Crime Loucura

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    16-Oct-2015

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  • Crime e Loucura

    O aparecimento do manicmio judicirio

    na passagem do sculo

  • UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    Reitor Antnio Celso Alves PereiraVice-reitora Nilca Freire

    EDITORA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    Conselho Editorial

    Elon Lages LimaGerd BornheimIvo Barbieri (Presidente)Jorge Zahar ( in memoriam)Leandro KonderPedro Luiz Pereira de Souza

    Reitor Jacques Marcovitch Vice-reitor Adolpho Jos Melfi

    EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    Presidente Sergio Miceli Pessa de Barros Diretor Editorial Plinio Martins Filho Editores-assistentes Heitor Ferraz

    Rodrigo Lacerda

    Comisso Editorial Sergio Miceli Pessa de Barros (Presidente)David Arrigucci Jr.Hugo Aguirre ArmelinOswaldo Paulo ForattiniTup Gomes Corra

    C313 Carrara, SrgioCrime e loucura : o aparecimento do manicmio judicirio

    na passagem do sculo / Srgio Carrara. Rio de Janeiro :EdUERJ ; So Paulo : EdUSP, 1998.

    228 p. (Coleo Sade & Sociedade)

    Originalmente apresentada como dissertao de mestrado.ISBN 85-85881-54-2

    1. Insanos, delinqentes e perigosos. 2. Psiquiatria forense.3. Crime e criminosos. 4. Insanidade. 5. Antropologia socialI. Ttulo. II. Srie.

    CDU 616.89-008.444

    CATALOGAO NA FONTEUERJ/SISBI/SERPROT

  • Crime e Loucura

    O aparecimento do manicmio judicirio

    na passagem do sculo

    Srgio Carrara

    Rio de Janeiro1998

  • Copyright 1998 by EdUERJTodos os direitos desta edio reservados Editora da Universidade do Estado do Rio deJaneiro. proibida a duplicao ou reproduo deste volume, no todo ou em parte, sobquaisquer meios, sem a autorizao expressa da Editora.

    INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL

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    EdUERJEditora da UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRORua So Francisco Xavier 524 - MaracanCEP 20550-013 - Rio de Janeiro - RJTel./Fax: (021) 587-7788 Tel. (021) 587-7789 / 587-7854 / 587-7855e-mail: eduerj@uerj.br

    Coordenao de Publicao Renato CasimiroCoordenao de Produo Rosania RolinsProjeto Grfico e Capa Heloisa FortesDiagramao Ronaldo Pereira ReisReviso Jeaneth MedeirosApoio Administrativo Maria Ftima de Mattos

    COLEO SADE & SOCIEDADE

  • A Maria Cleusa de Castro Leite,agora na lembrana...

  • H alguns anos, quando este livro era uma dissertao de mestrado,

    agradecia o apoio de vrias pessoas e instituies*. Passado todo esse

    tempo, posso reconhecer muito mais claramente a importncia que tive-

    ram. Peter Fry, a quem agradecia ento como amigo e orientador, foi mais

    que isso. De fato, como escrevi em algum momento da minha narrativa,

    eu fui seu aprendiz, mas s hoje percebo que o fui no sentido mais lato

    da expresso. Tive o privilgio de aprender com ele em campo, na prtica

    da pesquisa, e ele me ensinou muito mais do que simplesmente fazer

    antropologia social. Tambm agradecia especialmente a dois professores

    do Museu Nacional, Lygia M. Sigaud e Luiz Fernando D. Duarte. De

    fato, ambos tiveram grande peso na minha formao intelectual. Luiz

    Fernando, que posteriormente orientaria minha pesquisa de doutorado,

    exerceu e continua exercendo sobre mim um enorme fascnio por sua

    generosidade, seriedade e extrema erudio. Tive e continuo tendo um

    enorme respeito intelectual por Lygia M. Sigaud. Admiro sobretudo a

    coerncia com que sempre articulou seus interesses intelectuais e suas

    posies polticas, produzindo um conhecimento relevante no apenas

    para o avano da cincia, mas para a transformao ativa do mundo sobre

    o qual nossas cincias se constroem. professora Mariza Correa, da

    Unicamp, agradecia por ter discutido minhas idias e ter me cedido docu-

    Agradecimentos

    _____________

    * Alm da dissertao, parte deste trabalho apareceu na forma de um artigo (CARRARA, 1991).

  • 8

    mentos importantes. De fato, foi a Mariza quem me ganhou para a

    antropologia ainda nos bancos da faculdade, e este meu trabalho no teria

    sido possvel sem suas prvias incurses pela histria da implantao da

    disciplina no Brasil.

    Agradecia aos amigos de dentro e fora da academia, por terem

    discutido meu trabalho e, sobretudo, pelo afeto e generosidade com que

    me presentearam. Fico feliz em reler a lista e perceber que os ltimos dez

    anos no me separaram deles: Ana Luiza Martins-Costa, Ana Maria Daou,

    Antnio Carlos de Souza Lima, Brbara Musumeci Soares, Flix Vieira,

    Jaime Aranha, Maria Fernanda Bicalho, Maria Josefina SantAnna, Maria

    Lcia Penna, Ndia Farage, Paulo Santilli, Paulo Vaccari Ccavo, Santuza

    Cambraia Naves e Tania Salem. Dos colegas do Instituto de Medicina

    Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que poca contri-

    buram para o meu trabalho, eu destacava Andra Loyola, Aspsia Camargo,

    Jurandir Freire Costa, Renato Veras e Snia Correa. Dentre eles, reconhe-

    o agora, muito especialmente, a contribuio do professor Jurandir, que

    certo dia me presenteou com o livro de Genil-Perrin, que seria to impor-

    tante para que eu entendesse melhor o conceito de degenerao. Ao longo

    da coleta de dados, pude contar com o auxlio precioso de Marcos Otvio

    Bezerra e Cludio de Lorenci, com uma dotao Ford/Anpocs e com o

    trabalho consciencioso de bibliotecrias e arquivistas cariocas.

    Agradeo muito especialmente ao professor Antnio Carlos de

    Souza Lima, que tomou a iniciativa de enviar o manuscrito para a EdUSP.

    Sem sua interveno este livro no existiria. Depois disso, o trabalho ficou

    nas cuidadosas mos da EdUERJ, que, como Editora principal, aceitou os

    encargos mais pesados e decisivos na sua publicao. Agradeo as excelen-

    tes sugestes do annimo parecerista da EdUSP, e ainda o trabalho edito-

    rial impecvel de Sonia Faerstein e a reviso cuidadosa de Ana Silvia

    Gesteira.

    A reviso final do texto para a atual publicao e a redao do

    Posfcio foram feitas em Chicago, onde, com o apoio do CNPq, desen-

    volvo atualmente meu ps-doutorado vinculado ao Morris Fishbein Center

    for the History of Science and Medicine (Universidade de Chicago). Fazer

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    esses ltimos acertos em Chicago teria sido sem dvida muito menos

    agradvel sem o apoio, o carinho e o bom humor de Patrick Larvie.

    Finalmente, tenho a felicidade de poder repetir o que escrevi h

    dez anos: Agradeo a todos, e ainda Mariinha e ao Romeu, que de to

    longe permaneceram enviando energias positivas; se eles aparecem no final

    destes agradecimentos, porque, de qualquer modo, estiveram sempre no

    comeo de tudo.

  • Querelle sorria. Deixava desenvolver em si mesmo aquela

    emoo que conhecia to bem, que daqui a pouco, no lugar

    certo, l onde as rvores so mais cerradas e a nvoa densa,

    tomaria posse dele por completo, afugentaria toda

    conscincia, todo esprito crtico, e ordenaria a seu corpo

    os gestos perfeitos, apertados e seguros do criminoso.

    J. Genet (1986:46)

  • Sumrio

    Apresentao Peter Fry ................................................................................... 15

    CAPTULO I

    O Objeto da Investigao e sua Construo .............................................. 23

    Um aprendiz de antroplogo em apuros ............................................... 23

    O que eu podia ver era um tanto contraditrio ................................ 27

    Mdicos versus juzes: problemas legais .................................................. 29

    Terapeutas versus guardas: questes institucionais .............................. 33

    Doidinhos e pepezes ........................................................................... 38

    A proposta de pesquisa ................................................................................ 43

    Apreenses metodolgicas ........................................................................... 50

    CAPTULO II

    Loucos & Criminosos ......................................................................................... 61

    A questo do crime na passagem do sculo ......................................... 62

    Crime e doena: o criminoso enquanto objeto da patologia ......... 68

    Crime como episdio da loucura: os monomanacos ....................... 69

    Os degenerados: o crime como mais uma face da alienao

    mental ................................................................................................................. 81

    Os brbaros esto entre ns: os criminosos natos ............................. 99

    O criminoso nato .................................