HERMENÊUTICA BENTES

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    17-Oct-2015

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<ul><li><p>MINISTMINISTRIO GOELRIO GOEL</p><p>Pr. A. Carlos G. BentesPr. A. Carlos G. BentesDOUTOR EM TEOLOGIADOUTOR EM TEOLOGIA</p><p>PhD em Teologia SistemPhD em Teologia Sistemticatica</p><p>l")oGl")oG</p><p>HERMENUTICA </p><p>A SUA UNO VOS ENSINA A RESPEITO DE TODAS AS COISAS 1 Jo 2.27 </p><p>A sabedoria a coisa principal; adquire pois, a sabedoria; sim com tudo o que possuis adquire o conhecimento (Pv 4.7). </p></li><li><p>2 </p><p>SUMRIO I. INTRODUO.............................................................................................................................. 3 </p><p>II. BREVE HISTRIA DA INTERPRETAO DA BBLIA........................................................ 3 </p><p>III. AS REGRAS DE INTERPRETAO:..................................................................................... 11 </p><p>IV. HERMENUTICA SAGRADA - ANLISE HISTRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL........ 14 </p><p>V. HERMENUTICA SAGRADA - PRINCPIOS TEOLGICOS DE INTERPRETAO ............. 15 </p><p>VII. HERMENUTICA SAGRADA - PRINCPIOS TEOLGICOS DE INTERPRETAO ......... 33 </p><p>X. PRINCPIOS TEOLGICOS DE INTERPRETAO - TIPOLOGIA........................................... 49 </p><p>XI. HERMENUTICA SAGRADA - MILAGRES........................................................................ 68 </p><p>XIII. PRINCPIOS GERAIS DE INTERPRETAO - AS PROMESSAS ........................................ 82 </p></li><li><p>3 </p><p>HERMENUTICA SAGRADA </p><p>I. INTRODUO Toda leitura de um texto exige uma interpretao. No solucionamos as questes simplesmente </p><p>citando um texto da Bblia. Ao l-lo surge, ainda que implicitamente, a pergunta: O que quer dizer este texto lido? Portanto, impe-se uma hermenutica que, em um sentido geral e amplo, a cincia e arte de interpretar. H diversas hermenuticas: literalista, histrico-gramatical, alegrica, existencial, racionalista etc. (Para que serve a teologia? Alberto F. Roldn) Os trs momentos da construo teolgica so: </p><p> O momento positivo, que corresponde escuta da f (Hermenutica); O momento especulativo, que consiste na explicao da f (Teoria); O momento prtico, que busca atualizar ou projetar a f na vida (Prtica) (Clodovis Boff). Entendemos que toda teologia que se preze deve percorrer esses trs momentos: a hermenutica, a teoria e a prtica. (Para que serve a teologia? Alberto F. Roldn). Uma abordagem correta da interpretao bblica a necessidade cruciante nestes ltimos dias. Precisamos de alimento slido... no apenas de migalhas. Precisamos aprender a arte de mastigar...no de ficar somente a sugar mamadeiras. Precisamos abandonar as ondas do sculo 21 e voltarmos s Escrituras Sagradas. Cristianismo costumava ser um toque de trombeta chamando para uma vida santa, pensamento elevado e slido, e estudo da Bblia; agora um tmido e apologtico convite para um suave debate. Cristianismo peculiarmente religio de um s livro. Elimine a Bblia, e voc ter destrudo o meio pelo qual Deus decidiu apresentar Sua revelao ao homem atravs de sucessivas era. Segue-se, pois, que o conhecimento da Bblia o requisito indispensvel para o crescimento na vida crist (Frank E. Gaebelain) </p><p> DEFINIO. Hermenutica. a cincia e a arte da interpretao. cincia porque estabelece regras positivas e invariveis. arte porque suas regras so prticas. </p><p> A palavra hermenutica derivada do termo grego Hermneutik (e(rmhneutikh =) que, por sua vez, se deriva do verbo Hermneu (e(rmhneu/w ). Plato foi o primeiro a empregar como termo tcnico. Diz-se que a palavra hermenutica deve sua origem ao nome de Hermes (e(rmej) o deus grego que servia de mensageiro dos deuses, transmitindo e interpretando suas comunicaes aos seus afortunados ou, desafortunados destinatrios. </p><p>II. BREVE HISTRIA DA INTERPRETAO DA BBLIA1 A igreja primitiva </p><p>Os pais apostlicos no sculo II acompanharam o pensamento dos apstolos. A manifestao de falsos ensinos (em particular o gnosticismo) e os desafios ortodoxia criaram tumulto a interpretao. Para provar a unidade das Escrituras e sua mensagem, estudiosos como Irineu (c. 140-202 d.C.) e Tertuliano (c. 155-225 d.C.) desenvolveram estruturas teolgicas. Essas estruturas serviram como diretrizes de f na igreja. </p><p>1 DOCKERY, David S. Manual Bblico Vida Nova. So Paulo: Vida Nova, 2001, p. 129-131. </p></li><li><p>4 </p><p>Aprender a ler a Bblia pelos olhos dos cristos de um tempo e lugar diferentes revela provavelmente o efeito distorcvel de nossas prprias lentes culturais, histricas, lingsticas, filosficas e, sim, at mesmo as teolgicas. Isto no afirmar que os pais no tiveram sua prpria perspectiva distorcida e seus pontos obscuros. Deve-se argumentar, porm, que no chegaremos perspectiva e claridade a respeito de nossas prprias foras e fraquezas, se nos recusarmos a olhar ao longo da histria da Igreja e despojamos-nos, ns mesmos, dos dons do Esprito Santo, quando nos recusamos a nos movermos alm da zona de conforto de nossas prprias idias.2 </p><p>Mantendo a nfase cristolgica do primeiro sculo, a regra de f esboava as crenas teolgicas que encontravam seu centro no Senhor encarnado. s vezes, porm, a interpretao das Escrituras por intermdio dessa estrutura teolgica forava o texto bblico a se adaptar a um conjunto preconcebido de convices teolgicas. </p><p>Essa abordagem resultou salvaguarda para a mensagem da igreja, mas reduziu a possibilidade de os intrpretes serem criativos como indivduos. Ela tambm tendia a divorciar o texto bblico de seu contexto literrio ou histrico. </p><p>A interpretao bblica alcanou novos nveis com o surgimento da escola de Alexandria no sculo III, com o desenvolvimento da interpretao alegrica. A inovao da interpretao alegrica desenvolveu-se nesse contexto. A interpretao alegrica pressupe que a Bblia diz mais do que indicam suas palavras textuais. Os dois grandes representantes da escola de Alexandria foram Clemente (150-215 d.C.) Orgenes (185-254 d. C.). </p><p>O sentido literal, porm, no era mensagem principal da Bblia para os alexandrinos. Orgenes, em particular, considerava absurdo que a Bblia, inspirada por Deus, no pudesse ser interpretada de maneira espiritual. </p><p>Dessa suposio, seguiu-se a abordagem hermenutica trplice de Orgenes. Ele sustentava que a Bblia possua trs sentidos diferentes, mas complementares: (1) um sentido literal ou fsico, (2) um sentido alegrico ou espiritual e (3) um sentido antropolgico ou moral. Mas por vezes os alexandrinos desconsideravam o sentido literal e encontravam numerosas mensagens espirituais numa nica passagem, criando assim toda uma escala de interpretaes alegricas.3 A interpretao alexandrina era basicamente prtica. A obra desses intrpretes alegricos compreendida apenas quando se percebe isso. </p><p>Os sucessores de Orgenes foram questionados pela escola de Antioquia, que dava nfase interpretao literal e histrica. Entre os mais destacados intrpretes da escola de Antioquia estavam Joo Crisstomo (347-407 d.C.) e Teodoro de mopsustia (c. 350-428 d.C.). Eles entendiam a inspirao bblica como uma ativao momentnea da percepo e compreenso dos autores, em que a atividade intelectual permanecia sob controle em nvel consciente. 4 Os intrpretes de Antioquia concentravam-se nos alvos e nas motivaes dos escritores bblicos, no uso que faziam das palavras e em seus mtodos. Eles acreditavam que o sentido literal e histrico da Bblia era primordial e as aplicaes morais eram dele extrados. </p><p>A exegese madura de Teodoro e Crisstomo, ainda que literal, no era um literalismo cru nem rgido que no reconhecia figuras de linguagem no texto bblico. Dando continuidade aos costumes anteriores de Jesus e da igreja primitiva, os mestres de Antioquia liam as Escrituras de maneira cristolgica, pela aplicao da interpretao tipolgica. </p><p>Quando a igreja entrou no sculo V, desenvolveu-se uma abordagem ecltica e multifacetada de interpretao5, que s vezes destacava o literal e histrico, e s vezes, o alegrico, mas sempre o teolgico. Agostinho (354-430 d.C.) e Jernimo (c. 341-420 d.C.) definiram os rumos desse perodo. O texto bblico era interpretado em seu contexto mais amplo, compreendido como o cnon da Bblia. </p><p>2 HALL, Christopher A. Lendo As Escrituras Com Os Pais da Igreja. Viosa-MG: Ultimato. 2003, p. 39. </p><p>3 BERKHOF, Louis. Princpios de interpretao bblica. So Paulo: Cultura crist. 2004, p. 76. </p><p>4 BLANKENBAKER, Frances. Quero entender a bblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p.98. </p><p>5 PESTANA, lvaro Csar. Do texto parfrase. So Paulo: Editora Vida crist. 1992, p.126. </p></li><li><p>5 </p><p>O cnon estabelecia parmetros para validar tanto a interpretao tipolgica como alegrica, de modo que o significado histrico permanecesse bsico, ainda que o sentido espiritual mais profundo no fosse desconsiderado. No predominavam nem as prticas alegricas de Alexandria, nem as nfases histricas de Antioquia. Emergiu um equilbrio influenciado por interesses pastorais e teolgicos. A Bblia era vista da perspectiva da f, produzindo interpretaes que davam nfase edificao da igreja, ao amor ao prximo e, principalmente, ao conhecimento de Deus e amor por ele. </p><p>Ser proveitoso identificar as metodologias da igreja primitiva com os seguintes modelos ou pontos de apoio: </p><p>a) O modelo pietista ou funcional, dos pais apostlicos; b) O modelo dogmtico ou autorizado, dos apologistas; c) O modelo alegrico ou orientado para o leitor, dos alexandrinos; d) O modelo histrico-literal ou orientado para o autor, dos antioquenos e e) O modelo cannico ou orientado para o texto, de Agostinho e Teodoreto. 6 </p><p>A Idade Mdia e a Reforma </p><p>Da poca de Agostinho, a igreja, seguindo a liderana de Joo Cassiano (que morreu em cerca de 433), abraou a teoria do sentido qudruplo das Escrituras: </p><p>1) O sentido literal era o que podia nutrir as virtudes da f, esperana e amor. Quando no o fazia, o intrprete podia apelar s trs virtudes complementares, em que cada sentido equivalia a uma das virtudes. </p><p>2) O sentido alegrico referia-se igreja e sua f, quilo em que ela devia crer. 3) O sentido tropolgico7 ou moral referia-se aos indivduos e ao que eles deviam fazer, </p><p>correspondendo ao amor. 4) O sentido anaggico 8 indicava a expectativa da igreja, correspondendo esperana. Por </p><p>exemplo, a cidade de Jerusalm, em todas as referncias na Bblia, era compreendida literalmente como uma cidade judaica, alegoricamente como a igreja de Jesus Cristo, antropologicamente como as almas de homens e mulheres e anagogicamente como a cidade celestial. O sentido qudruplo caracterizou a interpretao na Idade Mdia. </p><p>Martinho Lutero (1483-1546), o grande reformador, comeou empregando o mtodo alegrico, as depois afirmou t-lo abandonado. </p><p>Martinho Lutero (1483-1546), o grande reformador, comeou empregando o mtodo alegrico, mas depois afirmou t-lo abandonado. </p><p>Foi Erasmo (1466-1536), mais que Lutero, quem redescobriu a primazia do sentido literal. Joo Calvino (1509-1564), o maior intrprete da Reforma, desenvolveu a nfase no mtodo </p><p>histrico-gramatical como base para o desenvolvimento da mensagem espiritual a partir da Bblia. A nfase de Lutero num sentido mais pleno localizado no significado cristolgico das Escrituras ligava os reformadores a Jesus, aos apstolos e igreja primitiva. </p><p>Geralmente se acredita que os sucessores dos reformadores encolheram a liberdade de interpretao empregada por Lutero e Calvino. Apesar de ser uma declarao genrico e super-simplificada, verdade que eles conduziram sua exposio da Bblia ao longo de novas fronteiras teolgicas. Essa nova forma resultou numa interpretao autorizada e dogmatizada. Quase simultaneamente, o pensamento iluminista comeou a se desenvolver. </p><p>6 DOCKERY, David S. Hermenutica contempornea luz da igreja primitiva. SP: Vida, 2005, p. 153. </p><p>7 Tropologia. [Do gr. tropologa, linguagem figurada.] Substantivo feminino. 1.Uso de linguagem figurada. 2.Tratado </p><p>acerca dos tropos. 8 Anagogia. [Do gr. anagog, ao de fazer subir, + -ia1.] Substantivo feminino. 1.Elevao da alma na contemplao das </p><p>coisas divinas; xtase, arrebatamento, enlevo. 2.Interpretao das Sagradas Escrituras, ou de outras obras, como as de Virglio, Dante, etc., que permite passar do sentido literal ao sentido mstico. </p></li><li><p>6 </p><p>Esse movimento rejeitava as abordagens autorizadas e dogmticas, resultando em duas reaes: (a) um novo pietismo associado a Philipp Jakob Spener (1635-1705) e August Herman Franke (1663-1727) e (b) um mtodo histrico-crtico que destacava a importncia da interpretao teolgica da Bblia. </p><p>Inicialmente, tambm Lutero ainda se encontrava no mbito da tradicional doutrina eclesistica do sentido qudruplo da Escritura e estava convencido da legitimidade e necessidade da alegorese. Seu rpido abandono do mtodo escolstico, bem como sua compreenso totalmente nova da tarefa da teologia e da essncia da Igreja como comunidade que vive da palavra anunciada, no resultaram apenas na nfase cada vez maior no sentido literal (sensus literalis). Lutero continuou a usar amplamente o mtodo alegrico. Sua reforma, porm, trouxe mais do que uma modificao do mtodo exegtico. Ela deu incio libertao da Escritura do cativeiro babilnico da Igreja sob o predomnio da doutrina eclesistica, magistrio, tradio e harmonizao alegrica. Tambm a reao da ortodoxia posterior bem como de toda neo-ortodoxia somente conseguiu frear ou encobrir essa tendncia, mas jamais conseguiu det-la. Se a Escritura norma normativa, ento a interpretao se torna a principal tarefa teolgica.9 </p><p> A era atual tem geralmente se mantido em uma das trs direes; a abordagem reformada, a pietista ou histrico-crtico. </p><p> A era atual </p><p> A era atual testemunhou o surgimento e o desenvolvimento de vrias abordagens crticas das Escrituras. A interpretao existencial tem sido amplamente cultivada no sculo XX, principalmente sob a influncia de Rudolf Karl Bultmann (1884-1976). Essa abordagem declarava que os intrpretes deviam projetar-se na experincia do autor para reviv-la. </p><p>A Nova Hermenutica desenvolveu-se da abordagem existencial. Eles consideravam a interpretao como a criao de um evento lingstico em que a linguagem autntica da Bblia confronta leitores contemporneos, desafiando-os deciso e f. </p><p>Foi Deus quem nos deu a capacidade de raciocinar e de analisar logicamente as coisas. Entretanto, o racionalismo esqueceu-se de que a razo do homem est corrompida pelo pecado. A simples anlise racional no pode trazer o verdadeiro conhecimento de Deus ao homem. O homem natural no entende as coisas do Esprito de Deus (1 Co 2.14). somente com a assistncia do Esprito, trazendo cativo todo pensamento obedincia de Cristo (2 Co 10.5), que podemos apropriadamente entender as coisas de Deus. A exegese racionalista predominou por muitos anos a Igreja. Mas seu predomnio comeou a ser quebrado quando dos prprios intrpretes racionalistas perceberam as limitaes do mtodo histrico-crtico. A, entramos no perodo chamado de ps-moderno. Essa fase da histria da interpretao crist das Escrituras nos ensina...</p></li></ul>