Correntes Da Escatologia Protestante

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    31-Jan-2016

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Correntes escatolgicas

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<p>Correntes da Escatologia Protestante</p> <p>Correntes da Escatologia ProtestanteporElias Medeiros</p> <p>Ns, evanglicos protestantes, cremos que a Bblia responde s questes bsicas levantadas em todas as pocas e em todos os lugares. Entretanto, a questo que est sempre presente na mente e no corao de todos os seres humanos a questo relacionada com o futuro. "O passado a gente conta, o presente a gente curte, e o futuro a gente tenta adivinhar". Esta parece ser a filosofia da maioria das pessoas e de vrias religies.Historicamente falando, a igreja protestante tem passado por pocas nas quais pode-se detectar a falta de um balano escatolgico. Algumas vezes, a igreja se mostrava to apegada ao presente, que dava pouca ateno ao futuro. Outras, a igreja se apegava tanto ao passado, que chegava a esquecer de sua relevncia para o presente e de seu destino futuro.A histria da escatologia crist em geral reflete essa batalha entre o passado, o presente e o futuro. Vrios telogos evanglicos protestantes tm escrito sobre o assunto. A histria da igreja tem revelado que, durante os primeiros cinco sculos, os cristos no se preocupavam muito em desenvolver uma doutrina escatolgica. bom ressaltar, entretanto, que a ausncia de um dogma sistematicamente formulado nunca significou a ausncia de crenas e esperanas escatolgicas. Pelo contrrio, durante os primeiros cinco sculos os cristos criam na vida aps a morte, na segunda vinda do Senhor Jesus, na ressurreio dos mortos, no julgamento final, em tribulaes e na criao de um novo cu e de uma nova terra. Mas a escatologia, como doutrina sistematizada, tal qual ns a temos hoje, no foi desenvolvida durante aquele perodo. Basta lermos o credo apostlico para percebermos essas crenas, porm sem um desenvolvimento cronolgico ou sistemtico da doutrina.Mesmo durante a Idade Mdia, at o incio da Reforma Protestante, os cristos daquela poca tambm criam nesses ensinos, mas havia "pouca reflexo sobre a maneira pela qual" os fatos se desenvolveriam, especialmente sobre o aspecto cronolgico da escatologia bblica.J os reformadores protestantes sem dvida refletiram mais sobre a questo escatolgica. Em parte, foram motivados pela disputa teolgica com a Igreja Catlica, que ensinava o purgatrio, por exemplo. Os telogos reformados, portanto, fizeram muita ligao entre a escatologia, a soteriologia (a glorificao dos salvos) e a eclesiologia (a igreja triufante etc).Na atualidade, o racionalismo, o evolucionismo, o existencialismo, juntamente com o liberalismo teolgico, provocaram uma reflexo mais profunda por parte dos protestantes ortodoxos, j que todos aqueles ismos atacavam todo tipo de ensino sobre a certeza de alguma realidade futura. Berkhof e outros protestantes reformados reconheciam que o liberalismo teolgico ignorava totalmente os ensinos escatolgicos do prprio Jesus Cristo, colocando toda a nfase simplesmente nos preceitos ticos do Senhor. O racionalismo, o evolucionismo e o existencialismo filosfico, por sua vez, desconsideram qualquer ensino escatolgico: na melhor das hipteses, a escatologia bblica no passa de uma utopia mitolgica.Os protestantes evanglicos, entretanto, baseados no ensino da Palavra de Deus, crem na vida aps a morte, na segunda vinda do Senhor Jesus, na ressurreio dos mortos, no julgamento final, na criao de um novo cu e de uma nova terra. Em outras palavras, os protestantes conservam as mesmas crenas que os demais cristos que aceitam as Escrituras Sagradas como nica e ltima regra infalvel de f e prtica. Mas o fato de crerem nessas doutrinas no significa que todos os protestantes as aceitem do mesmo modo, em relao forma como elas se cumpriro. Assim, h uma variada divergncia hermenutica no meio protestante, com pelo menos trs escolas de interpretao: aminelista, posmilenista e premilenista.Os amilenistas como L.Berkhof, O.T.Allis, G.C.Berkhouwer e outros crem que as Escrituras Sagradas no fazem nenhuma distino cronolgica entre a segunda vinda de Cristo, o arrebatamento da igreja, e a participao do crente no novo cu e na nova terra. Para os amilenistas haver apenas uma ressurreio geral dos crentes e dos incrdulos, a qual ocorrer durante a segunda vinda de Cristo. O julgamento final ser para todos os povos. A tribulao algo que experimentamos na presente era. O milnio referido nas Escrituras (Apocalipse 20) no significa um milnio literal, pois o reino de Deus, inaugurado visivelmente com a primeira vinda do Senhor Jesus, continua espiritualmente presente, embora invisvel (invisibilidade no sinnimo de inexistncia), e ser consumado com a segunda vinda visvel do Rei da Glria. Entramos neste reino pela f (Joo 3). Para os amilenistas as Escrituras no fazem distino entre a igreja no Velho Testamento (Israel)e a igreja do Novo Testamento ("o novo Israel", composta de circuncisos e incircuncisos).Os posmilenistas, como Charles Hodge, B.B.Warfield, W.G.T. Shedd, e A.H.Strong, crem que a segunda vinda de Cristo ocorrer aps o milnio (no literal). A era presente se misturar com o milnio de acordo com o progresso do evangelho no mundo. Em geral, os posmilenistas assumem a mesma postura amilenista com relao ao ensino da ressurreio, do julgamento final, da tribulao e da posio sobre Israel e igreja.Os premilenistas se dividem em dois grupos principais: os premilenistas histricos (como G.E.Ladd, A.Reese e M.J.Erickson) e os premilenistas dispensacionalistas (como L.S.Chafer, J.D.Pentecost, C.C.Ryrie, J.F.Walvoord e Scofield).Os premilenistas histricos crem que a segunda vinda de Cristo para reinar nesta terra e o arrebatamento da igreja acontecero simultaneamente; haver a ressurreio dos salvos no incio do milnio (a primeira ressurreio) e a ressurreio dos incrdulos no final do milnio. O milnio, entretanto, na posio premilenista histrica, tanto presente como futuro. No presente, Cristo reina nos cus. No futuro, Cristo reinar na terra, embora os premilenistas histricos em geral no considerem o perodo da tribulao e faam uma certa distino entre Israel e igreja (o Israel espiritual).Os premilenistas dispensacionalistas ensinam que a segunda vinda do Senhor Jesus acontecer em duas fases: na primeira, o Senhor Jesus se encontrar com a igreja nos ares, levar os salvos para participar das bodas do Cordeiro nas regies celestiais; e, aps sete anos de tribulao na terra sem a presena da igreja, regressar com ela para reinar neste mundo por mil anos. Eles fazem uma distino entre a ressurreio para a igreja, na ocasio do arrebatamento, a ressurreio para aqueles que viro a crer durante a tribulao de sete anos (ressurreio esta que ocorrer na segunda vinda do Senhor, no final da tribulao) e a ressurreio dos incrdulos no final do milnio.Os premilenistas dispensacionalistas fazem, tambm, uma distino entre o julgamento dos crentes aps o arrebatamento, o julgamento de judeus e gentios convertidos no final da tribulao de sete anos e o julgamento dos incrdulos no final do milnio. Sem dvida, para os membros desta escola de interpretao, os sete anos de tribulao ser literal, mas a igreja neo-testamentria ser arrebatada antes dessa tribulao. O milnio ser inaugurado e estabelecido com a segunda vinda do Senhor Jesus, aps a tribulao e durar, literalmente, 1.000 anos. Sem dvida, esta posio distingue completamente Israel e igreja.De todas essas perspectivas protestantes, a meu ver, a que mais se coaduna com a exegese bblica a posio amilenista. Pessoalmente creio que esta posio a mais condizente com o ensino dos profetas, do Senhor Jesus e dos apstolos, tanto hermenutica quanto exegeticamente falando (Mateus 24-25).Se o leitor estudar com mais afinco essas posies escatolgicas, poder perceber suas implicaes imediatas no que tange evangelizao mundial e ao envolvimento da igreja nas questes sociais e polticas de nossa era. A posio escatolgica mais fraca, em termos hermenuticos e exegticos, a posio premilenista, devido sua grade cronolgica pr-estabelecida. Os premilenistas, em geral, comeam com um quadro cronolgico pr-estabelecido e passam a fazer uma "cirurgia textual" nas Escrituras, de acordo com o quadro j pr-desenhado por eles._____________O paraibano Elias Medeiros chefe do Departamento de Misses do Seminrio Reformado de Jackson, Mississippi (EUA) e professor do Centro Evanglico de Misses (CEM), em Viosa, MG.Publicado originalmente na Revista Ultimato.</p>