Construindo redes colaborativas para a educação ?· Construindo redes colaborativas para a educação…

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  • FonteFonteF teon 83Dezembro de 2008

    Construindo redes colaborativas para a educao

    nelson De Luca Pretto

    Licenciado em Fsica pela Universidade Federal da Bahia (1977), mestre em Educao tambm pela UFBA (1984) e doutor em Cincias da Comunicao pela Universidade de So Paulo (1994). professor associado

    da Universidade Federal da Bahia, consultor ad hoc de diversas revistas e instituies, entre as quais a Faculdade de Educao da Universidade de So Paulo, do Centro de Estudos em Educao e Sociedade e

    da Associao Nacional de Ps-Graduao e Pesquisa em Educao (Anped). conselheiro do Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia (2007/2010). Tem experincia na rea de Educao,

    com nfase em Educao e Comunicao, atuando principalmente nos seguintes temas: internet, educao e comunicao, informtica educativa, tecnologia educacional e educao a distncia.

    resumoFalar em rede fcil. Todos falam, mas, s vezes, referimo-nos a um tipo de rede que no a mais significativa para a educao. Essas redes, mais ligadas aos tradicionais meios de co-municao, concentram suas atenes na distribuio de informaes. Com as novas mdias, com as conexes digitais, a televiso pela internet ou pelo celular , novas redes comeam, potencialmente, a se configurar e, o principal, comeam a ser apropriadas, especialmente pela juventude. A partir de uma breve anlise das potencialidades das redes e de algumas polticas pblicas que buscam implantar a infra-estrutura de comunicao no pas, que pode viabilizar as chamadas redes horizontais de colaborao, apontamos alguns elementos fundamentais para uma radical transformao da escola e da educao.

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    Maria Helena Bonilla

    Graduada em Cincias, Licenciatura de Primeiro Grau, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1985), graduao em Cincias, Licenciatura Plena, habilitao em Matemtica, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1988), mestrado em Educao nas Cincias pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1997) e doutorado em Educao pela Universidade Federal da Bahia (2002). Atualmente professora-adjunta da Faculdade de Educao da Universidade Federal da Bahia. Tem experincia na rea de Educao, com nfase em Educao e Tecnologias da Informao e Comunicao, atuando principalmente nos seguintes temas: formao de professores, educao, incluso digital e software livre.

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    A palavra rede ganhou enorme destaque nos ltimos tempos. Todos falam de redes, s vezes mesmo sem saber do que se est falando. Fomos acostumados a pensar na rede como sendo aquela ligada aos tradicionais meios de comunicao que j fo-ram inclusive chamados de meios de comunicao de massa, especialmen-te com a televiso. Falamos dessas redes, com suas emissoras cabeas de rede e as afiliadas, e esse terminou sendo o modelo que ocupou todo o nosso imaginrio. Ou seja, uma rede onde poucos produzem, localizados nos grandes centros, e toda a socie-dade consome produtos, informaes e cultura.

    Seguramente, esse no um mo-delo de rede que nos agrada e, por isso, precisamos dirigir nosso olhar para outras possibilidades. Nesse as-pecto, o desenvolvimento tecnolgico pode muito ajudar e demandar um ou-tro olhar sobre ele. Mas a tecnologia em si no basta. Necessitamos pensar tambm, com muito cuidado, sobre as polticas pblicas. Aqui, no podemos nos limitar s voltadas para a educa-o. Temos que olhar atentamente para as polticas de cultura, de comunica-o e para um campo que pode no nos parecer muito ligado educao, mas que fundamental: as polticas pblicas de cincia e tecnologia.

    Com as novas mdias, com as conexes digitais, a televiso pela internet ou pelo celular , novas re-des comeam, potencialmente, a se configurar e, o principal, comeam a ser apropriadas, especialmente pela juventude. Implantam-se redes de economia solidria, que articulam produtores distribudos por todos os cantos do pas que, via rede, trocam experincias e sobrevivem ao merca-do que tudo busca padronizar.

    Fala-se em conexo total. Quan-do ainda ministro da cultura, Gilberto

    Gil queria bandalargar o pas, em-purrando o governo para fazer um acordo com as operadoras e, com isso, mudar a lei geral das telecomu-nicaes de forma a obrigar, como meta, que as mesmas implantassem banda larga nas escolas pblicas bra-sileiras.

    Algumas cidades saram na fren-te, por iniciativa do poder poltico lo-cal. Pira, no Rio de Janeiro, Tiraden-tes, em Minas Gerais, e Sud Menucci, em So Paulo, comearam a corrida para se constiturem nas primeiras ci-dades totalmente conectadas, atravs de redes sem fio. Viraram referncia em todos os debates sobre o tema. Hoje, outras cidades e tambm al-guns estados j esto se mobilizando e investindo em redes prprias e em tecnologia VoIP (voz sobre IP), como estratgia de reduo de custos e de maior autonomia, como o caso do Par e de Santa Catarina, conforme matria de Ftima Fonseca na revista ARede, de junho de 2008. No campo cientfico, as universidades pblicas brasileiras, as mesmas que tiveram importante papel na implantao da internet no Brasil na dcada de 90, passaram, sob a liderana impor-tante da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa RNP (www.rnp.br) , a utilizar o chamado FoneRNP, que possibilita, atravs das centrais tele-fnicas das instituies, conectar, via internet (ou seja, usando VoIP), pes-quisadores de todo o pas.

    Alm dessas aes em termos de polticas pblicas, temos um movi-mento coletivo que emerge da ao generosa de cidados ativistas que, ao abrirem o seu roteador em seus espaos de trabalho e de moradia, ampliam a conectividade e, com isso, a prpria rede e os fluxos de comu-nicao e trocas entre todos. Srgio Amadeu da Silveira, em seu artigo Convergncia Digital, Diversidade

    Cultural e Esfera Pblica, no livro Alm das Redes de Colaborao: Internet, Diversidade Cultural e Tec-nologias do Poder, que organizamos como fruto de evento do mesmo nome ocorrido em 2008, preconiza que, com essas iniciativas, instalam-se nuvens abertas de conexo colaborativa.

    Segundo Srgio Amadeu (p. 40/41), enquanto a cultura hacker, uma das culturas que mais influen-ciou a formao e evoluo da rede, permanecer como o fundamento de sua expanso, nenhuma hierarquia superior, nenhuma grande corpora-o ou oligoplio conseguir contro-lar a rede mundial. Como obra inaca-bada, em evoluo, onde possvel criar novos contedos, formatos e tecnologias, a internet possui proto-colos ou regras bsicas de comunica-o definidas por uma srie de agru-pamentos tcnicos.

    Com isso, as potencialidades das redes vo alm dessa reduo de custos e de uma maior autonomia dos poderes pblicos. As redes co-nectam pessoas, instituies, setores e ajudam a articular as aes. Com elas, e com as pessoas se aproprian-do das tecnologias, novos saberes so produzidos, novas formas de ser e de pensar esse alucinado mundo contemporneo emergem. Passamos a conviver, mesmo com todas as dificuldades de acesso, com novas formas de partilhar o conhecimen-to, com novas linguagens e novas formas de expresses. Essas lingua-gens precisam ser mais atentamente observadas. Associa-se essas lin-guagens ao movimento da popula-o jovem que j convive com esse universo de imagens e informaes e que alguns pensam s estar ligado a um tipo de pblico que de jovens de classes mais abastadas, populao de classe mdia alta. No podemos esquecer, no entanto, que as classes

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    desfavorecidas socialmente encon-tram outras formas de fazer parte des-se universo e se apropriam, de forma muito evidente, dessas tecnologias, seja atravs de movimentos como o hip hop, os raps, os bailes funk, a msica eletrnica, entre tantas outras formas, seja atravs do uso intensi-vo de celulares, pagers, lan houses e outros aparatos tecnolgicos que so verdadeiramente apropriados e mo-dificados em seus usos pela prpria juventude.

    Os jovens, com as tecnologias, inserem-se na perspectiva da cria-o de arte, de cultura e de conhe-cimento , sampleando e mixando msicas, produzindo vdeos e grafi-tagem eletrnica, blogueando, tro-cando arquivos em redes P2P (peer to peer) a exemplo do Napster, Bit-torrent, Emule, entre outros. E cla-ro, essa perspectiva de liberdade e criao gera movimentos repressores por parte de governos e da indstria cultural. Projetos de lei que buscam impedir esse livre compartilhamento de arquivos pela internet e crimina-lizar prticas que vm se instituindo na rede j esto tramitando em vrios pases, inclusive no Brasil, como o Projeto de Lei do senador Eduardo Azeredo, que criminaliza o uso no autorizado de contedos. Ser que isso significar que, em sendo apro-vada a lei, mais de um quarto da ju-ventude brasileira poder ser respon-sabilizada judicialmente por ousar usufruir da liberdade e das potencia-lidades das redes tecnolgicas? A Fo-lha de S. Paulo publicou, no dia 27 de julho deste ano, um caderno especial sobre a juventude brasileira (Jovem sculo 21) e os dados so contun-dentes: a comparao com dados do Datafolha colhidos em So Paulo em 2000 mostra que, enquanto na poca 45% dos jovens disseram ter a TV como veculo de comunicao

    preferido para se informarem, hoje 33% afirmaram o mesmo. J com a internet nota-se um processo inverso. O nmero dos que disseram ter a rede mundial como principal veculo subiu de 11% para 26%.

    Mesmo assim, em depoimento para essa publicao, a professora Regina Mota, da UFMG, que tem se destacado pelas pesquisas sobre a te-leviso brasileira, mais recentemente sobre o desenvolvimento da televiso digital no pas, enfatiza que, mesmo a TV ainda ocupando um nmero significativo de horas, no quer dizer que o jovem fica ali, parado assistin-do programao, nocauteado pelas emisses televisivas. De acordo com Regina Mota, isso no