Fundamentação - Dos Livros de 3ª e 4ª Série

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    07-Jul-2016

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ABRINDO CAMINHOS

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1. CONTEXTUALIZAO.

Desde o primeiro momento que a luz rompeu o caos, a escurido foi dissipada, os primeiros raios comearam a rasgar o cu, os troves a estremecer a terra, o vento a soprar todos os cantos, os pingos de chuva a cair pela primeira vez e as primeiras formas de vida brotarem do seio da me Terra, o homem espantado, admirado, extasiado e perplexo diante da natureza que o cerca, e do desconhecido que toma conta de si, sem compreender o significado do dia, da noite, do sol, do vento, da chuva, do calor, dos raios, da fome, da dor, do frio, sem entender a razo de sua existncia, da morte, do feio, do belo, do bem, do mal, do certo e do errado, recorre ao mito buscando um contanto com o transcendente.

O homem v, mas no consegue compreender. Precisa de uma explicao para aquilo que ultrapassa os limites da experincia visvel. Necessita que o provisrio ganhe dignidade e adquira sabor de eternidade. Busca incansavelmente compreender questes vitais, explicaes dos fenmenos naturais e da metafsica de sua prpria existncia.

Percebe-se ento como um ser frgil, limitado, dependente e sujeito a tudo. Seu eu no absoluto. Abre-se ao inesperado, ao desconhecido. Tece a idia do absoluto e descobre que existe uma simbiose entre o real e o possvel. Seu corao queima e deseja o absoluto. Quer preencher o vazio. No tem mais dvidas, tem que buscar esse absoluto. Busca que inerente e prpria nossa natureza humana.

Definitivamente seduzido e se abre para o infinito, o eterno, o permanente. Pois segundo Flicien Challaye O sentimento religioso a mais complexa inclinao que se pode descobrir no fundo do corao do homem; em torno desta tendncia fundamental agrupam-se todas as espcies de aspiraes, entusiasmos, curiosidades sobre a vida, sobre o universo, sobre o alm.

O homem foi se desenvolvendo, criando estruturas de relacionamento e organizao complexas. Foi se aproximando gradativamente do sagrado e estreitando sua aproximao e aprofundando sua relao com o transcendente. Queria mais. Busca respostas para a sua existncia e o aprimoramento na relao consigo mesmo, o outro, a natureza e Deus.

Nessa busca, houve um momento que as luzes da razo moderna ofuscaram o apelo do transcendente e a seduo do sagrado, pois parecia ter explicaes para tudo e soluo para todas as mazelas do mundo. S que o mito do progresso e a razo instrumental foram, considerados incapazes de determinar os objetivos supremos da vida humana, criaram um abismo profundo separando ainda mais os ricos dos pobres. Provaram os seus limites diante da magnitude dos mistrios da vida humana e como era de se esperar, entram em crise e abrem novos caminhos e novas perspectivas para novas formas de experincia do sagrado. Segundo Cleto Caliman O ser humano continua a deixar-se seduzir pelo mistrio, no importa se movido pela nostalgia do passado ou pelo futuro que ainda est por vir. A religio est de novo no palco histrico, movida pela fora da emoo, do encanto do sagrado, pela busca de uma identidade como que perdida no complexo mundo globalizado, de mltiplas inter-relaes sociais, econmicas, polticas e culturais. Acrescenta ainda Nesse novo hmus histrico da religiosidade e da religio as pessoas reencontram seu ncleo subjetivo e recriam o espao de comunicao, fragmentado pelo pluralismo sem contornos da ps-modernidade. Se Kant antevia uma religio nos limites da razo (moderna), hoje pode-se dizer que a nova busca religiosa se delimita no mais pelo sagrado, pelo divino ou pelo mistrio objetivamente captado como norma para o existir histrico das pessoas e da sociedade, mas pelo humano. No fenmeno religioso de nossos dias se projeta uma religio nos limites do humano enquanto captado segundo a medida de cada um, segundo demandas individuais.

Na abertura de novos caminhos e novas perspectivas para novas formas de experincia do sagrado, a aproximao ao transcendente reveste a vida de um sentido maior e promove o autodesenvolvimento humano.

Neste sentido, o Ensino Religioso est atento e marca a sua participao na educao da religiosidade do educando, ou seja, na atitude dinmica de abertura efetiva da pessoa ao sentido fundamental, radical, de sua existncia, seja qual for o modo como este sentido percebido.

A religiosidade extrapola as dimenses visveis de cada pessoa e manifesta-se como capacidade ou habilidade do ser humano captar e entender o sentido transcendente de sua existncia, acolhendo-o efetivamente em sua vida e passa progressivamente a agir sob sua luz e inspirao. Uma reflexo aprofundada sobre o estudo da religiosidade ajuda-nos a entender o ser humano percebendo sua dinmica na evoluo de sua realidade religiosa.

Segundo Francisco Cato Na raiz da religiosidade est a percepo da transcendncia que se autope como fonte do sentido da prpria existncia e como outro inatingvel na sua outridade, mas irrecusvel na sua alteridade. Ento, toda e qualquer ao pedaggica deve considerar o trabalho que ser ser desenvolvido a partir da religiosidade do educando, pois na sua experincia de vida que fatalmente far tambm a sua experincia de Deus. Sendo assim, a escola deve se preocupar muito mais com a pessoa humana em sua dignidade fundamental de abertura ao transcendente, do que com sua crena religiosa.

Conscientes desta realidade procuramos elaborar uma proposta de trabalho capaz de construir um contedo de forma dinmica, sria, criativa, dialogal, participativa, profunda, desafiadora e contextualizada, respeitando as crenas individuais e direcionado para a educao da religiosidade.

Acreditamos ainda que o Ensino Religioso na Rede Pitgoras constitui-se elemento essencial na construo de um projeto pedaggico que visa a formao integral de seus educandos, portanto, ele tem que ser referncia, destaque, alegria, prioridade, motivao.

2. METODOLOGIA

O Ensino Religioso, estando presente em todos as fases do Ensino Fundamental, possui caractersticas muito especficas se comparado s demais disciplinas. Da a necessidade de abord-lo em todas as suas especificidades, o que pressupe a busca de um mtodo, um caminho, um roteiro de trabalho que favorea a reflexo pessoal e coletiva e a tomada de conscincia diante de diferentes problemticas. Essa conscientizao conduzir, possivelmente, a uma nova viso e, se necessrio, a uma mudana de postura diante delas. Tendo isso em vista, buscamos traar um caminho, conforme descrito a seguir, que ser percorrido ao desenvolvermos cada um dos temas propostos neste livro.

1. Bate-papo - Os temas so o veculo da caminhada que nos propomos a fazer. Essa caminhada tem incio com o bate-papo, neste momento em que, atravs de um dilogo, de uma conversa informal, o aluno traz o seu conhecimento sobre o assumo a ser trabalhado. Continuando o percurso, busca-se acrescentar dados novos ao conhecimento j adquirido pelo aluno.

2. Dados novos - O professor traz um dado novo, acrescentando-o quele que o aluno apresentou como parte de sua experincia. Passando para uma nova etapa do percurso, propomos uma vivncia.

3. Vivncia - Pode-se apresentar de diferentes formas- dinmica, jogo, brincadeira, etc.-sempre lanando mo dos sentidos. Assim, o aluno poder explorar o que sente e se apropriar do conhecimento que lhe pode ser transmitido atravs das sensaes. Para que ele chegue a isso, necessrio que o professor, com muito tato e habilidade, conduza a reflexo. Da reflexo bem trabalhada depende a continuidade significativa - nova experincia do nosso percurso.

4. Pensamento em ao - Esta etapa do percurso deve provocar uma reflexo que conduza ao. Reforando: deve exercitar o pensamento e levar a agir. De que ao se trata? Pode tratar-se de uma mudana de atitude diante das questes apresentadas atravs dos diferentes temas, que esto sempre relacionados ao dia-a-dia do aluno, o que os torna mais prximos e concretos. Pode tratar-se ainda de incentivar o aluno a manter posturas que ele j tenha desenvolvido.

5. Desafio - uma proposta de adeso mudana. O professor deve estar sempre atento retomada, na aula seguinte, do desafio proposto anteriormente, no objetivando fazer uma cobrana ostensiva, mas no sentido de incentivar e valorizar as conquistas do aluno.

6. Fechamento - sempre feito atravs de uma citao tirada do livro sagrado das chamadas grandes tradies religiosas e tambm pensamentos, provrbios, poesias, trechos de msica. Cabe ao professor refletir com a turma sobre a citao apresentada, trazendo-a para o dia-a-dia do aluno e conferindo-Ihe sentido.

(Manual do Professor da 1 e 2 Sries)

3. PROGRAMA PITGORAS DE ENSINO RELIGIOSO.

3.1. INTENES EDUCATIVAS GERAIS DA COLEO.

3.1.1. Despertar para os aspectos transcendentes da existncia e o compromisso com o social, a partir da descoberta e valorizao de si prprio, do outro e da natureza, em um processo que conduza naturalmente vivencia dos valores humanos, ao respeito s diversas expresses religiosas e a um encontro pessoal com Deus.

3.1.2. Oferecer referenciais ticos que contribuam para a compreenso do sentido da vida e para a construo do ser integral.

3.1.3. Incentivar o dilogo inter-religioso para a construo de uma sociedade mais solidria.

3.2. EIXOS NORTEADORES.

3.2.1. O Programa de Ensino Religioso da Rede Pitgoras, toma como referncia cinco Eixos Norteadores:

a. Identidade e Relaes.

b. Natureza, Cultura e Sociedade.c. tica e Valores.d. Abertura ao Transcendente.e. Manifestao Religiosa: mitos, ritos, escrituras e teologias.

Estes Eixos esto em todas as sries do Programa e devem ser balizadores, nortes para as aulas de Ensino Religioso. Eles devem ser desenvolvidos no pura e simplesmente como conhecimentos ou informaes adicionais, mas como subsdios que possam auxiliar na formao da concepo que os educandos tm sobre o homem, o mundo e a realidade em que vivem e que so chamados a transform-la.

Os eixos so uma referncia e portanto, se constituem em uma fonte de pesquisa que deve apontar para outras leituras, estudos e aprofundamentos. Devem suscitar nos educandos e educadores o desejo de buscar novos caminhos, conhecer outros mundos, almejar outras possibilidades.

3.3. O PROGRAMA PITGORAS NA PRIMEIRA FASE DO ENSINO FUNDAMENTAL.3.3.1. O CONTEDO PROGRAMTICO.

1. TERCEIRA SRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL.

1. Identidade e Relaes.

1.1. Eu e os outros.

1.2. Somos diferentes uns dos outros.

1.3. Sinto, logo existo!

1.4. Eu existo com o outro hbitos e costumes.

2. Natureza, Cultura e Sociedade.2.1. O mundo em que vivemos.

2.2. Conscincia ecolgica e social.

2.3. A teia da vida interdependncia dos seres vivos.

2.4. Precisamos uns dos outros somos sociedade.

2.5. O mundo que sonho.

3. tica e Valores.3.1. Somos responsveis uns pelos outros.

3.2. Respeito e tolerncia.

3.3. Somos todos irmos.

3.4. Pessoas que ajudaram a mudar o mundo.

4. Abertura ao Transcendente.4.1. Irmos que se renem em comunidade de f.

4.2. Vivendo em comunidade e para a comunidade.

4.3. Os diferentes modos de viver a religiosidade.

4.4. Somos comunidade celebrando a vida.

5. Manifestao Religiosa: mitos, ritos, escrituras e teologias.

5.1. A cultura religiosa e suas expresses.

5.2. Ensinamentos que orientam a vida das pessoas.

5.3. Chamados a crer.

5.4. As prticas religiosas celebraes, ritos, festas, smbolos e costumes.

2. QUARTA SRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL.

1. Identidade e Relaes.

1.1. Ser com os outros.1.2. Meu jeito de ser.1.3. Conhecendo meus talentos.1.4. Gostar de si mesmo legal!2. Natureza, Cultura e Sociedade.

2.1. Preservar optar pela vida.

2.2. No estou sozinho no mundo.

2.3. Trabalho e tecnologia ajudando a construir o mundo.

2.4. Construindo um mundo melhor.

3. tica e Valores.

3.1. Para comeo da conversa.

3.2. O porqu da tica.

3.3. Conscincia crtica.

3.4. Por uma sociedade tica.

4. Abertura ao Transcendente.

4.1. A pergunta pela vida.

4.2. A percepo da transcendncia.

4.3. A busca do sagrado.

4.4. Os livros sagrados.

5. Manifestao Religiosa: mitos, ritos, escrituras e teologias.

5.1. Os mitos de ontem e hoje.

5.2. As primeiras manifestaes religiosas.

5.3. A experincia de Deus em nossa vida.

5.4. Orao: momento de dilogo com Deus.

3.3.2. FUNDAMENTAO POR UNIDADES.

fundamentao

A questo da identidade pode ser trabalhada como uma marca registrada de cada pessoa. A pessoa deixa de ser um nmero a mais e torna-se consciente, assumindo-se como algum diferente dos demais. Ao definir sua identidade, a pessoa descobre que s ela desse jeito e que, portanto, s ela sabe e pode fazer certas coisas que so fundamentais para a transformao da sociedade. Para chegar a esse ponto, a pessoa precisa conhecer-se, sentir-se dona de si mesma, aceitar suas qualidades, habilidades, valores e defeitos pessoais, compreender-se a si mesma, buscar solues para seus problemas. Esse trabalho de aperfeioamento pessoal dura toda a vida.

O educando busca sua identidade e j apresenta condies de se descobrir como parte integrante nesse processo de descoberta da sua identidade pessoal e usa, como parmetro, o grupo de iguais onde pode se expressar, se comparar e se perceber.

O trabalho do Ensino Religioso deve criar espaos para ocorrer uma rede de relaes, principalmente no grupo, como movimento privilegiado de crescimento pessoal, onde o educando expressa seus sentimentos, partilha sua vida, traa projetos, caminha e cresce como pessoa.

Na identificao com o grupo humano de pertena e o reconhecimento de traos constitutivos de sua prpria identidade, o educando ir desenvolvendo a auto-estima, a autovalorizao e, conseqentemente, abrindo caminho para a descoberta, a estima e a valorizao do outro. A partir de situaes concretas, em que ela se descobre como pessoa, identifica no outro algum possuidor de caractersticas semelhantes s suas, mas ao mesmo tempo diferentes e passa a valoriz-las como possibilidade de complemento para o crescimento pessoal de ambos, pois O homem um ser incompleto e inacabado, e so as suas relaes com os outros e o mundo que o torna possvel. O homem isolado uma abstrao. O homem concreto aquele entendido no seu contexto, inseparvel de suas circunstncias, onde suas relaes se fazem dinmica e reciprocamente. Isso quer dizer que o mundo, por meio da cultura, do ambiente, do momento histrico e dos valores, enfim, forma ou deforma os homens que, por sua vez, constroem ou destroem o mundo. Portanto, na unidade em que se constitui o homem deve-se inevitavelmente incluir a insero na sociedade e na natureza. E isto pode ser comprovado j a partir das necessidades bsicas do homem e tambm dos outros seres vivos. O ar e o alimento, indispensveis sobrevivncia, so exemplos marcantes dessa apropriao feita pelo homem, tornando a natureza parte de sue corpo . (Joo Paulo S. Medina)

EIXOS NORTEADORES

TEMAS GERADORESidentidade e relaes

1. Eu e os outros

2. SER COM OS OUTROS

Ajudar o educando a descobrir, pela autovalorizao e valorizao do outro, q...

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