FEC - Advento 2014

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    01-Apr-2016

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"Entrar na aventura da procura do encontro"

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  • ADVENTO 2013

    ENTRAR NA AVENTURADA PROCURA DO ENCONTROdEixAR-sE pRocURAR E ENcoNTRAR poR dEUs

    FECcr

    dito

    da

    Foto

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    caire

    ANo A do TEMpo LiTRGico

  • deus est, certamente, no passado porque est nas pegadas que deixou. E est tambm no futuro como

    promessa. Mas o deus concreto, digamos assim, hoje. por isso, os queixumes nunca, nunca, nos ajudam a

    encontrar deus. As queixas de hoje de como o mundo anda brbaro acabam por fazer nascer dentro da igreja desejos de ordem entendidos como pura conservao,

    defesa. No. deus deve ser encontrado no hoje.

    deus manifesta-se numa revelao histrica, no tempo. o tempo inicia os processos, o espao cristaliza-os. deus

    encontra-se no tempo, nos processos em curso. No preciso privilegiar os espaos de poder relativamente aos tempos, mesmo longos, dos processos. devemos

    encaminhar processos, mais que ocupar espaos. deus manifesta-se no tempo e est presente nos processos da Histria. isto faz privilegiar as aes que geram dinmicas

    novas. E exige pacincia, espera.

    Papa Francisco, Entrevista s Revistas Jesutas, Agosto de 2013

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    INTRODUO 3

    I DOMINGO DO ADVENTO 4

    II DOMINGO DO ADVENTO 9

    III DOMINGO DO ADVENTO 13

    IV DOMINGO DO ADVENTO 16

    NDICE

  • ENTRAR NA AVENTURA DA PROCURA DO ENCONTRO | ADVENTO 2013

    3

    deus deve ser encontrado no hoje. Viver no hoje, exige pacincia e espera, exige uma abertura contnua a nascer

    de novo, acolhendo o mistrio da entrega gratuita, de morrer para dar vida. o mistrio da entrega que deus nos

    faz, do seu prprio filho. deus, atravs de Maria, d-nos a Luz. E chama-nos tambm a ns a dar luz, a esperar, a

    procurar a entregar cada dia a vida por esta Misso: fazer brilhar a Luz nas trevas, sermos geradores de Esperana

    nos processos da Histria que nos cabe viver, com a certeza que Ele vem (sempre) ao nosso encontro.

    com o desejo de celebrar esta Esperana, que a FEc, atravs da Rede F e desenvolvimento, lana quatro propostas

    de reflexo para este Advento, ao sabor da liturgia de cada domingo, com quatro diferentes olhares que desafiam a

    sermos geradores destas novas dinmicas, cruzando histrias de londe e de perto, onde o senhor se revela.

    A REDE F E DESENVOLVIMENTO

    A Rede F e desenvolvimento, lanada em setembro de 2009 pela FEc (Fundao F e cooperao, www.fecongd.

    org), tem como objetivo sensibilizar e mobilizar a igreja catlica em portugal para as questes do desenvolvimento

    global. Tirando partido de toda a riqueza e diversidade da ao da igreja local, com o desejo de aprofundar o

    sentido de comunho com a igreja universal, a Rede quer ser um espao de encontro, aprendizagem, partilha e

    participao que reforce a interligao entre a igreja e a sociedade civil.

    A FEC - FUNDAO F E COOPERAO

    A FEc uma organizao No Governamental para o desenvolvimento (oNGd) fundada em 1990 pela conferncia

    Episcopal portuguesa, pela conferncia dos institutos Religiosos de portugal (ciRp) e pela Federao Nacional

    dos institutos Religiosos (FNis). Tem como Misso promover o desenvolvimento humano integral atravs da

    cooperao e solidariedade entre pessoas, comunidades e igrejas. Numa sociedade em constante evoluo e

    mudana, a FEc acredita que cada pessoa pode criar futuro, ser construtora de uma nova plis e protagonista de

    uma sociedade mais justa. para tal, aposta no trabalho em parceria e rede e d prioridade ao acesso Educao e

    sade. promove a igualdade de Gnero, os direitos Humanos e a sustentabilidade Ambiental e desenvolve aes

    de Advocacia junto dos decisores polticos, econmicos, religiosos nacionais e internacionais, em prol da Justia e

    Equidade social. A FEc membro de vrias redes, entre as quais: plataforma portuguesa das oNGd, confederao

    portuguesa de Voluntariado e da cidsE - Aliana internacional das Agncias catlicas para o desenvolvimento. A

    FEc reconhecida pelo Ministrio dos Negcios Estrangeiros portugus e pela Unio Europeia.

    INTRODUO

  • VIGIAI, pARA QUE EsTEJAis pREpARAdos

    MARGARidA ALViMFEc - FUNdAo F E coopERAomargarida.alvim@fecongd.org

    i doMiNGo do AdVENTo

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    I DOMINGO DO ADVENTO

    VIGIAI, PARA QUE ESTEJAIS PREPARADOS

    LITURGIA

    i LEiTURA - is 2, 1-5

    sALMo REspoNsoRiAL - salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

    ii LEiTURA - Rom 13, 11-14

    EVANGELHo - Mt 24, 37-44

    ESTAR DE VIGIA

    A liturgia do 1 domingo de Advento exorta-nos vigilncia. Vigiai, para que estejais preparados. pode parecer

    uma sentena ameaadora, quase um alerta vermelho. de facto, muitas vezes na vida, apenas mudamos

    comportamentos e atitudes depois de grandes sustos ou alertas vermelhos. isso acontece quer na nossa vida

    pessoal (como o deixar de fumar, o decidir ter uma alimentao mais saudvel, o acompanhar mais o estudo

    dos filhos, o estudar mais, o dar mais tempo comunidade.e tantos e tantos exemplos que cada um ter),

    quer na esfera social e poltica, nacional (economizar meios, integrar melhor polticas e sectores), e global (os

    impactos ambientais dos nossos modelos de produo e padres de consumo insustentveis, que vo dando

    origem a polticas verdes). Neste domingo, Jesus relembra-nos a histria de No e do dilvio, e a forma como

    todos os que, distrados, no o ouviram e no entraram na arca, foram arrastados. Esta histria, trazia-me

    memria outras histrias, de barcos e tempestades. As histrias de hoje, de tantos e tantos irmos nossos de

    frica que embarcam desesperados por chegar Europa, guiados pela Esperana de uma vida melhor ou da

    possibilidade de uma Vida. E tantos deles do a sua vida nesse sonho, que os arrasta ao fundo do Mar e no

    estamos no tempo de No, estamos no sculo xxi. Quem que anda distrado? Quem que arrastado?

    onde est No? onde est Jesus?

    Jesus vai nascer de novo e convida-nos uma vez mais a nascer de novo, com Ele, com Nicodemos, com Lzaro,

    com a samaritana, com tantos homens e mulheres nesta Histria da salvao. salvao, disso que se trata.

    senhor, salva-me! grita pedro, quando ao ir ter com Jesus no meio da noite tempestuosa, caminhando sobre

    as guas, se afunda no seu medo. Jesus agarra-o, sobem para a barca e o vento cessou.

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    I DOMINGO DO ADVENTO

    VIGIAI, PARA QUE ESTEJAIS PREPARADOS

    UM APELO NOSSA ATENO AO MUNDO, AO OUTRO, A NS MESMOS

    Estar de vigia uma atitude muito positiva, de cuidar do outro, estar atento. o papa Francisco, desde o incio

    do seu pontificado, desafia-nos a isso mesmo, a sermos cuidadores uns dos outros e da criao. Na sua visita

    a Lampedusa, impelido pela solidariedade com tantos imigrantes que ali chegam ou tentam chegar, apela

    tambm a uma vigilncia.

    Nesta manh quero, luz da Palavra de Deus que escutamos, propor algumas palavras que sejam

    sobretudo uma provocao conscincia de todos, que a todos incitem a reflectir e mudar concretamente

    certas atitudes.() Muitos de ns e neste nmero me incluo tambm eu estamos desorientados,

    j no estamos atentos ao mundo em que vivemos, no cuidamos nem guardamos aquilo que Deus

    criou para todos, e j no somos capazes sequer de nos guardar uns com os outros. E, quando esta

    desorientao atinge as dimenses do mundo, chega-se a tragdias como aquela a que assistimos.

    (Homlia do Papa Francisco em Lampedusa, Missa pelas vtimas dos Naufrgios, 8 de Julho de 2013)

    pois penso que a vigilncia a que Jesus nos chama, esta mesma: estar em permanente estado de ateno aos

    outros, o que implica uma atitude estrutural de discernimento, de nos sabermos parte integrante deste Mundo,

    criados para constantemente o transfigurar: num Mundo mais justo, com polticas solidrias e centradas na

    dignidade de cada pessoa (at todas as pessoas, todas so chamadas e devem entrar na Barca e chegar a Bom

    porto), com relaes fraternas intrinsecamente e essencialmente guiadas pelo Amor. Amor, Justia, Verdade

    trs bons critrios para ir aferindo, no dia-a-dia de casa, famlia, trabalho, sociedade, poltica, o meu/ nosso

    Estado de Vigia pelos irmos e por mim prprio. Este afinar do meu estado de alerta (que passa a no ser

    vermelho, mas verde de estado on, sempre ligado realidade e ao princpio e fim da nossa Vida - um alerta

    ecolgico), a poltica mais verde que poderemos adotar, garantia segura de uma ao transformadora.

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    I DOMINGO DO ADVENTO

    VIGIAI, PARA QUE ESTEJAIS PREPARADOS

    UM APELO A ABRIR HORIZONTES, A NASCER DO NOVO, SALVAO

    Tomar estes critrios, sem a abertura a um horizonte maior que a prpria realidade que alcanamos, levar-nos-ia

    ao grande perigo e tentao de nos valermos a ns mesmos, concentrados na nossa agenda: os nossos planos e

    boas intenes, os nossos programas polticos, as nossas pesquisas cientficas, os nossos padres e indicadores, a

    nossa realidade, o nosso pas. Tudo isto precioso. Mas de nada vale, se o nosso estado de alerta no for tambm

    esta experincia de Abertura a deus ou a uma dimenso que nos transcende; de Abertura aos outros e a cada

    realidade, ao valor intrnseco do ser Humano e da criao. esta abertura que permite a comunho com toda a

    Humanidade. Ao afundar-se, pedro pede ao senhor que o salve. Este o estado da nossa existncia, onde vamos

    ciclicamente caminhando e caindo. A nossa Abertura e Ateno so a forma de nos salvarmos, isto , de irmos

    cada vez mais longe na nossa Felicidade, que s se cumpre plenamente com todas as histrias de salvao.

    Est perto a salvao, diz-nos s. paulo este domingo. Mas que salvao esperamos? Quando vivemos saltando

    de emergncia em emergncia, provavelmente o que constantemente pedimos senhor, salva-me do dilvio, da

    tempestade!... se estivermos atentos, percebemos que os dilvios e tempestades fazem parte da vida e que sempre,

    de uma forma ou de outra, vo aparecer. A questo no est em sermos salvos destas aflies. A questo est (e era

    a questo de No), em estarmos preparados quando a tormenta vier (seja a doena, a crise, a morte). A salvao est

    no saber viver bem tudo o que vai acontecendo. E tambm no saber respeitar e cuidar tudo o que nos confiado.

    A salvao uma Vida, que vem uma vez mais (e sempre!) ao nosso encontro. o senhor Jesus, feito pessoa,

    quer ajudar-nos a nascer de novo, com Ele. Quer ajudar-nos a adotar o seu estilo de vida. Rezo pela nossa

    Abertura e Ateno a este Acontecimento, que vai transfigurando a Histria, tendo no horizonte este Mundo

    que espera este Encontro. para que todos aqueles que se lanam ao mar, procurando a Esperana, encontrem

    respostas e no sejam arrastados. cada um saber que respostas chamado a dar, em que mar chamado a

    navegar, que alertas deve integrar, que espao deve Abrir, para que este Encontro acontea.

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    I DOMINGO DO ADVENTO

    VIGIAI, PARA QUE ESTEJAIS PREPARADOS

    PISTAS PARA REFLExO:

    para medir a minha ateno e abertura aos outros e ao Mundo, ao que a vida traz, fao neste tempo de vigilncia

    um breve exame de conscincia ao fim de cada dia: agradeo a deus o dia que passou, peo a sua luz para

    olhar os acontecimentos que o marcaram, e avaliar a forma como me afetaram, como me abriram aos outros

    e Esperana ou fecharam em mim. Avalio como correu o dia considerando os critrios do Amor Justia

    Verdade. Avalio tambm as notcias que tenha ouvido durante o dia atravs dos meios de comunicao social,

    e agradeo/ entrego/ rezo, deixo-me afetar por esta realidade maior que integro.

  • ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAA, poRQUE o sENHoR EsT coNTiGo

    iR. MARiA MANoEL, acicoNGREGAo dAs EscRAVAs do sAGRAdo coRAo dE JEsUsacimaria@yahoo.es

    ii doMiNGo do AdVENTo

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    II DOMINGO DO ADVENTO

    ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAA, O SENHOR EST CONTIGO

    LITURGIA

    i LEiTURA - Gn 3, 9-15.2

    sALMo REspoNsoRiAL - salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

    ii LEiTURA - Ef 1, 3-6.11-12

    EVANGELHo - Lc 1, 26-38

    MARIA, CONE DA ESPERANA

    Advento, tempo de espera, tempo de esperana ... Mas esperar o qu? Num mundo, numa sociedade, onde a

    razo pretende dar resposta a todas as questes, onde a esperana parece ausente e tudo nos leva a des-esperar,

    ns cristos, somos convidados a esperar; esperar contra toda a esperana.

    Esta espera confiante que nos abre ao futuro, to caractersitca do feminino a mulher que espera, carregando

    no seu ventre, durante nove meses, a criana que vai nascer remete-nos para a figura de Maria, central neste

    segundo domingo de advento.

    como nos diz a Lumen Gentium Ela distingue-se entre aqueles humildes e aqueles pobres do senhor que

    com confiana esperam e recebem por ele a salvao. (Lumen Gentium, 55)

    diante da proposta de deus, Maria, prottipo da esperana, acolhe porque confia e espera. Ao ouvir as palavras

    do Anjo, num primeiro momento, ela perturba-se e interroga-se porque no entende o que est a acontecer. No

    entanto, no se fixa neste primeiro sentimento de perturbao que a assalta; antes, procura escutar e entender,

    com o corao e com a mente, toda a mensagem de deus, com grande humildade e serenidade interior.

    Na realidade, Maria no busca grandes explicaes, no pretende compreender ou controlar os desgnios de

    deus... Mulher da espera silnciosa, do silncio povoado de esperana, com seu sim, Maria d o seu assentimento

    proposta de deus, abrindo-se assim realizao e concretizao da promessa messinica, e permitindo que a

    salvao venha morar em sua/em nossa casa, no nosso mundo. instrumento humilde nas mos de deus, ela

    ensina-nos essa atitude de espera ardente, confiante e ativa do senhor que j chega, e abre-nos ento as portas

    salvao, dando sentido pleno nossa esperana..

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    COM MARIA, TAMBM NS ESPERAMOS

    Quando uma mulher engravida mulher, mas j no s mulher, me. E a esperana qualquer coisa

    como isto. (Papa Francisco, mensagem de tera-feira, dia 29 de outubro na casa de Santa Marta)

    como Maria, cone da esperana, ns cristos e crists, somos hoje convidados(as) a ser, tambm ns, sinais

    de esperana. E, sem dvida alguma, a mulher continua a ser nos nossos dias porta de esperana, numa

    sociedade em que o des-espero e a des-iluso parecem tomar conta.

    Lembro aqui, o exemplo de duas mulheres de esperana que, na sua luta do dia-a-dia, no se deixam vencer

    pelo desnimo, mas esperam e, porque esperam, amam, e porque amam, esperam.

    a) L., mulher dos seus 60 anos, que, desgastada pelo sofrimento da vida, aparenta no entanto, ter muito mais

    idade, talvez uns 70 ... L. luta no seu dia-a-dia, sem perder a esperana e a confiana, para trazer alimento

    para casa. pilar de esperana na famlia, ela a mulher forte a quem toda a gente acorre nas horas difceis.

    Referncia tambm para a comunidade e vizinhos, as portas da sua casa humilde e pequena esto sempre

    abertas at altas horas da noite, para acolher e dar uma palavra de esperana e conforto a quem vem procurar

    consolo. inclusivamente aquele adolescente drogado, que seu vizinho e lhe bate porta s 2h da madrugada

    para pedir um prato de comida porque tem fome e no tem nada para comer. a espera confiada que, porque

    ama, se faz servio alegre...