Coração indomavel

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Johanna lindsey - romance Espanhol ; Corazon indmito Ingles : Heart the wind

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ResumoEla se chamava Courtney. Seu querido pai, supostamente assassinado anos atrs em um selvagem massacre dos comanches, aparece contra todo prognstico numa fotografia de um jornal do Texas. Est vivo e ela decide ach-lo. Mas em quem confiar para que a acompanhe atravs do perigoso territrio dos ndios? Ele se chamava Chandos, um mestio moreno e valente. De seus olhos azuis brotava um duro e inquietante olhar. Sua alma guardava a dolorosa lembrana da morte dos seus e a imperiosa necessidade de vinglos. Com o passar do inspito caminho, sozinhos sob o ardente sol do vero, seus coraes aprenderam a confiar. E o frenesi da paixo e o desejo que surgiu entre ambos, lhes ensinou a procurar no amor o lugar para dar rdea solta a seus sentidos e apaziguar a transbordante cascata de suas emoes e sentimentos.

Corao Indomvel

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Titulo Original: A Heart Sowild Digitalizao e Reviso: Maria da Ftima Almeida Formatao: Iara Brando

CAPTULO 1Kansas, 1868. Elroy Brower apoiou com fora o seu jarro de cerveja sobre a mesa. Estava contrariado. A revolta que se estava a dar no outro extremo da taberna distraa-o e no podia concentrar a sua ateno na atraente ruiva que tinha sentada no seu colo. No era frequente que Elroy pudesse usufruir da companhia de uma moa to tentadora como Sal. A interrupo era muito frustrante. Sal roou com as suas ndegas entre as pernas de Elroy e murmurou algo ao seu ouvido. As suas palavras, muito explcitas, obtiveram o resultado esperado. Ela pde perceber a ereco dele. - Porque no vens comigo para cima, querido, onde poderemos estar a ss? Sugeriu Sal, com voz insinuante. Elroy sorriu, imaginando as horas de prazer que teria pela frente. Essa noite pensava acalorar a ateno de Sal. A prostituta que o visitava s vezes em Rockley, a cidade mais prxima da sua quinta, era velha e fraca. Sal, em troca, tinha curvas generosas. Elroy j tinha elevada uma pequena orao de agradecimento por a ter encontrado na sua viagem a Wichita. A voz furiosa do rancheiro chamou uma vez mais a ateno de Elroy. No podia evitar escutar, sobretudo depois do que tinha presenciado dois dias antes. O rancheiro dizia a quantos desejavam ouvir que o seu nome era Bill Chapman. Tinha ido taberna um pouco antes e tinha pedido bebidas para todos, o que no foi to generoso como se podia pensar, j que s havia sete pessoas no lugar, e duas delas eram as garotas da taberna. Chapman era dono de uma quinta situada na zona norte e estava procura de homens que estivessem to fartos como ele dos ndios que semeavam o terror na zona. A Elroy tinha-lhe chamado a ateno a palavra ndios. Pelo menos at esse momento, Elroy no tinha tido problema algum com eles. Mas estava apenas h dois anos no Kansas. A sua casa era vulnervel e ele sabia; extremamente vulnervel. Distava um quilmetro e meio do vizinho mais prximo e mais de trs da cidade de Rockley. E s a habitava ele Corao Indomvel Pgina 2

mesmo, Elroy, e um jovem chamado Peter, que tinha contratado para que o ajudasse com a colheita. A esposa de Elroy tinha morrido seis meses depois da sua chegada ao Kansas. Elroy no gostava da sua vulnerabilidade. Homem corpulento, de um metro e noventa de estatura, estava habituado a no ter problemas, excepto aqueles que ele mesmo provocava. No lhe interessava provar um golpe dos seus poderosos punhos. Tinha trinta e dois anos e um perfeito estado fsico. No entanto, estava preocupado pela presena dos selvagens que vagueavam nas plancies, procurando afastar dali os brancos decentes e temerosos de Deus que tinham construdo as suas casas na regio. Estes selvagens no conheciam o jogo limpo: no respeitavam as regras. As histrias que Elroy tinha ouvido faziam-no agitar. E pensar que o lugar que tinha escolhido para se estabelecer, estava demasiado perto deste que se chamava territrio ndio, esta vasta zona despovoada, entre o Texas e Kansas. A sua explorao agrcola encontravase apenas a cinquenta e seis quilmetros da fronteira do Kansas. Eram boas terras, situadas entre rios Arkansas e Walnut. Como a guerra tinha acabado, Elroy pensou que agora o exrcito manteria os ndios nos limites assinalados, situados entre os rios. Mas no tinha sido assim. Os soldados no podiam estar em todo o lado. E os ndios tinham declarado a sua guerra contra os colonos imediatamente depois que explodira a guerra civil. Esta tinha terminado, mas a guerra dos ndios estava no seu apogeu. Mostravam-se mais decididos a no renunciar nunca s terras que consideravam suas. O temor impulsionou Elroy a escutar atentamente Bill Chapman nessa noite, apesar do seu desejo de se retirar para o piso de cima com Sal. Dois dias, antes de ele e Peter irem a Wichita, Elroy tinha visto um grupo de ndios cruzando o limite ocidental da sua propriedade. Era o primeiro grupo de inimigos que encontrava, porque podia-os confundir com os ndios pacficos que tinha visto nas suas viagens para Oeste. Este grupo em especial estava formado por oito homens, bem armados e com calas, que se deslocavam para o Sul. Elroy intrigou-se o suficiente para os seguir a uma distncia cuidadosa at ao acampamento que possuam na confluncia dos rios Arkansas e Ninnescah. Havia l dez alojamentos indgenas, levantados na costa oriental do Arkansas, e uma outra dzia de selvagens, incluindo mulheres e crianas, tinham estabelecido l as suas casas. Foi o suficiente para que Elroy fosse detido por calafrios; o facto de saber que este grupo de kiowas tinha acampado a algumas horas de viagem da sua casa, congelava-lhe o sangue. Falou aos seus vizinhos sobre a existncia de ndios nos arredores, sabendo que as notcias fariam estender o pnico entre si. Quando chegou a Wichita, Elroy divulgou a sua histria pela cidade. Alguns tinham ficado assustados, e Bill Chapman estava tentando recolher a ateno dos que estavam na taberna. Trs homens afirmaram que montariam com Corao Indomvel Pgina 3

Chapman e seis vaqueiros que tinha levado com ele. Um dos clientes disse conhecer dois homens da cidade que tambm estavam dispostos a matar alguns ndios. Depois de recrutar trs voluntrios entusiastas e com a perspectiva de agregar dois mais, Bill Chapman voltou-se para Elroy, que at esse momento tinha estado a escutar em silncio. - E voc, amigo? Perguntou o alto e esbelto rancheiro. - Deseja acompanhar-nos? Elroy afastou Sal do seu colo, mas susteve-a pelo brao enquanto avanava at Chapman. - No devia deixar que o exrcito perseguisse os ndios? Perguntou cautelosamente. O rancheiro riu desdenhosamente. - Para que o exrcito os escolte novamente at territrio indgena sem fazer justia? A nica maneira de ter a certeza que um ndio ladro no volte a roubar mat-lo. Este grupo de kiowas matou mais de quinze animais da minha manada e roubaram-me uma dezena de potros a semana passada. Nestes ltimos anos roubaram-me em vrias ocasies. No estou disposto a suportar mais. - Olhou fixamente para Elroy. - Est do nosso lado? O medo apoderou-se de Elroy. Quinze cabeas de gado! S tinha dois bois consigo, mas o gado que tinha deixado na quinta podia morrer durante do dia em que sasse da sua casa. Sem o seu gado estaria perdido. Se estes kiowas decidissem fazer-lhe uma visita, estaria arruinado. Elroy olhou fixamente para Bill Chapman. - H dois dias vi oito guerreiros. Segui-os. Montaram um acampamento na confluncia do rio Arkansas, a uns vinte quilmetros da minha quinta. Quer dizer, a uns vinte e sete quilmetros daqui, junto ao rio. - Maldio, porque no o disse antes? - Gritou Chapman. Pensativo, disse Quem sabe se no so os que estamos procura. Sim, podiam ter chegado ali em pouco tempo. Esses malvados podem avanar com mais rapidez que qualquer um de ns. Eram kiowas? Elroy encolheu os ombros. - Para mim, so todos iguais. Mas esses no andavam atrs de cavalos admitiu. Tinham cerca de quarenta cavalos no acampamento. - Pode indicar-nos o stio onde acamparam? - Perguntou Chapman. Elroy franziu o rosto. - Tenho comigo uns bois para levar um arado at minha quinta. No vim a cavalo. S conseguiria atras-los. - Conseguirei um cavalo - ofereceu Chapman. - Mas o meu arado... - Pagarei para que cuidem dele enquanto estiver ausente. Depois poder vir busc-lo. De acordo? - Quando partiro? - primeira hora da manh. Se cavalgarmos velozmente, e se eles no abandonaram o lugar, chegaremos ao acampamento a meio da tarde. Elroy olhou para Sal e sorriu-lhe. Chapman no tinha decidido ir de imediato e Corao Indomvel Pgina 4

Elroy no tinha que renunciar sua noite com Sal. Mas de manh... - Conte comigo - assegurou o rancheiro. - E tambm com o meu empregado.

CAPTULO 2Na manh seguinte, catorze homens saram de Wichita como se se dirigissem ao inferno. O jovem Peter, de dezanove anos, estava muito agitado. Nunca se tinha passado nada igual. Estava muito emocionado perante a oportunidade que se lhe apresentava. E no era o nico, pois alguns dos homens apreciavam matar e esta era uma desculpa perfeita. A Elroy no lhe agradou muito. No era o tipo de pessoas com quem se dava. Mas todos estavam no Oeste h muito mais tempo do que ele, e isso fazia-os sentirem-se superiores. Pelo menos, todos eles tinham algo em comum: o seu prprio motivo para odiar os ndios. Os trs homens que sempre acompanhavam Chapman identificaram-se s pelos seus nomes: Tad, Carl e Cincinnati. Os nicos pistoleiros contratados por Chapman eram Leroy Curly, Dare Trask e Wade Smith. Um dos homens de Wichita era um dentista viajante, chamado senhor Smiley. Elroy no conseguia compreender por que tantos indivduos que chegavam ao Oeste sentiam a necessidade de mudar os seus nomes, que s vezes estavam de acordo com as suas ocupaes e outras vezes no. Havia entre eles um ex deputado que tinha chegado a Wichita seis meses atrs e que no tinha ocupao alguma. Elroy perguntou-se de que viveria, mas absteve-se de lhe perguntar. O terceiro homem de Wichita era um fazendeiro como Elroy, que ocasionalmente tinha entrado na taberna aquela noite. Os dois restantes eram dois irmos que se dirigiam para o Texas: o pequeno Joe Cottle e o