Foretold conto vampire academy richelle mead

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    06-Mar-2016

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    Voc j foi tentado a olhar para o futuro? Desafiar previses? Questionar

    o destino?

    da natureza humana se perguntar sobre reviravoltas da vida. Mas o

    futuro j est escrito, ou voc tem o poder de alterar isso?

    De profecias fantsticas para previses de como o futuro vai acontecer,

    Foretold uma coleo de histrias sobre o nosso fascnio universal com

    desconhecidos da vida e do que ainda est por vir, como interpretado por 14

    das estrelas mais brilhantes de fico infanto - juvenil.

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    Eu no esperava voltar para a Rssia to cedo. Com certeza no queria

    isso.

    No que eu tivesse algo contra aquele lugar. Era um pas muito

    agradvel, com uma arquitetura que parecia com arco-ris multicolorido e uma

    vodka que poderia servir como combustvel para foguetes. Eu gostava destas

    coisas. Meu problema era que da ltima vez que estive aqui, fiquei muito

    prxima da morte (em muitas ocasies) e terminei sendo dopada e sequestrada

    por vampiros. E isso o suficiente para no se querer voltar para qualquer

    lugar.

    Mesmo assim, quando meu avio comeou a sobrevoar Moscou, eu

    soube que voltar aqui, definitivamente, tinha sido a coisa certa.

    Voc est vendo aquilo, Rose? Dimitri apontou pelo vidro da janela

    e, embora eu no pudesse ver o seu rosto, pude perceber como ele estava

    admirado. St. Basil.

    Eu me debrucei sobre ele, mas consegui ver apenas o vislumbre da

    famosa catedral multicolorida que parecia mais com algo que voc encontraria

    no Mundo dos Doces, e no o Kremlin. Para mim, era mais um ponto turstico,

    mas eu sabia que para ele, isso significava muito mais. Era o seu regresso para

    casa, um lugar que ele no acreditava que veria novamente sob a luz do sol,

    muito menos por meio de olhos vivos. Aqueles prdios, aquelas cidades no

    eram apenas belos cartes postais. No para ele. Eles representavam mais do

    que isso. Era a sua segunda chance de vida.

    Sorrindo, eu encostei em minha poltrona. Eu tinha pouco espao, mas

    no podia ser mais desconfortvel para mim do que era para ele. Foi cruel

    colocar um homem de quase dois metros de altura sentado perto de uma janela

    de avio, mas ele no se queixou nenhuma vez. Nunca.

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    Pena que no ficaremos muito tempo aqui, eu falei. Moscou era

    apenas uma pequena parada para ns. Vamos ter que nos limitar a ver as

    coisas tpicas da Sibria. Voc sabe, tundra1. Ursos polares.

    Dimitri se voltou novamente para a janela, eu esperava castig-lo com

    mais uma piada sobre os esteretipos da sua terra, mas em vez disso, eu podia

    dizer, pela sua expresso, que ele no ouviu mais nada do que eu disse depois

    de Sibria. A luz da manh ressaltou os traos esculturais de seu rosto e

    iluminou os seus lisos cabelos castanhos. Nada podia ser comparado ao brilho

    que irradiava dele.

    Faz muito tempo, desde que eu estive em Baia, ele murmurou seus

    olhos escuros se perdendo em memrias. Faz muito tempo desde que eu os

    vi. Voc acha... Ele olhou para mim, pela primeira vez com um vislumbre de

    nervosismo. Eu tinha o observado durante toda a viagem. Voc acha que eles

    vo ficar felizes em me ver?

    Eu apertei a sua mo e senti um pequeno aperto em meu peito. No era

    normal ver Dimitri inseguro sobre qualquer coisa. Eu poderia contar nos dedos

    da minha mo as vezes que eu testemunhei ele realmente vulnervel. Desde

    que nos conhecemos, ele se destacou como a pessoa mais decidida e confiante

    que eu j vi. Ele sempre estava em movimento, nunca aparentando ter medo

    diante de uma ameaa, mesmo que isso significasse arriscar a sua vida. Por

    exemplo, se algum monstro sanguinrio surgisse agora mesmo na cabine do

    avio, Dimitri seria o primeiro a atac-lo calmamente, armado apenas com o seu

    carto de embarque. Impossveis combates no eram problema algum para ele.

    Mas reencontrar sua famlia, depois de ser um vampiro morto-vivo? Sim, isso

    lhe assustava.

    claro que eles vo ficar felizes, eu lhe assegurei, me maravilhando

    com as mudanas que ocorreram em nosso relacionamento. No comeo, eu era

    apenas uma aluna, precisando conquistar a sua confiana. Ento, eu me formei,

    tornando sua companheira e sua semelhante. Eles sabem que estamos

    chegando. Inferno, voc deveria ter visto a festa que eles fizeram quando 1 O termo Tundra deriva da palavra finlandesa Tunturia, que significa plancie sem rvores. o bioma

    mais frio da Terra.

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    pensaram que voc estava morto, Camarada. Imagine como ser quando

    constatarem que voc est mesmo vivo.

    Ele deu um de seus raros sorrisos, aquele que me fazia aquecer por

    dentro. Vamos esperar por isso, ele disse voltando a olhar para a janela.

    Vamos esperar por isso.

    As nicas paisagens que vimos de Moscou foi quando estvamos dentro

    do aeroporto, enquanto espervamos para pegar nosso voo para Omsk, uma

    cidade de porte mdio da Sibria. De l, ns locamos um carro e seguimos a

    viagem por terra no havia voo para onde estvamos indo. Era um belo

    caminho, uma terra cheia de vida e muito verde, provando que as minhas

    piadas sobre tundra estavam erradas. O humor de Dimitri oscilou entre a

    nostalgia e a ansiedade, enquanto viajvamos. Eu mesma me vi inquieta para

    chegar logo ao nosso destino. Quanto mais cedo chegssemos, mais cedo ele

    veria que no havia nada com que se preocupar.

    A viagem entre Omsk e Baia durou menos de um dia. Baia parecia muito

    mais bonita do que eu tinha visto na ltima vez que eu estive aqui. A cidade

    tinha uma quantidade razovel de pessoas, o suficiente para no se esbarrar em

    ningum por acidente. Se voc encontrar algum em Baia, porque realmente

    havia um motivo. Talvez por isso, tinha um grande nmero de dhampirs

    vivendo aqui. Como eu e Dimitri, estes dhampirs eram seres metade humanos e

    metade vampiros. Mas, ao contrrio de mim e de Dimitri, estes dhampirs

    escolheram viver separados dos Morois vampiros usurios da magia em vez

    disso, se misturando entre a sociedade humana. Eu e Dimitri ramos guardies

    comprometidos para guardar os Morois dos Strigois: perversos vampiros

    mortos-vivos que os matam para manter a sua existncia imortal.

    Os dias eram mais longos nessa poca do vero e a noite estava

    comeando a cair quando chegamos casa da famlia de Dimitri. Strigois

    raramente se aventuravam entrar em Baia, mas gostavam de ficar pelos

    arredores da cidade, perseguindo quem passava pelas estradas. Os raios solares

    fugazes garantiam a nossa segurana e davam a Dimitri uma boa viso da casa.

    Desligando o carro, ele encostou-se por um tempo, contemplando a antiga

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    construo de dois andares. Os raios vermelhos e dourados a banhavam dando-

    lhe uma aparncia de algo de outro planeta. Eu me inclinei e beijei a sua

    bochecha.

    Hora do show, Camarada. Eles esto lhe aguardando.

    Ele permaneceu sentado por alguns momentos, em silncio. Ento, deu

    um firme aceno com a cabea, colocando no rosto a mesma expresso que eu o

    tinha visto usar quando estava em combate. Ns samos do carro e, mal

    havamos chegado no meio do quintal, quando a porta da frente abriu com um

    rompante. Uma luz clareou a escurido e a silhueta de uma jovem mulher

    surgiu.

    Dimka!

    Se um Strigoi tivesse saltado para fora da casa e atacado, Dimitri teria

    respondido imediatamente. Mas ao ver sua irm caula, seus incrveis reflexos

    foram surpreendidos, e a ele s restou ficar parado enquanto Victoria lanava

    os braos em volta dele e despejava palavras em russo, to rpido que eu nem

    ousei tentar acompanhar.

    Dimitri levou alguns momentos para se recuperar do choque, mas logo

    devolveu ferozmente o seu abrao, respondendo-lhe de volta em russo. Eu

    fiquei ali, sem jeito, at Victoria me notar. Com um grito de alegria, ela correu e

    meu deu um abrao to forte quanto o que tinha dado em seu irmo. Eu

    admito. Eu estava quase to chocada quanto ele. No passado, quando eu e

    Victoria nos separamos, no foi muito amigvel. Eu tinha deixado claro que no

    concordava com um envolvimento que ela tinha com um certo cara Moroi. Ela

    se fez igualmente clara que no gostou da minha intromisso. Parecia que agora

    estava tudo esquecido, e embora eu no conseguisse entender uma palavra do

    que ela falava, eu tive a impresso que ela estava grata por eu ter trazido

    Dimitri de volta para ela.

    A chegada exuberante de Victoria foi seguida por toda famlia Belikov.

    As outras duas irms de Dimitri, Karolina e Sonya, juntaram-se a Victoria

    abraando a mim e a ele. A me deles veio logo atrs. O russo soava rpido e

    furioso. Normalmente, uma reunio como esta, na porta de casa, me faria rolar

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    os olhos, mas eu terminei me rasgando em lgrimas. Aquilo tudo era demais

    para Dimitri. Era demais para todos ns. Eu acho que nenhum de ns esperava

    compartilhar um momento como este.

    Depois disto, a me de Dimitri, Olena, tentava se recuperar, sorrindo,

    enquanto enxugava as lgrimas dos olhos. Entrem, entrem, ela falou,

    lembrando que eu no entendia russo muito bem. Vamos sentar e conversar.

    Entre mais sorrisos e lgrimas, ns entramos na casa, passando para a

    acolhedora sala de estar. Ela permanecia a mesma que eu vi em minha ltima

    visita, rodeada por painis de madeira e prateleiras de livros encadernados em

    couro e letras douradas. L encontramos mais um membro da famlia. Paul, o

    filho de Karolina, olhava para o tio com fascnio. Ele ainda era muito pequeno

    quando Dimitri saiu pelo mundo, e tudo que ele sabia sobre o tio vinha das

    fantsticas histrias contadas. Prximo a Paul, havia um beb dormindo em um

    bero, enrolado em um cobertor. Era o beb de Sonya, eu associei. Ela estava

    grvida quando eu estive aqui, no ltimo vero.

    Eu fiquei o tempo inteiro perto de Dimitri, mas neste momento, eu soube

    que deveria me afastar um pouco. Ele se sentou no sof e, rapidamente,

    Karolina e Sonya sentaram uma de cada lado, o cercando, como se tivessem

    medo de que ele fosse embora logo. Victoria, parecendo irritada por ter perdido

    um assento, sentou-se no cho, frente dele, encostando a cabea em seus

    joelhos. Ela tinha dezessete anos, apenas um ano a menos que eu, mas vendo-a

    olhar para o irmo com tanta adorao, tive a impresso que ela era muito mais

    jovem que isso. Todos os irmos tinham cabelos e olhos castanhos, formando

    um belo retrato ali, sentados juntos.

    Olena finalmente se aproximou, parecendo um pouco nervosa, os

    observou, puxou uma cadeira e sentou-se em frente Dimitri, segurando as

    mos no colo, de forma apreensiva.

    Isto um milagre, ela falou em ingls, com um forte sotaque russo.

    No posso acreditar nisso. Quando eu recebi a notcia, pensei que fosse um

    engano ou uma mentira. Ela deu um suspiro feliz. Mas aqui est voc.

    Vivo. O mesmo.

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    O mesmo, Dimitri confirmou.

    Ento, foi a primeira possibilidade, Karolina fez uma pausa, com o

    cenho franzido carregando em suas belas feies. Ela parecia escolher

    cuidadosamente as palavras. Ento, foi tudo um engano? Voc no era

    realmente... verdadeiramente um Strigoi?

    Esta ltima palavra pairou no ar por um momento, fazendo uma brisa

    fria soprar naquela noite de vero. Minha respirao ficou suspensa, durante o

    tempo de uma batida de corao. De repente, meus pensamentos foram para

    outro lugar, no muito longe dali, eu estava presa em uma casa diferente, com

    um Dimitri muito diferente. Sua pele era branca como giz e seus olhos tinham

    anis vermelhos em volta da ris. Sua fora e velocidade superavam e muito a

    que ele tinha agora, e ele usavas essa habilidades para caar vitimas e beber o

    seu sangue. Ele era terrvel e quase me matou tambm.

    Poucos segundos depois, comecei a respirar novamente. Aquele terrvel

    Dimitri tinha ido embora. E este quente, amoroso, vivo, estava diante de mim

    agora. No entanto, antes de responder, os olhos escuros dele encontram os

    meus. Naquele momento, eu soube que ele havia pensado as mesmas coisas que

    eu. O passado era uma coisa terrvel, difcil de ser esquecido.

    No, ele disse. Eu fui um Strigoi. Eu fui um deles. Eu fiz... Coisas

    terrveis. As suas palavras eram leves, mas seu tom era carregado tormento.

    As expresses felizes dos membros da sua famlia se tornaram sbrias. Eu

    estava perdido. No havia esperana para mim. Exceto... Por Rose. Ela

    acreditou em mim e nunca desistiu.

    Como eu previ.

    Uma voz ecoou pela sala, e todos ns olhamos para a mulher que

    apareceu de repente na porta. Ela era bem mais baixa do que eu, mas sua

    personalidade era to grande que podia encher todo ambiente. Ela era Yeva, a

    av de Dimitri. Pequena e frgil, com cabelos totalmente brancos, era

    considerada por todos como uma espcie de uma sbia ou bruxa. Tentei pensar

    em uma palavra diferente para definir Yeva, mas somente bruxa me vinha

    mente.

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    No, voc no previu isso, eu falei, sem conseguir me conter.

    Tudo que voc disse foi que eu precisava ir embora daqui, para fazer uma outra

    coisa.

    Exatamente, ela respondeu, com um sorriso de satisfao

    enrugando seu rosto. Voc precisava ir restaurar o meu Dimka. Ela

    comeou a andar at a sala de estar, mas Dimitri foi at ela, a encontrando no

    meio do caminho. Ele cuidadosamente a abraou, murmurando algo, que eu

    acho que era em russo, pois eu s consegui entender a palavra vov. A

    diferena de altura entre eles era quase insana e deixou a cena bem engraada.

    Mas voc nunca disse o que eu ia fazer, eu argumentei, quando ela

    se sentou comodamente na cadeira de balano. Eu sabia que no deveria insistir

    nesse assunto, mas algo em Yeva sempre me levava para o lado oposto. Voc

    no pode levar o crdito por isso.

    Eu sabia, ela disse com firmeza. Seus olhos escuros pareciam

    enxergar alm de mim.

    Ento, porque voc no me disse o que eu iria fazer? Eu exigi.

    Yeva pareceu considerar a resposta por alguns momentos. Simples.

    Voc precisava descobrir sozinha.

    Senti meu queixo comeando a cair. Do outro lado da sala, Dimitri atraiu

    a minha ateno, com um olhar que parecia dizer No faa isso, Rose. Esquea

    isso. Havia um brilho de diverso em seu rosto, que me fez lembrar os nossos

    tempos de aluna-professor. Ele me conhecia muito bem. Ele sabia que se eu

    tivesse a menor chance, eu iria entrar em um embate com a sua velha av. E,

    provavelmente, eu iria perder. Com um rpido aceno, eu calei a boca. Ok, sua

    bruxa, pensei. Voc venceu, por hora. Yeva me lanou um sorriso, com dentes

    faltando.

    Mas como isso aconteceu? Sonya perguntou, com muito cuidado,

    como se navegasse em guas perigosas. Quero dizer, como voc voltou a ser

    um dhampir?

    Eu e Dimitri nos olhamos novamente, mas as sua alegria tinha ido

    embora.

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    O esprito, ele disse calmamente.

    Isso fez com que a respirao das suas irms se alterasse. Os Morois eram

    usurios da magia, mas sua maioria utilizava apenas os quatro elementos: terra,

    fogo, gua e ar. No entanto, um elemento muito raro foi descoberto

    recentemente: o esprito. Ele est relacionado a habilidades metais de curas, mas

    era algo que muitos Morois e dhampirs ainda tinham dificuldade em aceitar.

    Minha amiga, Lissa, sendo uma usuria do esprito, o golpeou com

    uma estaca de prata encantada.

    Ao mesmo tempo em que eu me sentia feliz por relembrar aquilo, a

    imagem dele sendo acertado no corao...