ESTUDO DOS RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS DO ?· Arraiolos, Mora, Ponte de Sor, Alter do Chão, Crato…

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    04-Dec-2018

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  • ESTUDO DOS RECURSOS HDRICOS SUBTERRNEOS DO ALENTEJO (ERHSA)- CONTRIBUIO DA UNIVERSIDADE DE VORA

    Antnio CHAMBEL(1) ; Jorge DUQUE(2)

    RESUMO

    O Projecto Estudo dos Recursos Hdricos Subterrneos do Alentejo (ERHSA),coordenado pela Comisso de Coordenao da Regio do Alentejo (CCRA) engloba, na suaelaborao, quatro entidades: a Universidade de vora (UE), o Instituto da gua (IA), oInstituto Geolgico e Mineiro (IGM) e a Direco Regional do Ambiente do Alentejo (DRA -Alentejo). A Universidade de vora e a Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa(FCUL), atravs do seu Departamento de Geologia, desenvolvem trabalho conjunto, nombito de protocolo prprio. Este Projecto envolve o estudo hidrogeolgico de todo oAlentejo e desenvolve-se entre o ltimo trimestre de 1996 e o final de 1999.

    A rea definida exclusivamente para investigao por parte da UE correspondebasicamente s zonas de rochas de porosidade dupla do Macio Hercnico Ibrico, comexcepo das rochas carbonatadas. Engloba-se tambm o estudo de algumas formaessedimentares de cobertura de reduzida espessura que existem nalguns pontos do Alentejo.

    A investigao desenvolvida permite confirmar que as guas subterrneas dasformaes da Zona Sul Portuguesa (ZSP), pelo menos as situadas a norte da Formao deMira, tm mineralizao muito acentuada. Outras reas qualitativamente problemticaspodero ser os limites da bacia do Rio Tejo, a noroeste e norte do Alentejo.

    Tambm os xistos e rochas vulcnicas associadas da Zona de Ossa-Morena (ZOM)apresentam mineralizao mais acentuada do que a generalidade das rochas gneas ou deoutras rochas metamrficas da regio.

    Em relao s rochas com caractersticas gneas mais marcadas, englobando osgnaisses, a mineralizao das guas relativamente diminuta, principalmente quando algumrelevo est presente (caso da regio de Portalegre). Apenas nas zonas mais aplanadas surgem,provavelmente por aumento do tempo de residncia, guas com caractersticas mais salobras(caso dos gnaisses da regio de vora). (1) Hidrogelogo, Assistente do Departamento de Geocincias da Universidade de vora, vora, PortugalDireco do Projecto Estudo dos Recursos Hdricos Subterrneos do Alentejo (ERHSA), pela Universidade devora.(2) Hidrogelogo. Mestre em Geologia Econmica e Aplicada pela FCUL, Coordenao do Projecto Estudo dosRecursos Hdricos Subterrneos do Alentejo (ERHSA), pela Universidade de vora, vora, Portugal.

  • Do ponto de vista quantitativo, foram j identificadas algumas zonas com captaesdebitando caudais significativos para este tipo de rochas (acima de 5 l/s), em reas comalguma extenso e que podero vir a ter um interesse fundamental como reserva estratgica.

    Palavras chave: Projecto ERHSA, Universidade de vora, recursos hdricos subterrneos,rochas cristalinas

  • 1 - INTRODUO

    O Projecto Estudo dos Recursos Hdricos Subterrneos do Alentejo (ERHSA) coordenado e financiado pela Comisso de Coordenao da Regio do Alentejo (CCRA) econta, na sua elaborao, com a presena de quatro entidades: a Universidade de vora (UE),o Instituto da gua (IA), o Instituto Geolgico e Mineiro (IGM) e a Direco Regional doAmbiente do Alentejo (DRA - Alentejo). Atravs de protocolo prprio, a Universidade devora trabalha em conjunto com a Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa (FCUL),atravs do seu Departamento de Geologia.

    2 - OBJECTIVOS DO PROJECTO

    O Projecto envolve o estudo hidrogeolgico de todo o Alentejo e desenvolve-se entre oltimo trimestre de 1996 e o final de 1999.

    O protocolo estabelece a finalidade do estudo, que, por parte da UE/FCUL, poder sersintetizado nalguns pontos essenciais:

    identificar os recursos hdricos subterrneos do Alentejo de uma forma alargada eabrangente, do ponto de vista qualitativo e quantitativo

    testar tcnicas de prospeco, pesquisa e captao de guas subterrneas, utilizandosolues inovadoras para aumento da produtividade das mesmas

    colaborar na resoluo de problemas pontuais relativos aos recursos hdricos subterrneosou s redes de abastecimento de gua

    integrar os conhecimentos relativos ao meio hdrico na sua globalidade, promovendo agesto integrada guas subterrneas/guas superficiais

    calcular os custos associados ao recurso e promover solues mais econmicas, sempreque tal for possvel

    sensibilizar e propiciar formao e informao s entidades locais que trabalham nodomnio da gua no Alentejo

    divulgar os resultados de forma til, e coloc-los disposio de todas as entidades queintervm nos processos de ordenamento do territrio e de gesto dos recursos hdricos

    3 - REAS DE TRABALHO DA UE DENTRO DO PROJECTO

    Atravs do protocolo assinado entre todas as entidades envolvidas no Projecto, foramigualmente definidas as reas de interveno de cada uma. UE coube todo o espaoterritorial do Alentejo, com excepo das formaes carbonatadas de Monforte, Elvas-VilaBoim, Cano-Alandroal e Moura-Ficalho. Ficou igualmente estipulado que a reacorrespondente aos gabros de Beja-Serpa seria objecto de interveno conjunta entre a UE e oIGM.

    A colaborao com a FCUL permitiu que algumas das reas atribudas UE fossemefectivamente estudadas por aquela entidade: trata-se dos casos dos aquferos carbonatados deCastelo de Vide - Marvo e de Viana do Alentejo - Alvito, bem como das reas cobertas pelas

  • rochas sedimentares das bacias de Alvalade, Sines - Santiago do Cacm, do Sado e do Tejo,na parte correspondente ao territrio do Alentejo.

    A rea definida exclusivamente para investigao por parte da UE corresponde s zonasde rochas de porosidade dupla do Macio Hercnico Ibrico, exceptuadas as definidas comoobjectivo das restantes entidades, ou seja, todas as rochas gneas e metamrficas, comexcepo das rochas carbonatadas. Engloba-se tambm o estudo de algumas formaessedimentares de cobertura de reduzida espessura que existem nalguns pontos do Alentejo.

    4 - INVESTIGAO DESENVOLVIDA

    A investigao que decorreu at agora compreende a inventariao de pontos de gua ea sua caracterizao hidroqumica e est a ser efectuada por uma equipa de 12 pessoas.Iniciou-se com o estudo dos recursos hdricos subterrneos de 10 concelhos (figura 1):Portalegre, Alter do Cho, Arraiolos, Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Sines, Santiago doCacm, vora, Ferreira do Alentejo e Beja. O concelho de Mrtola j havia sido objecto deestudo noutro projecto. No incio de 1998 cobrir-se-o aproximadamente dois teros dasuperfcie do Alentejo, e, a meio do mesmo ano, pensa-se cobrir a totalidade da rea.

    Figura 1 - Localizao dos concelhos abrangidos pela primeira fase de estudos

    150000 m 200000 m 250000 m 300000 m

    50000 m

    100000 m

    150000 m

    200000 m

    250000 m Portalegre

    Alter do Cho

    Arraiolos

    Vendas NovasMontemor o Novo

    vora

    Sines Santiagodo Cacm

    Beja

    Mrtola

    Ferreira do Alentejo

  • Os pontos de gua j inventariados correspondem a alguns milhares, cobrindo as reasreferenciadas na figura 2.

    Figura 2 - Projeco de todos os pontos de gua inventariadospela Universidade de vora no mbito do ERHSA

    Aps seleco dos pontos mais favorveis realizao de anlises fsico-qumicas, definidosde acordo com as caractersticas das captaes, distribuio geogrfica, qualidade visvel dagua e das captaes, e com a utilizao que dada gua, foram recolhidas amostras erealizadas as anlises no laboratrio da DRA - Alentejo, em Santo Andr, tal como estavadefinido no protocolo.

    A anlise dos dados hidroqumicos, a apresentar em vrias comunicaes a esteCongresso, permite desde j visualizar a distribuio geral da qualidade da gua consoante aslitologias presentes.

    150000 m 200000 m 250000 m 300000 m

    50000 m

    100000 m

    150000 m

    200000 m

    250000 m

    Pontos de gua inventariados

  • A vertente hidrodinmica deste estudo necessita de maior tempo de investigao e deespecialistas que se encontram neste momento em preparao para realizar esse levantamento.Ser uma das tarefas que ir ocupar todo o ano de 1998 e possivelmente o incio de 1999. Noentanto so j apresentados alguns resultados obtidos a esse nvel.

    5 - CONCLUSO

    A investigao desenvolvida permite desde j confirmar com mais alguns dados osresultados anteriormente obtidos relativos ao concelho de Mrtola: as guas subterrneas dasformaes da Zona Sul Portuguesa (ZSP), pelo menos as situadas a norte da Formao deMira, tm mineralizao muito acentuada, sendo possivelmente uma das situaes que terode ser esclarecidas na ntegra, a fim de verificar se existem, no Baixo Alentejo e no AlentejoLitoral, em toda a ZSP, reas com qualidade e em quantidade suficiente para poder abastecer,pelo menos povoaes de alguma importncia. Porque hoje em dia esses abastecimentosfazem-se muitas vezes independentemente da qualidade, tomando como critrio nico aexistncia de caudais compatveis com as utilizaes.

    Outras reas qualitativamente problemticas podero ser os limites da bacia do RioTejo, a noroeste e norte do Alentejo (concelhos de Vendas Novas, Montemor-o-Novo,Arraiolos, Mora, Ponte de Sor, Alter do Cho, Crato e Avis), onde so registados valores decondutividade elctrica muito elevados.

    Tambm os xistos e rochas vulcnicas associadas da Zona de Ossa-Morena (ZOM)apresentam mineralizao mais acentuada do que a generalidade das rochas gneas ou deoutras rochas metamrficas, como os gnaisses, por exemplo, embora a sua qualidade geralno parea ser to deficiente como a das formaes da ZSP.

    Em relao s rochas com caractersticas gneas mais marcadas, englobando osgnaisses, a mineralizao das guas relativamente diminuta, principalmente quando algumrelevo est presente (caso da regio de Portalegre). Apenas nas zonas mais aplanadas surgem,provavelmente por aumento do tempo de residncia, guas com caractersticas mais salobras(caso dos gnaisses da regio de vora).

    Do ponto de vista quantitativo, foram j identificadas algumas reas com captaesdebitando caudais significativos para este tipo de rochas (acima de 5 l/s), as quais podem vir adesempenhar papel significativo na futura poltica da gesto conjunta guas superficiais-guassubterrneas.

    As aces de sensibilizao j foram iniciadas e tero a sua continuao nos anos de1998 e 1999. Espera-se alertar fundamentalmente os rgos autrquicos para as questes queenvolvem a gua subterrnea, no sentido de uma maior responsabilizao e maiorconhecimento sobre um recurso que, por no estar imediatamente visvel, ainda, apesar demuito requisitado, extremamente difcil de compreender nalguns dos aspectos mais simplespara os especialistas: a gua subterrnea move-se? Como? Qual a quantidade que existe?Quanta poderemos retirar do aqufero? Porque sabe mal? Etc., etc..

    No final do Projecto objectiva-se que exista um esclarecimento a estas e muitas outrasquestes que iro sendo levantadas ao longo do mesmo.

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