Lapidacao de Gemas e Diamantes

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    16-Nov-2015

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Lapidacao de Gemas e Diamantes

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<ul><li><p>MINISTRIO DE MINAS E ENERGIA </p><p>COMO LAPIDAR UMA GEMA </p><p>Uma pedra lapidada constituda de mesa, coroa, pavilho, cintura e culassa, culote ou culete. </p><p>A mesa fica situada na poro superior da pedra, geralmente horizontal, e corresponde a maior faceta lapidada de uma pedra. </p><p>A coroa corresponde aos conjuntos de facetas, situadas logo abaixo da mesa, cada conjunto de facetas apresenta o mesmo ngulo de inclinao, que por sua vez difere da angulao conjunto(s) de facetas disposto(s) imediatamente abaixo. </p><p>O pavilho corresponde ao conjunto de facetas situadas na poro inferior da pedra, e que devem terminar em uma extremidade pontual, denominada culassa ou culote. </p><p>A cintura formada pelo encontro da coroa com o pavilho. </p><p>O processo de lapidao de uma gema envolve vrias etapas: </p><p>1. CLASSIFICAO DA GEMA NO ESTADO BRUTO </p><p>2. FORMAO NO REBOLO </p><p>3. ENCANETAMENTO </p><p>4. CORTE OU FACETAMENTO </p><p>5. POLIMENTO DAS FACETAS </p><p>A lapidao consiste em talhar a pedra em bruto visando ressaltar sua cor e brilho naturais. A tcnica de lapidao consiste de trs etapas principais desbaste, facetamento e polimento. </p><p>1. CLASSIFICAO DA GEMA </p><p>As gemas apresentam beleza, cor, dureza, durabilidade e esplendor, qualidades estas que permitem fazer com que elas atinjam altos valores, tanto as que se encontram no estado bruto lapidvel quanto as lapidadas. </p><p>A gema em bruto ao ser retirada da mina ou garimpo forada por alavancas ou sofre uma srie de golpes para ser retirada. Ao ser limpa, visando melhorar o seu aspecto, volta a sofrer pequenas pancadinhas com uns martelinhos, para seleo das partes cristalizadas e retirada das partes inaproveitveis em lapidao. Aps isso efetuado um minucioso exame e diagnstico para determinar e localizar os defeitos que a gema apresenta. Deve ser observado tambm a intensidade e uniformidade de distribuio da cor e a determinao da direo dos eixos principais de cristalizao. </p><p>Algumas gemas no apresentam colorao uniforme, as falhas de cor ou as partes onde as cores so mais acentuadas devero ser localizadas, de tal forma que ao ser serrada, se possa tirar o mximo de proveito orientando o corte no sentido da cor, visando com isso obter pedras mais coradas e de maior valorizao, por exemplo um pequeno ponto de acentuada colorao deve ser localizada no final do pavilho da pedra, pois o mesmo ser refletido por toda a pedra, acentuando sua colorao e com isso aumentando seu valor comercial. </p><p>Aps a localizao das qualidades da gema e dos defeitos, passam a ser examinadas as possibilidades de dividi-la em fragmentos de tamanhos convenientes ao uso, de tal forma que possam ser eliminados os defeitos ao mximo e cada fragmento venha a produzir uma gema lapidada. </p><p>As pedras em bruto com tamanhos pequenos nem sempre precisam ser serradas, vo diretamente para o rebolo formador, para lhe fornecer a geometria (forma), se quadrada, retangular, redonda, oval, etc. Outras um pouco maior sero serradas em duas, trs ou quatro. </p><p>Uma pedra grande necessita de cuidados especiais, e uma boa prtica abrir uma janela na superfcie irregular ou despolida da gema. O termo abrir uma janela consiste em fazer na pedra em bruto, uma pequena faceta polida, atravs da qual se poder localizar com mais segurana a orientao da direo da cor e a posio dos defeitos que se pretende eliminar na serragem ou nos desbastes posteriores (facetamento e/ou polimento). O melhor processo para serragem das pedras grandes o emprego da serra diamantada. </p><p>2. FORMAO NO REBOLO </p></li><li><p>MINISTRIO DE MINAS E ENERGIA </p><p>Nesta operao se esboa a forma semifinal da pedra. As pedras pequenas e os fragmentos da serragem so desbastados a mo livre contra um rebolo de esmeril (ametista, citrino, quartzo esfumaado, quartzo rutilado) ou um rebolo diamantado (gua marinha, turmalina, esmeralda) e adquirem um formato que orientar o lapidrio facetador e o lapidrio polidor sobre a forma definitiva que a pedra lapidada ter. </p><p>3. ENCANETAMENTO </p><p>A pedra esboada ou formada no rebolo assentada em canetas de facetar confeccionadas em madeira dura ou dops metlicos. As canetas de madeira apresentam cerca de 10cm de comprimento e espessura na parte de assentamento da pedra variando de 3mm a 10mm, de acordo o tamanho da pedra. </p><p>O encanetamento consiste em prender a pedra em um suporte para que possa ser facetada. A adaptao da pedra caneta feita com um cimento base de goma-laca e lacre. O cimento aquecido num bico de gs e rolado num bloco de metal. </p><p>A pedra encanetada pode ainda vir a passar por um desbaste final em rebolo ou j pode ir direto para o facetamento ou corte definitivo da mesa (face superior da mesa, geralmente plana). Com a mesa pronta e a pedra presa na caneta, passa-se operao seguinte que o corte das facetas laterais. </p><p>4. FACETAMENTO LATERAL </p><p>O facetamento consiste em cortar as facetas em um disco posicionado horizontalmente. Esse disco pode ser de chumbo para uso em ametista, citrino, quartzo esfumaado, quartzo rutilado e diamantado (esmeralda, gua marinha, turmalina). </p><p>Os discos de corte so fabricados geralmente em liga de bronze com 75 a 78% de cobre e 25 a 22% de estanho. O disco deve sofrer uma escarificao em sua superfcie e deve utilizar como agente de corte ou p de esmeril ou de carborundum, que deve ser colocado sobre a superfcie escarificada. </p><p>Tipos de Equipamentos de Facetamento </p><p>O facetamento pode ser feito em equipamentos manuais utilizando o sistema tradicional ou os equipamentos semi-automticos dos sistemas modernos. </p><p>Facetamento manual </p><p> feito em uma bancada que consiste de um disco de corte disposto na horizontal e de um suporte ou encosto de madeira de formato retangular ou cnico, com vrios furos, o encosto disposto em um eixo vertical. Os furos do encosto servem para apoiar a extremidade oposta da caneta, na qual j est assentada a pedra. A caneta apoiada em um dos furos do encosto e a pedra, situada no outro extremo da caneta, deve ser pressionada contra o disco de corte, para que possa ser cortada pelo atrito contra o disco de corte. A caneta deve assumir um ngulo pr-definido pelo lapidrio que, com algumas simples mudanas do furo do encosto de madeira, conseguir alterar o ngulo e/ou a posio da caneta (mais alto, mais baixo, mais para a esquerda, mais para a direita) e conseqentemente mudar tambm a posio da pedra que se encontra em sua extremidade oposta. Dessa maneira, o lapidrio consegue cortar as vrias facetas da pedra, estejam elas mais acima, mais abaixo ou lado a lado. </p><p>Facetamento semi-automtico </p><p>Consiste no uso de uma caneta mecnica metlica (dop), que substitui o conjunto encosto-caneta com grandes vantagens, pois a caneta mecnica est fixada a um transferidor com fcil leitura de o a 90o, acoplado lateralmente a ela, permitindo que qualquer ngulo possa ser estabelecido com preciso e com mais facilidade do que no sistema tradicional. A caneta mecnica com o simples manuseio a confeco de do mais simples ao mais complexo estilo de lapidao </p><p>Um dispositivo especial,o index, que consiste de uma circunferncia de metal com dimetro em torno 5 a 6 cm e espessura &lt; 10mm, acoplado extremidade superior da caneta mecnica, permitindo fazer com que a pedra gire em torno do eixo do dop, possibilitando produzir com segurana e perfeio pedras nos formatos quadrado, retangular, triangular, redonda, oval, etc., com tantos lados quanto pretendidos. A diviso de facetas feita atravs de index cambiveis de 32, 64, 80, 96, 120. Os indexes so fabricados com vrias subdivises em arcos iguais de circunferncia; por exemplo o index 32, apresenta trinta e duas subdivises e deve ser utilizado para a lapidao de pedras com eixos de simetria 6. </p><p>Existem mapas ou diagramas circulares que reproduzem as mesmas subdivises existentes no index. O diagrama para oito eixos de simetria apresenta 8, 16, 32, 64, 72, 96 e 120 subdivises da circunferncia em partes iguais. O diagrama para seis eixos de simetria apresenta 6, 12, 24, 48, 96 e 120 subdivises. O diagrama para cinco eixos de simetria apresenta 5, 10, 20, 40, 80 e 120 subdivises, pr-estabelecidos para a confeco de pedras quadradas, sextavadas, etc. </p></li><li><p>MINISTRIO DE MINAS E ENERGIA </p><p>Passos a serem efetuados na lapidao semi-automtica de uma gema com caneta mecnica: </p><p>1. inicialmente efetuar a calibragem da caneta mecnica, colocando o transferidor da caneta no ngulo de 90o </p><p>2. Selecionar o ngulo especfico para cada grupo de gemas </p><p>3. Efetuar o dopeamento (encanetamento) das pedras pr-formadas </p><p>4. Facetamento da mesa da pedra </p><p>5. Facetamento da coroa </p><p>6. Facetamento do pavilho </p><p>7. Efetuar o encontro das facetas da coroa com as facetas do pavilho, na cintura da pedra. </p><p>Na literatura inglesa existem livros especializados em lapidao semi-automtica, que apresentam vrios modelos de lapidao, que podem ser obtidos a partir de diagramas circulares para cinco, seis e oito eixos de simetria. </p><p>5. POLIMENTO DAS FACETAS </p><p>As bancadas de polimento manuais ou semi-automticas so em tudo semelhantes s de corte. Entretanto, os discos de polimento so fabricados com ligas de metais mais macias que variam de acordo com a dureza das pedras a serem polidas. Para pedras duras (crisoberilo e topzio) deve ser usada uma liga de estanho e chumbo em partes iguais, para ametista, citrino, gua marinha e turmalina prefervel uma liga de 1/3 de estanho e 2/3 de chumbo; para pedras com dureza menor, o chumbo puro pode ser usado. </p><p>Os discos s devem ser utilizados aps torneamento e o balanceamento, quando ento devem obrigatoriamente ser ranhurados ou escarificados em forma radial (do centro para a periferia). O p de polimento ou agente de polimento pode ento ser aplicado sob a forma de pasta sobre o disco. Os agentes de polimento mais usados so o trpoli - slica extremamente fina (indicado para ametista, citrino e gua-marinha), o xido de estanho, o p de rubi (indicado para granada, perdoto, topzio e zircnio), e o p de diamante (para corindons). Excepcionalmente o p de diamante pode ser usado em esmeraldas de boa qualidade, quando misturado com vaselina permite um excepcional polimento a esta pedra. </p><p>As formas ou figuras mais comuns de Lapidao so as retangulares, redondas e ovais. </p><p>Os principais estilos de lapidao so: em facetas, em cabucho, mistos </p><p>Alguns defeitos ou irregularidades na lapidao de uma gema podem estar localizados na mesa e/ou na cintura: </p><p>1. Defeitos Localizados na MESA </p><p>1.1) Mesa inclinada em relao a cintura, originada durante a colagem (encanetamento) da pedra e/ou ao polimento defeituoso </p><p>1.2) Mesa excntrica ou descentralizada ocasionada por uma colagem torta, facetamento desigual ou ainda ao polimento defeituoso da faceta da mesa </p><p>1.3) Mesa desproporcional (maior ou menor que 50%) ocasionada por clculo mal feito na ltima etapa do corte ou pelo polimento defeituoso. </p><p>2. Defeitos Localizados na CINTURA </p><p>2.1) Deformao na forma ou calibragem defeituosa </p><p>2.2) Cintura inclinada devido ao facetamento ou ao polimento desalinhado da coroa </p><p>LAPIDAO DO DIAMANTE </p><p>GEMAS LAPIDVEIS </p><p>Segundo Svisero &amp; Franco (1993), o termo gema, derivado do latim, corresponde a toda substncia natural ou sinttica, lapidada, rara, e que por suas propriedades de transparncia, cor, brilho, dureza e certos efeitos pticos especiais- tais como Chatoyance, asterismo, labradorescncia e aventurinizao- pode ser utilizada para fins de adorno pessoal. </p><p>Gemas substitutas e simulantes, so usadas para simular ou substituir o correspondente a outra gema. O diamante, por exemplo, uma das gemas que possui o maior nmero de substitutos. Seus substitutos naturais so a safira incolor (Al2O3) e o zirco (ZrSiO4). J os substitutos sintticos so em </p></li><li><p>MINISTRIO DE MINAS E ENERGIA </p><p>maior nmero, e os mais conhecidos so a titanita (TiO2), a fabulita (SrTiO3), o YAG (Y3Al5O12), o GGG (Gd3Ga5O12), a zircnia cbica (ZrO2). </p><p>O diamante </p><p>Cristalografia - isomtrico-hexatetradrica, talvez hexaoctadrica. Usualmente os cristais so de aparncia octadrica. So comuns os cristais achatados e alongados. Observam-se frequentemente faces curvas, especialmente dos hexatetraedros positivo e negativo, ou do hexaoctaedro. So raras as faces do cubo e do dodecaedro. So comuns os geminados do tipo espinlio, de ordinrio, achatados, paralelamente ao plano do geminado. </p><p>O Bort, uma variedade do diamante, tem formas arredondadas e exterior spero, resultante de um agregado radiado ou criptocristalino. Aplica-se tambm o termo aos diamantes mal coloridos ou com jaa, sem valor como gema preciosa. </p><p>CARACTERSTICAS DE QUALIDADE E A AVALIAO DOS DIAMANTES PARA FINS DE LAPIDAO </p><p>Segundo Del Rey (2002) o lapidrio um arteso habilidoso, que precisa usar o seu bom senso, adquirido com longos anos de experincia, para apresentar a beleza completa de um diamante. </p><p>Segundo Del Rey (op. cit) existem registros de noticias de lapidrios de diamantes estabelecidos em Veneza, vindos provavelmente do Oriente, desde o ano de 1330. De Veneza, que durante certo tempo manteve o monoplio das mercadorias procedentes da ndia, a arte de lapidar difundiu-se para Bruges, na Blgica - por onde passava cerca de 40% do comrcio mundial do sculo XVI, Paris na Frana e Nuremberg na Alemanha. Com a descoberta da nova rota para as ndias, pelo Cabo da Boa Esperana em 1497, a mercadoria chegava a Lisboa e da seguia para a Anturpia na Blgica. H registros de lapidrios na Anturpia datados de 1842, poca em que esta cidade possua aproximadamente 40.000 habitantes. </p><p>O avano evolutivo na arte de lapidar, veio com o famoso Mestre Losewijk van Berckem, natural de Bruges, por volta do ano de 1476, que introduziu a simetria nas facetas, bem como o processo de polimento destas. Algum tempo depois, em torno de 1647, descobriu-se que o diamante podia ser serrado obedecendo algumas direes. Para isto, empregava-se um fio de ferro constantemente impregnado com p de diamante e leo. O fio era montado num arco semelhante ao usado para tocar violino. </p><p>A primeira pessoa que descreveu o processo de serrar o diamante foi Johannes de Laet de Anturpia, em seu livro Digemmis et Lapidibus, em 1647, trs anos antes, em 1644 fora editada a obra de Anselmus Boetius (de Boot) em Lion: Le Parfeit Jaeallier, que descrevia a mesma tcnica para pedras preciosas menos duras, sem referncia ao diamante. </p><p>Por volta da metade do sculo XVII (segundo alguns historiadores em 1644), foi desenvolvido um novo tipo de lapidao, que ficou conhecido como talhe Mazarin (em homenagem ao Cardeal Francs Mazarin). </p><p> atribuda ao veneziano Vincenzio Peruzzi (no final do sculo XVII) a inveno do talhe de 58 facetas, com o contorno da cintura no formato quadrangular, ligeiramente curvo. Com ele estavalanada a concepo bsica do talhe brilhante. </p><p>No sculo XIX foram dominadas trs variaes do talhe Peruzzi. Nesta poca o fornecimento de diamantes era feito em grande parte pelo Brasil, Colnia de Portugal, da os nomes talhe Portugus ou Lisboa e talhe Brasil. No final desse sculo surgem as novas minas da frica do Sul e com elas um novo nome: talhe old mine. </p><p>Posteriormente, surgiram muitas sries de talhes diferentes, at se chegar ao talhe brilhante(*). Em seguida, surgem novidades e o...</p></li></ul>