Economia Política - Cap. 10

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Economia Poltica

Captulo 10Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas fiscais 10.2 Determinantes poltico-econmicos dos dfices oramentais 10.3 Episdios recentes de inflao muito alta e hiperinflao 10.4 Aplicaes empricas

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Economia Poltica da Senhoriagem e da InflaoA grande diversidade de taxas de inflao e de rendimentos de senhoriagem verificada entre pases e ao longo do tempo difcil de explicar por razes meramente econmicas.

O aproveitamento do trade-off inflao-desemprego no justifica altas taxas de inflao. A estrutura da economia de um pas e a sua capacidade para cobrar impostos ajuda a explicar o recurso a rendimentos de senhoriagem.

Mas, verificaram-se muitas situaes em que rendimentos de senhoriagem claramente acima do ptimo originaram elevadas taxas de inflao.

Assim, para compreender a diversidade de taxas de inflao registadas torna-se necessrio recorrer a modelos de economia poltica.10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 2

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Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao Taxas Mdias de Inflao (1960-1999)

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Economia Poltica da Senhoriagem e da InflaoTeorias de Inconsistncia Dinmica

Pases cujos governos procuram tirar mais partido do trade-offde curto prazo entre inflao e desemprego tendem a registar taxas de inflao mais altas.

Kydland e Prescott (1977, JPE).

No constituem uma explicao plausvel para hiperinflaes ou para muito altas taxas de inflao:

Os custos da inflao tornam-se muito maiores que os benefcios. De acordo com Cagan (1956), Sargent (1982), Fisher, Sahay e Vgh (2002, JEL), entre outros, a principal causa destes episdios foi a necessidade de os governos recorrerem em larga escala a rendimentos de senhoriagem para financiar as suas despesas.

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Economia Poltica da Senhoriagem e da InflaoEstrutura da economia e impostos ptimos

Caractersticas estruturais de uma economia ajudam a determinar a sua capacidade de gerar receitas fiscais

Chelliah, et al. (1975, IMFSP).

Teoria dos Impostos ptimos (Phelps, 1973, SJE):Os governos agem de forma ptima ao igualar o custo marginal do imposto inflacionrio (senhoriagem) com o dos impostos regulares; Pases onde mais difcil ou custosa a cobrana de impostos regulares recorrem mais a rendimentos de senhoriagem e, consequentemente, tm maiores taxas de inflao. Mas, Cukierman, et al. (1992, AER) no encontram evidncia emprica favorvel teoria dos impostos ptimos. Click (1998, JMCB) conclui que esta s explica parcialmente a variao da utilizao dos rendimentos de senhoriagem entre pases.

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Economia Poltica da Senhoriagem e da InflaoExplicaes de economia poltica

Nos modelos de Alesina e Tabellini (1990, RES) e Tabellini e Alesina (1990, AER), maior instabilidade e polarizao polticas geram maiores dfices oramentais e dvida pblica. Em Cukierman, et al. (1992, AER), instabilidade poltica e polarizao ideolgica determinam a eficincia de equilbrio do sistema fiscal e a combinao resultante entre impostos regulares e rendimentos de senhoriagem. Cukierman, Webb e Neyapti (1992, WBER) mostram que o grau de independncia do banco central tem uma relao inversa com a inflao. Segundo Woo (2003, JPE), procedimentos oramentais mais exigentes e transparentes , independncia do banco central e maior influncia parlamentar no processo oramental podem reduzir a capacidade do governo para aumentar dfices oramentais e rendimentos de senhoriagem.10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 6

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10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficais

Modelo de Cukierman, Edwards e Tabellini (1992, AER)

Faz uma distino clara entre polticas e reformas fiscais:

Poltica fiscal: escolha das taxas de imposto e do nvel e composio das despesas governamentais. Reforma fiscal: reformulao do sistema fiscal, que determina a base fiscal disponvel e a tecnologia de cobrana de impostos.

As reformas fiscais so influenciadas por consideraes de ordem estratgica:

A reforma de um sistema fiscal tem em conta a forma como o mesmo afecta as polticas fiscais de futuros governos.

Se houver instabilidade poltica e polarizao ideolgica, estas consideraes estratgicas podem levar o governo actual a deixar um sistema fiscal ineficaz para o seu sucessor.10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 7

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10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficais

Anlise do modelo

Restries oramentais do governo (1) e do indivduo (2):

Reforma fiscal: escolha da eficincia do sistema fiscal ().

A reforma fiscal s produz efeitos no perodo seguinte. Em (1), pode ser visto como os custos de cobrana de impostos. Em (2), e representam as perdas de utilidade resultantes dos impostos e da senhoriagem.

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Poltica fiscal: escolha das despesas em bens pblicos (g e f), dos impostos () e dos rendimentos de senhoriagem (s).10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 8

10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficais

O poltico i (de tipo L ou R) maximiza:

Para obter HR basta substituir por (1- )

Os polticos s diferem quanto composio desejada das despesas em bens pblicos.

Quanto mais distante estiver de , maior a polarizao ideolgica.

O governo actual tem uma probabilidade de ser substitudo e de (1- ) de permanecer no poder.

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Quanto maior for , maior a instabilidade poltica.10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 9

10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficaisPoltica econmica para um dado sistema fiscal

O poltico maximiza (3) sujeito a (1) e (2). As condies de primeira ordem para o poltico L, com >1/2 e x=g+f, so:

A identidade do governo s importa para a composio da despesa. Um sistema fiscal menos eficiente (menor ) desencoraja a despesa publica, fora o governo a usar mais a senhoriagem e menos os impostos:

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10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficaisA escolha da eficincia do sistema fiscal

O poltico L reeleito com probabilidade 1-. A sua utilidade :

Se no for reeleito (probabilidade ), a sua utilidade :

Assim, o poltico escolhe de forma a maximizar:

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10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficais

O valor de equilbrio de satisfaz a condio de primeira ordem:

Para *>0, a condio satisfeita com igualdade, ou seja os ganhos e os custos marginais de aumentar a ineficincia do sistema fiscal sero iguais. depende negativamente de e de , pelo que o custo marginal de um sistema fiscal ineficaz diminui com a instabilidade poltica e com a polarizao ideolgica.

Assim a eficincia de equilbrio do sistema fiscal, *, uma funo da instabilidade e da polarizao do sistema poltico.

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10.1 Um modelo poltico-econmico de reformas ficais

Implicaes do modelo

Um sistema fiscal menos eficiente desencoraja a despesa pblica, fora o governo a usar mais a senhoriagem e menos os impostos. Se o governo actual tem a certeza de que vai ser eleito, ou no h polarizao, ento ele implementa o sistema fiscal mais eficiente. Quanto menor for a probabilidade de se manter no poder, e maior a polarizao ideolgica, menos eficiente ser o sistema fiscal deixado para os governos futuros.

Desencoraja os futuros governos de cobrarem impostos e os gastarem em bens pblicos que no so valorizados pelo governo actual.

A principal implicao a testar empiricamente que os pases com os sistemas polticos mais instveis e polarizados recorrem mais a rendimentos de senhoriagem do que pases com sistemas mais estveis e homogneos.10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 13

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10.2 Determinantes poltico-econmicos dos dfices oramentais Determinantes econmicos

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Desempenho econmico Optimizao inter-temporal (Barro, 1979, JPE) Teoria dos impostos ptimos (Phelps, 1973, SJE)

Determinantes poltico-econmicosGesto estratgica dos dfices (Persson e Svensson, 1989, QJE; Alesina e Tabellini, 2000, RES). Ciclos poltico-econmicos (Alesina, Cohen e Roubini, 1997). Grau de coeso dos governos (Roubini e Sachs, 1989, EER) Instabilidade poltica (Edwards e Tabellini, 1991, JIMF; Roubini, 1991, JIMF; Woo, 2003, JPE) Polarizao social, distribuio do rendimento e grau de centralizao oramental (Woo, 2003, JPE)10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 14

10.3 Episdios recentes de inflao muito alta e hiperinflao

Fischer, Sahay e Vgh (2002, JEL)

Analisam os episdios de hiperinflao e de inflao muito alta registados aps a publicao do estudo de Phillip Cagan (1956):

Cagan analisou 8 hiperinflaes ocorridas entre 1920 e 1946. Definiu Hiperinflao: taxa de inflao 50% ao ms

Caracterizam os episdios de acordo com a taxa de inflao:

Inflao muito alta: 100% ao ano Inflao alta: entre 50% e 100% ao ano Inflao moderada a alta: entre 25% e 50% ao ano

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Examinam o comportamento da inflao em diferentes intervalos. Examinam a relao entre a taxa de inflao e outras variveis macroeconmicas.10 Economia Poltica da Senhoriagem e da Inflao 15

10.3 Episdios recentes de inflao muito alta e hiperinflao

Concluses

De 1960 a 1996, a inflao foi um fenmeno generalizado. Todas