Clipping 08.04.11

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    11-Jun-2015

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  • 1. Veculo: Dirio do Comrcio - Belo Horizonte - MG - Caderno: Negcios
    Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Veculo: Hoje em Dia - Belo Horizonte - MG - Caderno: 1 Caderno
    Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Veculo: Hoje em Dia - Belo Horizonte - MG - Caderno: 1 Caderno
    Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Veculo: O Tempo - Belo Horizonte - MG - Caderno: 1 Caderno
    Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Veculo: O Tempo - Belo Horizonte - MG - Caderno: Magazine
    Pgina: 4Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Veculo: O Tempo - Belo Horizonte - MG - Caderno: 1 Caderno
    Pgina: 8Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Veculo: Folha de So Paulo - SP - Caderno: Mercado
    Publicada: Sexta-feira, 08 de abril de 2011
    Foca LisboaJuarez Dayrell coordena o Observatrio da Juventude, na FaE
    Cidade se fecha para a juventude, analisa Juarez Dayrell
    sexta-feira, 8 de abril de 2011, s 7h10
    "A cidade est privatizada", afirma o professor Juarez Dayrell. Socilogo com mestrado e doutorado em Educao, e ps-doutorado em Cincias Sociais, nesta entrevista ao Portal UFMG ele fala sobre o encontro A juventude Okupa a cidade? (leia mais) e afirma que os jovens usam a irreverncia como forma de participao poltica.
    Quais so as origens do Observatrio da Juventude?O Observatrio da Juventude iniciou-se de certa forma em 2002, por causa da necessidade de um espao que desse suporte e visibilidade s aes culturais desenvolvidas pelos jovens na periferia de BH. O primeiro projeto, de 2002, buscava a formao de agentes culturais juvenis, em cinco regies perifricas, para que atuassem de forma mais autnoma na cena cultural. Esses trabalhos duraram aproximadamente dois anos. Da surgiu o Observatrio da Juventude, um programa de ensino, pesquisa e extenso com foco em jovens, educao e cultura. Atualmente desenvolvemos quatro projetos, em articulao com a Pr-reitoria de Extenso da UFMG. Entre eles o Jovens Oficineiros, que se baseia na formao de agentes juvenis para atuao nas escolas integradas, da rede municipal de ensino. E o portal Em Dilogo, voltado para jovens do ensino mdio. Nossa metodologia de trabalho, baseada em nossa prpria experincia, parte da realidade do jovem para estimular o seu desejo, investir e fazer com que o jovem invista em si mesmo.
    O que motiva o debate desta sexta? Essa uma oportunidade de tornar pblico o acmulo de conhecimentos sobre as temticas da juventude. Em leitura da realidade de BH, constatamos uma srie de movimentos juvenis nas mais diferentes reas. Sentimos uma efervescncia de jovens demandando uma ocupao da cidade. Em torno disso resolvemos agrupar aqueles que consideramos os principais movimentos, e convidamos o professor Paulo Carrano, da Universidade Federal Fluminense (UFF), para debater com eles. uma tentativa de provocar uma sinergia entre os grupos e uma reflexo sobre os sentidos que tm tomado. Mais do que cada movimento pensar em si mesmo est na hora de pensar esse conjunto de movimentos na cidade, que vem se fechando em relao juventude.
    Quais movimentos comporo o debate, e como eles tm atuado na capital mineira?So quatro grupos. O Praia da Estao surgiu no comeo de 2010, motivado pela proibio de eventos pblicos na Praa da Estao. Desde ento, seus integrantes vm debatendo o cdigo de posturas da cidade. Outro movimento o Brigadas Populares, que atua em diferentes frentes, mas sempre apoiando movimentos de contestao, como os Excludos da Copa e o movimento sem-teto. Eles atuam na dimenso dos direitos. Por outro lado, o Famlia de Rua age em uma vertente mais cultural, promovendo encontros semanais, baseados na cultura hip-hop, no Viaduto Santa Tereza; l acontece o Duelo de MCs. Mais recentemente, no final do ano passado, surgiu o movimento Nova Cena, composto majoritariamente por pessoas ligadas ao teatro. O Nova Cena pressiona a Secretaria de Cultura de Belo Horizonte a efetivar o Conselho Municipal de Cultura.
    Como Belo Horizonte vem recebendo esses movimentos?O prefeito tem se mostrado extremamente insensvel em relao s demandas dos jovens. Politicamente ele poderia tirar dividendos disso, no iria gastar praticamente nada. H um vdeo no Youtube, gravado no ltimo carnaval, que registra manifestao de pessoas fantasiadas, inclusive crianas, em frente a um batalho de polcia, no bairro Santa Efignia. De repente chegam oito carros de polcia numa ostensividade impressionante. O jovem e suas manifestaes pblicas so vistos a princpio como algo violento, marginal e que deve ser reprimido. Qualquer movimento social avana no conflito. Isso faz parte. O que me chama ateno a postura da Prefeitura de se fechar em si mesma sem nenhuma negociao, diferentemente dos governos anteriores. H cerca de dois anos, ocorrem eventos de jovens ligados ao movimento hip-hop, no viaduto Santa Tereza, e os responsveis cansaram de pedir banheiro qumico, luz, segurana, mas no foram ouvidos. A cidade em que vivemos privatizada para o trabalho. Parece que ela no pode existir para o uso comum. H um medo do pblico.
    Os jovens, de fato, ocupam a cidade?Eu diria que a juventude tem desejo de ocupar a cidade, mas defronta com o poder pblico, que no investe o suficiente no processo de socializao. Em Belo Horizonte no temos praia, por isso, praas e shows seriam espaos privilegiados para o aprendizado de se conviver com a diferena. E isso se faz com a classe mdia convivendo com a periferia, para que deixe de haver preconceitos de ambos os lados. Esses movimentos nos mostram que o espao urbano pode ser ocupado de outra forma. Para mim, eles so a ponta do iceberg, tornam visveis questes que so muito mais amplas.
    Como essa ocupao da cidade pela juventude? Ela ocorre apenas pelas vias artsticas?As expresses simblicas so utilizadas como forma de participao. A minha gerao se manifestava atravs de partidos e sindicatos. Os jovens de hoje esto mostrando que existem outras formas de participao. Os partidos e sindicatos no sabem dialogar com os jovens, s abrem espaos para o jovem que dana conforme sua msica. Esse o grande mal, os jovens no esto sendo escutados. A participao poltica deles marcada, pois, pela irreverncia. Mas no se pode negar uma conotao poltica muito forte, como no caso do duelo de MCs, que um modo de a periferia ocupar o centro, ganhar visibilidade social.