Charo Washer - Testemunho

  • View
    217

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • 8/6/2019 Charo Washer - Testemunho

    1/5

    TESTEMUNHO DE CHARO WASHER

    Por Charo Washer

    Em 24 de setembro de 2004, minha esposa Charo setornou uma filha de Deus. Estou certo de que a notcia umchoque para muitos de vocs que a conhecem. Ela fez suaprofisso de f em Cristo quando jovem, formou-se em umaFaculdade Bblica e serviu como missionria no Peru por quasedez anos. Apesar do impecvel "currculo cristo" de Charo, elacomeou a perceber que algo estava errado. O Esprito de Deuscomeou a trabalhar em sua vida e ela viu sua grandenecessidade de converso. A seguinte redao o seu testemunhoem suas prprias palavras.

    Paul Washer

    Quando eu tinha 14 anos de idade, meus paismatricularam minhas irms e eu em uma Escola Batistaliderada por missionrios americanos, em Lima, Peru. Suamotivao no tinha nada a ver com religio. As aulas eramdadas em Ingls e meus pais achavam que seria benfico parans, aprendermos outro idioma.

    Meus pais no estavam particularmente interessados em qualquer coisa "crist". A nicarazo que frequentavam a Igreja catlica, mesmo esporadicamente (ou seja, Natal e Pscoa), erapara agradar meus avs que eram catlicos praticantes. O fato de que nossa nova escola era"evanglica" incomodou terrivelmente os meus avs, mas meus pais achavam que um pouco dereligio no seria prejudicial independentemente de qual religio era!

    Antes de freqentar a Escola Batista, eu tinha muito pouco conhecimento religioso.Minha me tinha sido associada com as Testemunhas de Jeov por um curto perodo de tempo.Lembro-me de uma senhora que vinha a nossa casa uma vez por semana para estudar a Bbliacom a minha me. Uma outra senhora sempre vinha com ela para me ensinar as histrias daBblia. Qualquer conhecimento de histrias da Bblia que tive enquanto criana veio dessasreunies.

    Na escola Batista, decorvamos captulos inteiros da Bblia em Ingls e em Espanhol,participvamos do culto uma vez por semana, e ouvia falar do Senhor regularmente. No final decada culto, um convite era dado, mas eu no sentia nenhuma necessidade de "receber Jesus

    como meu Salvador". Eu pensei, j que eu no "deio" Jesus, Ele deve estar no meu corao.Pouco a pouco, a maioria dos meus amigos foram para a frente e os professores

    persuadiu-os a orar com eles para serem salvos. Me sentia desconfortvel com a a coisa toda,mas um dia durante o convite eu levantei a minha mo para simplesmente acabar com isso!Muitos dos meus amigos e professores estavam me pressionando para fazer isso e eu noqueria ser um estranho no ninho. Orei com um professor que me puxou de lado aps o culto esentiu-me aliviada. Eu no estava aliviada do meu pecado, porque eu no tinha convico depecado. Eu simplesmente estava aliviada por estar segura do inferno, e no mesmo grupo com oresto dos meus amigos.

    A partir desse momento, eu estava ativa na igreja, participava de grupos de jovens, dos

    acampamentos de jovens, e a maioria dos meus amigos eram cristos ou crianas missionrias.Eu gostava de todas as actividades "crists" e servia na igreja, tanto quanto possvel.

  • 8/6/2019 Charo Washer - Testemunho

    2/5

    Tendo crescido em um lar onde meus pais eram disciplinadores e nos ensinaram o certodo errado, eu no tive nenhum problema em seguir as regras de "fazer e no fazer"da vidacrist. Nunca questionei minha salvao, porque eu estava exatamente como as outras crianascrists em torno de mim. Eu sempre tinha sido uma "boa criana", que no usa drogas, lcool,freqenta festas ou tm amigos selvagens. Eu estava muito bem quando me comparei quelesao meu redor, mas eu nunca me comparei a Cristo.

    A igreja em que participava era pequena e no havia nada parecido com o discipulado. Osjovens cristos simplesmente aprendiam o que podiam dos cultos de domingo e grupo de jovens. Ns no fomos ensinados a estudar as Escrituras e eu nunca perguntava nada aningum, porque eu sentia muita vergonha.

    Quando eu tinha dezesseis anos, eu senti que Deus estava me chamando para sermissionria. Eu tinha lido sobre Mary Slessor, missionria escocsa junto a Calabar, frica e meucorao foi agitado! Eu estava apaixonada pela histria de uma mulher solteira arriscando a vidapara ir para um lugar abandonado para contar aos outros sobre Deus! Eu li tudo o que chegavaem minhas mos que tinham a ver com os missionrios: Hudson Taylor, William Carey, AmyCarmichel, etc. Entrei para um grupo de cristos da Igreja do Salvador e comecei a ministrar paracrianas de rua. Gostvamos de aliment-los, lhes trazer roupas, e dizer-lhes sobre Jesus. Eupensei que tinha encontrado o meu lugar na vida, e que era a vontade de Deus que fosse umamissionria. Eu sempre gostei de aprender lnguas, e eu at pensei que me tornaria umatradutora, e usaria minha habilidade para traduzir vrios bons livros cristos, que estodisponveis apenas para os cristos que falam Ingls. Olhando para trs em tudo, agora eupercebo que fui impulsionada pelo pensamento romntico de misses. Que foi tudo uma obrada carne e nada mais.

    Quando Eu tinha dezessete anos, nos mudamos para o Paraguai, e eu permaneci forte nomeu desejo de servir a Deus. Eu participei de vrios acampamentos cristos e ajudei como umaconselheira. Eu era discipulada por uma mulher piedosa e cresci no meu conhecimento do "fazere no fazer" da vida crist. Eu era ativa na igreja e no meu grupo de jovens. Agora, eu percebo

    que era motivada para continuar na vida crist, pelo amor ao grupo em que eu estava. Era umtimo lugar para estar, com boas pessoas e bons amigos.

    Tal como o meu desejo de ser missionria crescia, tambm crescia a turbulncia na minhacasa. Meus pais estavam em antagonismo com a idia, mas eu orei para que Deus abrisse asportas para que eu estudasse no Instituto Palavra da Vida da Argentina. Por providncia deDeus, quando eu tinha 18 anos de idade, me foi concedida uma bolsa para a Escola Bblicaem Mayfield, Kentucky. Eu estava animada por finalmente ser capaz de treinar como umamissionria!

    Quando eu vim para os Estados Unidos, tinha a noo tola que cada cidado era um supercristo. Meu pensamento errado veio do fato de que a maioria dos missionrios piedosos que eu

    tinha conhecido na Amrica do Sul vieram dos Estados Unidos. Para minha surpresa, descobrique frequentar uma faculdade crist no era o que eu esperava que fosse. Fiquei chocada comforma como alguns dos alunos viviam. Fiquei muito decepcionada e simplesmente olhei para afrente para terminar a escola e voltar para o Peru como uma missionria.

    Quando que eu tinha vinte anos, Paul e eu nos casamos e fomos novamente para o Perucomo missionrios. As coisas no poderiam ter sido melhores! Ns estvamos trabalhando

    juntos no lugar que eu amava. Mas aps um ano, ou assim que o romantismo da vida missionriacomeou a se desgastar. Me sentia fora do lugar, desajeitada, e ineficaz, mas eu no podiacolocar o dedo sobre o que estava errado. Eu pensei que era simplesmente a luta e fadiga davida missionria. Eu pensei que eu estava sendo imatura e precisava crescer.

  • 8/6/2019 Charo Washer - Testemunho

    3/5

    Depois de alguns anos, Paul precisava de uma prtese total de quadril e as portas seabriram para que eu terminasse a faculdade. Pensei comigo mesmo: " isso! Se eu terminarmeus estudos eu vou ser uma missionria mais eficiente e tudo ficar bem". Eu terminei a escolaem seu tempo, mas a luta continuou. Vi que no tinha nenhuma habilidade para ministrar comoos outros cristos em torno de mim. Vi que no fundo do meu corao havia pouco desejo para ascoisas de Deus, nenhuma alegria ou paz verdadeira, e nenhuma habilidade para vencer opecado. Coisas que esto presentes na vida da todo cristo verdadeiro, mas no estavam

    presentes na minha. A nica maneira que eu posso descrever a minha vida naquele momento,era completa frustrao para se encaixar no molde de um verdadeiro cristo... mas eu estavacega para a minha verdadeira necessidade - converso! Eu lia a Bblia, mas no porque eu sentiauma profunda necessidade ou desejo pela Palavra de Deus. Eu orava para que os outrosconhecessem a Cristo, pelo trabalho no Peru, e pelas necessidades dos outros, mas eu noconseguia ter comunho com Deus.

    Eu ficava muito incomodada quando ouvia outros compartilharem sobre a sua comunhocom Deus. Eu perguntava: "Por que no posso me sentir assim?" Eu desculpava a falta destarealidade em minha vida, dizendo que outras pessoas eram apenas emocionais e que eusimplesmente no era esse tipo de pessoa. Eu tinha desculpas suficientes para aquietar minhadvida, e ainda assim eu desejava ter o que outros cristos pareciam ter - uma relao especialcom Deus, e no apenas uma lista pronta de faa e no faa.

    Depois de vrios anos no campo, no Peru, Paul e eu nos mudamos para os EstadosUnidos. Isso s aumentou a minha frustrao. Eu amava a nossa igreja e amigos no Peru, e euno queria viver nos Estados Unidos. Eu sabia que era a vontade de Deus para ns, e jamais meoporia a Paul sobre isso, mas ele sabia que isso me deixava triste. Conforme o tempo passava,eu me retirei mais e mais. Me escondia no escritrio do Heartcry e tinha pouco contato compessoas tanto quanto possvel. Como causa disto, eu responsabilizei o fato de que eu no queriamorar nos Estados Unidos. Eu pensei que as coisas seriam diferentes se estivesse no Perunovamente. Minha mente sossegava ao pensar desta maneira, mas era apenas uma desculpa.

    Paul e os outros me pediam para ministrar ou ensinar, mas eu sempre escapava. Eu atmesmo usava desculpas que soavam muito piedosas, tais como, "Eu no sou simplesmentedigna!"ou "Eu me esforo muito, eu no deveria estar ensinando a ningum!"

    Pouco a pouco, comecei a ficar cansada das outras pessoas que eu conhecia que eramcristos piedosos. Eles simplesmente me faziam sentir desconfortvel, porque eu sabia que sepassassem bastante tempo comigo, eles seriam capazes de ver que Eu era vazia que havia algoerrado comigo! Algo que eu no podia encobrir com meu dedo!

    Finalmente, cerca de trs