Cristo No Juri

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    06-Aug-2015

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<p>Liberdade de Conscincia O CRISTO NO JRI</p> <p>Estampa da Santa S</p> <p>DIREITOS RESERVADOS</p> <p>VERSO DA LIBERDADE DE CONSCINCIA</p> <p>COPIA DA CAPA</p> <p>LIBERDADE</p> <p>DE</p> <p>CONSCINCIA</p> <p>O Cristo no JriPELO</p> <p>Dr. Miguel Vieira FerreiraPastor da Igreja Evanglica Brasileira (Natural de S.Lus do Maranho)</p> <p>Editado em 1891 estampa da Santa S</p> <p>EDIO COMEMORATIVA DO 164O ANIVERSRIO DO NASCIMENTO DO AUTOR E 110O ANIVERSRIO DA PRIMEIRA EDIO</p> <p>DR. MIGUEL VIEIRA FERREIRA Em 10 de dezembro de 1837 nascia Fonte das Pedras, em So Lus do Maranho, uma criana predestinada a ser na terra elemento de vida, manancial de graas, fonte infinita de bnos, irradiao perfeita do bem! Crescendo, adquiriu em slida e aprimorada educao, baseada em profundos conhecimentos seculares, o preparo preciso para o desempenho de sua delicada e sublime misso! Tornou-se homem e, nesse homem, vimos surgir a figura inconfundvel do Doutor Miguel Vieira Ferreira, ilustre entre os mais ilustres de seus pares! Patriota ardentssimo, propugnou sempre pelo estabelecimento, no pas, dos ideais mais alevantados, convindo salientar ter sido ele o pioneiro na educao e instruo ministradas ao sexo feminino em nosso meio social. Republicano de corao, cooperou com extrema eficcia para que se implantasse no Brasil o regime democrtico. Militar brioso, pois foi oficial de engenheiros, atuou em sua classe como elemento operoso, amante de uma disciplina rgida e severa. Escritor de grande envergadura, tratou de mltiplos assuntos, abordando as mais complexas e transcendentes questes de carter cientfico, poltico e social. Homem de ao, dirigiu indstrias, fundou escolas, organizou bancos, coisas essas todas referidas no importante Dicionrio Histrico e Geogrfico da Provncia do Maranho pelo Dr. Csar Augusto Marques. Poltico, fundou o primeiro clube republicano no Brasil; em 1870 foi um dos cinco primeiros redatores da folha "A Repblica"; presidiu o quinto distrito republicano e assinou o</p> <p>clebre manifesto de 70, o que poder ser conhecido com mais amplitude pela leitura do lbum de Portugueses e Brasileiros Eminentes, fascculo XVII. Sendo que Joaquim Nabuco sobre ele tambm escreveu em 1895 pelas colunas do Jornal do Comrcio. Abnegado em extremo, pediu demisso do Exrcito e, mais vontade, tudo fez pelo desejo exclusivo de ser til a outrem, de servir de corao sua querida ptria!</p> <p>Um dia, porm, com surpresa para muitos, transmudou-se o grande homem, segundo o sculo, no fiel Servo de Deus: - Miguel! Seu falar meigo e suave, concitando os homens a buscar a salvao em Jesus, o Mestre Amado, induzindo os que no conheciam Deus a confiadamente procur-lo, demonstrou saciedade que sua maravilhosa converso, descrita em minudncia no "Centenary Memorial of the planting and growth of Presbyterianism in Western Pensylvania and parts adjacent. Held in Pittsburgh. Dec. 7-9-1875. Appendixes to religions history: God's Power upon the soul", ia torna-lo capaz de realizar, entre os homens, sua misso celestial. Assim, todos quantos, dele vindo a aproximarse, tiveram a dita de enxergar a radiante aurola de luz clara e pura que circundava a majestade de sua cabea gloriosa, foram beneficiados pelos eflvios do amor divino que dele irradiavam. Guerra sem trguas lhe foi, ento, movida por uma multido de inconscientes! Lutou, porm, sempre e bravamente, aquele que, tendo apenas sabido desejar o bem, nunca poderia supor o corao do homem capaz de repelir suas palavras de sabedoria e bondade! E pregando, sem desfalecimentos, a verdade, fundou em 1879, por ordem do Senhor, a Igreja Evanglica Brasileira, onde sua palavra, sopro de vida partido dos Cus, ressoa sempre, despertando no corao daqueles que a ouvem o desejo ardente de servir a Deus da forma e pelo modo por que o Excelso deve ser sempre servido! Recolhido, finalmente, manso dos justos em 95, goza hoje, Miguel junto de seu bendito Salvador, a bem-aventurana eterna! Mas, para o povo do Senhor, Miguel visto ainda na Terra, porque Miguel permanece nos que,</p> <p>escutando sua palavra santa, guardam seu ensino, assimilando a doutrina por ele pregada! Esses, iluminados pela luz divina, podem, enxergando atravs do que material e fsico, aperceber-se da grandiosidade da obra que o Excelso realiza neste planeta por intermdio de sua Igreja. Para eles, a individualidade de Miguel como que tem importncia</p> <p>relativamente secundria, pois o que em sua personalidade majestosa focalizam a graa do Deus vivo manifestada em bem de suas criaturas humanas nos dias que transcorrem. Em Miguel refulge a claridade difana da luz celestial, que permite, aos que so bem intencionados, ver aquilo que os olhos da carne no podem divisar, mas que realmente existe e precisa tornar-se conhecido por todos quantos desejam alcanar a salvao eterna: mas que tambm ofusca, por seu intensssimo brilhar, a viso dos que, deixando em plano inferior o que advm de Deus, buscam no que material, a felicidade to falaz que caracteriza tudo quanto, por ser temporal, essencialmente mundano. Glria, honra e louvor sejam, pois, dados a DEUS, o PAI, e a seu bendito FILHO pela graa e bno que em MIGUEL foi conferida aos servos do Altssimo aqui na Terra. Amm.(O Jornal 10-12-1937 - A Noite 24-5-1942)</p> <p>MARCHALivro Cnticos - Dir. Autorais - L. IV - Fls. 72</p> <p>Naquele Tempo, profetiza Daniel, Se levantar o grande prncipe, Miguel, O protetor do teu povo, Condutor dos filhos de Deus, E sendo filho da mulher. Exultemos, meus irmos, Aceitemos o grande prncipe Miguel, Que vencer vem ao drago Pela promessa que Deus fez mulher, Vem com a justia de Cristo, No poder do Esprito Santo E com o nome de Miguel. Acordando multides Que dormem na noite escura, Abrindo selos da Bblia, Revelando sua formosura, Nos mandando ao Senhor Jesus Receber dele a prpria luz, E aceitarmos sua cruz. Jesus Cristo o enviou Por sua fidelidade, Revestindo-o do poder Para fazer sua vontade, Mandou Ele e mais ningum Seu irmo que Ele quer bem. E os Anjos digam: - Amm.JOS ALVES MORENO</p> <p>EXCERTOS DO Discurso pronunciado pelo Professor Horcio Berlinck Cardoso, vereador Cmara Municipal de So Paulo, no dia 10 de dezembro de 1955, por ocasio da inaugurao da placa denominando Doutor Miguel Vieira Ferreira uma das ruas dessa cidade.(Extrados d'O GLOBO - Rio - 11-12-1956).</p> <p>So comuns na cidade ciclpica paulistana atos como o que presenciamos. Dar nomes s vias pblicas um fato normal que se justifica para identific-las entre si. Porm, o caso presente uma exceo, pois trata-se de uma dvida de honra a uma personalidade ilustre como o Doutor Miguel Vieira Ferreira, que figura na nossa histria ao lado de outros que pontilharam-na de glria e honrarias. Assim, a denominao desta rua no constitui um simples e comum ato administrativo, sendo antes uma justa homenagem a um homem que muito contribuiu para a formao moral e social do Brasil. .......................................... Assim, pois, que hoje aqui estamos reunidos para prestar nossa homenagem ao Doutor Miguel Vieira Ferreira - grande brasileiro, de quem se comemora nesta data o 118 ano de nascimento. Foi um homem insigne pelo trabalho desenvolvido a favor de sua Ptria. Passando do terreno material para o espiritual, criou sua Igreja, onde sua f ali se embotou para atrair aqueles que possussem como ele os nobres sentimentos de amor ao prximo. Hoje ele o paradigma, o smbolo cuja personalidade cada vez mais</p> <p>solidificada pela admirao que todos lhe tributam, pelas excelsas e nobres qualidades, sempre vividas e recordadas, para que, presentes no esprito da nova gente, saiba-a procurar nesse exemplo, aquilo que necessita para sua felicidade.</p> <p>Abolicionista e republicano - calcou na nossa histria os princpios democrticos, adjudicando seu nome junto aos demais patriotas de sua poca que procuravam colocar o Brasil entre os pases livres. No podia, portanto, So Paulo - cidade do trabalho - olvidar essa preeminente figura da nossa Terra, elemento de real valor, que hoje vive nos coraes de seus fiis e no pensamento de seus admiradores, como exemplo de trabalho, de f, dignidade e de honestidade. Perpetuando seu nome em So Paulo, estamos corrigindo uma injustia. Ligando seu nome a esta rua, num dos bairros mais populosos da cidade, estamos prestando a seu povo tambm uma homenagem justa, presenteando-o com um nome digno. Orgulho-me de ter sido o Vereador que apresentou considerao do Legislativo o projeto de Lei mais tarde sancionado pelo Sr. Prefeito, sob o n 4.817, que no atendia a um desejo de vrios muncipes, mas que se transformava numa pgina de gratido a quem muito merece. No podia ser mais feliz a escolha da data de hoje para batismo legal desta rua, que desta hora em diante passa a chamar-se Rua DOUTOR MIGUEL VIEIRA FERREIRA. Data em que se comemora seu nascimento h 118 anos atrs, o que demonstra que sua figura - mpar atravessa os anos e jamais olvidada; 118 anos depois, So Paulo faz reviver mais uma vez, a sua grande personalidade de brasileiro! ................................................................................ ............ Eu me sinto pago das atribuies cotidianas por ter sido o modesto intermedirio da vontade do povo, de vincular, nas terras de Piratininga, um</p> <p>nome que um smbolo de brasilidade e de f crist pelas excelsas qualidades de amor, de civismo e de patriotismo. ------------ * -----------A ltima fase da vida do Dr. Miguel tambm descrita com certa amplitude pelo Professor mile Leonard da cole Pratique des Hautes tudes - la Sorbonne, em volume que publicou recentemente sob o ttulo: - L'illuminisme dans un protestantisme de constituition recente - Brsil.</p> <p>IGREJA</p> <p>EVANGLICA</p> <p>BRASILEIRA</p> <p>Fundada em 1879 pelo Doutor Miguel Vieira Ferreira SEDE - RUA JLIO DO CARMO, 337 RIO DE JANEIRO Rio de Janeiro - So Paulo - Bahia - Pernambuco - Rio Grande do Sul - Minas Gerais Maranho - Rondnia - Alagoas Paran - Braslia</p> <p>A Igreja Evanglica Brasileira, fundada na Terra por determinao de Deus, em 11 de setembro de 1879, por intermdio do Doutor Miguel Vieira Ferreira, foi reconhecida pelo Governo Imperial a 12 do mesmo ms e ano, data em que registrou, na Secretaria do Imprio, o Termo de sua fundao e eleio do Doutor Miguel para seu primeiro Pastor. Este, aps um glorioso pastorado de dezesseis anos, foi por Deus retirado deste vale de misrias e recolhido ao Reino da Glria, em 20 de setembro de 1895. Assumiu, ento, a direo do povo do Senhor, por deliberao unnime dos irmos, o Dr. Luiz Vieira Ferreira, que a 9 de janeiro de 1898 foi aclamado segundo Pastor da Igreja. O ministrio do Dr. Luiz, tambm muito abenoado, terminou a seis de janeiro de 1908, com o falecimento desse servo do Altssimo. Prevendo sua retirada deste mundo, determinou o Dr. Luiz que, logo aps o seu passamento, ficasse a Igreja a cargo dos irmos Presbteros-regentes, constitudos ainda em seu Pastorado. Assim, sob a regncia de seu Presbitrio, cuja presidncia coube ao Sr. Manoel Francisco do Nascimento, permaneceu a Igreja desde seis de janeiro de 1908 at 24 de setembro de 1911, quando aprouve ao Senhor Onipotente cumprir o que prometera ao Doutor Miguel, ordenando</p> <p>Pastor da Igreja Evanglica Brasileira o Sr. Israel Vieira Ferreira. O Pastorado de 48 anos do Rev. Dr. Israel Vieira Ferreira - o Filho da Promessa - cumpriu-se gloriosamente com muitas bnos, conforme a promessa feita por Deus ao Doutor Miguel, recolhendo-se ao Reino da Glria em 31 de janeiro de 1959.</p> <p>Da em diante, passou a direo da Igreja do Senhor a ser exercida pelo seu Presbitrio, cuja presidncia coube ao ento moderador Dr.Antnio Prado, at que, em 30 de junho de 1974, os Membros da Igreja, inspirados pelo Senhor Deus Altssimo, escolheram, por escrutnio secreto, o seu 4 Pastor visvel, Dr. Antnio Prado, o qual, eleito por unanimidade das Congregaes, foi ordenado e empossado em 29 de setembro de 1974. O quarto Pastor, Dr. Antnio Prado, foi recolhido Manso Celestial em 14 de outubro de 1999, passando, ento, a Igreja a ser dirigida pelo seu Presbitrio, cuja presidncia cabe ao moderador, Dr. Paulo Ferreira Novo. ---------------------------O Termo de fundao da Igreja e eleio do Dr. Miguel para seu 1 Pastor acha-se registrado na Secretaria do Imprio s fls. 14 v. e 15 do livro 972: -- Ttulos de Pastores e Ministros de Religies Toleradas, - livro esse descrito s fls.130 v. da Relao 29 da Seo Administrativa - Arquivo Nacional. DEUS FIEL!</p> <p>O CRISTO NO JRI</p> <p>VERSO DA folha : Cristo NO JRI</p> <p>I INTRODUO Desempenho hoje o meu compromisso, e me grato cumprir o sagrado dever religioso e de conscincia para com Deus e o meu prximo, em proveito especial de nossa ptria comum, colecionando em volume e dando luz da publicidade, a srie de artigos ultimamente por mim e contra mim publicados na imprensa desta Capital Federal. Foram escritos a propsito da petio que fiz para que da sala do Jri que, em sua quarta sesso ordinria, presidida pelo juiz Dr. Honrio Teixeira Coimbra, decano dos juzes de direito desta capital, fosse retirado o crucifixo ali existente, instalado na parede sobre a cabea do juiz. Essa imagem assim ali colocada , atualmente, uma provocao conscincia dos crentes, um ataque direto, quebra manifesta e flagrante violao letra e ao esprito de nossa Constituio republicana. A sala em que funciona atualmente o Jri no andar trreo do edifcio rua do Lavradio, onde teve assento o antigo tribunal da Relao e onde, ainda hoje, funciona sob a denominao de Corte de Apelao. Esse egrgio tribunal retirou o smbolo religioso da sala de suas sesses desde que essa questo foi levantada por mim. Este fato est consignado no artigo de O Apstolo do dia 10 de maio do corrente 1891 e adiante transcrito. To nobre exemplo de respeito lei que esses magistrados superiores cumpriram desde que foram despertados, mereceu ultrajes da folha</p> <p>eclesistica O Apstolo, mas, com certeza, alcanar meno honrosa da Histria e grande aplauso e respeito dos patriotas e homens de bom senso deste pas. Aqueles magistrados cumpriram o seu dever e nenhuma ofensa fizeram religio ou crena alguma; pelo contrrio, firmaram o princpio de liberdade de crenas.</p> <p>Fazendo esta publicao, tenho em vista dar luz ao povo atualmente mergulhado em trevas muito espessas pela igreja romana e pelos maus governos civis que, mais ou menos, tm sempre tolhido a liberdade em todo o gnero, principalmente a religiosa. Nestes escritos, procuro mostrar porque Deus probe o dar culto e adorar imagens e figuras. Essa adorao realmente cega corrompe e estraga o homem at ao ponto em que vemos achar-se o Brasil embrutecido; pois que, nesta questo, tem mostrado, em geral, no possuir o verdadeiro senso moral, que lhe est em verdade obliterado em assunto de religio. J no digo a massa ignorante, mas at a parte ilustrada oprime a conscincia alheia, cerceia a liberdade de conscincia e religiosa, pensando cada um defender a prpria religio e a da maioria, e todos muito bem sabendo que j no h religio do Estado. A confuso que neles reina tornou-se bem manifesta pelos seus atos pblicos e escritos. Peo ao Brasil uma leitura atenciosa, despreocupada e imparcial destes...</p>