Fichamento do Livro - Hermenêutica - Robert Palmer

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    15-Feb-2015

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<p>Introduo (pp. 13 22). Sobre a definio, mbito e significado da hermenutica. Primeira Parte. PALMER, Richard E. Hermenutica. Traduo de Maria Lusa Ribeiro Ferreira. Lisboa: Edies 70, 2006. Hermenutica uma palavra que cada vez mais se ouve nos crculos teolgicos, filosficos e mesmo literrios (p.15). Mas o termo no uma palavra usual quer na filosofia quer na crtica literria; e mesmo em teologia o seu uso aparece muitas vezes num sentido restrito que contrasta com seu uso largamente feito na nova hermenutica teolgica contempornea. Da colocar-se frequentemente a questo: que </p> <p>hermenutica? O Webster Third New International Dictionary define-a como: o estudo dos princpios metodolgicos de interpretao e de explicao; hermeutica especfica: o estudo dos princpios gerais de interpretao bblica . (p.16). ... no h por enquanto em ingls nenhum tratamento completo de hermenutica enquanto disciplina geral, no teleolgica (p.16). O presente trabalho pretende ir ao encontro desta necessidade. Dar-se- ao leitor uma ideia da fluidez da hermenutica e dos problemas complexos que se ligam sua definio (p.16). ... o objetivo de explorar a hermenutica subordina -se neste livro a uma outra finalidade: delinear a matriz das razes no mbito dos quais os tericos literrios americanos podero significativamente retomar a questo da interpretao, num nvel filosfico anterior a todas as consideraes de aplicao a tcnicas de anlise literria (p.16). ... a finalidade deste livro apelar para que a interpretao literria americana reexplore num contexto fenomenolgico a pergunta: o que interpretao? Por fim, este estudo aponta uma orientao especfica para o problema: a abordagem fenomenolgica. V na hermenutica fenomenolgica, contra outras formas, o contexto mais adequado para a questo a ser explorada (pp. 16-17). A percepo que cada um tem da obra considerada separadamente da1</p> <p>prpria obra, e a interpretao literria tem como tarefa falar da ... a obra em si mesma com os seus prprios poderes e a sua dinmica (p.17). A fenomenologia uma orientao do pensamento europeu que submeteu as concepes realistas da percepo e da interpretao a uma crtica radical (p.17). O texto de uma obra literria tende a ser encarado como um objeto um . O texto analisado numa total separao relativamente a qualquer sujeito percepcionante, e a considerada como sendo virtualmente sinnima de (p.18). Mesmo a recente aproximao com a crtica social, numa espcie de formalismo iluminado, apenas alarga a definio de objeto, incluindo na anlise o seu contexto social (p.18). Esquecemos que a obra literria no um objeto manipulvel,</p> <p>completamente nossa disposio; uma voz humana que vem do passado, uma voz qual temos de certo modo que dar vida. O dilogo, e no a dissecao, abre o universo da obra literria (p.18). Contudo, as obras literrias sero consideradas mais perfeitamente no enquanto objetos de anlise, mas como textos que falam, criados por seres humanos (p.19). A tarefa da interpretao e o significado da compreenso so diferentes (uma mais indefinvel, outra mais histrica) no que respeita a uma obra e no que respeita a um . Um sempre selado com um toque humano; a prpria palavra o sugere, porque uma obra sempre a obra de um homem ou de Deus. Por outro lado, um pode ser uma obra ou um objeto natural (p.19). A crtica literria precisa de procurar um ou especificamente adequados decifrao da marca humana numa obra, ao seu . Este processo de , esta</p> <p> do significado de uma obra, o ponto central da hermenutica. A hermenutica o estudo da compreenso, essencialmente a tarefa de compreender textos. As cincias da natureza tm mtodos para compreender objetos naturais; as precisam de uma hermenutica,2</p> <p>de uma da compreenso adequada a obras enquanto obras. (p.19). O campo da hermenutica nasceu como esforo para descrever estes ltimos modos de compreenso, mais especificamente e, (p.19). ... A hermenutica chega sua dimenso mais autntica quando deixa de ser um conjunto de artifcios e de tcnicas de explicao de texto e quando tenta ver o problema hermenutico dentro do horizonte de uma avaliao geral da prpria interpretao. Deste modo, implica dois plos de ateno, diferentes e inter atuantes: 1) o fato de compreender um texto; 2) a questo mais englobante do que compreender e interpretar. (pp.19-20). Um dos elementos essenciais para uma teoria hermenutica adequada e, consequentemente, para um teoria adequada da interpretao literria, uma concepo da prpria interpretao suficientemente lata... O cientista chama a anlise que faz dos dados; o crtico literrio chama interpretao a anlise que faz de uma obra (p.20). A interpretao , portanto, talvez, o ato essencial do pensamento humano, na verdade, o prprio fato de existir pode ser considerado como um processo constante de interpretao (p.20). claro que h uma interpretao constante a muitos nveis lingusticos, tecidos pela convivncia humana. Joaquim Wach diz-nos que podemos conceber a existncia humana sem linguagem, mas no a podemos conceber sem uma compreenso mtua de um homem para outro ou seja, no a podemos conceber sem interpretao. No entanto, a existncia humana tal como a conhecemos implica sempre a linguagem e, assim, qualquer teoria sobre interpretao humana tem que lidar com o fenmeno da linguagem (p.20). A linguagem molda a viso do homem e o seu pensamento prpria viso que tem da realidade moldada pela linguagem (p.21). A interpretao , portanto, um fenmeno complexo e universal (p.21). A compreenso simultaneamente um fenmeno epistemolgico e ontolgico (p.21).3</p> <p>simultaneamente a concepo que ele tem de si mesmo e do seu mundo... A</p> <p>... compreender uma obra literria no uma espcie de conhecimento cientfico que foge da existncia para um mundo de conceitos; um encontro histrico que apela para a experincia pessoal de quem est no mundo (p.21). A hermenutica o estudo deste ltimo tipo de conhecimento. Pretende juntar duas reas da teoria da compreenso: o tema daquilo que est envolvido no fato de compreender um texto e o tema do que a prpria compreenso, no seu sentido mais fundante e (p.21).</p> <p>Hermeneuein e Hermeneia (pp. 23 41). Sobre a definio, mbito e significado da hermenutica. Primeira Parte. PALMER, Richard E. Hermenutica. Traduo de Maria Lusa Ribeiro Ferreira. Lisboa: Edies 70, 2006. As razes da palavra hermenutica residem no verbo grego hermeneuein, usualmente traduzido por , e no substantivo hermeneia, (p.23).4</p> <p>As vrias formas da palavra sugerem o processo de trazer uma situao ou uma coisa, da inteligibilidade compreenso (p.24). Assim, levada at a raiz grega mais antiga, a origem das atuais palavras e sugere o processo de , especialmente enquanto tal processo envolve a linguagem, visto ser a linguagem o meio por excelncia neste processo (p.24). Este processo de tornar compreensvel ... est implcito nas trs vertent es bsicas patentes no significado de hermeneuein e hermeneia, no seu antigo uso. As trs orientaes, usando a forma verbal (hermneein) para fins exemplificativos, significam: 1) exprimir em voz alta, ou seja, ; 2) explicar, como quando se explica uma situao, e 3) traduzir, como na traduo de uma lngua estrangeira. (p.24). Os trs significados podem ser expressos pelo verbo portugus</p> <p>, e no entanto, cada um representa um sentido independente e relevante do termo interpretao. A interpretao pode, pois, referir-se a trs usos bastante diferentes: uma recitao oral, uma explicao racional e uma traduo de outra lngua (pp.24-25). A tarefa da interpretao dever ser tornar algo que pouco familiar, distante e obscuro em algo real, prximo e inteligvel (p.25). Examinemos, pois, cada um deles no que se respeita ao seu significado na interpretao literria e teleolgica (p.25). A primeira orientao fundamental do sentido de hermeneuein , ou (p.25). Ainda dentro desta primeira orientao significativa, h um matiz vagamente diferente, sugerido pela frase , que ainda mantm um sentido de , mas que um dizer que em si prprio interpretao. Por esta razo, somos orientados pelo modo como uma coisa se exprime o , de uma . Usamos este cambiante da palavra quando nos referimos interpretao que um artista faz de uma cano ou que um maestro faz de uma sinfonia. Neste sentido, a interpretao uma forma de dizer (p.26). Os poderes da linguagem falada deveriam recordar-nos um importante fenmeno: a franqueza da linguagem escrita. A linguagem escrita no tem a5</p> <p> primordial da palavra falada (p.26). A interpretao oral no uma resposta passiva aos signos no papel, maneira de um fongrafo que toca um disco; um tema criativo, uma , semelhante de um pianista que interpreta uma pea musical (p.27). ... Aquele que reproduz tem de chegar ao sentido das palavras, de modo a exprimir, mesmo que seja uma s frase. Mas como se passa essa misteriosa apreenso de sentido? O processo um paradoxo confuso: para lermos algo torna-se necessrio compreender previamente o que vai ser dito e, porm, esta compreenso dever vir da leitura (p.27). ... a interpretao oral tem duas vertentes: necessrio compreender algo para o podermos exprimir e, no entanto, a prpria compreenso vem a partir de uma leitura-expresso interpretativa (p.27). ... o leitor fornece a de acordo com a sua compreenso do texto. A tarefa da interpretao oral no de modo algum uma mera tcnica que exprima um sentido totalmente copiado; uma tarefa filosfica e analtica e nunca pode divorciar-se do problema da compreenso, especialmente o da compreenso da linguagem, intrnseco a toda a . este problema que constitui o tema da hermenutica (p.28). Tomemos isto como princpio: Toda a leitura silenciosa de u m texto literrio uma forma disfarada de interpretao oral. E os princpios de compreenso que se aplicam numa boa interpretao oral tambm se aplicam interpretao literria como um todo (p.28). A esta luz, a Nova Crtica sem dvida que concorda ria que uma crtica verdadeira, , a que se orienta para uma leitura oral mais adequada do prprio texto, de modo a que o texto possa existir outra vez como um acontecimento significativo no tempo, um ser que irradie pela sua verdadeira natureza e integridade (p.29). A interpretao oral ajuda a crtica literria a lembrar-se da sua inteno secreta, quando considera (de um modo mais consciente) a definio da de uma obra, no como uma coisa esttica e conceitual, no coo uma atemporal que se coisificou enquanto conceito expresso por palavras, mas antes como uma existncia que realiza o seu6</p> <p>poder de existir enquanto acontecimento oral no tempo (p.29). A palavra tem que deixar de ser palavra e tornar-se ; a existncia de uma obra literria uma que acontece enquanto oral (p.29). A linguagem bblica atua de um modo totalmente diferente de um manual de construo ou de uma folha informativa; uma palavra significativa aponta para uma utilizao da linguagem diferente da que se encontra na Bblia. Apela para a faculdade racional e no para a personalidade no seu todo; para compreendermos uma informao no temos que recorrer nossa experincia pessoal nem que tomar qualquer risco e a informao no muito afetada por uma leitura silenciosa. Mas a Bblia no informao; uma mensagem, uma , e susposto l-la em voz alta e ouvi-la. No um conjunto de princpios cientficos. uma realidade de uma ordem diferente da verdade cientfica. uma realidade que deve ser compreendida como um relato histrico, um acontecimento para ser ouvido (pp. 29 - 30). Os processos interpretativos adequados cincia, so diferentes dos processos interpretativos adequados aos acontecimentos histricos, ou dos acontecimentos que a teologia e a literatura pretendem compreender (p.30).</p> <p>Seis definies modernas de Hermenutica (pp. 43 54). Sobre a definio, mbito e significado da hermenutica. Primeira Parte. PALMER, Richard E. Hermenutica. Traduo de Maria Lusa Ribeiro Ferreira. Lisboa: Edies 70, 2006. Porque evoluiu nos tempos modernos, o campo da hermenutica tem sido definido pelo menos de seis maneiras diferentes ... como: 1) uma teoria da exegese bblica; 2) uma metodologia filosfica geral; 3) uma cincia de toda a7</p> <p>compreenso</p> <p>lingustica; 5)</p> <p>4) uma</p> <p>uma</p> <p>base da</p> <p>metodolgica existncia e</p> <p>dos da</p> <p>Geisteswissenschaften;</p> <p>fenomenologia</p> <p>compreenso existencial; 6) sistemas de interpretao, simultaneamente recolectivos e iconoclsticos, utilizados pelo homem para alcanar o significado subjacente aos mitos e smbolos (p.43). ... cada uma delas indica um importante ou uma abordagem ao problema da interpretao. Podiam ser chamas de nfase bblico, filolgico, cientfico, Geisteswissenschaften, existencial e cultural. Cada uma representa essencialmente um ponto de vista a partir do qual a hermenutica encarada; cada uma esclarece aspectos diferentes mas igualmente legtimos do ato da interpretao, especialmente da interpretao de textos (pp.43-44). Hermenutica como teoria da exegese Bblica. O significado mais antigo e talvez ainda o mais difundido da palavra refere-se aos princpios de interpretao bblica. H uma justificao histrica para essa definio, visto que, a palavra encontrou seu uso atual precisamente quando surge a necessidade de regras para uma exegese adequada das escrituras (p.44). ... a hermenutica se diferencia da exegese enquanto metodologia da interpretao. A distino entre o comentrio real (exegese) e as regras, mtodos ou teoria que o orientam (hermenutica) data desta utilizao primitiva e permanece fundamental para uma distino da hermen~eutica, quer na teologia quer, quando a definio foi ulteriormente alargada, relativamente literatura no bblica (p.44). ... no seu uso em ingls, a palavra pode referir-se a uma interpretao no bblica, mas nesses casos, o texto de um modo geral obscuro e simblico, requerendo um tipo especial de interpretao para que se alcance o seu significado escondido (p.44). Existe uma relao de hermenutica importante entre o Novo e o Antigo Testamento pois Jesus explica-se a si prprio aos Judeus, em termos de profecia bblica (p.45). Sem entrarmos em por menores, ser interessante notar a tendncia geral da hermenutica bblica de confiar num sistema de interpretao a partir do qual as passagens individuais possam ser interpretadas (p.46).8</p> <p>O texto no interpretado em si mesmo; de fato, pode ser que isto seja um ideal impossvel... Nesse sentido, a hermenutica o sistema que o intrprete tem para encontrar o significado oculto no texto (p.46). ... h sempre a questo de saber se a hermenutica inclu i uma teorizao explcita regras de exegese nitidamente expressas ou uma teoria no formulada, implcita da exegese, revelada atravs de uma prtica (p.46). A Hermenutica como metodologia filolgica. O desenvolvimento do racionalismo e, concomitantemente, o advento da filologia clssica no sculo dezoito teve um efeito profundo na hermenutica bblica. Surgiu ento o mtodo histrico-crtico da teologia (p.48). Tanto a escola de interpretao bblica como a , afirmavam que os mtodos interpretativos aplicados Bblia, eram precisamente os que se aplicavam a outras obras (p.48). Com o aparecimento do racionalismo, os intrpretes sentiram -se obrigados a...</p>