Cadernos Acadêmicos

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CADERNOS ACADMICOS

HISTOLOGIA BSICA 001Regina C. Pereira Reiniger

CENTRO DE CINCIAS RURAIS CENTRO DE CINCIAS DA SADE CENTRO DE CINCIAS DA EDUCAO 2009

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UNIDADE I INTRODUO HISTOLOGIAA Histologia compreende o estudo da funo celular, assim como a estrutura da clula e, consequentemente abrange o estudo da clula e estrutura do tecido em relao s suas funes. "Literalmente, histologia significa a cincia dos tecidos. Grego: Histo = tramas ou tecidos Logo = ramo do conhecimento Tecidos Orgnicos: So quatro, os tecidos bsicos: Epitelial, Conjuntivo, Nervoso e Muscular. Os tecidos so agrupamentos de clulas. Estes por sua vez, quando reunidos formam os rgos. O conjunto de rgos denomina-se sistemas. Os sistemas so encontrados formando os organismos que reunidos constituem comunidades e populaes. Sistemas orgnicos - Digestivo, Respiratrio, Urinrio, Endcrino, Reprodutor, Circulatrio. Caractersticas principais dos quatro tipos bsicos de tecidos: Tecido Nervoso Epitelial Muscular Conjuntivo Clulas Matriz extracelular Longos prolongamentos Nenhuma Polidricas justapostas Alongadas contrteis Vrios tipos Pequena quantidade Quantidade moderada Abundante Funes principais Transmisso de impulsos nervosos Revestimento, secreo e absoro Movimento Apoio e proteo

Fonte: JUNQUEIRA e CARNEIRO, 2004.

ESTUDO DOS TECIDOS 1. Preparo de cortes Histolgicos: Os cortes so derivados da remoo de pequenas amostras representativas de tecidos, cortadas em fatias muito delgadas, apropriadas para o estudo microscpico, para o M.O.; em geral os cortes so preparados pela tcnica de parafina ( lminas permanentes). 1.1. TCNICA DE PARAFINA PARA PREPARO DE CORTES 1.1.1. Amostra de Tecido: A amostra deve ser pequena, obtida atravs de exciso cirrgica (bipsia), ou ps morte (necropsia). A amostra no deve exceder 1 cm, em qualquer dimenso. Este tamanho

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pode variar em funo do tipo de equipamento apresentado pelo laboratrio, onde o corte ser preparado. 1.1.2. Fixao: Os fixadores objetivam endurecer os tecidos moles e prevenir a deteriorao e outras alteraes estruturais indesejveis nas clulas e nos tecidos. Atuam como coaguladores protecos. Evitam a digesto das clulas pelas enzimas celulares por ela liberadas aps a morte, o que danificaria os tecidos para o exame microscpico. Apresentam tambm ao anti-sptica matando bactrias e outros agentes causadores de doenas nos tecidos infectados, que poderiam, eventualmente, ameaar a sade dos que manuseiam tais tecidos. O fixador mais comum a soluo de formal 10%; outros fixadores: lcool, fixador de Bouin, Zenker. Para o transporte at o laboratrio no devem ser esquecidos os requisitos fundamentais de acompanhamento: anamnese, condies de coleta, data da morte e data de coleta, dados de necrpsia (se realizada). Na ausncia do formal ou lcool, para transporte, pode-se acondicionar a amostra em isopor com gelo, mas deve-se evitar congel-la, pois sua estrutura microscpica ser alterada quando ocorrer o descongelamento. 1.1.3. Lavagem: O primeiro passo da tcnica consiste em deixar a amostra sendo lavada em gua corrente por um perodo de 12 horas, ser removido assim o excesso de formol. 1.1.4. Desidratao: O objetivo da tcnica de parafina substituir a gua dos tecidos pela parafina. Como a parafina no solvel em gua, necessrio primeiro retirar a mesma da amostra de tecido. Isto feito em dois estgios: 1 - Substituio da gua por lcool - passa-se o tecido em vrias solues de lcool com o aumento de graduao na concentrao, num amplo perodo de tempo. - lcool 70 - 1 a 2 hs - lcool 80 - 1 h - lcool 90 - 1 h - lcool 96 - 1 h - lcool 100- 1 h - lcool 100- 1 h 2 - Clarificao ou Diafanizao - Substituio do lcool por um solvente de parafina miscvel com o lcool. Usa-se o Xilol como solvente. Passa-se o tecido em vrias trocas de Xilol at que o lcool seja substitudo por este. O tecido fica meio transparente. - Xilol I -1 h Xilol II- 1 h Parafina I - 1 h Parafina II -1 h

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1.1.5. Incluso Coloca-se a amostra impregnada por xilol em 2 trocas de parafina lquida aquecida. O tecido logo fica inteiramente saturado com parafina, sendo que, a cera lquida passa a ocupar todos os espaos do tecido, que antes continha gua. Este procedimento feito dentro da estufa. A cra endurece a medida que esfria, onde monta-se o bloco de parafina (emblocagem), para que possa ser cortado em fatias delgadas.

1.1.6. Microtomia O bloco de parafina colocado em peas de madeira para ser colocado no micrtomo; onde se desbasta a parafina at chegar ao corte, aps gradua-se o micrtomo para cortes de 3 a 6 um, onde sairo os cortes desprendendo-se da navalha, com suas bordas aderidas aos cortes vizinhos de modo a constituir uma fita da qual, cada um deles , individualmente, separado com facilidade. 1.1.7. Confeco da lmina Os cortes so esticados em gua morna, e depois colocados em lminas contendo albumina de Meyer, para fixar o corte lmina. (lado brilhante voltado para o vidro). Deixar escorrer o excesso de gua, e levar as lminas para estufa, onde se deixa secar completamente e comear a derreter a parafina. Outra maneira esticar os cortes em lcool a 20% e depois passar pela gelatina, dispensando a albumina. 1.1.8. Colorao A maioria dos tecidos so incolores, o que torna difcil sua observao ao microscpio ptico. Devido a isto, foram introduzidos mtodos para a colorao dos tecidos de modo a tornar seus componentes visveis e destacados uns dos outros. A colorao feita usando geralmente misturas de substncias qumicas denominadas corantes. A maioria dos corantes usados em histologia comporta-se como cidos ou bsicos e tendem a formar ligaes salinas com radicais ionizveis presentes nos tecidos. Os componentes dos tecidos que se coram facilmente com corantes bsicos so chamados basfilos, sendo chamados de acidfilos os que se liga a corantes cidos. A hematoxilina no um corante bsico, mas comporta-se como tal, ligando-se as estruturas basfilas dos tecidos. A eosina um corante cido. A colorao dupla pela Hematoxilina e pela Eosina ( H - E ) a mais utilizada na rotina em histologia. H-E Hematoxilina - coram ncleos de azul Eosina - coram citoplasma rseo

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Tcnica de colorao HE - Hematoxilina e Eosina - Xilol - 15' - 30' - Deixar Secar - lcool Absoluto - 2' - lcool Absoluto - 2' - Lavar em gua destilada - Hematoxilina - 1'30'' - Lavar em gua corrente - Deixar descansando em gua - 2' (at ficar meio azulado) - Eosina - 30'' - Lavar em gua - 2' - lcool absoluto - 2' - lcool absoluto - 2' - lcool absoluto - 2' - lcool absoluto - 2' - Deixar secar - Xilol - 20' - Montagem em Blsamo - Identificao das lminas 2. MICROSCPIO PTICO Finalidade: Aumentar pequenos objetos e revelar seus pormenores, ou seja, aumento e resoluo, respectivamente. Estrutura: Constitui-se de duas partes bsicas: 1 - Mecnica 1.a. Estrutura de Sustentao: Canho - sustenta tanto a ocular como as objetivas. Brao - Liga o canho ao p(base). Platina ou mesa - o plano de apoio do material. Base ou p - o plano de apoio ao microscpio. 1.b. Estrutura de Movimentao: Parafuso Macromtrico: Aproxima a objetiva com movimentos amplos, focalizao grosseira. Parafuso Micromtrico: Possibilita a nitidez do observador, movimentos mnimos, focalizao fina. Revlver: Fixa (apoia) e movimenta as objetivas. Charriot: Fixa e movimenta a lmina.

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2. ptica Sistema de Lentes Ocular - Situa-se na parte superior do canho. Com a finalidade de aumentar a imagem recebida e enviar ao olho do observador. Objetiva - Situa-se parte inferior do canho. Tem como importncia ampliar a imagem do objeto, responsvel pelo poder de resoluo do microscpio. Condensador - Localizado abaixo da platina, tem como importncia desviar de acordo com as necessidades e foco luminoso. Poder de Resoluo ou limite de resoluo (L.R.). Chama-se de L.R. de um sistema ptico sua capacidade de separar detalhes. Mais precisamente, o L.R. a menor distncia que deve existir entre dois pontos, para que apaream individualizados. A riqueza de detalhes da imagem fornecida por um sistema ptico o seu limite resolutivo, e no seu poder de aumentar de tamanho os objetos. O limite de resoluo depende essencialmente da objetiva. A ocular apenas aumenta de tamanho a imagem projetada no seu plano de foco pela objetiva. Outros tipos de Microscpio: Contraste de fase, Polarizao, Eletrnico, Eletrnico de Varredura. Recomenda-se leitura adicional:COMARCK, D. H. Fundamentos de Histologia. 2ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2001, 371p. JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia Bsica. 10 ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004. 488 p.

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UNIDADE II - TECIDO EPITELIALCARACTERSTICAS GERAIS: 1. Clulas justapostas. 2. Ausncia de substncia intercelular (pouca quantidade). 3. Clulas apoiadas membrana basal. 4. No possuem vasos sangneos (avascularizados). 5. No possuem inervao, exceto terminaes nervosas que captam estmulos. 6. Regenera-se facilmente. TIPOS DE EPITLIO: 1. TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO 2. TECIDO EPITELIAL GLANDULAR OU SECRETOR FUNES GERAIS Revestir e Proteger Absoro Secreo Conduo de substncias Sensibilidade especfica

DESCRIO DOS TECIDOS

TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO 1. OCORRNCIA: Revestindo todas as superfcies e forrando todas as cavidades. Exemplo: esfago, traquia, tero... 2. FUNES: . Revestimento . Proteo . Absoro . Conduo de substncias

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3. ESTRUTURA: 3.1. MEMBRANA BASAL: Funo: Adeso Apoio Sustentao Semi-permeabilidade Ao microscpio eletrnico: Lmina Basal = Material glicoprotico + Fibrilas Colgenas Membrana Reticular = Material glicoprotico + Fibrilas Reticulares LMINA BASAL = Quase todos os epitlios apresentam na sua superfcie de contato com o tecido conjuntivo. 3.2. SUBSTNCIA INTERSTICIAL OU MATRIZ EXTRACELULAR Com exceo de uma camada muito delgada de glicoprotenas, que geralmente reveste as clulas epiteliais, no existe substncia intersticial entre elas. Esta camada chama-se GLICOCLIX. Acredita-se que estas glicoprotenas faam parte nos processos c