JáÉ! - 4ª edição

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    06-Mar-2016

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Jornal da Agncia Experimental em Comunicao e Cultura - UFBA

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  • J 1

    Dkebrada, na contramodo sensacionalismoTv Interativa traz reportagens positivas sobre os bairros perifricos de Salvador PGINA 7

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    Comuna: Entrevista com professor Severino sobre o Obser-va-trio Universitrio da Cultura Popular. P. 4

    Fub:Projeto GeografAR e ACC Memria Social, o olhar da UFBA sobre as comunida-des P. 8

    Entre na Roda:Reinaldo Nunes, vivendo a arte. P. 6

    Abril de 2013, Ano III, nmero 4Agncia Experimental em Comunicao e Cultura (FACOM/UFBA)jae.agenciaexperimental@gmail.com jaeonline.wordpress.com

    J!

  • J 2

    A quarta edio do J! continua com a colaborao dos colegas de outros cursos e de moradores de comunidades de Salvador na editoria Territrio Livre. Continua tambm produzindo reportagens com temticas voltadas para trabalhos realizados em comunidades baianas. Entretanto, contamos com o novo layout do jornal, que fi-cou mais moderno e divertido.

    Na editoria Fub trazemos um pouco dos trabalhos desempenha-dos pela comunidade acadmica da UFBA como a ACC e o projeto GeografAR. Na editoria Comuna trazemos uma entrevista com o pro-fessor Jos Roberto Severino, tutor da AECC, respondendo a pergun-tas sobre o Observatrio Universitrio da Cultura Popular, projeto da AECC/ UFBA. Em Politiqus temos um matria sobre o projeto DKe-brada Tv Interativa, onde jovens do Nordeste de Amaralina gravam programas com contedo positivo acerca dos bairros perifricos de Salvador. A Entre na Roda traz toda a experincia teatral de Reinal-do Nunes e seus trabalhos comunitrios.

    Para aqueles que desejarem contribuir para a prxima edio do J!, com textos, poemas, crticas, tirinhas, charges, ilustraes, etc, basta enviar para jae.agenciaexperimental@gmail.com com o assunto Territrio Livre. Ressaltando que o J! foi idealizado para trazer a luz sobre acontecimentos e assuntos oriundos de comuni-dades baianas.

    Ento, se quiser contribuir com nosso Fub, Entre na Roda, pois o nosso Territrio Livre. J!?

    ExpedienteJornal produzido pela Agncia Experimental em Comunicao e Cultura/ Facom/UFBA

    Tiragem: 1000 exemplaresEditora: Emile ConceioReprteres: Emile Conceio, Glucio Vincius, Naira DinizFotgrafos: Gabriele Silva, Luciano Marins, Emile ConceioDiagramao: Lucas Josu Dias Impresso: Edufba

    EDITORIAL territrio livre

    Bem vindos Calouros 2013.1!!!

    A equipe J! e a Agncia Experimental em Comunicao e Cultura parabenizam os novos graduandos da Faculdade de Comunicao da UFBA. Sabemos da dificuldade de passar no vestibular de uma universidade to cobiada como a UFBA. As noites mal dormidas, ou no dormidas, a falta de vida social, as horas, dias, semanas, meses, anos de estudo para passar no curso escolhido, o medo da concorrncia, o nervosismo no dia da prova. Tudo isso acabou, e felizmente, para vocs sortudos, o final foi feliz. Parabns!

    Aproveitamos para informa-los que a AECC, em breve, far mais uma edio do Acolhimento de novos membros para a instncia. Acolhi-mento sim, seleo no! Ento, caso vocs queiram fazer parte da nossa equipe, fiquem ligados no nosso mural, nos nossos perfis nas redes sociais e nos nossos blogs, pois em breve divulgaremos os diasde Acolhimento e Formao de novos membros.

    Saiba mais sobre a AECC em: agenciaufba.wordpress.com observatoriodaculturapopular.wordpress.com jaeonline.wordpress.com

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    territrio livreDesabafo de um pedestre beira de um ataque de nervos

    AAAAAAAAAAAAAH! Como estou cansado dessa vida de pedestre! As mesmas coisas se re-petem dia aps dia. Quando saio de manh o nibus t cheio e ningum segura meus livros. Quando deso do nibus tm um milho de carros estacionados no passeio e eu tenho que andar pela pista, escutando as buzinas dos mesmos motoristas que ocupam as caladas. Sem falar nos motoqueiros que parecem, a todo tempo, querer me matar. Quando vou atra-vessar a rua eles aparecem do nada voando para cima de mim. Algumas vezes at sobem no passeio. Se isso no perseguio, no sei de que se trata!

    Quando finalmente hora de voltar para casa, mais um nibus cheio. Ah! E ningum segura minhas coisas. Pra variar!

    Pelo menos alguns pensamentos malucos me consolam: quando estiver sentado no nibus no vou segurar as coisas de ningum; quando for motorista de carro vou estacionar no passeio; quando for motoqueiro vou assustar todo mundo fingindo que vou atropel-las. H, H, H...

    ao amor que me move (Camila Brito - Produo Cultural UFBA http://mangueiradasaladerecepcao.blog-spot.com.br/) Quantas voltas at lhe acharquantos desencontros at nos encontrarmoso tempo lhe trouxe, me trouxee hoje estamos aqui, assim onde devemos estarcomo a vida assim se mostrato bela e rotineirae voc me preenche, me conforta, me alimentavoc me completae hoje h tanto o que falar, o que sentir, viverquanto amor para seguirmos em frentemergulhamos em nossos prprios desejosos mais sinceros, verdadeiros, belosmergulhamos em nossa prpria verdadeno amor que construmos a cada diae ainda h muito, h tantoassim como me envolvescomo em tuas mos deixo minha alegria

    Amo-te por quem se como em mim te acendesAmo-te porque soue como em ti nasoAmo-te meu bem,por completo.

    ORAO POTICA (Alberico Manoel escritor - Aluno BI Arte)

    Ave Maria, olha as desgraas! !O senhor conosco e protegei a todos;Todos os pobres e fracos,Todos os ricos e desesperados,Infelizes e maltratados pela maldade alheia,Que tanto semeia,Discrdia e ambio, Fome e destruio;Ao vosso ventre Senhora!!Acolhei a todos ns que a ti procuram;Santificado seja o vosso nome,Da justia e da paz,Da igualdade e do amor,E digamos Amm! !Pela unio de todos os povos,Pela fraternidade dos povos teus,Pela prosperidade dos irmos seus e meus,E a harmonia celestial,A totalizar nesse mundo seu e meu.

    Poema sem ttulo (Camila Brito)

    Por entre os lbios surgem, enrroscadas luvasdesvendando os sis de fascas pulsantese o cu privado queixa-se das sombras fin-dasdos tempos de rezaa tanto, postos passadoso dia enfim chegastee assim expostas as carnes veladasdesfaz-sederretee lquida, brancaretorna para olhar a lua.

    Sabedoria (Paula Ruiz)

    o momento de pensar, repensar, analisarTudo que aconteceu, coisas boas e ruinsTirar ensinamentos e coisas boas de cada situaoPermanecer firme e mostrar para a dor queEla no to forte quanto pareceNo ter medo de recomearRecomear quantas vezes for precisoMuita coisa ainda est por virO tempo passa depressaSbio aquele que aproveita cada hora, minuto e segundoPara lutar, ajudar, aprender e no tem medo de errar errando que se aprende e constri o caminho.

  • J 4

    comuna comuna

    um pouco mais sobre severino e o observatrioNesta edio do J optou-se por tornar mais conhecido um dos projetos realizados pela AECC - Agncia Experimental em Comunicao e Cultura, o Observatrio Universitrio da Cultura Popular. E para tanto foi entrevistado o professor Jos Roberto Severino, ou simplesmente Severino como conhe-cido na Facom - Faculdade de Comunicao da UFBA, tutor da AECC. Nessa entrevista Severino conta uma pouco da sua trajetria profissional e como funciona o Observatrio.

    O professor Severino

    Jos Roberto Severino natural de Itaji, Santa Catarina. His-toriador, especialista em historiografia, mestre em festas e polticas de cultura na produo de identidades e doutor em cultura em grupos oriundos de populaes imigrantes.

    Buscando atuar em sua rea de interesse prestou concurso para professor da UFBA em 2009, no qual foi aprovado. A dis-ciplina visada na poca era Polticas de Cultura e da comuni-cao. Desde ento professor da Faculdade de Comunica-o da UFBA, em cursos de graduao e de ps-graduao. Quando questionado se a experincia de trabalho na Facom tem sido satisfatria, Severino responde: Claro. Tanto no en-

    sino, como na pesquisa e na extenso, tenho desenvolvido atividades correlatas ao meu tema..

    Trabalhou tambm em Blumenau, na FURB - Fundao Uni-versidade Regional de Blumenau e no interior do estado de Santa Catarina na formao de gestores em cultura e profes-sores da rede pblica de ensino. No momento desenvolve atividades no grupo de pesquisa do Diversitas - Ncleo de Estudos das Diversidades, Intolerncias e Conflitos da FFLCH - Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da USP - Universidade de So Paulo.

    As pessoas tm muito receio das atividades da universidade, prin-cipalmente no quesito

    retorno.

    EmilE ConCEio

    Foto: luCiano marins

  • J 5

    comunaO OBSERVATRIO UNIVERSITRIO DA CUL-TURA POPULAR

    J - Quem foi o idealizador do Observatrio Universitrio da Cultura Popular?

    Severino - O professor Giovandro [Marcos Ferreira, Diretor da Facom/ UFBA] apresentou o projeto, a partir da experin-cia dos alunos da AECC - Agncia Experimental em Comuni-cao e Cultura e do CCDC - Centro de Comunicao, Demo-cracia e Cidadania.

    J - Qual foi o processo para colocar a ideia em prtica?

    Severino - Foi feita a seleo dos alunos na Agncia [Ex-perimental em Comunio e Cultura], e depois discutida a metodologia de entrevistas. O protagonismo foi dos alunos.

    J - Para os leigos, o que o Observatrio Uni-versitrio da Cultura Popular?

    Severino - So feitas entrevistas a partir de um recorte discutido no coletivo da Agncia . Depois so feitos textos e publicados no blog. A ideia manter um canal de comunica-o com a produo popular da cultura nas redondezas de Salvador.

    J - Inicialmente, quais eram os resultados que visavam alcanar com esse trabalho?

    Severino - Buscou-se fazer um mapeamento da produo cultural popular, criar um ambiente virtual de trocas e acesso ao que se faz nas periferias em termos de cultura e pautar aes que aproximem universidade e sociedade.

    J - Quais so os desafios que foram e ainda so enfrentados durante os mapeamentos?

    Severino - As pessoas tm muito receio das atividades da universidade, principalmente no quesito retorno. So tantos os trabalhos escolares que acabamos sofrendo os reveses desta inflao de aes assistencialistas ou meramente ex-ploratrias de nossas periferias. A questo do para que ser-ve isso tambm permeia a resistncia.

    J - Os resultados obtidos durante a primeira etapa de mapeamentos foram satisfatrios?

    Severino - A expresso resultados no ajuda muito a defi-nir o que aconteceu depois da ao de mapeamento, contu-do, cabe ressaltar as possibilidades de novas dinmicas inter grupos e aos laos desenvolvidos entre alunos e alguns dos grupos mapeados.

    J - Em relao aos alunos que fizeram os ma-

    peamentos, quais foram os benefcios, em ter-mos de conhecimento e prtica profissional, obtidos por eles?

    Severino - Creio que aes fora da universidade, por si s, j colocam os acadmicos em posio de relativizao de seus saberes. Penso que a extenso universitria permite aos alunos forjar uma formao mais perto das demandas reais do lugar onde moram e pretendem atuar. Alm do mais, projetos como esse, praticamente geridos pelos alunos, pos-sibilitam o exerccio de tomar decises, trabalhar em equipe e topar com as intempries da vida profissional.

    J - O que est previsto pra o futuro do Obser-vatrio?

    Severino - O Observatrio hoje um projeto junto ao pro-grama permanecer (de onde vem as bolsas) e AGEPEX (ins-tancia de extenso da Facom), e penso que tem como futuro o que projetamos como coisas a fazer. Por exemplo, neste ano estarem atuando nos mesmos bairros de antes [Subr-bio Ferrovirio, bairros do entorno da UFBA e Rio Vermelho.], acrescentando Santo Amaro (no recncavo) e Boca do Rio.

    O Observatrio Universitrio da Cultura Popular um projeto aprovado atravs do edital 2010 MEC/ SESu e tem por objetivo fazer um mapeamento e um diagnstico da produo cultural comunitria da cidade do Salvador. A inteno desse mapeamento dar maior visibilidade a esses produtores comunitrios de cultura. No s nas co-munidades onde esto inseridos, mas para que pessoas de outros bairros, cidades e at mesmo pases possam conhec-los.

    Para conhecer melhor o trabalho dos Agenciadores Expe-rimentais no Observatrio acesse http://observatorioda-culturapopular.wordpress.com.

    Penso que a extenso universitria permite aos alunos forjar uma formao mais perto das demandas reais

    do lugar onde moram e pretendem atuar.

  • J 6

    entre na roda politiqus

    Reinaldo Nunes, soteropolitano, ator, ex-estudante da ETUFBA [Escola de Teatro da UFBA], um dos fundadores da Companhia Baiana de Comdia [primeira compa-nhia profissional de teatro da Bahia], membro aposentado da FUNCEB [Fundao Cultural do Estado da Bahia], professor de teatro, ex-gerente dos Centros de Cultu-ra da Bahia e descobridor de talentos. Do alto de seus 74 anos de idade e de seus 60 anos de teatro, pode-se dizer que sua vida conta a histria do teatro baiano.

    Certamente, Reinaldo tem muitas histrias para contar sobre suas experincias teatrais, mas o que realmente interessa aqui saber de seus trabalhos junto populao menos abastada e carente de arte. Sua primeira experincia com ato-res da periferia foi no Centro Integrado de Educao Luiz Tarqunio, localizado no bairro da Boa Viagem, em 1982. Ele foi convidado pela direo do colgio para ministrar aulas de teatro e gostou muito. Foi l que conheceu Margareth Menezes, uma de suas descobertas. As pessoas dizem que eu a descobri, eu no descobri Margareth Menezes, Deus fez com que ns nos encontrssemos. Ela era excelente companheira, excelente aluna, aplicadssima., diz o ator.

    Em 1984, j como funcionrio da FUN-CEB, Nunes foi convidado por Cristina Mendona, coordenadora do Projeto de Dinamizao Cultural dos Bairros Peri-fricos na poca, para ensinar teatro no bairro do Cabula. Juntamente com as bailarinas Lcia Santana e Teresa Oli-veira, fundou o Ncleo Cultural do Ca-bula. Posteriormente, em conjunto com mais 80 pessoas de vrios grupos de produo e expresso cultural no bair-ro, foi criado o GRUTECA (Grupo de Tea-tro do Cabula). Entre as realizaes do grupo a mais importante foi, a primeira e nica at hoje, Jornada de Arte dos Bairros. Porm, com a mudana de go-verno as polticas tambm foram alte-radas e consequentemente o GRUTECA acabou.

    As pessoas di-zem que eu a descobri, eu no descobri

    Margareth Me-nezes(...)

    Aos 63 anos, Reinaldo foi convidado a trabalhar no Centro Social Dom Lucas Moreira Neves, ONG mantida pela igre-ja catlica no bairro Alto do Peru. Na poca a instituio tentava promover a educao e a formao de mo de obra atravs da arte e da cultura comu-nitrias. Foi fundado o grupo de teatro Cl/ Destino que com a participao de crianas, jovens, adolescentes e idosos efetuava um trabalho que era bastan-te reconhecido na regio. Entretanto, mais uma vez por causa do poder de superiores os planos foram mudados. A direo do CSDL foi mudada, as diretri-zes tambm e a parte cultural do traba-lho ficou de lado.

    Hoje aos 74 anos, o velho ator no pen-sa em parar de fazer o que ama: teatro. Mas v com olhar pessimista a atual cena teatral baiana. Eu no vejo, eu no sinto o teatro na Bahia. A arte da Boa Terra um emaranhado de shows carnavalescos e juninos.

    EmilE ConCEio E GlaCio VinCius

    Reinaldo Nunes, vivendo o teatro

    Foto: aGEnor Godinho

  • J 7

    politiqus

    Enquanto nos programas jornalsticos, principalmente os policialescos e sensacionalistas, mais vistos a viso disse-minada acerca dos bairros perifricos de violncia, trfico, assassinatos, pobreza e sofrimento, os jovens idealizadores e realizadores do DKebrad...