DINÂMICAS #3

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    07-Apr-2016

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MAGAZINE DO CURSO DE DESIGN DE PRODUTO | ESCOLA ARTSTICA DE SOARES DOS REIS

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  • E S C O L A A R T S T I C A D E S O A R E S D O S R E I S

    J A N E I R O 2 0 1 5

  • FICH

    A T

    CNIC

    A

    DINMICAS | MAGAZINE DE DESIGN DE PRODUTOPUBLICAO ANUAL

    COORDENAO: ARTUR GONALVES, MICAELA REIS

    COLABORAO NESTA EDIOALBERTO TEIXEIRA, ARTUR GONALVES, FTIMA FERNANDES, JOAQUIM FLORES, JORGE JESUS, JOS ANTNIO

    FUNDO, LAURINDA BRANCO, MARIA DA LUZ ROSMANINHO, MARCO GINOULHIAC, MARIANA RGO, MARTA VARZIM,

    MICAELA REIS, PAOLO MARCOLIN, RUI ALEXANDRE, RUI TEIXEIRA, RUI PANELO, SARA ALMEIDA, SUSANA MILO, VERA

    SANTOS E OS ALUNOS ABEL MARTINS, ANA SANTOS, ANA RITA FERREIRA, ANA RITA FONSECA, ANA SOFIA COSTA, ANA

    MARTA SILVA, BRUNA TEIXEIRA, DBORA SILVA, FBIO MOTA, GONALO SILVA, INS RAMALHO, INS SILVA, JOANA

    RIBEIRO, LUNA FONSECA, MARIANA ALVES, MARIANA CARDOSO, MARTA FREITAS, NUNO MENDES, NUNO SARMENTO,

    PATRCIA CARVALHO, RAQUEL SILVA, ROSANA SOUSA, SOFIA VIEIRA, TOMS ALMEIDA, .

    PRODUO GRFICA/ EDIO DIGITAL: MICAELA REIS

    CONTATO EDITORIAL: dinamicas@essr.net

    PROPRIEDADE: ESCOLA ARTSTICA DE SOARES DOS REIS

    RUA MAJOR DAVID MAGNO, 139 | 4000-191 PORTO

    TEL. +351 22 537 10 10

  • 1LAURINDA BRANCOPROFESSORA DE PROJETO E TECNOLOGIAS | EASR

    Processos.ProcessosEste o tema do dinmicas 3 e eu tenho que fazer o editorialComeo por colar na parede uma folha de papel vegetal e sempre que por ela passo, vou colocando questes, sinnimos e mais questes e pistas.Caminhos, percursos e inquietaes.Misturo a msica e a poesia, acrescento lugares comuns: Vou onde me levam os meus passos, canto com o Jos Mrio Branco que h sempre qualquer coisa que est para acontecer e que eu devia perceber, e caminho, releio o Cntico Negro de Jos Rgio Vem por aqui dizem-me alguns com olhos doces () e cruzo os braos e nunca vou por ali.E mtodos, metodologia, metodologia projectual, Munari, arroz verde ou bacalhau com natas.Mas tambm Descarte e o Discurso do Mtodo. Razo? Penso, logo existo.Durante dias passei e parei junto da parede com o papel, deriva e falam-me da Teoria da Deriva de Gui Debord (obrigada Rui) e percebi que sara da minha zona geogrfica, no em

    busca de uma resposta mas em busca de questes, em mim mesma.E sigoEste o meu processo.No sei onde vou chegar, mas agora experimento ir por aqui.

    EDITORIAL

  • EDITORIAL

  • 3LAURINDA BRANCOPROFESSORA DE PROJETO E TECNOLOGIAS | EASR

  • FBRICAS DIGITAIS - JORGE JESUS66-69

    ATIVIDADES

    NDICE

    NDICE

    1-3 EDITORIAL - LAURINDA BRANCO

    INDICE

    TENHO QUE COMEAR POR VOS CONTAR UM SEGREDO - SARA ALMEIDA

    EDUARDO AFONSO DIAS - MICAELA REIS

    ISAMU NOGUCHI - ARTUR GONALVES

    COMO O CONHECIMENTO HUMANO MOLDADO PELA FIO - MARTA VARZIM

    4-5

    12-15

    18-23

    24-29

    30-37

    CONSTRUCTION TOYS - MARCO GINOULHIAC

    PROJETOS PARA A ZONA DAS FONTAINHAS NO PORTO - PAOLO MARCOLIN SUSANA MILO | FTIMA FERNANDES | JOAQUIM FLORES

    UMA PERSPETIVA SOBRE O CONCURSO EDUCACIONAL SQDIO - 2003.14 RUI ALEXANDRE

    38-45

    46-53

    54-59

    60-65

    O PROCESSO CRIATIVO - RUI TEIXEIRA

    REFLEXO

    PERCURSOS

    6-7 PROCESSOS PROCEDIMENTOS - ALBERTO MARTINS TEIXEIRA

    PROCESSO EDUCATIVO - JOS ANTNIO FUNDO8-11

    F-51 | WALTER GROPIUS - DBORA SILVA

    ANEL GROPIUS F-51 | EMBALAGEM F511 - DBORA SILVA

    MOCE - INS RAMALHO

    70-71

    72-73

    74-75

    PROJETO

  • 5 FINITO - TOMS ALMEIDA

    MOMITA - ANA SANTOS

    HIPRBOLE - FBIO MOTA

    PORTA-GUARDANAPOS | SUPORTE GARRAFAS - NUNO MENDES

    ESCOVA VIDEIRA | FCT - ABEL MARTINS

    SIGMA | FCT - GONALO SILVA

    PORTUGAL EM QUATRO LINHAS | FCT - ANA MARTA SILVA

    BANGA | FCT - SOFIA VIEIRA

    76-77

    78-79

    80-83

    84-85

    86-91

    92-93

    96-99

    94-95

    DAS COISAS NASCEM COISAS - BRUNO MUNARI150-151

    LIVRO

    COLEO DE TECIDOS PARA CAMISAS DE HOMEM | FCT - MARIANA ALVES

    SRIE CANVA, ONDA E PIO | FCT - PATRCIA CARVALHO

    QUADRA | PAA - ANA SOFIA COSTA

    [DES] CONSTRUDO | PAA - ANA RITA FERREIRA

    CONTM VIDA | PAA - INS SILVA

    SIGA | PAA - BRUNA TEIXEIRA

    100-101

    102-107

    108-113

    114-117

    120-125

    118-119

    UPA MERCADO | PAA - JOANA RIBEIRO

    MERCADOS DIRECIONADOS | PAA - MARTA FREITAS

    VEM | PAA - NUNO SARMENTO

    A-BANCA | PAA - ROSANA SOUSA

    EXPOSITOR MVEL | PAA - RAQUEL SILVA

    126-127

    128-131

    132-137

    144-145

    138-143

    LENDAS & MITOS | PAP - CURSO PROFISSIONAL DE DESIGN DE MODA ANA RITA FONSECA | MARIANA CARDOSO | LUNA FONSECA

    146-149

  • Na lngua inglesa distingue a palavra process da pala-vra procedure. No que seja uma distino exatamen-te clara. Process seria como que um fenmeno susten-tvel constitudo por mudanas graduais ao longo duma srie de estados; procedure seria por sua vez uma srie de atos de natureza prtica ou mecnicos relacionados com uma forma particular de trabalho. Em complemen-to destes dois vocbulos, que em portugus so tradu-zidos quase sempre pela mesma palavra processos so usadas com frequncia as palavras: algoritmo e protocolo. Os contextos determinam normalmente o uso de um ou outro vocbulo mas, a raiz, o padro de pen-samento envolvido o mesmo. Est em causa um con-junto de etapas simples, organizadas de forma sequen-cial com um objetivo, uma finalidade. Esta matriz, este

    processo, aplica-se tanto receita do bolo-rei como ao algoritmo que colocou recentemente os professores em BCE (um bom exemplo dum processo cheio de boas in-tenes mas mal organizado ou construdo), passando pela avaliao dum qualquer aluno.Por detrs de qualquer produto ou produo h um pro-cesso na forma de algoritmo, organizado em torno de etapas simples (simples no sentido em que no se sub-dividem noutras etapas). Em termos grficos ser a ima-gem duma molcula descrita atravs dos tomos (seres indivisveis) que a constituem.Qualquer socilogo que se prese dir que os proces-

    sos nascem determinados por fatores de ordem social e poltica e deles resultam novas relaes sociais. Como exemplo elucidativo tome-se a mquina a vapor que de-sencadeou novos processos de produo eles prprios responsveis por novas relaes sociais. O passo se-guinte talvez tenha sido o aparecimento do conceito de design e da produo standartizada, capaz de chegar s massas. A massificao foi o resultado natural dos

    processos mecnicos capazes de criar grandes quan-tidades de mercadoria igual (ou semelhante) a baixo custo. Outra consequncia deste tipo de produo foi a implementao subconsciente dum pensamento nico, uma espcie de homem unidimensional de Marcuse.Com o aparecimento do computador, numa primeira fase aliado do engenheiro nos seus clculos complexos e morosos, e um seu derivado, o robot, comeou a ser possvel produzir com interveno mnima de mo-de--obra humana. Dir-se-ia que num futuro suficientemente

    prximo o homem seria dispensvel no processo pro-dutivo. Alis a gerao de computadores capazes de aprender parecem apontar nessa direo. Mas s pare-cem! Aquilo que Marx conheceu e esteve na base das grandes construes sociais (o proletrio escravizado e alienado) desapareceu (ou modificou-se) para dar ori-gem a uma classe mdia alienada ao novo processo de produo (operrios especializados, designers, progra-madores).

    PROCEDIMENTOS

  • Porm, os novos processos de produo trazem em si o ovo da serpente. Com a evoluo da robtica e o salto tecnolgico das mquinas/impressoras 3D o pro-cesso uniforme de produo, a cadeia, a massificao,

    tudo isso deixa de fazer sentido. Baixando os custos de produo da pea nica possvel recuperar um certo conceito at aqui reservado ao domnio do artesanato. O novo arteso o programador/designer que, com os mesmos custos e at custos mais baixos produz obje-tos nicos ou pequenas sries respeitando totalmente a vontade, ou at o capricho, do consumidor e com isso levando desmassificao da sociedade.

    Em toda esta dinmica ganha relevo a palavra algoritmo associada aos artefactos automticos. Para j difcil perceber de que forma as relaes sociais se vo trans-formar. Se pensarmos no aparecimento da internet, nas redes sociais e na forma como o processo de comuni-cao se est a modificar temos uma ideia da imprevi-sibilidade que os meios digitais arrastam. Conceitos e normas socias esto a mudar a cada dia que passa e mesmo os espaos dos sentimentos e o conceito de vida parece ganhar novas dimenses que geram um hiperespao de novas realidades. J possvel ter uma vida na dimenso do real clssico e outra no hiperespa-o onde nos construmos sem obedecer a um determi-nismo gentico. Se numa realidade os euros so insu-ficientes para as nossas necessidades na outra as bit

    coins podem-nos permitir os maiores luxos concebveis. Contudo, o paradoxal que o espao clssico se trans-formam num espao construvel graas s impressoras 3D. H um certo grau de autonomia ao nosso alcance. Podemos construir a nossa casa, a nossa roupa, a nos-sa alimentao, tudo isto atravs duma mquina e dum algoritmo. Se juntarmos a isto o manancial de informa-o que a net nos pode fornecer, os vdeos tutoriais, a

    informao cientfica livre e disposio de qualquer

    um inevitvel que novas relaes sociais apaream e a sociedade caminhe para uma nova ordem institucio-nal.Quando todos estes processos atingirem um grau de maturao que os torne possveis o que ser da escola? Se a isto aliarmos o homem binico feito de cdigo ge-ntico e prteses, evoluindo tambm com um software prprio capaz de lhe prolongar a vida at ao infinito o

    que ser o processo de aprendizagem deste novo ser? Alis o que ser aprender? Haver o ir escola, ou ser a escola a vir at ns na forma de plataformas de aprendizagem e tutoriais? No tarda a ouvirmos uma voz virada para ns em tom de desafi