Hermenêutica Jurídica

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Hermenutica Jurdica

ndicePRLOGO _______________________________________________________ 4 PRELDIO ______________________________________________________ 5 1. Hermenutica e interpretao _______________________________________ 5 2. Hermenutica e compreenso________________________________________ 8 3. A polifonia contempornea________________________________________ 13 4. Verdade e seduo _____________________________________________ 16 5. Estrutura do trabalho ___________________________________________ 19 CAPTULO I - DO NATURALISMO AO POSITIVISMO________________________ 20 1. O direito moderno _____________________________________________ 20 2. Crise do jusracionalismo _________________________________________ 26 3. A formao do positivismo ________________________________________ 30 CAPTULO II - O LEGALISMO POSITIVISTA _____________________________ 32 1. A reduo do direito lei_________________________________________ 32 2. A interpretao do novo direito _____________________________________ 37 3. A hermenutica imperativista ______________________________________ 41 4. A Escola da Exegese ___________________________________________ 44 CAPTULO III - O POSITIVISMO NORMATIVISTA _________________________ 50 1. Desenvolvimento de uma conscincia histrica ____________________________ 50a) Do imperativismo ao historicismo __________________________________________________ 50 b) Entre juristas e gramticos ________________________________________________________ 54

2. Do historicismo ao conceitualismo: Savigny _____________________________ 57a) A introduo do historicismo______________________________________________________ 57 b) Da histria ao sistema ___________________________________________________________ 61

3. A jurisprudncia dos conceitos______________________________________ 64a) Da tcnica cincia _____________________________________________________________ 64 b) Por uma cincia do direito ________________________________________________________ 67 c) Anlise dos conceitos: a cincia do direito como qumica jurdica __________________________ 71

4. Hermenutica sistemtica _________________________________________ 75a) Para alm da vontade do legislador _________________________________________________ 75 b) Dos conceitos ao cdigo _________________________________________________________ 80 c) A dupla sistematizao do direito___________________________________________________ 82

5. Teoria do ordenamento jurdico _____________________________________ 84a) Tipos de sistemas: orgnicos e lgicos _______________________________________________ 84 b) Caractersticas do sistema jurdico __________________________________________________ 86 Fechamento_________________________________________________________________ 86 Completude: o problema das lacunas _____________________________________________ 87 Coerncia: o problema das antinomias ____________________________________________ 88

CAPTULO IV - O POSITIVISMO SOCIOLGICO __________________________ 91 1. A introduo do argumento teleolgico ________________________________ 91a) Normativismo e liberalismo _______________________________________________________ 91 b) A crise da legislao novecentista___________________________________________________ 93

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c) Por uma verdadeira cincia do direito ______________________________________________ 105 d) Interpretao teleolgica ________________________________________________________ 110

2. Correntes de matriz sociolgico _____________________________________111a) Precursores de uma jurisprudncia teleolgica: Bentham e Jhering ________________________ b) A jurisprudncia sentimental do bom juiz Magnaud ___________________________________ c) A escola da livre investigao cientfica de Franois Gny _______________________________ d) O movimento do direito livre de Ehrlich e Kantorowicz________________________________ e) Escola sociolgica norte-americana ________________________________________________ 111 115 119 123 127

CAPTULO V - NEOPOSITIVISMO _____________________________________129 1. Entre poltica e direito___________________________________________129a) A politizao velada do discurso hermenutico _______________________________________ 129 b) O esclarecimento da politizao___________________________________________________ 132 c) O neopositivismo aplicado ao direito_______________________________________________ 135

2. A Teoria Pura do Direito ________________________________________139a) A estrutura do direito ___________________________________________________________ 139 b) A hermenutica kelseniana_______________________________________________________ 141 c) Recepo da teoria pura do direito _________________________________________________ 148

3. O Realismo jurdico ____________________________________________149 4. Os limites do neopositivismo _______________________________________153 CAPTULO VI - O SENSO COMUM DOS JURISTAS__________________________154 1. O novo senso comum ____________________________________________154 2. A Jurisprudncia dos interesses _____________________________________161 3. O sentido objetivo da lei__________________________________________165 Francesco Ferrara e a mens legis _________________________________________________ 167 Carlos Maximiliano e o sentido objetivo da lei ________________________________________ 169

4. Consolidao do argumento teleolgico_________________________________172 CAPTULO VII - O CRUZAMENTO DOS CAMINHOS: HERMENUTICA FILOSFICA E JURDICA __________________________________________________________175 1. Os limites metodolgicos da hermenutica tradicional _______________________175 2. Betti e a busca de uma metodologia para a hermenutica jurdica _______________179a) Definio dos problemas a serem enfrentados ________________________________________ b) O enquadramento da hermenutica jurdica nos quadros de uma hermenutica geral __________ c) Os tipos de interpretao ________________________________________________________ d) Os quatro cnones hermenuticos _________________________________________________ 179 180 181 182

3. Hermenutica e mtodo __________________________________________184 CAPTULO VIII - DA TEORIA DA INTERPRETAO TEORIA DA ARGUMENTAO _________________________________________________________________189 1. Entre verdade e validade _________________________________________189 2. Relendo Aristteles: o retorno da retrica_______________________________193 3. A reviravolta pragmtica no direito __________________________________199 4. A vertigem do abismo ___________________________________________202 5. Da impessoalidade moderna ao auditrio universal ________________________205 6. Do auditrio universal pragmtica universal ___________________________211 7. A teoria da argumentao de Alexy__________________________________220

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CAPTULO IX - PARA ALM DAS TEORIAS DA ARGUMENTAO ______________227 1. A falncia das teorias da argumentao _______________________________227 2. Entre perspectivas externas e internas_________________________________231 3. A fundao de uma nova mitologia jurdica _____________________________235 EPLOGO ______________________________________________________240

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ______________________245

PrlogoEste um trabalho sedimentar, pois ele constitudo de vrias camadas, escritas em tempos diversos, que reunidas contm as reflexes sobre hermenutica que tenho desenvolvido e reelaborado desde que me tornei professor desta matria, em 2000. Em sua conformao, os estratos mais antigos esto no centro do trabalho e, medida que nos aproximamos do incio e do fim, eles se tornam mais recentes. O crescimento do texto foi menos planejado que orgnico, pois seguiu as intuies e as necessidades de cada momento. Muitos dos trechos foram reescritos vrias de vezes ao longo dos anos, sofrendo grandes alteraes tanto de contedo quanto de estilo. E devo confessar que foi somente ao escrever o eplogo que ficou claro para mim que eu leio este livro como uma narrativa da gradual historicizao do pensamento hermenutico, tanto na filosofia quanto no direito. Durante o processo de escrita, o sentido geral permaneceu relativamente aberto, e sempre me foi difcil descrever a pesquisa de uma maneira unitria. Mas somente quando o crculo se fecha que elaboramos um sentido para a obra, e creio que isso s foi possvel porque agora eu posso olh-lo mais na perspectiva de leitor que na de autor. Por maior que seja o esforo autoreflexivo da hermenutica, o autor sempre muito opaco a si mesmo, aos seus motivos inconscientes, aos seus preconceitos silenciosos, s lacunas do seu horizonte de compreenso. Por isso mesmo que o olhar externo enriquece a interpretao das vozes alheias, de tal modo que o sentido de uma obra construdo nessa espcie de dilogo virtual que a leitura propicia e tambm no dilogo efetivo com os vrios envolvidos no processo da construo desses significados. E essa conscincia d um sentido especial para o rito da avaliao por uma banca em que se cruzam tantas leituras. Porm, antes de passar ao prprio texto, gostaria de agradecer a todos aqueles que me ajudaram a constru-lo, pois ele foi elaborado no constante dilogo com os meus alunos de hermenutica jurdica na Universidade de Braslia e os meus colegas da ps-graduao e do Grupo de Estudo em Direito e Linguagem (Gedling). Em4

especial, agradeo Luciana e ao Felipe, a quem devo uma cuidadosa reviso da maior parte dos captulos. E, por fim, gostaria de dedicar este trabalho a quem me acompanhou mais de perto em sua composio, que foi o meu irmo Henrique, que leu cada camada medida que foi sendo escrita e conversou comigo longamente sobre cada um dos pontos desta obra. Suas palavras foram o principal espelho em que eu pude compreender as minhas.

PreldioEste trabalho um discurso sobre os modos de compreenso do direito. Ele escrito em primeira pessoa, pois quem fala o meu eu concreto, e no um