Estudo de Mercado Embutidos

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INFORMAES DE MERCADO SOBRE SUINOCULTURA(CARNE IN NATURA, EMBUTIDOS E DEFUMADOS)

ESTUDOS DE MERCADO ESPM/SEBRAE

SUMRIO EXECUTIVO

Janeiro de 2008

INFORMAES DE MERCADO - SUINOCULTURA

2008, Sebrae - Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas Adelmir Santana Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Paulo Tarciso Okamotto Diretor - Presidente Luiz Carlos Barboza Diretor Tcnico Carlos Alberto dos Santos Diretor de Administrao e Finanas Luis Celso de Piratininga Figueiredo Presidente Escola Superior de Propaganda e Marketing Francisco Gracioso Conselheiro Associado ESPM Raissa Rossiter Gerente Unidade de Acesso a Mercados Juarez de Paula Gerente Unidade de Atendimento Coletivo Agronegcios e Territrios Especficos Patrcia Mayana Coordenadora Tcnica Laura Gallucci Coordenadora Geral de Estudos ESPM Daniel Carsadale Queiroga Coordenador Carteira de Fruticultura Guilherme Umeda Pesquisador ESPM Laura Gallucci Revisora Tcnica ESPM

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SUMRIOI. 1. 1.1. 1.2. 2. PANORAMA ATUAL DO MERCADO DE SUNOS INTRODUO Coleta de Informaes Histrico RAAS

SUMRIO5 5 5 5 6 6 6 7 7 7 7 8 8 9 9 9 10 10 10 10 11 11 12 13 13 13 14 14 14 15 16 16 16 16 20 20 20 20 20

2.1. Raas por tipo de destinao 2.1.1. Principais raas 3. 4. 4.1. 4.1.1. 4.1.2. 4.2. 4.2.1. 4.2.2. 4.3. 4.4. 4.4.1. 4.4.2. 5. 5.1. 5.1.1. 5.1.2. 5.2. 6. 6.1. 6.2. 6.3. 7. 7.1. 7.2. 7.2.1. 7.3. 7.4. 7.5. 7.5.1. 7.5.2. 7.6. 7.6.1. REGIES BRASILEIRAS DE CRIAO DE SUNOS MERCADO Produo de Carne Suna Origem da Produo Industrial Produo de Embutidos Exportao Exportao de Embutidos (feitos a partir de qualquer tipo de carne) Mercados de Destino Importao Consumo Consumo Per Capita Oferta x Demanda CONSUMIDOR Perfil Pesquisa feita na PB Pesquisa realizada no RS Origem do Consumo PRODUTOS O corte do porco Subprodutos obtidos com a carne suna Embutidos A CADEIA PRODUTIVA Representao de uma Cadeia Produtiva de Suinocultura Sobre a Produo de Sunos Tipo de produo Monitorias Sanitrias Legislao sobre Sunos Polticas Governamentais Cmara Setorial da Cadeia Produtiva de Aves e Sunos Programa Nacional de Sanidade Sudea - PNSS Certificao Carne Orgnica

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7.7. 7.8. 7.8.1. 7.8.2. 8.

Principais Empresas do Setor Projetos do Setor Um Novo Olhar para Carne Suna SEBRAE PREO

21 22 22 22 23 23 25 26 26 26 27 27 27 28 28 28 29 29 29 29 30 31 31 31 32 33 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37

8.1. Sunos in natura e Cortes 8.1.1. Embutidos 9. 9.1. 9.1.1. 9.1.2. 9.1.3. 9.1.4. 9.1.5. 9.1.6. 9.1.7. II. 1. 1.1. 1.1.1. 1.1.2. 1.1.3. 1.1.4. 1.1.5. 1.2. 2. 3. 3.1. 3.2. 3.2.1. 3.2.2. 3.2.3. 3.2.4. 3.2.5. 3.2.6. 3.2.7. 3.2.8. COMUNICAO Introduo: as sete arenas da comunicao Propaganda Tradicional Cadeias de Varejo Mundo do Entretenimento Mundo da Moda Marketing Esportivo Eventos Promocionais Varejo Digital e Internet DIAGNSTICO ANLISE ESTRUTURAL DA INDSTRIA Foras Competitivas Barreiras Entrada de Concorrentes Ameaa de Produtos Substitutos Poder de Barganha dos Fornecedores Poder de Barganha dos Compradores Nvel de Rivalidade entre Concorrentes Complementadores ANLISE PFOA CONSIDERAES FINAIS Tendncias Aes para Minimizar Problemas Identificados Introduo Problemas Relativos Divulgao Problemas Relativos Comercializao Problemas Relativos ao Preo Problemas Relativos Oferta Problemas Relativos Qualidade Problemas Relativos Capacitao dos Produtores Problemas Relativos Exportao

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I. Panorama Atual do Mercado de Sunos

1. INTRODUOEsse Sumrio Executivo apresenta os pontos mais importantes de um amplo estudo, desenvolvido com o propsito de traar um panorama atual sobre o mercado de suinocultura no Brasil. O estudo citado teve como objetivo principal a oferta aos empresrios de micro e pequenos estabelecimentos do setor de suinocultura, de um instrumento de Anlise de Mercado Setorial, obtido por meio de dados secundrios, em mbito regional e nacional, com foco no mercado interno de Suinocultura: Carne in natura, Embutidos e Defumados.

1.1 Coleta de InformaesAs informaes contidas no conjunto de relatrios foram obtidas, primordialmente, por meio de dados secundrios, em mbito regional e nacional, com foco no mercado interno.

1.2 HistricoNo Brasil, foi com o navegador Martim Afonso de Souza, que vieram os primeiros porcos para o litoral paulista (So Vicente/SP) em 1532. Anos depois, no governo de Tom de Souza, chegou Bahia um navio com animais domsticos. Em 1580, havia muitos sunos no Brasil, ao menos em terras hoje paulistas e baianas. As raas existentes em Portugal foram as primeiras introduzidas e criadas entre ns. Do tipo ibrico vieram as raas Alentejana e Transtagana. Do tipo cltico, a Galega, a Bizarra e a Beiroa. Do tipo asitico, a Macau e a China. Cruzaram-se desordenadamente. Mestiaram-se tambm com raas originrias da Espanha, Estados Unidos, Itlia, Inglaterra e Holanda. Houve ainda influncia do meio e da alimentao, alm da mestiagem. Depois, alguns fazendeiros se preocuparam com o melhoramento do porco nacional e atuaram bem nas raas que iam surgindo naturalmente. Porm, somente no incio do sculo XX comeou realmente o melhoramento gentico daquelas raas, atravs da importao de animais das raas Berkshire, Tamworth e LargeBlack, da Inglaterra, e posteriormente das raas Duroc e Poland China. Em 1930/40 chegaram as raas Wessex e Hampshire, em 1950 o Landrace e, na dcada de 60, os Large White. O melhoramento gentico mostrava-se inovador com a entrada dos primeiros animais hbridos da Seghers e PIC, na dcada de 70. O uso do porco na cozinha brasileira data praticamente da poca do descobrimento. Esteve incorporado cozinha mineira desde os primrdios de sua histria. Sabe-se 5

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que dado ao total interesse do colonizador pela atividade mineradora, pouco ou nada sobrava de mo-de-obra para as atividades de plantio ou criao de animais. Isso levou ao uso abundante dos porcos nas Minas Gerais do sculo XVIII, pois para a sua criao bastavam as lavagens, restos de alimentos que acrescentados a outros produtos nativos como bananas e inhames, compunha a rao necessria para a fartura de banha, torresmo, carnes, lingia e lombo. Em se tratando da suinocultura, verifica-se que ela passou por profundas alteraes tecnolgicas nas ltimas dcadas, visando principalmente o aumento de produtividade e reduo dos custos de produo. A suinocultura uma atividade importante para a economia brasileira, pois gera emprego e renda para cerca de 2 milhes de propriedades rurais. O setor fatura mais de R$ 12 bilhes por ano.

2. RAAS 2.1 Raas por tipo de destinaoDentre as vrias raas existentes, pode-se dividi-las entre raas para produo de banha (Lard Type) e raas para a produo de carne (Bacon Type).

2.1.1 Principais raasUma raa em suinocultura constituda a partir de um conjunto de animais com caractersticas semelhantes, adquiridas por influncias naturais e sexualmente transmitidas. Desta forma, alguns escritores dividem as raas existentes no Brasil, como raas estrangeiras e nacionais. As raas nacionais so bem mestias e so utilizadas principalmente para produo de banha ou para serem criadas em laboratrios para o estudo de gentica, nutrio entre outros, o que tambm no as impede de serem criadas para a produo de carne, mas no so as mais aconselhveis. No so difceis de cuidar, e tm diminudo bastante uma vez que a produo de banha deixou de ser economicamente atraente. As principais raas brasileiras so: Canastro, Canastra, Canastrinho, Piau e Nilo Canastra. Quanto a raas estrangeiras, estas so especializadas na produo de carne, com altos investimentos tecnolgicos, principalmente em melhoramento gentico. As principais raas estrangeiras so as seguintes: Berkshire, Wessex, Yorkshire, Landrace, Duroc Jersey, Polland China e Hampshire.

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3. REGIES BRASILEIRAS DE CRIAO DE SUNOSO rebanho suno brasileiro tem a sua maior representao numrica, econmica e tecnolgica na regio Sul. As regies SE e CO tambm se tm destacado na suinocultura brasileira, sobretudo os grandes investimentos que esto sendo implantados em Minas Gerais, Gois, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul de modo especial.Tabela 1 - Rebanho suno por regio geogrfica no Brasil (em n de cabeas e %) - 2006

RegioSul Sudeste Nordeste Centro Oeste Norte TOTAL

N de cabeas15 984 115 6 055 323 7 167 368 4 004 854 1 962 164 35 173 824

%45,4 17,2 20,4 11,4 5,6 100%

EstadosRS, SC, PR MG, ES, RJ, SP. MA, PI, CE, RN, PB, AL, SE, BA, PE MT, MS, GO, DF RO, AC, AM, RR, PA, AP, TO

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenao de Agropecuria, Pesquisa da Pecuria Municipal 2006

Vale ressaltar que a regio NE tem mais cabeas do que a regio Sudeste; no entanto, a tecnologia mais bem desenvolvida e aproveitada na regio Sudeste.

4. MERCADO 4.1 Produo de Carne SunaAtualmente, o Brasil o nico pas da Amrica do Sul que figura entre os 10 maiores produtores de carne suna, sendo que a produo tem se mostrado em crescimento para uso industrial, com previso de mais de 33 milhes de cabeas para 2008 e em declnio para a de subsistncia (queda de 2,6%) ou mais de 4,9 milhes de cabeas. Em relao produo em toneladas, a estimativa de que a produo em 2008 seja de mais de 3 milhes de toneladas, o que representaria um crescimento, em peso, de 3,4% em comparao a 2007. Assim como abordado anteriormente, a tendncia de crescimento, que vem desde 2005, motivada pela produo industrial, j que a de subsistncia apresenta uma queda de mais de 46% entre 2008 e 2002.

4.1.1 Origem da Produo IndustrialA principal regio do Brasil para este segmento a regio Sul, como mostra a figura a seguir. a regio onde o setor mais tem se desenvolvido e est mais

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avanado, sendo o mais representativo nacionalmente. A regio detm 47,1 % (mais de 16 milhes cabeas) do rebanho nacional e responde por mais de 80 % da produo nacional.Figura 1 Suinocultura Industrial

Fonte: Abipecs; Embrapa

Especificamente em relao aos embutidos no foram identificadas informaes em relao ao volume produzido, nem s regies produtoras. Sugere-se que esse estudo seja foco de um levantamento de dados primrios futuramente, conforme interesse do prprio SEBRAE na avaliao e incentivo atividade.

4.1.2 Produo de EmbutidosOs dados mais recentes sobre a produo de embutidos foram encontrados no IBGE, por meio do relatrio PIA Produto 20051, que apresentou um volume de 1.374 mil toneladas, avaliadas em R$5,2 bilhes.

4.2 ExportaoAs exportaes mundiais de carne suna representaram, conforme estimativas de 2006, mais de 4,8 milhes de toneladas, com destaque para Unio Europia, EUA e Canad, cada um deles com mais de 1 milho.

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Pesquisa Industrial 2005 Produto. IBGE. Rio de Janeiro 30/04/2007

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Em relao ao Brasil, as exportaes colocaram o pas como quarto colocado no ranking mundial em 2006, tendo exportado mais de 528 mil toneladas. Em 2007, a exportao estimada foi de 585 mil t., e a previso para 2008 de um crescimento de 3,4%, atingindo 605 mil t.

4.2.1 Exportao de Embutidos (feitos a partir de qualquer tipo de carne)As informaes sobre exportaes de embutidos no esto disponveis por tipo de carne nas fontes de dados secundrios. Dessa forma, com o objetivo de apresentar indcios referentes a essa atividade, ser utilizado levantamento disponvel no MDIC, por meio do site AliceWeb. As informaes disponveis em 31/01/08 referem-se categoria de enchidos, da qual os embutidos fazem parte. O resultado apresentado rene a exportao de embutidos feitos a partir de qualquer tipo de carne que representou, em 2007, mais de US$ 104 milhes ou 105 mil t.

4.2.2 Mercados de DestinoEm 2007, a Rssia foi o principal pas importador de carne suna do Brasil, com um volume superior a 278 mil t, o que equivale a 46% de participao, seguida por Hong Kong (106 mil t) e Ucrnia (54 mil t); na Amrica Latina o principal importador foi a Argentina (29 mil t). O faturamento total gerado com a exportao de carne suna foi de US$667,5 mil. No que se refere aos embutidos, as exportaes dessa categoria de produtos foram de mais de US$104 milhes FOB (tambm em 2007), sendo que 30% foram destinados Venezuela.

4.3 ImportaoAs informaes sobre importao de carne suna pelo Brasil no aparecem de forma consolidada nas fontes de dados secundrios. Portanto, com o objetivo de fornecer uma base sobre os impactos dessa atividade no Brasil, sero utilizados dados do relatrio do MDIC2 para em 2006 e 2007, para importaes de carnes e preparados de carne em geral. Dessa forma, pode-se detectar que o volume importado em 2007 foi de 34 mil t (11% superior a 2006), com despesas da ordem de US$ 120 milhes (valores FOB), quase 40% acima de 2006. Na tentativa de obter dados comparativos para a importao de embutidos (derivados de diversas carnes), obteve-se junto ao site Alice web resultados que2 Relatrio de Importao brasileira. Classificao uniforme para o comrcio internacional jan./dez. 2007 - MDIC- [Sees e captulos da CUCI].

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indicam que essa movimentao, em 2007, foi de 54 t, o que representou US$ 262,6 mil (valores FOB).

4.4 ConsumoA disponibilidade de produto para o consumo de carne suna em 2007 foi estimado em 2,4 milhes de toneladas, representando um crescimento de 2% em relao a 2006. A expectativa para 2008 que seja atingida a marca de 2,5 milhes de t.

4.4.1 Consumo Per CapitaO consumo per capita em 2007 foi estimado em 13,2 kg, com expectativa de crescimento para 2008, atingindo a marca de 13,5 kg.

4.4.2 Oferta x DemandaAs estimativas desenvolvidas pela ABIPECS (Associao Brasileira da Indstria Produtora e Exportadora de Carne Suna) e pela EMBRAPA demonstram a existncia de oferta suficiente de carne suna no mercado nacional, tanto que as campanhas desenvolvidas recentemente vo em direo ao incentivo ao consumo por meio de novos cortes e desmistificao dos riscos sade. Em relao aos embutidos no foi possvel identificar dados concretos que demonstrem essa relao, mas se sabe, pela observao da disponibilidade de produtos nos pontos de venda, que aqueles itens de maior valor agregado (presunto tipo Parma e tipo Serrano) apresentam forte representao de marcas importadas. Alm disso, a demanda por produtos artesanais tem aberto espao para lingias e salsichas diferenciadas.

5. CONSUMIDOROs gastos do consumidor brasileiro com carnes em geral, em 2007, foram de mais de R$100 bilhes, conforme dados obtidos pelo Euromonitor3 junto ao varejo. Esse resultado reafirma uma tendncia crescente no consumo de carnes em geral, tendo crescido a uma taxa mdia mensal de cerca de 12% entre 2002 e 2007. J os gastos com carnes preservadas/enlatadas, conforme critrio do Euromonitor, que inclui os embutidos, representou em 2007 mais de R$568 milhes, baseado nos dados divulgados pelo varejo.

3 Euromonitor International: empresa de consultoria e pesquisa especializada em levantamento de dados s...