Camille Flammarion - Estela

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  • 8/14/2019 Camille Flammarion - Estela

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    www.autoresespiritasclassicos.com

    Camille Flammarion

    Estela

    Aurora Boreal

    Contedo resumido

    A presente obra um romance que denota toda a alma

    sensvel do autor. Nela Flammarion narra a histria de Rafael eEstela, um casal de jovens profundamente unidos pelo mais puroamor numa sintonia perfeita, em busca do conhecimento do cu,onde na verdade todos ns vivemos. Ele se consagra ao estudodos astros do cu, com o objetivo de vulgarizar esseconhecimento atravs de suas obras; Estela, compreendendo agrandeza desse trabalho, o acompanha, sintonizando-se com oseu amado na busca do conhecimento dos astros do Universo.

    Aborda a importncia da Astronomia na busca da verdadeatravs do estudo dedicado dessas almas gmeas, Rafael e

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    Estela, dois seres que denotam elevada compreenso dasquestes espirituais.

    AJames Gordon BennetDiretor do New York Herald

    Meu caro amigo:

    Sois um esprito livre, independente, liberto depreconceitos, amigo do Progresso e da Cincia. Taisespritos so raros em nossa Humanidade terrestre.

    Permiti que vos dedique este livro.Camille Flammarion

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    Sumrio

    Prefcio 7I

    Depois do baile.........................................................................9II

    O mundo e a Igreja.................................................................15III

    O jantar de Epicuro.................................................................20IV

    Esponsais mundanos...............................................................33V

    No domnio do desconhecido.................................................45VI

    Senhorita Eva..........................................................................57VII

    Perodo de transio................................................................70VIII

    Os Pirineus..............................................................................83IX

    Crtica e discusso..................................................................89X

    O Solitrio.............................................................................102

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    XI

    O cu estrelado......................................................................114

    XII

    Os outros mundos.................................................................126XIII

    Estela a Ceclia (1 carta)......................................................140XIV

    Ceclia a Estela (1 carta)......................................................144XV

    Estela a Ceclia (2 carta)......................................................146XVI

    Ceclia a Estela (2 carta)......................................................149

    XVIIEstela a Ceclia (3 carta)......................................................152XVIII

    A fagulha154XIX

    Duque e duquesa...................................................................164XX

    A cincia, a honra e o amor..................................................170XXI

    Herica abnegao................................................................180XXII

    Ad augusta per angusta.....................................................185

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    XXIII

    Felicidade suprema...............................................................191

    XXIV

    A vida de casal......................................................................200XXV

    A vida de casal continua.......................................................205XXVI

    A vida de casal se perpetua..................................................215XXVII

    Onde se parte de Lourdespara chegar a Deus................................................................230XXVIII

    Pleno cu246XXIX

    Cincia Verdade Felicidade............................................258XXX

    Ceclia a Estela (3 carta)......................................................268XXXI

    Adriana a Estela....................................................................271XXXII

    Solange a Estela....................................................................274XXXIII

    Viagem de frias...................................................................276

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    XXIV

    Espritos celestes poeira terrestre......................................290

    XXXV

    Eternidade Infinito.............................................................298

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    Prefcio

    Encontram-se na vida, certas vezes, alguns seres queimpressionam pela perfeio das idias, pela nobreza dossentimentos, profundeza e extenso do saber, pela impecvelsegurana dos julgamentos, evidente superioridade sobre ocomum dos seus contemporneos, e ante a quais se levado adesejar assemelhar-se-lhes, pensar igual a eles, viver do modo

    pelo qual vivem, ser feliz da sua mesma felicidade. Esses seresprivilegiados sobrepujam, de bem longe, o seu sculo e pairammuito acima da raa humana que pulula em nosso planeta. Sograndes pelo esprito, bons e indulgentes de corao,desinteressados de todas as vaidades terrestres.

    Dos dois heris da histria que vai ser narrada, um me haviamostrado esse aspecto de carter. Possua, em grau supremo, afora moral e intelectual, e se consagrara especialmente ao

    estudo do cu, tendo extrado dos conhecimentos astronmicosuma filosofia religiosa, na qual muitos dos seus discpulosacreditaram pressentir a religio do futuro. Ouvindo-o, ou lendoseus escritos, ou ainda quando o encontrava, repetidas vezesdisse a mim prprio: Eis o filsofo que eu quisera ser.1

    Tipo de superior intelectualidade, exerceu durante toda a suavida grande influncia sobre meu esprito e por vezes parececontinuar a agir sobre mim, depois do seu retorno das regies

    etreas.Ela era mais sublime ainda. Infatigvel curiosa dos grandes

    problemas, olhar aberto para o Desconhecido, seu encanto juvenil e cativante impressionava a todos que dela seaproximavam. Tanto quanto ele, vivia no cu, mas eraparticularmente dotada dessa idealidade sutil e misteriosa qualo homem jamais atinge, e parece reservada, na Terra, sdelicadezas do sistema nervoso da mulher. Sua voz era musical;a beleza mais anglica do que material, e sua alma, dir-se-ia, luz

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    interior que, transparecendo atravs dos olhos, iluminava longe.Ela compreendeu a grandeza, a magnificncia da Astronomia.

    Educada pelo mundo e para o mundo, de acordo com ainstruo religiosa em um internato de freiras muito da moda,apercebeu-se de que suas crenas no estavam aliceradas embase slida; de que as descobertas da Cincia as modificavamgradualmente, transformando-as; de que, no mundo, quase tudoera mentira em seu redor: hipocrisia, ambies, intrigas,ignorncia e coisas fteis. A nulidade intelectual das pessoasdistintas que a cercavam, associada adorao cnica do bezerro de ouro revoltaram sua esclarecida conscincia. Ento,no hesitou em abandonar as primitivas idias, a fortuna, o luxo,os prazeres, a ociosidade, as alegrias mundanas, e preferir umavida simples, estudiosa e contemplativa, e consagrar-se, nasolitude, quele que lhe apareceu qual um apstolo da Verdade.E com ele viveu enlevada na contemplao das inenarrveismaravilhas do Universo.

    Jamais conheci criaturas mais perfeitamente felizes do queRafael e Estela. Seu Esprito era alimentado pela Cincia; seuscoraes vibravam unssonos; sua vida foi um cntico de amor.

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    I

    Depois do baile

    Chegando ao aposento, enquanto prximo ainda se faziamouvir o rodar da carruagem e o patear cadenciado dos cavalos,Estela atirou o pesado casaco de peles sobre uma poltrona epermaneceu de p, frente lareira, onde crepitavam tocos de boa

    lenha, unindo seu clido claro luz dos candelabros de velas.Loura, olhos pretos, talhe mdio, algo esguio, era elegante,realmente bela.

    No pde conter um indefinvel sorriso feminino, ao rever noespelho as espduas, de acentuada alvura, seu bustoadmiravelmente modelado, um gracioso lunar no pescoo e oscachos um tanto vaporosos da opulenta cabeleira de louroveneziano, por onde passavam os tons fulvos do oriente.

    De sbito, porm, em seu esprito uma imagem perpassou,acendendo-lhe repentino rubor nas faces e fazendo-a levar asmos altura do corao, como que a comprimir o aceleradopalpitar. Depois, sentou-se no leito, pendeu a cabea, apalpando-a nas mos, cotovelos encostados ao peito, e assim permaneceuesquecida de despir-se, toda entregue os devaneios, abandonadaa um voluptuoso langor.

    Esse longo baile, que a envolvera em seus turbilhes durantequase seis horas, no a fatigara, porm muito a excitara.

    Sentir-se, pela primeira vez, embriagada na vertigem davalsa; pela primeira vez, sentir-se conduzida por uma criaturamais forte do que ela, e nos braos da qual deixara parte do seuser!

    Em virtude de um hbito mundano encantador e de uma dasmais prodigiosas mentiras convencionais da nossa civilizao,

    um homem, um desconhecido a enlaara, seminu, sob os olharescegamente enlevados da sua famlia; apertara-a contra si; havia,mediante certos movimentos roado a ponta do bigode nos fios

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    ondulantes da sua nuca; havia respirado o primaveril perfumeemanado da sua carne; havia, por vezes, comprimido seu bustocom aumentada energia; teria podido (e por que no o havia

    feito?) sussurrar aos seus ouvidos uma declarao de amor.Su