FELICIDADE CLANDESTINA CLARICE LISPECTOR Professora Margarete

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    17-Apr-2015

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<ul><li> Slide 1 </li> <li> FELICIDADE CLANDESTINA CLARICE LISPECTOR Professora Margarete </li> <li> Slide 2 </li> <li> Vida e obra Clarice Lispector nasceu na Ucrnia em 1925 e morreu no Rio de Janeiro ao 52 anos de idade. Clarice Lispector nasceu na Ucrnia em 1925 e morreu no Rio de Janeiro ao 52 anos de idade. Veio para o Brasil com dois meses de idade. Seus pais eram imigrantes russos. At doze anos viveu em Recife onde estudou at o incio do curso secundrio quando veio para o Rio de Janeiro. Veio para o Brasil com dois meses de idade. Seus pais eram imigrantes russos. At doze anos viveu em Recife onde estudou at o incio do curso secundrio quando veio para o Rio de Janeiro. </li> <li> Slide 3 </li> <li> Enquanto cursava a Faculdade Nacional de Direito, escrevia, hbito que adquirira desde os seus 16 anos. Enquanto cursava a Faculdade Nacional de Direito, escrevia, hbito que adquirira desde os seus 16 anos. Seu primeiro livro Perto do Corao Selvagem publicado no ano em que se formou em Direito, tinha 19 anos e trabalhava na mesma poca como redatora da Agncia Nacional. Seu primeiro livro Perto do Corao Selvagem publicado no ano em que se formou em Direito, tinha 19 anos e trabalhava na mesma poca como redatora da Agncia Nacional. </li> <li> Slide 4 </li> <li> Casa-se com um diplomata e acompanha o marido Europa onde vive por cinco anos. Casa-se com um diplomata e acompanha o marido Europa onde vive por cinco anos. De 1952 a 1960, viveu nos Estados Unidos e dessa data em diante residia no Rio de Janeiro onde faleceu prematuramente em 1977. De 1952 a 1960, viveu nos Estados Unidos e dessa data em diante residia no Rio de Janeiro onde faleceu prematuramente em 1977. Somos criaturas que precisam mergulhar na profundidade para l respirar, como o peixe mergulha na gua para respirar, s que minhas profundidades so no ar da noite. A noite nosso estado latente. E to mida que nascem plantas. Somos criaturas que precisam mergulhar na profundidade para l respirar, como o peixe mergulha na gua para respirar, s que minhas profundidades so no ar da noite. A noite nosso estado latente. E to mida que nascem plantas. </li> <li> Slide 5 </li> <li> Em casas as luzes se apagam para que se ouam mais ntidos os grilos, e para que os gafanhotos andem sobre as folhas quase sem as tocarem, as folhas, as folhas, as folhas, _ na noite a ansiedade suave se transmite este atravs do oco do ar, o vazio um meio de transporte. Em casas as luzes se apagam para que se ouam mais ntidos os grilos, e para que os gafanhotos andem sobre as folhas quase sem as tocarem, as folhas, as folhas, as folhas, _ na noite a ansiedade suave se transmite este atravs do oco do ar, o vazio um meio de transporte. </li> <li> Slide 6 </li> <li> caractersticas Clarice Lispector o principal nome da literatura Modernista de 1945, juntamente com Guimares Rosa. Clarice Lispector o principal nome da literatura Modernista de 1945, juntamente com Guimares Rosa. Seu estilo intimista, introspectivo, vasculha e pesquisa o ser humano buscando entender o que significa estar no mundo, o que se passa no ntimo das pessoas e, principalmente no ntimo da mulher. Seu estilo intimista, introspectivo, vasculha e pesquisa o ser humano buscando entender o que significa estar no mundo, o que se passa no ntimo das pessoas e, principalmente no ntimo da mulher. Ela mesma afirma: no tem pessoas que cosem para fora? Eu coso para dentro. Ela mesma afirma: no tem pessoas que cosem para fora? Eu coso para dentro. </li> <li> Slide 7 </li> <li> Nesse mergulho e nessa busca do ser em oposio ao no-ser, Clarice utiliza o fluxo da conscincia, expresso no linear e s vezes ilgica do monlogo interior. Nesse mergulho e nessa busca do ser em oposio ao no-ser, Clarice utiliza o fluxo da conscincia, expresso no linear e s vezes ilgica do monlogo interior. Seu mundo abstrato e nebuloso como a mente humana que ainda procura um significado para a existncia. Seu mundo abstrato e nebuloso como a mente humana que ainda procura um significado para a existncia. Seus romances so, portanto, predominantemente de ao interna, onde o mundo da realidade concreta apenas entrevisto em lampejos e frestas. Seus romances so, portanto, predominantemente de ao interna, onde o mundo da realidade concreta apenas entrevisto em lampejos e frestas. </li> <li> Slide 8 </li> <li> Para Clarice Lispector o que interessa no o fato em si, mas a repercusso do fato no indivduo. Para Clarice Lispector o que interessa no o fato em si, mas a repercusso do fato no indivduo. A linearidade narrativa, ou seja, a seqncia lgica de comeo, meio e fim perde tambm sua importncia, pois ao desenrolar-se das emoes e reaes das personagens pouco importam as origens ou as concluses. A linearidade narrativa, ou seja, a seqncia lgica de comeo, meio e fim perde tambm sua importncia, pois ao desenrolar-se das emoes e reaes das personagens pouco importam as origens ou as concluses. </li> <li> Slide 9 </li> <li> Resumo dos contos FELICIDADE CLANDESTINA: a narradora descreve a filha de um livreiro. Trata-se de uma menina gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados, com talento para a crueldade. Apesar de ter muitos livros, no l. A narradora, entretanto, adora ler. A menina sardenta ento diz que emprestaria o livro As Reinaes de Narizinho, se a narradora fosse busc-lo na casa. FELICIDADE CLANDESTINA: a narradora descreve a filha de um livreiro. Trata-se de uma menina gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados, com talento para a crueldade. Apesar de ter muitos livros, no l. A narradora, entretanto, adora ler. A menina sardenta ento diz que emprestaria o livro As Reinaes de Narizinho, se a narradora fosse busc-lo na casa. </li> <li> Slide 10 </li> <li> A narradora vai. Mas a dona do livro diz que o emprestou a outra menina. A partir da, diariamente a narradora vai casa da menina, na esperana de conseguir o livro que tanto quer ler, mas sempre h uma desculpa. Um dia, a me da menina de cabelos ruivos percebe a contnua presena da outra menina e vai frente da casa. L descobre a filha que tem: egosta e cruel, pois o livro nunca sara de casa. A narradora o recebe e o usufrui aos poucos, como quem no quer gastar a felicidade. Sua relao com o livro mais parece a de uma mulher com seu amante. A narradora vai. Mas a dona do livro diz que o emprestou a outra menina. A partir da, diariamente a narradora vai casa da menina, na esperana de conseguir o livro que tanto quer ler, mas sempre h uma desculpa. Um dia, a me da menina de cabelos ruivos percebe a contnua presena da outra menina e vai frente da casa. L descobre a filha que tem: egosta e cruel, pois o livro nunca sara de casa. A narradora o recebe e o usufrui aos poucos, como quem no quer gastar a felicidade. Sua relao com o livro mais parece a de uma mulher com seu amante. </li> <li> Slide 11 </li> <li> Miopia Progressiva O narrador conta sobre um menino que usava culos e sobre sua relao com os familiares, que agiam segundo suas falas mais ou menos originais. O narrador conta sobre um menino que usava culos e sobre sua relao com os familiares, que agiam segundo suas falas mais ou menos originais. Iria passar uma semana na casa de uma prima que no tinha filhos. Passou os dias preparando-se, criando expectativas, imaginando o dia inteiro que passaria com ela e o amor inteiro que receberia. Surpreendeu-se, porm, de incio: ela tinha um dente de ouro e o deixou vontade para brincar. A forma de am-lo era deix-lo viver e ele sentiu-se amado, e foi como se a miopia passasse e ele visse claramente o mundo ou a miopia mesmo que o fizesse enxergar. Iria passar uma semana na casa de uma prima que no tinha filhos. Passou os dias preparando-se, criando expectativas, imaginando o dia inteiro que passaria com ela e o amor inteiro que receberia. Surpreendeu-se, porm, de incio: ela tinha um dente de ouro e o deixou vontade para brincar. A forma de am-lo era deix-lo viver e ele sentiu-se amado, e foi como se a miopia passasse e ele visse claramente o mundo ou a miopia mesmo que o fizesse enxergar. </li> <li> Slide 12 </li> <li> Uma amizade sincera O narrador conta a histria de sua amizade com um moo do Piau. Diz do incio entusistico, das longas conversas, da necessidade de contato, que aos poucos se foi esvaindo, pela falta do que dizer. O narrador conta a histria de sua amizade com um moo do Piau. Diz do incio entusistico, das longas conversas, da necessidade de contato, que aos poucos se foi esvaindo, pela falta do que dizer. A famlia do narrador mudou-se, ento ele e o amigo foram morar juntos na casa vaga, mas apesar de unidos, sentiam-se ss. Eram sinceros um com o outro sempre. O amigo teve problemas com a Prefeitura; juntos lutaram pela soluo. Venceram, mas estavam desiludidos. No percebiam que estar era tambm dar. Ento o amigo voltou do Piau e o narrador tirou frias. A famlia do narrador mudou-se, ento ele e o amigo foram morar juntos na casa vaga, mas apesar de unidos, sentiam-se ss. Eram sinceros um com o outro sempre. O amigo teve problemas com a Prefeitura; juntos lutaram pela soluo. Venceram, mas estavam desiludidos. No percebiam que estar era tambm dar. Ento o amigo voltou do Piau e o narrador tirou frias. </li> <li> Slide 13 </li> <li> Restos de carnaval A narradora lembra a expectativa do carnaval, quando tinha oito anos, mesmo dele quase no participando: ficava ao p da porta com um lana- perfume e um saco de confete. No a fantasiavam. Mas houve um carnaval diferente: sobrou papel crepom cor-de-rosa da fantasia da filha da vizinha, que resolveu premiar a menina com as sobras de uma fantasia de rosa. Os preparativos a deixaram tonta de felicidade. No dia do carnaval, cabelos enrolados, fantasia no corpo... S faltava pintar os lbios e o rosto, a me adoeceu. A narradora lembra a expectativa do carnaval, quando tinha oito anos, mesmo dele quase no participando: ficava ao p da porta com um lana- perfume e um saco de confete. No a fantasiavam. Mas houve um carnaval diferente: sobrou papel crepom cor-de-rosa da fantasia da filha da vizinha, que resolveu premiar a menina com as sobras de uma fantasia de rosa. Os preparativos a deixaram tonta de felicidade. No dia do carnaval, cabelos enrolados, fantasia no corpo... S faltava pintar os lbios e o rosto, a me adoeceu. </li> <li> Slide 14 </li> <li> Destino impiedoso! Ela teve que correr farmcia buscar remdio. Correu entre serpentinas e gritos de carnaval. Horas depois, a casa calma, a irm a pintou, mas o encanto havia fugido. Ps-se porta, mas no se animava. At que um menino de uns 12 anos lhe sorriu e jogou confete sobre sua cabea. Sentiu-se reconhecida. Enfim uma rosa. Destino impiedoso! Ela teve que correr farmcia buscar remdio. Correu entre serpentinas e gritos de carnaval. Horas depois, a casa calma, a irm a pintou, mas o encanto havia fugido. Ps-se porta, mas no se animava. At que um menino de uns 12 anos lhe sorriu e jogou confete sobre sua cabea. Sentiu-se reconhecida. Enfim uma rosa. </li> <li> Slide 15 </li> <li> O grande passeio Conta a histria de uma velha: Conta a histria de uma velha: Mocinha (Margarida), que vivia de esmolas no Rio de Janeiro, mas era natural do Maranho. Uma senhora a trouxera para ficar num asilo, mas a abandonou. Dormia agora num quartinho de fundos de uma casa grande. A famlia que a acolheu pouco a percebia, mas depois de um tempo resolveram livrar-se dela e a levaram a Petrpolis, onde morava um dos irmos. No tiveram coragem de lev-la casa do irmo, indicaram o caminho. Mocinha (Margarida), que vivia de esmolas no Rio de Janeiro, mas era natural do Maranho. Uma senhora a trouxera para ficar num asilo, mas a abandonou. Dormia agora num quartinho de fundos de uma casa grande. A famlia que a acolheu pouco a percebia, mas depois de um tempo resolveram livrar-se dela e a levaram a Petrpolis, onde morava um dos irmos. No tiveram coragem de lev-la casa do irmo, indicaram o caminho. </li> <li> Slide 16 </li> <li> O irmo no a quis. (No decorrer desses episdios, sabe-se que a Mocinha passeia por Petrpolis, bebe gua na fonte, escora- se numa rvore e morre. O irmo no a quis. (No decorrer desses episdios, sabe-se que a Mocinha passeia por Petrpolis, bebe gua na fonte, escora- se numa rvore e morre. </li> <li> Slide 17 </li> <li> Perdoando Deus A narradora ia feliz. Sentia-se acariciar Deus. Ia plena e maternal. Ento quase pisou num rato morto e tudo se transformou: apavorou-se, correu. Depois refletiu, quis ser lgica, entender o porqu do contraste. Decepcionava-se com Deus que estragara seu momento sublime com aquela imagem nojenta. A narradora ia feliz. Sentia-se acariciar Deus. Ia plena e maternal. Ento quase pisou num rato morto e tudo se transformou: apavorou-se, correu. Depois refletiu, quis ser lgica, entender o porqu do contraste. Decepcionava-se com Deus que estragara seu momento sublime com aquela imagem nojenta. </li> <li> Slide 18 </li> <li> Depois refletindo-se sobre si e sua vida, seus talvez e suas certezas, percebe que inventou Deus como ser contrrio a ela. Ento percebe que se ela no quiser a si mesma, a vida no far sentido e enquanto eu inventar Deus, Ele no existe. Depois refletindo-se sobre si e sua vida, seus talvez e suas certezas, percebe que inventou Deus como ser contrrio a ela. Ento percebe que se ela no quiser a si mesma, a vida no far sentido e enquanto eu inventar Deus, Ele no existe. </li> <li> Slide 19 </li> <li> Come, meu filho Relata a conversa de uma criana, Paulinho, com o pai ou me, na hora da refeio. Paulinho relata suas experincias, sua forma de ver o mundo, prolixo. O adulto sucinto e objetivo e quer que o filho coma e no fale. Relata a conversa de uma criana, Paulinho, com o pai ou me, na hora da refeio. Paulinho relata suas experincias, sua forma de ver o mundo, prolixo. O adulto sucinto e objetivo e quer que o filho coma e no fale. </li> <li> Slide 20 </li> <li> tentao uma cena lrica. A menina ruiva com soluo sentada nos degraus de sua casa em frente rua. Ningum passava. Sol. A menina segurava uma bolsa velha com a ala partida. Ento se aproximou sua outra metade: da esquina vinha um co basset ruivo, acompanhando uma senhora. O co estanca. Ambos se olham, se querem, se perdem, se identificam como se cada um fosse a metade de um inteiro. uma cena lrica. A menina ruiva com soluo sentada nos degraus de sua casa em frente rua. Ningum passava. Sol. A menina segurava uma bolsa velha com a ala partida. Ento se aproximou sua outra metade: da esquina vinha um co basset ruivo, acompanhando uma senhora. O co estanca. Ambos se olham, se querem, se perdem, se identificam como se cada um fosse a metade de um inteiro. </li> <li> Slide 21 </li> <li> Entregues ao fascnio do reconhecimento. Mas ambos eram comprometidos: ela com sua infncia impossvel, ele, com sua natureza aprisionada. o basset ruivo finalmente saiu sonmbulo, sem voltar-se para a menina vermelha, que o acompanhou com os olhos at dobrar a esquina. Entregues ao fascnio do reconhecimento. Mas ambos eram comprometidos: ela...</li></ul>