Carta Pastoral: convite

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    07-Jan-2017

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  • CARTA PASTORALV Assembleia do Povo de Deus (V APD)

    O Senhor escolheu outros setenta e dois e enviou-os, dois a dois, sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir (Lc 10,1)

  • Evangelizadora, fruto da IV Assembleia do Povo de Deus, realizada em 2012, nasce esse convite-convocao.

    Cada integrante de nossas comunidades de f, construtores da sociedade e formadores de opinio, ministros, agentes de pastorais e evangelizadores, religiosos e religiosas, diconos, padres, bispos, homens e mulheres de boa vontade devem trilhar o caminho missionrio da V APD, em atitude de escuta, reflexo, a partir de anlises, com avaliaes pertinentes para darmos as respostas adequadas a este tempo de Deus e nosso.

    Vamos realizar a V Assembleia do Povo de Deus (V APD), de 13 de dezembro de 2015 at 20 de novembro de 2016. O dom dessa vivncia ocorre no mesmo perodo em que a Igreja, no mundo inteiro, celebra o Ano Santo Extraordinrio da Misericrdia, convocado pelo Papa Francisco. Somos interpelados a ser Igreja em sada, em misso, proftica e misericordiosa.

    Nesse horizonte missionrio e tambm a partir do caminho j percorrido, guiados pelas Diretrizes da Ao

    Amados e amadas de Deus, sade e paz!

    CONVITE CORDIAL CONVOCAO ECLESIAL

  • A ALEGRIA DO

    EVANGELHO E NOSSA

    MISSO

    Na acolhida a esse convite-convocao, importante ter pre-sente uma forte afirmao do Documento de Aparecida, n. 29:

    A alegria do discpulo no um sentimento de bem-estar egosta, mas uma certeza que brota da f, que serena o corao e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer Jesus o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; t-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e faz-lo conhecido com nossa palavra e obras nossa alegria.

    Desafiados em nossos esforos missionrios, agradecidos pelos passos dados, confirmando a beleza e a singularidade de nossa histria como Arquidiocese de Belo Horizonte, rumo celebrao de seu primeiro centenrio, e muito conscientes dos desafios atuais, precisamos renovar a doce e reconfortante alegria de evangelizar. Chega, agora, o tempo de novas escutas e respostas, humildemente aceitando que somos permanentemente exigidos a exercermos essas tarefas.

    Juntos, trilharemos o percurso da V APD, com esperana e coragem renovadas a partir do que diz o Papa Francisco, inspirado em ensinamento de Santo Irineu: Na sua vinda, Cristo trouxe consigo toda a novidade. Com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta crist, ainda que atravesse perodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. Jesus Cristo pode romper tambm os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprision-Lo, e surpreender-nos com a sua constante criatividade divina (EG 11).

  • Nossa misso anunciar a alegria do Evangelho, de muitos modos, munidos de diversos meios, com todos os equipamentos disponveis. Essa tarefa deve ser exercida, principalmente, a partir do nosso testemunho, por humilde e corajoso retorno fonte da nossa f. Assim, possvel lavar o rosto e tirar o p da estrada percorrida.

    preciso acalentar os ps cansados ao percorrer o caminho pedregoso e alentar o corao tendo presente o que tambm nos diz o Papa Francisco: Sempre que procuramos voltar fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, mtodos criativos, outras formas de expresso, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual (EG 11).

  • POR QUE CELEBRAR A V APD?

    A celebrao da V Assembleia do Povo de Deus um gesto evanglico de fidelidade histria, quase centenria, de nossa Arquidiocese de Belo Horizonte. Trata-se de reverncia aos que nos precederam e, com fecundo testemunho de f, compartilharam a alegria da fraternidade eclesial. Estamos conscientes de que essa fidelidade exige de todos ns a corajosa humildade de fazer, periodicamente, a experincia amorosa de escutar, particularmente, os clamores dos

    mais pobres, as opinies dos diferentes e dos distantes. Principalmente, preciso ouvir o que Deus diz, deix-Lo nos conduzir rumo a novas respostas, para a superao de fragilidades presentes na contemporaneidade; no tratamento das complexas realidades de nosso tempo, para ilumin-las com os valores do Evangelho. Celebrar a V APD singular oportunidade para esse exerccio.

    A vivncia da V APD nos permite exercitar o nosso discipulado. Cultivar a interioridade a partir da f. Iluminar nossa coragem e audcia para encontrar outros caminhos, respostas novas. A realidade atual caracterizada pela multiplicidade de experincias, constantes e rpidas mudanas. Esses aspectos no nos permitem acomodao e mera conservao. Exigem entusiasmo no anncio do Evangelho de Jesus. Neste tempo que o Senhor nos concede, devemos ser servidores.

  • A celebrao da V APD uma indispensvel experincia de avaliao, porque somos permanentemente desafiados a encontrar novos mtodos, a entender as dinmicas da histria. Isso inclui a necessidade de nos desencarcerarmos de metodologias e dinmicas que j no conseguem tratar a complexidade da realidade.

    Precisamos encontrar modos para anunciar o Evangelho na atualidade, grande dom a ser oferecido ao mundo.

    Em Cristo, o Salvador, encontramos a fora de um testemunho que revigora e vivifica nossas dinmicas, permitindo-nos um uso inteligente e evanglico do que possumos para o bem de todos.

  • DESAFIOS MISSO

    As realidades urbanas nos apresentam inmeras questes com as quais precisamos dialogar, para sermos, fundamentalmente, uma Igreja em estado permanente de misso, uma Igreja em sada. Diante de ns, est a complexidade das realidades urbanas, sempre plurais, configuradas permanentemente por novas linguagens e novas simbologias, palco de grandes e constantes transformaes socioeconmicas, religiosas, culturais e polticas, que impactam a vida de todos. misso para a V APD considerar as exigncias dessas realidades e no se esquecer de demandas especficas, contextualizadas no meio rural e nas pequenas cidades que compem nossa Arquidiocese, a fim de que sejamos uma Igreja sempre servidora.

    A F COMO EXPERINCIA Nossos modelos eclesiais precisam ser repensados, abrindo novas possibilidades de dilogo com o mundo, para revigorar a ao evangelizadora da Igreja. Trata-se de exigncia da f que se dispe a ser madura (cf. 1Pd 3,15), assim como j nos apontava o Conclio Vaticano II. Nesse sentido, pe-se a tarefa pastoral de formar pessoas e comunidades mais reflexivas, para garantir fiis que ajam com autonomia responsvel, fidelidade ao Evangelho e maior comprometimento com a tica e a cidadania.

    Ora, a ao evangelizadora da Igreja, interpelada pela cultura atual, v-se exigida a retomar o seu carter primordialmente mistaggico. A f precisa retomar o seu lugar, fonte regeneradora do ser humano. preciso reconhecer o primado da experincia de carter mstico, que alimenta a profecia corajosa e audaciosa.

  • ESTRUTURAS PASTORAIS E SERVIOS A grande interpelao, como sublinha o Papa Francisco na Evangelii Gaudium, n. 27, sonhar com uma opo missionria capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horrios, a linguagem e toda estrutura eclesial se tornem um canal comprometido mais com a evangelizao do mundo atual do que com a autopreservao.

    indispensvel focalizar e tratar adequadamente as estruturas eclesiais, a fim de que a Igreja alcance um melhor dinamismo evangelizador (cf. EG 25).

    O princpio primeiro da evangelizao criar a oportunidade para cada pessoa viver um encontro pessoal com o Cristo Ressuscitado, superando e corrigindo devocionalismos, emocionalismos, enrijecimentos e outras posturas que desfiguram a robustez da f crist, na sua fora prpria de

    tecer a cultura da solidariedade, do comprometimento com a justia e de experincia de salvao.

    , portanto, indispensvel rever e avaliar os funcionamentos das estruturas pastorais e dos servios prestados. Assim, poderemos trabalhar com mais fecundidade e exercermos, de modo mais eficaz, a generosidade.

  • NOSSO JEITO DE SER DISCPULOS

    MISSIONRIOS

    TESTEMUNHO incontestvel que a coluna sustentadora do processo de evangelizao o empenho autntico, cotidiano e existencial de cada pessoa que assume corajosamente a condio de discpulo e discpula de Cristo, missionrios e missionrias. Somos desafiados a repensar nossos horizontes, para permitir que a graa de Deus lance razes no mais ntimo de cada um de ns.

    Assim, fortalecemos nossa condio de discpulos de Cristo, conformando nossas vidas sua paixo oblativa. Cada vez mais, nos tornamos, com simplicidade e humildade, sinais de seu amor. A Igreja nasce e cresce missionariamente tambm pela fora do testemunho, que somos chamados a oferecer, por exigncia de nossa vocao batismal. Tem razo e bem aconselha o apstolo Paulo: Eu vos exorto, irmos, pela misericrdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifcio vivo, santo e agradvel a Deus: este o vosso verdadeiro culto (Rm 12,1).

    MINISTROS DA PALAVRA DE DEUSDela (a Igreja), eu me fiz ministro, exercendo a funo que Deus me confiou a vosso respeito: fazer chegar at vs a Palavra de Deus (Cl 1,25). A recuperao do vigor da Rede de Comunidades, seu crescimento, em vista de maior presena e proximidade de todos, especialmente dos mais pobres convencidos de que a opo e o compromisso

  • preferencial pelos pobres, no servio solidrio, expresso fundamental da espiritualidade encarnada, tambm como sinal do frescor e vigor da vida comunitria , s se pode alcanar, conforme as Diretrizes da Ao Evangelizadora da Arquidiocese de Belo Horizonte, a partir:

    do Primado da Palavra de Deus (Crculos Bblicos, Leitura Orante, Ofcio Divino das Comunidades), com a interao entre Palavra e Vida;

    do Ministrio da Palavra, entendida, aqui, a misso dos catequistas como