Coletanea Etica e Meio Ambiente

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    27-Dec-2015

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  • PR-REITORIA DE ENSINO 2014

    COLETNEA

    FORMAO SOCIOCULTURAL E TICA

    Ensino Presencial (1 SEMESTRE)

    Ensino a Distncia (MDULO 52)

    Organizadoras

    Cristina Herold Constantino

    Dbora Azevedo Malentachi

    Colaboradoras

    Aline Ferrari

    Fabiana Sesmilo de Camargo Caetano

    Direo Geral

    Pr-Reitor Valdecir Antnio Simo

  • Sumrio

    Consideraes Iniciais...................................................................................................... 04

    Escrita: autoria e condies de produo............................................................................ 05

    Textos Selecionados.......................................................................................................... 09

    A tica ambiental e a moral.................................................................................................. 09

    As tenses planetrias no limite........................................................................................... 12

    Situao do maior reservatrio de gua de So Paulo est ainda pior............................... 14

    Por que So Pedro sozinho no vai tirar So Paulo da seca.............................................. 17

    gua: a escassez na abundncia........................................................................................ 21

    Brincando (e lucrando) com a catstrofe climtica.............................................................. 22

    A poluio ambiental do crime organizado o lixo da mfia napolitana............................. 25

    Investimento em energia renovvel pode beneficiar economias caribenhas...................... 26

    Avio solar preparado para dar volta ao mundo............................................................... 28

    Brasil acima da mdia no quesito gasto com sustentabilidade............................................ 29

    Cidades podem abrigar mais biodiversidade do que se pensa............................................ 30

    Artista cria rob que tira energia de rio contaminado........................................................... 32

    Apenas 30% das cidades estabeleceram metas para diminuio de resduos................... 33

    Aps incndio, local de rvore centenria ser transformado em monumento................... 34

    Senado aprova MP que libera recursos para desastres naturais........................................ 35

    MP amplia auxlio a agricultores atingidos por desastres naturais...................................... 36

    Nveis crescentes de CO2 afetam valor nutricional dos cereais.......................................... 36

    Peixe eltrico da Regio Amaznica inspira criao de robs............................................ 37

    O ltimo projeto sustentvel de Jobs................................................................................... 39

    O que obsolescncia programada?.................................................................................. 40

    Brasil nega proposta para proibir testes em animais........................................................... 42

    Entrevista: Ricardo Abramovay e a riqueza do lixo.............................................................. 44

    Boliviana constri casa de garrafas PET para famlias carentes em 20 dias....................... 48

    Artista transforma lixo em casas mveis para moradores de rua......................................... 49

    Livros..................................................................................................................................... 53

    Documentrios....................................................................................................................... 55

    Msica................................................................................................................................... 56

    Frases................................................................................................................................... 60

    Charges e Imagens............................................................................................................... 51

    Consideraes Finais........................................................................................................ 65

  • Consideraes Iniciais

    Quando a ltima rvore for cortada, o ltimo rio envenenado, o ltimo

    peixe pescado, s ento nos daremos conta de que dinheiro coisa que no se come."

    (Provrbio Indgena)

    As imagens que ilustram esta pgina sugerem a interao do

    homem com o meio ambiente. Mostram que somos parte

    integrante da natureza, dos seres vivos que nela habitam,

    vivem, sobrevivem... Se o meio beneficiado por nossas

    aes, somos, na verdade, os maiores beneficiados. Se o

    meio sofre com as nossas aes, somos, sem dvida,

    tambm prejudicados...

    A natureza grita por socorro... Como essa frase soa aos

    nossos ouvidos? Quais efeitos produz em ns? Indiferena

    ou interesse? Sentimo-nos parte desse problema e estamos profundamente conscientes e

    preocupados acerca de sua gravidade? Ou estamos to acomodados na zona de

    conforto, estudando e trabalhando para ter ou consumir tudo ou boa parte daquilo que

    necessitamos ou desejamos, de modo que tal frase no soa mais que um clich universal,

    uma ideia desgastada? No poderamos iniciar por outro caminho seno por este... a

    reflexo.

    Aps a seo na qual tratamos sobre leitura e escrita, vamos explorar, primeiramente, a

    questo da tica ambiental. Em seguida, os textos trazem todo tipo de notcias e

    informaes sobre o Meio Ambiente. Voc sabe como est

    o nvel de gua da cidade de So Paulo? Sabe o que

    significa obsolescncia programada e o quanto homens de

    negcio lucram com as mudanas climticas? Qual a

    qualidade dos produtos que usamos como alimento em

    nossas prprias casas? Em que consistem as Mudanas

    Provisrias destinadas aos agricultores? Voc sabia que,

    por um lado, o Brasil tem investido na sustentabilidade,

    mas, por outro, ainda persiste com testes em animais?

    Confira tambm imagens, charges, msicas, frases,

    vdeos, sugestes de livros, documentrios e muito mais!

    Que seu objetivo nesta leitura seja aprender um pouco

    mais, sempre mais... Para se manter bem informado e

    somar conhecimento. Tambm para se tornar algum ainda mais engajado nas questes

    que realmente importam e ainda mais preparado para interAGIR com o Meio Ambiente...

    Que a partir dessa interAO voc possa desfrutar de uma VIDA mais abundante...

    Uma tima leitura!

    Organizadoras

  • Escrita: autoria e condies de produo

    Na era dos bate-papos em sites de relacionamento, no verdade que as geraes

    tecnologicamente conectadas escrevem pouco. Escrevem, sim, e muito! Porm, preciso

    considerar que existe uma distncia enorme entre a escrita de gneros textuais tpicos do mundo

    virtual ou informal e a escrita de outros gneros produzidos em contextos diferentes,

    marcadamente formais.

    Na esfera acadmica, por exemplo, a escrita exerce funes

    sociais diferentes e, consequentemente, exige outras

    competncias, outras habilidades, um planejamento especfico,

    uma linguagem adequada, alm de outros fatores diferenciados

    e pertinentes ao novo contexto de produo, bem como s

    peculiaridades de cada gnero textual ali proposto.

    Muitos estudantes, quando se veem diante de uma folha de papel em branco, com a incumbncia

    de redigir algum gnero acadmico em especial, o desafio lhes parece gigantesco. A produo

    escrita consiste em uma atividade que requer muito mais do que transpor para o papel aquilo que

    pensamos a respeito de algo. Trata-se de um exerccio altamente

    intelectual e bem mais complexo expressar no papel o que

    transmitimos por meio da oralidade, ou por meio de sites de

    relacionamento. Pensamos de uma maneira, falamos de um jeito e

    escrevemos de outro. Muitas ideias em mente ou habilidades

    oratrias no garantem um bom desempenho na construo da

    escrita. Tem muita gente com muitas ideias borbulhando no crebro,

    mas que no conseguem pass-las de modo coerente, coeso e claro

    para o papel. Existem muitos oradores fazendo sucesso nos plpitos,

    mas como escritores, ainda teriam um longo caminho a percorrer.

    Sendo assim, quais as condies necessrias para uma boa produo textual? E qual a

    importncia da autoria ou do estilo discursivo nesse processo?

    Para compreender melhor o assunto, faremos uso de um texto potico cuja autoria atribuda

    Carla Pereira. Vamos dialogar com a autora e analisar seu estilo:

    A palavra no sabe o que diz!

    A palavra no sabe o que diz

    A palavra delira, a palavra diz qualquer coisa

    A verdade que a palavra, ela mesma, em si

    prpria, no diz nada

    Quem diz o acordo estabelecido entre quem fala

    e quem ouve

    Quando existe acordo, existe comunicao

    Mas quando esse acordo se quebra

    Ningum diz mais nada

    Mesmo usando as mesmas palavras

    A palavra uma roupa que a gente veste

    Uns usam palavras curtas

    Outros usam roupa em excesso

    Existem os que jogam palavra fora

    Pior os que usam e desalinham

  • Uns usam palavras caras

    Poucos ostentam palavras raras

    Tem quem nunca troca

    Tem quem usa dos outros

    A maioria no sabe o que veste

    Alguns sabem, mas fingem que no

    E tem quem nunca usa roupa certa pra ocasio

    Tem os que se ajeitam bem com poucas peas

    Outros se enrolam num vocabulrio de muitas

    Tem gente que estraga tudo que usa

    E voc, com quais palavras voc se despe?

    A palavra no sabe o que diz nos ensina muito sobre a dinmica da escrita, a escolha das

    palavras, o estilo discursivo dos sujeitos, e faz tudo isso por meio da criao de uma metfora

    perfeita: as palavras so as roupas com as quais nos vestimos e nos despimos. Ao final, uma

    pergunta que talvez incomode, mas no deixa de ser fundamental para a nossa, sua reflexo.

    Oportunamente, retomaremos a pergunta e outros versos do poema.

    Alm do contedo enriquecedor, a autora demonstra um estilo que lhe prprio, de tal forma que

    quase conseguimos vislumbrar seu rosto por trs das palavras. O mais fascinante nas produes

    textuais o quanto os autores, de modo consciente e criativo, exploram os recursos da

    linguagem, e o quanto se deixam conhecer atravs de suas palavras. Igualmente fascinante que

    nem sempre a novidade est no que dito pelo autor, mas no modo como diz!

    Quer um exemplo bastante prtico?

    Conhea a histria O cego e o publicitrio,

    disponvel em http://www.youtube.com/watch?v=oQXzXn1sDyQ.

    Nesse sentido, citamos uma das teorias mais discutidas nos ltimos tempos a teoria de Bakhtin - e ainda que nosso objetivo no seja estender tal discusso para a filosofia da linguagem, voc merece degustar, ao menos, uma breve citao desse filsofo russo que grandes contribuies e to significativo conhecimento nos deixou sobre a dinmica e complexa relao entre a linguagem e o homem. Veja:

    [...] qualquer palavra existe para o falante em trs aspectos: como palavra da lngua neutra

    e no pertencente a ningum; como palavra alheia dos outros, cheia de ecos de outros

    enunciados; e, por ltimo, como a minha palavra porque, uma vez que eu opero com ela em

    uma situao determinada, com uma inteno discursiva determinada, ela j est

    compenetrada da minha expresso. (BAKHTIN, 2003, p. 294)

    A novidade est no retorno das palavras em discursos marcados por um estilo marcadamente

    individual de quem escreve. Voc compreende a profundidade disso? A originalidade est no

    modo como escrevemos. Digo isto porque queremos encoraj-lo. Seja voc mesmo, em sua

    totalidade, em tudo o que escrever. Mostre-se! Dialogue consigo mesmo no processo de

    construo da escrita. Quanto mais profundo o seu dilogo interior no processo de escrita (e

    reescritas), mais o leitor ouvir a sua voz nos textos

    que voc produz!

    Explore todos os recursos lingusticos possveis e

    disponveis na linguagem. Faa-o de modo coerente,

    adequando sua escrita s circunstncias e contextos da

    produo. Sempre que escrever, tenha em mente para

    quem voc escreve. Seu interlocutor a razo de ser de sua escrita.

    [...] o novo no est no que dito, mas

    no acontecimento de seu retorno.

    (Foucault)

  • Ateno para este conselho e mais algumas dicas: estude a linguagem,

    valorize a originalidade e no copie os bons escritores. Use-os apenas como

    referenciais que o ajudaro a desenvolver seu prprio estilo discursivo.

    Infelizmente, muitos alunos recorrem ao plgio como um caminho mais fcil

    para dar conta de suas obrigaes acadmicas... lamentvel, sobretudo,

    porque alm de constituir-se falta de tica e crime previsto em lei, esse ato

    serve somente para atrasar ou, at mesmo, impedir o sujeito de crescer,

    aprender e aprimorar habilidades fundamentais para o seu sucesso dentro e fora da academia.

    Qualquer pessoa, desde que haja vontade e empenho, pode se tornar um timo produtor de

    textos!

    Vamos estudar agora AS CONDIES NECESSRIAS PRODUO TEXTUAL e retomaremos

    versos do poema, A palavra no sabe o que diz!, para exemplificar algumas delas:

    Com respaldo em Geraldi (1997), a construo da escrita resultado, consequncia ou produto

    final de uma srie de atividades realizadas a partir de algumas condies que, na perspectiva do

    autor, so fundamentais para a produo de um texto. Vamos conferir algumas delas:

    a) Se tenha o que dizer

    A palavra no sabe o que diz

    A palavra delira, a palavra diz qualquer coisa

    A verdade que a palavra, ela mesma, em si prpria, no diz nada

    Quem se pe a escrever precisa ter o que dizer e saber como faz-lo. Caso contrrio, a palavra

    dir tudo, menos o que o autor pretendeu dizer. mesmo verdade que a palavra, por si mesma,

    diz qualquer coisa ou no diz nada. O locutor (quem escreve) precisa de contedo e, de posse

    desse contedo, precisa manusear muito bem as palavras, empregar adequadamente os sinais de

    pontuao, formar frases coesas, perodos claros, pargrafos coerentes, unir todas as partes

    formando uma s unidade. Se no tiver o que dizer, no adianta disfarar ou, como dizem,

    encher linguia. Certamente preencher as linhas com ideias bastante vagas e previsveis, cair

    em redundncias, far seu texto circular em torno de si mesmo, no apresentar expanso textual

    e, consequentemente, ser avaliado como desinteressante pelo interlocutor (quem l).

    b) Se tenha uma razo para dizer o que se tem a dizer

    A maioria no sabe o que veste

    Se no houver, ao menos, uma razo para a escrita, grande a possibilidade de o autor encontrar

    grandes dificuldades para decidir, afinal, com quais palavras vestir seu texto. preciso que haja

    uma razo de fato motivadora para a escrita e que a inteno no seja simplesmente cumprir uma

    tarefa para receber nota, mas, sim, atribuir ao seu texto uma funo social, dizer para dizer-se, ou

    seja, mostrar-se ao outro e, ao mesmo tempo, agir sobre ele.

    c) Se tenha para quem dizer o que se tem a dizer

    Quem diz o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve

    Quando existe acordo, existe comunicao

    Ou seja, dizer-se para algum, planejar a escrita de seu texto para interlocutores especficos,

    adequando-o de modo a atingir seu destinatrio.

    d) O locutor se constitua como tal, enquanto sujeito que diz o que diz para quem diz.

  • Tem quem usa dos outros

    Nunca copiar o discurso alheio. Isso fundamental, e tambm uma questo de tica. O sujeito

    que reconhece o real valor...