Design sem Designer - ?· – Hair Designer, Cake Designer, Nail Designer e, meu favorito, Design de…

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DesignsemDesigner

Hugo Cristo

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Hugo Cristo

1 Edio, Janeiro de 2013Serra, Esprito Santo - BrasilEdio do Autor

Hugo Cristo, 2012-2013.

1 Edio, Janeiro de 2013 (verso 0.8)Exemplar Gratuito. Venda Proibida.

Capa, edio e projeto grficoHugo Cristo

Dvidas, crticas e sugesteswww.hugocristo.com.br/designsemdesignerdesign@hugocristo.com.br

SANTANNA, Hugo Cristo. Design sem Designer. Serra: Edio do autor, 2013.

1. Design. 2. Cincias Cognitivas. 3. Epistemologia.

ISBN 978-85-915111-0-5

Esta obra est licenciada com uma Licena Creative Commons Atribuio-NoComercial 4.0 Internacional.

Para meus professores Rogerio Camara e Ldio de Souza, que me ensinaram a ir alm das representaes.

Sumrio

Prefcio

Parte I: Reviso inconsequenteTrs tentativas de construo de um mitoDa especificidade generalidadeDefinio I: Genealgica-processualDefinio II: Mentalista-processualDefinio III: Ontolgica-fenomenolgica

Parte II: AutonomiasEnao como snteseDefinio IV: Dinmica-enativaAutonomia do objetoUsar, pensar e fazer em domnios lingusticos

Parte III: Design sem DesignerAes estruturantesDefinio V: Design sem DesignerPrograma do Design sem DesignerLeituras para ampliar o debate

Crditos das fotos e imagens

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1519202427

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Prefcio

A pesar do aparente contrassenso do ttulo deste peque-no livro, o conjunto de ideias apresentadas nas pginas que se seguem so extremamente verdadeiras no que tange s minhas concepes filosficas, cientficas e ticas. O objetivo deste livro no defender alguma forma alternativa para o diverso e, de certa forma, esquizofrnico espectro de atividades humanas rotuladas como Design. Pelo contrrio, os textos curtos e ideias concisas aqui reunidas se propem, irresponsavelmente, a preencher integralmente todas as lacu-nas e deficincias ontolgicas daquilo que chamamos de De-sign. certo que tal empreitada gerar o dobro de problemas epistemolgicos com as respostas que prope, mas esse no chega a ser um problema para o objetivo anunciado. Este um livro-rachadura, no um livro-argamassa.

Todo estudante, profissional, docente ou pesquisador da rea de Design que se preze j experimentou algum tipo de constrangimento ao tentar delimitar, seja para uma audincia leiga ou especializada, os contornos mais elementares do cam-po: o que , quem faz, como faz, desde quando faz e, princi-palmente, onde est a especificidade do projeto dos designers frente a tantos outros projetistas arquitetos, engenheiros, programadores, planejadores em geral. Apesar do constrangi-mento ser recorrente, no necessariamente resultado da falta de capacidade do designer em se expressar e apresentar argu-mentos. Tambm no faz sentido sugerir que tais argumentos sejam incompreensveis para no-designers, uma vez que as estratgias mais frequentes se apropriam de objetos presentes no cotidiano da audincia para situar a atividade do designer no tempo e no espao.

10 PREFCIO

Neste momento parece razovel esclarecer a que estrat-gias me refiro. A hiptese central deste breve volume sugere que os argumentos mais populares empregados para delimi-tar o campo e responder s perguntas mencionadas (quem, o que, onde, como e desde quando) compartilham um desejo, im-produtivo na minha opinio, de conferir especificidade ativi-dade do designer. Em busca de tal identidade singular, autores mantiveram o Design preso s amarras da atividade daqueles que estavam, consciente ou inconscientemente, na condio de designers da cultura material de um determinado grupo em algum lugar na histria.

Curiosamente, esse desejo de poder, que fique claro um dos poucos pontos em comum entre as vrias estratgias dis-ponveis para aqueles que buscam construir uma explicao convincente para as audincias especializadas ou no. Ora pela Histria da Arte ou da Revoluo Industrial, ora pelas bio-grafias emblemticas dos precursores do Design e eventual-mente at pela formao dos profissionais divisores de guas em escolas no menos paradigmticas, as estratgias desejan-tes criaram os mitos que aos poucos se consolidaram como ex-plicaes hegemnicas.

Nos ltimos 50 anos, os mtodos, processos e at o jeito de pensar do designer entraram para o grupo das explicaes mticas. A certeza da singularidade atingiu patamares impe-rialistas: os mitos do Design permitiram a colonizao de ou-tros campos profissionais, para orgulho de uns Design Me-thods, Design Thinking, Service Design e desespero de outros Hair Designer, Cake Designer, Nail Designer e, meu favorito, Design de Sobrancelhas.

Em uma posio exatamente oposta, este livro se prope a explicar o Design pela vulgarizao dos mitos, ou seja, trilhando o caminho da generalizao da atividade projetual em direo ao argumento de que o Design um produto ordinrio da evo-luo das faculdades humanas. Dito isso, qualquer indivduo com conhecimentos mnimos sobre as explicaes hegemni-cas desejantes pode entender que o contedo deste livro no visa delimitar campo algum nem muito menos contribuir para a construo de identidades singulares. Este , de fato, um livro--rachadura que se apoia na perspectiva das Cincias Cognitivas

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para descrever uma teoria em curso sobre o que h de huma-no no ser humano que lhe permite pensar como um ser humano. Se esse pensar lhe permite ser um designer, que assim seja. De uma forma ou de outra, o ser humano em geral que desig-ner, ao contrrio do que o argumento dos mitos sugere.

Vamos organizao das seis dezenas de pginas que ten-taro comear a discusso proposta: a primeira parte contm uma reviso intencionalmente inconsistente e tendenciosa dos mitos que sustentam as explicaes hegemnicas desejan-tes a Histria do Design, da Revoluo Industrial, as escolas e profissionais emblemticos, os precursores, os mtodos e o jeito de pensar do designer. Na sequncia, apresento conceitos das Cincias Cognitivas em uso no Design para criar condies para abandonarmos o argumento da especificidade em favor da generalidade.

A segunda parte aprofunda a proposta de situar o Design como produto ordinrio das faculdades humanas discutindo a natureza daquilo que torna um design possvel.

A terceira e ltima parte apresenta finalmente a definio de um Design sem Designer, apontando desdobramentos teri-cos e metodolgicos para o entendimento do campo na pers-pectiva da generalizao.

Este livro foi escrito a partir de notas de aula e pesquisas que desenvolvi para a disciplina optativa Tpicos Especiais em Design - Epistemologia do Design do Departamento de Desenho Industrial da Universidade Federal do Esprito Santo (Ufes). Por isso, agradeo em especial aos alunos que demonstraram interesse e se matricularam na disciplina.

Tambm preciso agradecer a alguns amigos e colegas pes-quisadores com os quais sempre discuto os temas deste livro: Fbio Caparica, Luciano Lobato e Ricardo Couto, a desconfe-rncia; Mauro Pinheiro e Ana Cludia Berwanger, professores da Ufes sempre dispostos a ouvir meus dilemas; aos amigos e scios Alex Cavalcanti e Mauricio Castro pelos projetos pre-sentes que so eternamente futuros; e todos os meus colegas e professores do Programa de Ps-Graduao em Psicologia da Ufes, onde me transformei no pesquisador capaz de formular as ideias deste livro.

Revisoinconse-quente

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Detalhe de uma angua (Inglaterra, c. 1740-45)Autor desconhecido - Victoria and Albert Museum

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Pela via dos mitos, conta-se a histria do Design a partir do comportamento improvvel de indivduos precoces, capazes de realizaes prototpicas dos designers mticos que seriam identificados anos mais tarde. Olhamos para o pas-sado em busca de fragmentos de ns mesmos ao invs de con-siderar a complexidade prpria daqueles episdios. O passado um estgio anterior de um continuum que converge para a nossa condio, da a necessidade de identificar precursores: a genealogia da rea depende de episdios que expliquem e legitimem o estado atual das coisas.

Embora a curva ascendente da Histria do Design resultan-te das explicaes hegemnicas desejantes no seja totalmente sem sentido (, em certa medida, didtica) ela oculta ou pelo menos obscurece as contribuies do cidado comum, da edu-cao informal e principalmente do zeitgeist na delimitao do campo. Mesmo ciente de que nem todos os autores adotam essa postura, insisto que inclusive aqueles que propem uma discusso situada pecam ao elencar um prottipo de designer, formao ou abordagem projetual para aquele contexto scio--histrico, que estaria de alguma forma na linhagem do Design que temos hoje.

No meu entendimento, a soluo para o impasse no seria ampliar o levantamento para incluir mais exemplares na His-tria e sim desistir de procur-los. Explicando de outra forma, penso que a construo da rvore genealgica dos designers permitir, no mximo, a identificao de (algumas) razes da rea, um tronco (dentre vrios outros possveis) que se desen-volveu a partir delas e que d sustentao a (alguns) marcos significativos e (apenas) suas ramificaes.

Trs tentativas de construo de um mito

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Mas e se o Design se desenvolveu como grama, ao invs de rvore? E se a evoluo da atividade se deu por uma dinmica radicalmente diferente, com razes nada profundas, no to distintas do corpo e com ramificaes limitadas? Imagine por um momento que o Design, por ser um produto inevitvel e or-dinrio das faculdades humanas, participou da Histria de for-ma distribuda, evoluindo paralelamente nas mais diversas es-feras do cotidiano. Se essa uma alternativa possvel, nenhum esforo seria mais intil para explicar ou delimitar a rea do que tentar construir uma histria particular, com personagens mti