Fratura de um instrumento endodôntico no canal radicular ... ?· Fratura de um instrumento endodôntico…

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    09-Nov-2018

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<ul><li><p>Fratura de um instrumento endodntico no canal radicular de um molar </p><p>inferior esquerdo relato de caso. </p><p>(1) Priscila Terribile Dallagnol. E-mail: pikitdallagnol@hotmail.com (2) Igor Volpatto. E-mail: igorvolpatto06@hotmail.com </p><p>(3) Mateus Hartmann. E-mail: mateushartmann@gmail.com Faculdade Imed - Escola de Odontologia </p><p>RESUMO: Limas endodnticas so instrumentos ou ferramentas metlicas empregadas como agentes </p><p>mecnicos na instrumentao dos canais radiculares e so fabricados normalmente com liga de ao </p><p>inoxidvel ou de Nquel-Titnio (Ni-Ti). A cinemtica primordial das limas a de limagem, ou seja, </p><p>movimentos de introduo no canal radicular, presso na parede do canal radicular e remoo. O bom </p><p>conhecimento de todos os fatores relacionados aos instrumentos leva otimizao dos procedimentos </p><p>teraputicos e imprescindvel para o melhor aproveitamento de cada um deles. Isso ajuda tambm a </p><p>diminuir os riscos operacionais decorrentes do seu uso, tais como a fratura do instrumento e degraus nas </p><p>paredes dos canais radiculares. A fratura durante o uso clnico pode ocorrer por carregamento de </p><p>toro, flexo rotativa e por suas combinaes, por inabilidade do operador, desgaste do instrumento e </p><p>canais curvos ou atrsicos. Instrumentos fraturados e retidos no interior do canal apodem afetar o </p><p>resultado do tratamento endodntico. A lima endodntica pode ser ou no removida do canal radcula. O </p><p>propsito desse trabalho relatar um caso clnico de fratura de lima endodntica ocorrido na Clnica </p><p>Odontolgica III da escola IMED. </p><p>Palavras-chave: Endodontia; Fratura.; Canal Radicular. </p><p>mailto:pikitdallagnol@hotmail.commailto:igorvolpatto06@hotmail.com</p></li><li><p>ABSTRACT: Files are endodontic instruments or metal tools employed as agents in mechanical </p><p>instrumentation of the root canals and are usually manufactured with stainless steel alloy or nickel-</p><p>titanium (Ni-Ti). The kinematics of files is essential for sharpening, or moves introduction into the root </p><p>canal pressure in the root canal wall and remove. Good knowledge of all factors related to the instruments </p><p>leads to the optimization of therapeutic procedures and is essential for the best use of each. This also </p><p>helps reduce operational risks arising from its use, such as the fracture of the instrument and steps on the </p><p>root canal walls. The fracture during clinical use may occur for torsional loading, rotating bending and </p><p>combinations thereof, the inability of the operator, tool wear and curved canals or atretic. Fractured </p><p>instruments and retained within the channel apodem affect the outcome of endodontic treatment. The </p><p>endodontic file may or may not be removed from the channel radicle. The purpose of this study is to </p><p>report a case of fracture of endodontic file occurred in the Dental Clinic III school IMED. </p><p>Keywords: Endodontics.; fracture.; Root Canal. </p></li><li><p>INTRODUO </p><p>O tratamento endodntico consiste em limpeza, desinfeco, moldagem e obturao do canal </p><p>radicular, buscando o reparo tecidual. Dentre as vrias fases do tratamento endodntico, no preparo </p><p>qumico-mecnico de um canal radicular, os instrumentos endodnticos sofrem tenses extremamente </p><p>adversas que variam com a anatomia do canal, com as dimenses dos instrumentos e com a habilidade do </p><p>profissional. Essas tenses adversas modificam continuamente a resistncia toro e a flexo rotativa </p><p>dos instrumentos endodnticos durante a instrumentao de um canal radicular. Para ocorrer a fratura por toro preciso que a ponta do instrumento endodntico fique imobilizada e na outra extremidade (cabo) </p><p>seja aplicado um torque superior ao limite de resistncia fratura do instrumento. O torque (T) pode ser definido como o efeito rotatrio criado por uma fora (F) distante do eixo de rotao de um objeto. </p><p>calculado pela equao: Torque = F.R onde, R (raio) a distncia entre o ponto de aplicao da fora (F) </p><p>e o eixo de rotao do objeto. A fora no Sistema Internacional de Unidades expressa em Newton (N). </p><p>(ETEVALDO et al., 2005) A presena de deformao plstica das hlices observada quando da retirada do instrumento </p><p>endodntico de um canal radicular durante a instrumentao, d um alerta de que uma fratura por toro </p><p>iminente. Assim, durante a instrumentao de um canal radicular importante que o profissional retire o </p><p>instrumento do interior de um canal com maior frequncia e o examine cuidadosamente. Instrumentos </p><p>endodnticos deformados devem ser descartados antes de a falha (fratura) ocorrer. (DIAS et al., 2009) </p><p>Para instrumentos acionados manualmente, o controle da intensidade do torque aplicado ao cabo do </p><p>instrumento durante a instrumentao de um canal radicular um procedimento difcil de ser obtido </p><p>principalmente para instrumentos delgados. Sentir o momento de cessar o carregamento de toro sem </p><p>causar deformao plstica ou a fratura do instrumento, fica atrelado ao conhecimento das propriedades </p><p>mecnicas do instrumento endodntico, habilidade e experincia do profissional. </p><p>A fratura por fadiga imprevisvel e acontece sem que haja qualquer aviso prvio. A vida em </p><p>fadiga no depende do torque aplicado ao instrumento endodntico, mas do nmero de ciclos e da </p><p>intensidade das tenses trativas e compressivas aplicadas na rea flexionada de um instrumento </p><p>endodntico. O nmero de ciclos obtido pela multiplicao da velocidade de rotao empregada no ensaio pelo tempo para ocorrer a fratura do instrumento endodntico. (SOARES, I. J., GOLDEBERG, F., </p><p>2011) A fratura por fadiga cumulativo e est relacionada com a intensidade das tenses trativas e </p><p>compressivas impostas na regio de flexo rotativa do instrumento endodntico. A intensidade das </p><p>tenses um parmetro especfico para ocorrer a fratura por fadiga de um instrumento endodntico. Esta </p><p>relacionada geometria (forma e dimenses) dos canais e dos instrumentos endodnticos. (ETEVALDO </p><p>et al., 2005) </p><p>Os instrumentos fraturados no interior dos canais radiculares muitas vezes no permitem o acesso </p><p> regio apical do dente diminuindo com isso o bom prognstico do tratamento. Por essa razo, cada caso </p><p>deve ser muito bem avaliado antes da sequencia do procedimento, avaliando o local em que se encontra </p><p>(tero mdio ou apical), o tipo, o tamanho, a acessibilidade ao instrumento, a condio periapical e a </p><p>expectativa do paciente, analisandos e os riscos e benefcios. (RAMOS, 2009) </p><p>Segundo KEREKES E TRONSTAD (1979) a frequncia de instrumentos endodnticos fraturados </p><p>no interior dos canais radiculares varia de 2 a 6% e o sucesso na remoo tem sido reportado variando de </p><p>55 a 79% dos casos, conforme estudo de NAGAI et al.,1986. </p><p>Sendo o caso uma biopulpectomia, o tecido pulpar que permanece na poro no atingida do </p><p>canal na quase totalidade dos casos, no se encontra infectado e sim apenas inflamado, entretanto o </p><p>prognstico destes casos favorvel. Desta forma a melhor conduta proservar o caso e no havendo </p><p>xito pode-se optar pela complementao cirrgica. Nos casos das necropulpectomias, temos uma </p><p>situao mais difcil a ser resolvida, pois a poro mais apical do canal radicular no atingida pelo </p><p>preparo biomecnico no ser desinfectada e, conseqentemente, o material sptico, colnias microbianas </p><p>e toxinas a existentes funcionaro como uma constante fonte de irritao aos tecidos periapicais, levando </p><p>o caso quase sempre a um prognstico desfavorvel. Nestas situaes so vlidas as tentativas de </p><p>aplicao de curativos que possam ter ao distncia, entretanto estes casos quase sempre impem a </p><p>necessidade de complementao cirrgica. Na impossibilidade de uma complementao cirrgica o caso </p><p>poder estar fadado ao fracasso. LEAL, 1998 e ZUOLO &amp; IMUARA 1998, em todas essa situaes, o </p><p>cliente deve ser avisado do acidente e qual o curso que o tratamento vai seguir e o prognstico provvel </p><p>do dente. </p></li><li><p>OBJETIVO </p><p>Oobjetivo deste estudo foi relatar um caso clnico de fratura de instrumento endodntico que ocorreu na </p><p>Clnica Odontologia III da escola IMED. </p></li><li><p>METODOLOGIA </p><p>Esse artigo foi baseado em um caso clnico e embasado em reviso bibliogrfica, abordando o tema de </p><p>fratura de lima endodntica. </p></li><li><p>CASO CLNICO </p><p>Paciente de 24 anos, do sexo feminino, apresentou-se no Setor de Triagem da Escola de </p><p>Odontologia da IMED para avaliao odontolgica. No exame clnico foram feitos testes de vitalidade </p><p>com Endo Ice, teste de percusso com cabo do espelho e palpao apical e radiogrfico (Figura 1) e </p><p>constatou-se a necessidade de tratamento endodntico no primeiro molar esquerdo desta paciente (dente </p><p>36). </p><p>O diagnstico obtido atravs dos exames clnicos e radiogrfico foi de pulpite irreversvel, pois a </p><p>dor era espontnea, intensa e difusa aliviando com o friu. </p><p>Na primeira sesso do tratamento endodntico realizou-se a anlise e medidas da radiografia </p><p>periapical. A paciente foi anestesiada, a cirurgia de acesso realizada, obtendo-se a forma de contorno e </p><p>removendo todo o teto da cmara pulpar, o dente foi isolado absolutamente com lenol de borracha, </p><p>grampo 26 e arco de Ostby. </p><p>Para localizar os canais a sonda reta foi utilizada e para o preparo da entrada dos canais as brocas </p><p>Gates Gliden 1,2 e 3. Tendo a visualizao completa dos canais, que no caso eram trs canais radiculares, </p><p>executou-se a odontometria, onde a medida para o comprimento real de trabalho (CRT) foi obtida </p><p>(Figuras 2 e 3). Foi ento utilizado como medicao intracanal hidrxido de clcio (Ca(OH)). A paciente </p><p>relatou pequeno desconforto somente por algumas horas aps o tratamento aliviando com Paracetamol </p><p>750mg e estando bem no dia seguinte. </p><p>Na segunda sesso do tratamento a paciente foi novamente anestesiada e isolada como descrito </p><p>anteriormente e deu-se incio ao preparo qumico-mecnico (PQM) dos canais radiculares com limas tipo </p><p>k de primeira srie. Os canais radiculares foram irrigados com Hipoclorito de Sdio a 2,5% (NaOCl </p><p>2,5%) e EDTA 17%, intercalados. A lima anatmica inicial foi a #15 e a lima anatmica final a #40, </p><p>utilizando-se como lima de patncia a #10 entre cada um dos instrumentos. Aps finalizada a </p><p>instrumentao escalonada com recuo anatmico dos 3 canais radiculares, novo curativo foi feito com </p><p>algodo umedecido no tricresol formalina e selado com guta percha e cimento de ionmero de vidro </p><p>convencional. Nenhum medicamento foi prescrito a paciente. </p><p>Na terceira sesso a paciente retornou sem relatar dor ps operatria, edema ou outro sintoma, </p><p>somente que um pedao da restaurao havia cado. Foi removido o selamento temporrio, isolado e </p><p>removido o algodo. Os canais foram inundados com NaOCl 2,5% para posterior prova dos cones. J na </p><p>prova dos cones notou-se que o cone selecionado para o canal msio-vestibular no entrou na medida </p><p>proposta. Mesmo assim, executou-se a radiografia da prova do cone e ao process-la contatou-se a fratura </p><p>da lima neste canal radicular (Figura 4). </p><p>Observando a posio da lima e a dificuldade de retira-l, algumas tentativas foram feitas para se </p><p>conseguir ultrapass-la, com limas de menor dimetro, porm, sem obter xito, seguiu-se com a obturao </p><p>dos canais radiculares. Para isso, os canais foram secos com cones de papel absorvente, o cimento </p><p>utilizado foi o Endofill, e a tcnica de obturao foi a tcnica de condensao lateral com espaadores </p><p>digitais. (Figura 5). A fratura da lima estava a nvel apical, por isso optou-se por no remover o </p><p>fragmento. </p><p>O dente foi restaurado provisoriamente com cimento de ionmero de vidro e aps dois meses foi </p><p>restaurado com resina composta A2E e A2D. A paciente no se queixou de nenhuma dor ou inchao. Foi </p><p>feita radiografia de controle ps restaurao. </p></li><li><p>IMAGENS </p><p> Figura 1: Radiografia Inicial </p><p>Figura 2: Imagem mostrando odontometria </p><p>Figura 3: Imagem mostrando odontometria </p></li><li><p>Figura 4: Radiografia mostrando imagem da prova do cone e instrumento fraturado </p><p>Figura 5: Radiografia mostrando a obturao dos canais radiculares </p><p>Figura 6: Radiografia mostrando tratamento final, endodntico/ restaurador. </p></li><li><p>CONCLUSO </p><p>Diante do exposto, podemos considerar que durante o tratamento endodntico, acidentes podem </p><p>ocorrer como a fratura de um instrumento, perfuraes e desvios do canal radicular dificultando assim a </p><p>concluso do tratamento. Em alguns casos de fratura o fragmento pode servir como obturao do canal </p><p>radicular, o prognstico ser favorvel se o fragmento estiver a nvel apical e menos favorvel se estiver a </p><p>nvel cervical ou mdio do canal radicular. O prognstico do caso depende da qualidade da obturao </p><p>final, que tem como objetivo conseguir o selamento tridimensional da regio. </p><p>O Cirurgio-Dentista deve se resguardar de processos judiciais por meio de uma documentao </p><p>odontolgica completa e adequadamente preenchida, ou at mesmo para dar explicaes sobre a situao </p><p>para o paciente, pois ele deve ser informado da fratura da lima no interior no seu elemento dentrio. A prtica da odontologia requer conhecimentos, habilidade e bom senso. obrigao do Cirurgio-Dentista </p><p>aumentar sua habilidade, o mais prximo possvel de sua capacidade de acordo com seu talento. Aprender </p><p>s a tcnica no suficiente. O Cirurgio-Dentista precisa aprender a cuidar do paciente como um todo. </p><p>Falhas devidas ao estabelecimento incorreto do diagnstico e, conseqentemente, da seleo imprpria do </p><p>caso a ser tratado devem ser exorcizados da prtica endodntica. Assim, o profissional Cirurgio-Dentista deve realizar todo o trabalho baseado numa tcnica coerente e de forma diligente, alm de nunca se </p><p>esquecer que ele um prestador se servios e como tal, alm de ter sua profisso regulada pelo estatuto </p><p>do Conselho Federal de Odontologia em seu Cdigo de tica Odontolgica, em caso de um processo para </p><p>aferir a responsabilidade civil entrar em sena o Cdigo Civil e o Cdigo de Defesa do Consumidor. </p><p>Assim, em um processo a primeira pea de fundamental importncia o pronturio odontolgico, pea </p><p>probatria do tratamento que dever ser arquivada pelo prazo mnimo de 20 anos. O pronturio expressa </p><p>perfeitamente o dever de informar o paciente e isso no apenas um dever moral, mas um dever jurdico </p><p>previsto no artigo do Cdigo de Defesa do Consumidor. </p></li><li><p>REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS </p><p>AMARAL, C. C. F.; GOMES, J. A. C. P. Dissoluo de fragmentos metlicos em canais radiculares. Painel PEMM </p><p>2012 - 24, 25 e 26 de outubro de 2012 PEMM/COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil </p><p>BRAMANTE, C. M. et.al. Acidentes e Complicaes no Tratamento Endodntico Solues Clnicas. ed. 2, 2004. </p><p>COHEN, S.; HARGREAVES, K. M. Caminhos da polpa. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. </p><p>CROTI, H. R., et al. Cirurgia Parendodntica como alternativa para resoluo de insucessos no tratamento </p><p>endodntico. Revista de Odontologia da UNESP, vol.35, n.Especial, p.13-15, 2006 </p><p>DIAS, A. C. S et al., Trans-surgical endodontic treatment: an option for special cases. Rev. Cir. Traumatol. Buco-</p><p>Maxilo-fac., Camaragibev.10, n.2, p. 49 - 53, abr./jun. 2010 </p><p>ESTRELA, C. Cincia endodntica. So Paulo: Artes Mdicas; 2004 </p><p>FACHIN, E. V. S. Consideraes sobre insucesso em endodntica. Rev Fac Odontol da UFRGS. 1999 </p><p>FILHO et al., Fratura dos Instrumentos endodnticos. RGO, P. Alegre, v. 53, n. 4, p. 351-355, out/Nov/dez </p><p>HARTMANN, M. S. 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