E. Lund - Hermenêutica

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    15-Feb-2015

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<p>Hermenutica</p> <p>1</p> <p>HERMENUTICAREGRAS DE INTERPRETACO DAS SAGRADAS ESCRITURAS E. LUND Traduzido por Etuvino Adiers da 7 edio do original castelhano:HERMENUTICA - Regras de Interpretao das Sagradas Escrituras</p> <p> EDITORA VIDA, 1968 Miami, Florida 33167 E.U.A.</p> <p>[Contracapa]E. LUND / P. C. NELSON</p> <p>Dr. E. Lund, fecundo e prestigioso professor da Bblia na lngua espanhola, conhecido no mundo evanglico e no mundo das letras por sua erudio e sua publicaes. Alm das lnguas em que a Bblia foi originalmente escrita, o professor Lund dominava vrios idiomas modernos e vrios dialetos falados no arquiplago das Filipinas. A Editora Vida tem a grata satisfao de apresentar aos seus leitores esta edio de HERMENUTICA, de grande necessidade entre o povo de lngua portuguesa. HERMENUTICA por E. Lund uma obra de grande utilidade, no somente para pastores e evangelistas, mas tambm para todo crente que seja um zeloso estudante da Bblia.</p> <p>Hermenutica</p> <p>2</p> <p>NDICEApresentao ........................................................................ 3 1.Importncia de seu estudo ................................................. 4 2.Disposies necessrias para o estudo proveitoso das Escrituras .......................................................................... 9 3.Observaes gerais em relao linguagem bblica ...... 14 4.Regra fundamental ......................................................... 17 5.Primeira regra ................................................................. 21 6.Segunda regra ................................................................. 25 7.Terceira regra ................................................................. 29 8.Quarta regra .................................................................... 34 9.Quinta regra 1 parte ................................................... 40 10.Quinta regra 2 parte ................................................... 46 11.Quinta regra 3 parte ................................................... 49 12.Repetio e observaes ................................................ 53 13.Figuras de retrica 1 parte .......................................... 56 14.Figuras de retrica 2 parte .......................................... 61 15.Figuras de retrica 3 parte .......................................... 67 16.Figuras de retrica 4 parte .......................................... 77 17.Hebrasmos ..................................................................... 85 18.Palavras simblicas ........................................................ 92</p> <p>Hermenutica</p> <p>3</p> <p>APRESENTAOUm livro como o presente de grande necessidade nos pases onde se fala a lngua portuguesa. Cremos, pois, que ele vem preencher uma lacuna. Seu autor, o Dr. Lund, pode ser considerado como o mais fecundo e prestigioso mestre de estudos bblicos em lngua portuguesa, e seu nome de h muito conhecido pela erudio e valor de suas produes. Alm das lnguas em que foi escrita a Bblia, o Dr. Lund dominava seis ou sete idiomas europeus; mais tarde, porm, havendo empreendido obra missionria nas Filipinas, cultivou vrios dos idiomas e dialetos daquele arquiplago. Traduziu a Bblia inteira para o panaiano e o Novo Testamento para os dialetos cebu e samar. Esperamos que este livro seja uma verdadeira bno para quantos venham a estud-la, quer sejam pregadores e evangelistas, ou simplesmente cristos amantes dos estudos bblicos. A Editora</p> <p>Hermenutica</p> <p>4</p> <p>IMPORTNCIA DE SEU ESTUDO1. Uma das primeiras cincias que o pregador deve conhecer certamente a hermenutica. Porm, quantos pregadores h que nem de nome a conhecem! Que , pois, a hermenutica? "A arte de interpretar textos", responde o dicionrio. Porm a hermenutica (do grego hermenevein, interpretar), da qual nos ocuparemos, forma parte da Teologia exegtica, ou seja, a que trata da reta inteligncia e interpretao das Escrituras bblicas. 2. O apstolo Pedro admite, falando das Escrituras, que entre as do Novo Testamento "h certas cousas difceis de entender, que os ignorantes e instveis deturpam, como tambm deturpam as demais Escrituras [as do Antigo], para a prpria destruio deles". E para maior desgraa e calamidade, quando estes ignorantes nos conhecimentos hermenuticos se apresentam coma doutos, torcendo as Escrituras para provar seus erros, arrastam consigo multides perdio. 3. Tais ignorantes, pretensos doutos, sempre se tm constitudo em falsos, desde as falsos profetas da antiguidade at as papistas da era crist, e os russelitas de hoje. E qualquer pregador que ignora esta importante cincia se encontrar muitas vezes perplexo, e cair facilmente no erro de Balao e na contradio de Cor. A arma principal do soldado de Cristo a Escritura, e se desconhece seu valor e ignora seu use legtimo, que soldado ser? 4. No h livro mais perseguido pelos inimigos, nem livro mais torturado pelos amigos, que a Bblia, devido ignorncia da sadia regra de interpretao. Isto, irmos, no deve ser assim. Esta ddiva do cu no nos veio para que cada qual a use a seu prprio gosto, mutilando-a, tergiversando ou torcendo-a para nossa perdio. 5. Lembremo-nos de que as variadssimas circunstncias que concorreram para a produo do maravilhoso livro requerem do expositor que seu estudo seja demorado e sempre "conforme a cincia", conforme as princpios hermenuticos.</p> <p>Hermenutica 5 a) Entre seus escritores, "os santos homens de Deus, por exemplo, que filaram sempre inspirados pelo Esprito Santo", achamos pessoas de to variada categoria de educao, como sejam, sacerdotes, como Esdras; poetas, como Salomo; profetas, qual Isaas; guerreiros, como Davi; pastores, qual Ams; estadistas, como Daniel; sbios, como Moiss e Paulo, e "pescadores, homens sem letras", como Pedro e Joo. Destes, uns formulam leis, como Moiss; outros escrevem histria, como Josu; este escreve salmos, como Davi; aquele provrbios, como Salomo; uns profecias, como Jeremias; outros biografias, como os evangelistas; outros cartas, coma as apstolos. b) Quanto ao tempo viveu Moiss 400 anos antes do cerco de Tria e 300 anos antes de aparecerem as mais antigos sbios da Grcia e sia, coma Tales, Pitgoras e Confcio, vivendo Joo, o ltimo escritor bblico, uns 1500 anos depois de Moiss. c) Com respeito ao lugar foram escritos em pontos to diferentes como o so o centro da sia, as areias da Arbia, as desertos da Judia, os prticos do Templo, as escolas dos profetas em Betel e Jeric, nos palcios da Babilnia, nas margens do Quebar e em meio h civilizao ocidental, tomando-se as figuras, smbolos e expresses, dos usos, costumes e cenas que ofereciam to variados tempos e lugares. Os escritores bblicos foram plenamente inspirados, porm no de tal modo que resultasse suprfluo o mandamento de esquadrinhar as Escrituras e que se deixasse sem considerao tanta variedade de pessoas, assuntos, pocas e lugares. Estas circunstncias, como natural, influram ainda que no, certamente, na verdade divina expressa na linguagem bblica, porm na prpria linguagem, de que se ocupa a hermenutica e que to necessrio que a compreenda o pregador, intrprete e expositor bblico. 6. Uma breve observao geral a respeito de dita linguagem nos far mais patente ainda a grande necessidade do conhecimento de sadia interpretao para o estudo proveitoso das Escrituras. Certos doutos, por exemplo, que tm vivido sempre "incomunicados" com respeito linguagem bblica, acham tal linguagem chocante ao incompatvel com</p> <p>Hermenutica 6 seu ideal imaginrio de revelao divina, tudo isso pela superabundncia de todo gnero de palavras e expresses figuradas e simb61icas que ocorrem nas Escrituras. Algum conhecimento de hermenutica no s as livraria de tal dificuldade, como as persuadiria de que tal linguagem a divina par excelncia, como a mais cientfica e literria. 7. Um cientista de fama costumava insistir em que seus colaboradores, na ctedra, encarnassem o invisvel, porque, dizia, "tosomente deste modo podemos conceber a existncia do invisvel operando sobre o visvel". Porm esta idia da cincia moderna mais antiga que a prpria Bblia, posta que, em verdade, foi Deus o primeiro que encarnou seus pensamentos invisveis nos objetos visveis do Universo, revelando-se a si mesmo. "Porquanto o que de Deus se pode conhecer . . . Deus lhes manifestou; porque os atributos invisveis de Deus, assim o seu eterno poder como tambm a sua prpria divindade, claramente se reconhecem, desde o princpio do mundo, sendo percebidas por meio das coisas que foram criadas" (Rom. 1:20). Eis aqui, pois, o Universo visvel, tomado como gigantesco dicionrio divino, repleto de inumerveis palavras que so os objetos visveis, vivos e mortos, ativos e passives, expresses simblicas de suas idias invisveis, Nada mais natural, pois, que ao inspirar as Escrituras, se valha de seu prprio dicionrio, levando-nos por meio do visvel ao invisvel, pela encarnao do pensamento, ao prprio pensamento; pelo objetivo ao subjetivo, pelo conhecido e familiar ao desconhecido e espiritual. 8. Porm isto no s foi natural, mas absolutamente necessrio em vista de nossa condio atual, porquanto as palavras exclusivamente espirituais ou abstratas, pouco ou quase nada dizem ao homem natural. Apenas h um fato relacionado com a mente e a verdade espiritual que se possa comunicar com proveito sem lanar mo da linguagem nascida de objetos visveis. Deus tem levado em conta esta nossa condio. No estranhemos, pois, que para elevar-nos concepo possvel do cu se valha de figuras ou semelhanas tomadas das cenas gloriosas da terra;</p> <p>Hermenutica 7 nem de que para elevar-nos concepo possvel de sua prpria pessoa, se sirva do que foi a "coroa" da criao, apresentando-se a ns como ser corporal, semelhante a ns. Folga dizer que para a correta compreenso da verdade, tanto em smbolo e figura pela necessidade humana, se requer meditao e estudo profundo. 9. Porm preciso observar a esta altura que ditas expresses figurativas ou simblicas no se devem meramente natureza da verdade espiritual, maravilhosa relao entre o invisvel e o visvel, mas tambm ao fato de que tal linguagem vem mais a propsito, par ser mais formosa e expressiva. Conduz idias mente com muito mais vivacidade que a descrio prosaica. Encanta e recria a imaginao, ao mesmo tempo que instrui a alma e fixa a verdade na memria, deleitando o corao. Que conceito errneo do que prprio abrigam os que imaginam que a Bblia, para ser revelao divina, deveria estar escrita no estilo da aritmtica ou geometria! No tem Deus, por sua sabedoria, enlouquecido a sabedoria do mundo? Lembremo-nos, pois, em resume, que as Escrituras, tratando de temas que abrangem o cu e a terra, o tempo e a eternidade, o visvel e o invisvel, o material e o espiritual, foram escritas por pessoas de to variada natureza, e em pocas to remotas, em pases to distantes entre si, e em meio a pessoas e costumes to diferentes e em linguagem to simblica, que facilmente se compreender que para a reta inteligncia e compreenso de tudo, nos de suma necessidade todo o conselho e auxlio que nos possa oferecer a hermenutica.PERGUNTAS</p> <p>1. Que a hermenutica? 2. Para onde conduz o ignor-la? 3. Par que existem os falsrios e herticos? 4. Para que nos foi dada a Escritura?</p> <p>Hermenutica 8 5. Que circunstncias, na produo das Escrituras, fazem necessrio o estudo da hermenutica? Por quem, sabre que, em que pocas e lugares foram escritas? De que maneira estas circunstncias requerem conhecimentos hermenuticos? 6. Por que razo certos doutos negam a inspirao divina da Bblia? 7. De que maneira cientfica se revela o invisvel? Qual o plano e o procedimento divinos deste caso? 8. Por que foi necessrio o use de linguagem figurada na Revelao, do ponto de vista humano? 9. Por que outra razo a linguagem bblica vem mais a propsito para a humanidade? 10. Em resumo: Por que de suma importncia o conhecimento hermenutico para a boa compreenso da Bblia? Estude-se a lio e aprenda-se at ao ponto de poder responder segundo as perguntas indicadas, sem auxlio do texto, escrevendo-se a resposta num caderno destinado a esse fim.</p> <p>Hermenutica</p> <p>9</p> <p>DISPOSIES NECESSRIAS PARA O ESTUDO PROVEITOSO DAS ESCRITURASAssim como para apreciar devidamente a poesia se necessita possuir um sentido especial para o belo e potico, e para o estudo da filosofia necessrio um esprito filosfico, assim da maior importncia uma disposio especial para o estudo proveitoso da Sagrada Escritura. Como poder uma pessoa irreverente, inconstante, impaciente e imprudente, estudar e interpretar devidamente um livro to profundo e altamente espiritual como a Bblia? Necessariamente, tal pessoa julgar o seu contedo como o cego as cores. Para o estudo e boa compreenso da Bblia necessita-se, pois, pelo menos, de um esprito respeitoso e d6cil, amante da verdade, paciente no estudo e dotado de prudncia. 1. Necessita-se de um esprito respeitoso porque, par exemplo, um filho desrespeitoso, instvel e frvolo, que caso far dos conselhos, avisos e palavras de seu pai? A Bblia a revelao do Onipotente, o milagre permanente da soberana graa de Deus, d o cdigo divino pelo qual seremos julgados no dia divino, o Testamento selado com o sangue de Cristo. Porm, com tudo isso e ante tal maravilha, o homem irreverente se encontrar como o cego ante as sublimes Alpes da Sua, ou pior ainda; talvez seja como o insensato que joga lama sabre um monumento artstico que admirado par todo o mundo. Eis com que esprito, ao mesmo tempo reverente e humilde, contemplam a Palavra de Deus os primitivos cristos. "Outra razo ainda temos ns diz Paulo para incessantemente dar graas a Deus: que, tendo vs recebido a palavra que de ns ouvistes, que de Deus, acolhestes no como palavras de homens, e, sim, como, em verdade , a palavra de Deus, a qual, com efeito, est operando eficazmente em vs, as que credes." Receba-se assim a Escritura, com todo o respeito. E como diz o Senhor: "O homem para quem olharei este: o aflito e abatido de esprito, e que treme da minha palavra". Estude-se em tal sentimento de humildade e</p> <p>Hermenutica 10 reverncia, e se descobriro, como disse o Salmista, "as maravilhas da tua lei". (I Tes. 2:13; Isa. 66:2; Salmo 119:18.) 2. Necessita-se um esprito dcil para um estudo proveitoso e uma compreenso reta da Escritura, pois, que se aprender em qualquer estudo se falta a docilidade? A pessoa obstinada e teimosa que intenta estudar a Bblia, lhe acontecer o que disse Paulo do "homem natural". "Ora, o homem natural no aceita as coisas do Esprito de Deus porque lhe so loucura; e no pode entend-las porque elas se discernem espiritualmente" (I Car. 2:14). Sacrifiquem-se, pois, as preocupaes, as opinies preconcebidas e idias favoritas e empreenda-se o estudo no esprito de dcil discpulo e tome-se por Mestre a Cristo. Sempre deve ter-se presente que a obscuridade e aparente contradio que se passam encontrar no residem no Mestre, nem em seu infalvel livro de texto, mas no pouco alcance do discpulo. "Mas, se o nosso evangelho diz o apstolo ainda est encoberta, para as que se perdem que est encoberto, nos quais a deus deste sculo cegou os entendimentos dos incrdulos" (2 Cor...</p>