreira em 1974, trabalhou em empresas como Editora Abril e Editora Globo. Criou e produziu vrios projetos como colaborador na Young&amp;Rubican, Salles, H2R MKT, Editora K.K. Shizen Hosoku Gakkai (Tquio, Japo), entre outras. Pinturas das capas: Zulmira Gomes Leite Teloga, Artista Plastica, Acadmica da Academia de Letras, Cincias e Artes da Associao dos Funcionrios Pblicos do Estado de So Paulo. Assina as Obras de Artes como Zul+ Ilustraes internas: Marcelo dSalete ilustrador e desenhista / roteirista de histrias em quadrinhos. Ele mora em So Paulo, capital, estudou comunicao visual, graduado em artes plsticas e atualmente mestrando em Histria da Arte. Seu tema de estudo arte afro-brasileira. Ilustrou os livros infantis Ai de t, Tiet de Rogrio Andrade Barbosa; Duas Casas, de Claudia Dragonetti; entre outros. Participou da Exposio Conseqncias do Injuve, Espanha, 2002; da Exposio de originais da revista Front no FIQ, MG, 2003; e da Exposio Ilustrando em Revista, Editora Abril, 2005. Foi nalista do Concurso Folha de Ilustrao 2006. 9. Rosangela Malachias VOLUME 4 CABELO BOM. CABELO RUIM!COLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA Organizao Gislene Aparecida dos Santos1a edio So Paulo Ministrio da Educao2007 10. Cabelo bom. Cabelo ruim. INTRODUOEste livro apresenta reexes, anlises e extratos de histrias relatadas porprofessoras(es), gestoras(es), mes e crianas sobre a questo do cabelo. Anarrativa tenta exercitar um olhar sobre o cotidiano da escola e das pessoasna sociedade. Alguns relatos podem parecer engraados, mas so tristes paraalguns de seus personagens. Por isso, a narrativa prope alguns desaos. Oprimeiro deles aprender a conhecer o real signicado dos conceitos queestruturam a desigualdade preconceito, racismo e discriminao. A partirdesse aprendizado, buscaremos estruturar as aes didtico-pedaggicas nosdemais pilares da educao aprendendo a conviver, a fazer e a ser.Esperamos contribuir para que a percepo das diferenas seja um passoinicial dos educadores rumo s prticas efetivas do respeito diversidadetnica e cultural. PARTE 1 - ALGUMAS HISTRIAS. APRENDENDO ACONHECER O COTIDIANO ESCOLAR1.1 - Conversa entre amigasDuas professoras se encontram no corredor da escola e conversam sobreo nal de semana. Ambas saram. Foram a lugares distintos. Uma foi a umafesta de casamento que obrigava o uso de traje social. A outra professoratinha ido ao clube com os lhos. Tomou muito sol, banho de piscina e umacervejinha para refrescar. As amigas iniciaram um rpido dilogo sobre os programas de cada uma: Voc teve coragem de molhar seu cabelo na piscina? A colega que fora ao clube respondeu: Em anos de sofrimento eu desenvolvi algumas estratgias. Prendi ocabelo bem apertado e depois que sa da piscina passei bastante gel paraabaixar a juba. E voc? O que fez com seu cabelo? Ele est bem bonito! Ah, fui ao salo de beleza e paguei bem caro por uma escova progressiva.Durante um bom tempo no vou mais precisar me preocupar.De repente, passa por ambas a supervisora da escola sorrindo e cumpri-mentando-as. As duas amigas retribuem o sorriso olhando para ela com admi-rao e um certo qu de inveja. Depois que ela entra na diretoria, comentam: Que cabelo bom que ela tem, no ? Quem me dera ter um cabelodesses! A amiga concorda suspirando.Coleo Percepes da Diferena - Negros e brancos na escola11 11. Cabelo bom. Cabelo ruim.Cada uma segue para a sua sala de aula. As crianas acabaram de chegare a diversidade tnica das classes da escola se apresenta num painel de ros-tos em tons de pele dgrad, da criana mais clara mais escura. Os cabelostm tambm texturas diversas. As assistentes, responsveis pelo cuidar, queinclui dar banho e pentear, apelidaram algumas cabeas de fu, provavel-mente porque, para elas, esta palavra dene o embarao dos cabelos des-penteados. Mas, na realidade, a palavra fu apresenta vrios signicados:intriga, fuxico, caspa, doena de pele produzida por piolhos, p nssimoque se desprende da pele arranhada... Estes signicados no so positivos ereforam pejorativa e negativamente a idia de que as crianas afro-descen-dentes tm cabelo ruim.Outro chamamento preconceituoso utilizado por agentes escolares, educa-dores e at mesmo pelos prprios familiares das crianas cabelo pixaim.A denio deprecia o cabelo crespo, encarapinhado (tipo carapinha), ca-racterstico dos negros, pelo fato de no ser naturalmente liso. Porm, essaspessoas desconhecem que, no Brasil, o emprego desses termos pode ser con-siderado racista e, portanto, criminoso.Sem saber, as duas professoras repetem, em suas salas, as mesmasaes. Passam a mo na cabea das meninas mais branquinhas, porqueelas tm um cabelo lindo, nunca precisaro de escova progressivanem de gel em excesso. As crianas negras e mestias observam, sem fala, o carinho demonstradopela tia quela criana. Talvez estejam ansiosas, esperando a sua vez dereceber carinho semelhante, mas ele no ocorre.Durante as reunies pedaggicas, ambas as professoras armam no exis-12 Coleo Percepes da Diferena - Negros e brancos na escola 12. Cabelo bom. Cabelo ruim.tir preconceito na escola, pois no conseguem captar esses sinais subjetivos eno menos relevantes. Nenhuma das duas acaricia as cabeas fus, porqueningum passa a mo em cabelo ruim. O curioso que as professoras nemse do conta de que no esto tratando as crianas com igualdade.Para complementar esse padro comportamental, mes, tias e avs cede-ro para facilitar sua vida (e a das meninas) aos apelos dos alisantes anun-ciados na TV e sonharo com os cabelos das modelos que so capa de revistas.Todas elas tm cabelo liso. Cabelo bom.1.2 - Meninas bonitas Marina tem 6 anos. Ela negra, mas a sua pele no to escura quantoa de Sarah, que tem 7. Sarah to pretinha que seus olhos grandes e pretosassemelham-se a duas jaboticabas. Sua pele escura perfeita e seu rosto de-monstra uma beleza simtrica como a de modelos africanas, que povoam oscartes-postais estrangeiros. A beleza de Marina no salta aos olhos....</p>