Lavelle, louis a presença total

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    28-Nov-2014

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  • 1. i i i i i i i i www.lusosoa.net A PRESENA TOTAL Louis Lavelle Tradutor: Amrico Pereira
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  • 3. i i i i i i i i FICHA TCNICA Ttulo: A Presena Total Autor: Louis Lavelle Tradutor: Amrico Pereira Coleco: Textos Clssicos de Filosoa Direco da Coleco: Jos Rosa & Artur Moro Design da Capa: Antnio Rodrigues Tom Paginao: Jos Rosa Universidade da Beira Interior Covilh, 2008
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  • 5. i i i i i i i i A Presena Total Louis Lavelle Contents 1 ADVERTNCIA 6 2 INTRODUO 7 3 PRIMEIRA PARTE A DESCOBERTA DO SER 16 3.1 O Eu reconhece a Presena do Ser . . . . . . . . . . . 17 3.2 A vida do esprito uma cumplicidade com o ser . . . 19 3.3 A posse do ser o m de toda a aco particular . . . . 21 3.4 A descoberta do Eu contm j a descoberta do Ser . . . 23 3.5 O Conhecimento est ao mesmo nvel do Ser . . . . . 24 3.6 A Presena do Ser cria a nossa prpria intimidade ao Ser 27 3.7 A intimidade ao Ser no difere da intimidade para con- sigo mesmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.8 A Conscincia um dilogo com o Ser . . . . . . . . . 31 3.9 A Presena do Ser ilumina a mais humilde das aparncias 34 4 SEGUNDA PARTE A IDENTIDADE DO SER E DO ... 37 4.1 O Pensamento no se distingue do Ser... . . . . . . . . 38 4.2 O Pensamento do Ser traz j em si o Ser mesmo que pensa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 4.3 A ideia do Ser contm todas as ideias particulares . . . 43 4.4 O Ser a totalidade do possvel . . . . . . . . . . . . . 46 3
  • 6. i i i i i i i i 4 Louis Lavelle 4.5 O ser de uma coisa idntico reunio de todos os seus atributos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 4.6 O Pensamento Total e a Totalidade do Ser so indis- cernveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.7 O Ser um Acto omnipresente e no uma soma . . . . 55 4.8 Mais do que conter todas as diferenas, a Presena funda- as . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 4.9 O Ser puro, que tudo, nada de particular . . . . . . 59 5 TERCEIRA PARTE A DUALIDADE DO SER E DO PENSA- MENTO 62 5.1 O pensamento discursivo inscreve no Ser todas as suas operaes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 5.2 O advento do particular um efeito da anlise . . . . . 66 5.3 O ser nito cria-se a si mesmo por um acto de participao 68 5.4 A participao produz o aparecimento da conscincia . 70 5.5 A conscincia escava um intervalo entre o Acto e o dado 73 5.6 O inteligvel e o sensvel envolvem-se um ao outro . . 75 5.7 O todo e a parte no podem ser dissociados . . . . . . 78 5.8 A conscincia medidadora entre o todo e a parte . . . 80 5.9 Cada indivduo imita o todo a seu modo . . . . . . . . 82 6 QUARTA PARTE A PRESENA DISPERSA 85 6.1 A Presena total dispersa-se em presenas particulares 86 6.2 O Tempo a chave da Participao . . . . . . . . . . . 88 6.3 H uma aventura temporal de todos os seres nitos . . 90 6.4 O instante a morada dos corpos ou das aparncias . . 92 6.5 Todas as aparncias esto situadas no Ser Absoluto . . 95 6.6 A presena sensvel alimenta a presena espiritual . . . 98 6.7 O Eu recebe do ser a Presena que parece outorgar-lhe 101 6.8 Os nossos estados esto ligados entre si... . . . . . . . 104 6.9 A presena de todos os nossos estados est... . . . . . 107 www.lusosoa.net
  • 7. i i i i i i i i A Presena Total 5 7 QUINTA PARTE A PRESENA REENCONTRADA 111 7.1 A Filosoa uma gnese interior do Ser . . . . . . . . 112 7.2 H uma compensao entre todas as aces particulares 114 7.3 O tempo simultaneamente a melhor das coisas e a pior 117 7.4 O indivduo escravo do tempo... . . . . . . . . . . . 119 7.5 O instante um meio de acesso ao presente eterno . . . 121 7.6 Nada h de nosso, salvo o acto no instante em que se exerce . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 7.7 O Ser uno e intemporal . . . . . . . . . . . . . . . . 125 7.8 O sbio indiferente aos estados . . . . . . . . . . . . 128 7.9 A Alegria e a Perfeio do Acto mesmo . . . . . . . . 130 www.lusosoa.net
  • 8. i i i i i i i i 6 Louis Lavelle 1 ... ADVERTNCIA A presena Total uma exposio nova, concebida segundo um plano diferente, das teses essenciais contidas no nosso livro de ltre, o qual constitui o primeiro volume da Dialctica do Eterno Presente. Esta obra tinha parecido difcil a um certo nmero de leitores: encon- trar-se- aqui a mesma doutrina, reduzida a uma linha mais simples e, por assim dizer, ideal, aliviada de todas as questes particulares que se arriscavam a dividir a ateno, de todas as questes tcnicas que a obrigavam a estender-se. Quisemos apenas isolar algumas condies elementares inseparveis de toda a investigao losca e da exper- incia mesma da vida, que frequentemente se esquecem, mas nunca impunemente, e das quais prosseguiremos o desenvolvimento dialc- tico no estudo do Acto, do Tempo, da Alma e da Sabedoria. www.lusosoa.net
  • 9. i i i i i i i i A Presena Total 7 2 ... INTRODUO O pequeno livro que vamos ler exprime um acto de conana no pensamento e na vida. No entanto, em pocas conturbadas, os homens na sua maioria no se deixam comover seno por uma losoa que jus- tique o seu padecimento perante o presente, a sua ansiedade perante o futuro, a sua revolta face a um destino que so forados a sofrer, sem serem capazes de dominar. A conscincia busca uma amarga fruio nestes estados violentos e dolorosos, onde o amor-prprio est bem vivo, que pelo prprio impulso que imprimem ao corpo e imaginao, nos do, por m, a iluso de termos penetrado na raiz mesma do real. No seno aparentemente que se aspira a sair do seu cativeiro; temer- se-ia antes que no fossem sucientemente agudos, como um puno cujo movimento se quedasse incompleto. Ento a conscincia lana-se na solido, de modo a melhor se sen- tir entregue infelicidade do abandono; obriga-se a si mesma a descer a esse abismo de misria onde o nada a envolve, onde nenhuma voz lhe responde, onde as foras da natureza parecem coligar contra ela a sua indiferena e a sua brutalidade. Quer-se que haja uma espcie de impotncia, de desespero e de maldio que sejam inseparveis da reexo. Para a libertar, nada mais se lhe pode pedir do que renun- ciar a si mesma, escutar a voz do grupo, tornar-se a serva do instinto de dominao e colaborar numa tarefa temporal que, permitindo-lhe ultrapassar-se, a faz esquecer a inquietao da sua vocao eterna. verdade que a conscincia no tem outra escolha seno entre a infelicidade lcida da sua existncia separada e essa abdicao cega www.lusosoa.net
  • 10. i i i i i i i i 8 Louis Lavelle pela qual pede emprestada disciplina da aco o impulso que j no encontra em si mesma? Quereramos mostrar que o que prprio do pensamento no , como se cr, separar-nos do mundo, mas nele nos estabelecer, que em vez de nos encerrar sobre ns mesmos, nos desco- bre a imensidade do real, da qual mais no somos do que uma parcela, que mantida e no esmagada pelo Todo, onde chamada a viver. Nela e no Todo o mesmo ser que est presente, sob uma forma to partici- pada quo participante; a mesma luz que nos descobre ora a sua face iluminante ora a sua face iluminada; o mesmo acto que se exerce ora em ns, ora sem ns e que nos obriga a prestar contas e a ser respon- sveis em cada instante pela nossa prpria existncia, ao mesmo tempo que pela existncia do Todo. , parece-nos, uma espcie de postulado comum maior parte dos espritos que a nossa vida se esvai no meio das aparncias e que no saberemos jamais coisa alguma do prprio Ser: assim, como no teria esta vida aos nossos olhos um carcter de frivolidade? Faz de ns os espectadores de um mundo ilusrio que no cessa de se formar e de se dissolver face ao nosso olhar e atrs do qual ns suspeitamos um outro mundo, o nico que real, mas com o qual no temos qualquer contacto. Ento, natural que a conscincia, segundo o seu grau de profundidade, se contente com o cepticismo ou se deixe invadir pela in- quietude. A vida no pode retomar a conana em si mesma, no pode adquirir a gravidade, a fora e a alegria, se no for capaz de se inscrever num absoluto que nunca falhar, dado que lhe presente todo inteiro e no qual ela abre para si mesma uma perspectiva, traa um sulco, os quais so a marca e a medida dos seus mritos. No perde essa angs- tia de existir, que inseparvel de uma existncia que cada uma das nossas aces nos deve dar a ns mesmos: mas esta angstia exprime apenas a tenso suprema da sua esperana. Pensamos ento que numa ontologia, ou, mais radicalmente, numa experincia do Ser, que o pen- samento mais tmido e a aco mais humilde bebem a sua origem, a sua possibilidade e o seu valor. Mas conhecemos bem todas as sus- peitas nas quais a ideia de uma primazia do Ser, em rel