Leminskiada Sarduy Haroldo

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    27-Oct-2015

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<ul><li><p>Aparencia.Meraaparencia.Afinal,bemexaminadas,acompletude,a perfei~o,sonostalgiasc1ssicas,substan-cialistas,deharmoniae reconcilia~o,nummundocomoonosso,!!jcoedilacerado,s6habitadopelasaleg6ricasrunasb~njaminianas(tra~oinsinuantedaDer~stenciamodernaecontemporaneadoBarroco...).</p><p>Numcertosentido(numsentidoadmonit6rio,quecon-jura asveleidadese convidaa reflexo),prefirorecapitularaspalavrasdeGottfriedBenn,nasuaconferenciade1951,Prob/emederLyrik (GottfriedBenn,o nietzscheanopoetadasDesti//ationen,fascinadopelo"complexoJigrico"~umpoetaquepartilhavacomo nossoFaustino"umaamizadepeloazul" / eineBefreundungfrB/au):</p><p>Nenhum,mesmodentreos maioreslricosdenossotempo,deixoumaisdoqueseisa oitopoemasperfeitos;osrestantespodemserinteres-santesdopontodevistadabiografae daevolu~aodoautor,masaquelesqueencerramemsi mesmose desi irradiamumfascnioplenamentedu-radouroso poucos- e no entanto,paraessesseispoemas,trintaacinqentaanosdeascese,sofrimentoseluta.</p><p>212</p><p>16.UMA LEMINSKADA BARROCODLICA'"</p><p>o Catatau,de PauloLeminski,estsendorelan~ado.Publicadoem1975,emCuritiba,porumapequenaeditora,teve,porassimdizer,umexitodecamera.O quesecostu-machamar"sucessodeestima",juntoaumpequenocrcu-lo deaficcionados.A seuredorcriou-se,comoseriadees-perar,a legendanegradailegibilidade.Paraissocontribuiuo pr6prioautor,que,numaadvertenciainicial,proc1amava:"Me negoaministrarc1areirasparaa inteligenciadesteca-tatauque,poroitoanos,agora,passoumuitobemsemma-pas.Virem-se".E houvequemsevirasse,comoprovaape-quenamasexpressiva"FortunaCrtica"queacompanhaes-ta reedi~o,naqualsedestaca,pelodetalheanaltico,o en-saio "Catatau:Cartesanato",de AntonioRisrio.Mas opr6prioLeminski,antesdeserfulminadopelacirrosepro-meticaqueo rouboudenossoconvvio,tevetempodere-considerarsuaprimeiraatitudededesafioaoleitor.Prepa-rouparaa novaedi~oumaintrodu~oaolivro,sobo ttulo</p><p>I Publicado originalmente em Letras, Folha de S. PauJo, 02.09.1989.213</p></li><li><p>"DescordenadasArtesianas",na qualabreo jogo e contaumpoucodahistriadesuahistria."Por fimacobramor-deo prpriorabo",dizele.E passaareferirquea"intui~aobsica"do CatatauIhevieraem1966,enquantoministravaurnaaulasobreos holandesesnoBrasil,o estabclecimentodeMaurciodeNassauemPernambuco,apoiadocmforteaparatonavale militar.Discorriasobrea urbaniza~aodoRecife;a.Mauritzstad("cidadede Maurcio")na ilha deAntonioVaz;o palciodeVrijburg,ondeoprncipeinvasorinstalarasuacorteilustradadeartistasesbios.Nessecen-rio real,irrompea fic~ao.Oeorreu-Iheurnahiptese(falsa,masverossmil):queaconteceriase RenDescartes,queserviraaNassaunaHolanda,o filsofoCartesiusdoDiscur-so sobreo Mtodo,o fsicoempenhadoemdarurnaexpli-ca~aomecanicista,unae sistemtica,ao Universo,tivesseacompanhadoo conquistadoremsuaempreitadanostrpi-cos?HypotlJesesnonjiflgo ("Nao elaborohipteses"),ex-clamouNewton,numaclebrerefuta~aoa Descartes,aquemnaorepugnavao raciocniohipottico,desdequeasdedu~esnelefundadasfossemconvalidadaspelaexperien-cia.LeminskinaoconcordacomNewtone vaielaborandosuahipteseficcionale laborandonelaatravsdasduzentase tantaspginasdo Catatau,confiadonaotantonaexpe-rienciaquantonoverbo...E eisCartsionaMauriciolandia,no parquedo pa~ode Vrijburg,soburnarvorefolhuda,ele,o expertoemDioptria(refra~aoda luz),co",suaslen-tese lunetas,observandoa paisagem,asnausnoportoeosbichosnozoooua solta.Ei-Io, fumandomarijuana("taba-quea~odetoupinambaoults")e fundindoacucanadesme-sura nao geometrizveldas formasvegetaise animais,quandournapregui~aIhealvejao cocurutocomumdisparofecal,comofez o urubucomMacunama."Ora, senhorapregui~vaicagarnacatapultadeParis!",reclamao filso-fo,embarcando,agostoouacontragosto,noseusonhopsi-codlico.Melhordizendo,barrocodlico,poisdeumcome-timentoneobarroco,deumensaiodeliqefa~aodomtodoe deprolifera~odasformasemenormidadesdepalavra,quesetrata1.</p><p>l. 00010 ensaio de Roberto Romano, "A Razo Sonhadora", Revisla USP. n9</p><p>214</p><p>A Lenga/engagemdo DeUrio</p><p>Catatu,segundoo CaldasAuleteeo Aurlio,significa:."Discursoenfadonhoe prolongado;discurseira,bstia".sinnimode "pancada"ou de "calhama~o".ReconciliaasnO\rescontraditriasde "sujeitode pequenaestatura"e"coisagrandee volumosa".Tambmquerdizer"catana"(espadacurva),urnapalavraqueos portuguesesimporta-ramdoOriente(dojapones,katan)."Ir numcatataomesmoque"falarsozinho",como"meteracatana"equiva-le a "dizer mal de outrem".DessapolissemiaestbemenscioLeminski,quearrolavriasdessasacep\resemsuaintrodu~o.De todaselaSpareceter tiradopartido,literalou metafrico,no quechamaumaego-trip:suadelirante"lengalengagem".Pois tantoo narrador,Cartesius,o pen-sadorpuroexcedidopeloabsurdotropical,comoseualterego,parceiroambguoe depositriodaexplica~odotexto,o artimanhosoArtysehewsky(figurainspiradana de umherticofidalgopolones,generalaservi\rodeNassau),am-bostemmuitoavercomo prprioLeminski..Soregistroscomplementaresdesuavozescritura!.</p><p>o Catatau- argumentaLeminski- a histriadeumaespera.Opersonagem(Cartsio)esperaumexplicador(Artyschewsky).Esperare-dundAncia.O leitoresperaumaexplica\;o.EsperaredundAncia,talcomoo personagem(isomorfismoleitor/personagem).Mass6recebeinfor-ma\;Oesnovas.TalcomoCartsio.</p><p>o verdadeiroprotagonistado texto,no entanto, Oc-cam(Ogum,Oxum,Egun,Ogan),umaespciede"monstrosemitico",infladoe vorazcomoOrca,a baleiaassassina,e poucodispostoa submeter-sea disciplinamet6dicadeseu homnimo,o monge-fil6sofoGuilhermede Occam(1280-1349),cujanavalhaafiadasepropunharasourartodae qualquerentidadeintil,hipoteticamentecomplexae noavalizadapelaexperiencia.Ao invs,daparal6gica,dopa-radoxo,dasassocia\resdesomesentido,dasfrasesfeitasedesfeitas,doscontgiospseudo-etimoI6gicos,dosjogospo-</p><p>8, So Paulo, dez.-jan.-fev. 1990-1991,enfocando a pn:sell9l do "caos barroco" em</p><p>Descartes,poderia n:spaldar,por um vis filosfico, a fabula~o leminskiana...</p><p>215</p></li><li><p>lilnges,quesealimentao OccamdoCatatau.Um insaci-vel abantesmagrafomanaco,quereduzao absurdoo dis-cursometdiconotachofumegantedotrpico.</p><p>SrgioBuarquedeHolanda,emRa(zesdoBrasil,refereurnacuriosaexplica~aoantropolgicaparao insucessodapoderosaempreitadaholandesaemnossasterras.</p><p>Ao contrriodoquesucedeucomosholandeses,o portuguesentrouemcontactontimoe freqentecoma popula~odecoroMaisdoquene-nhumoutropovodaEuropa,cediacomdocilidadeaoprestgiocomunica-tivodoscostumes,da linguageme dasseitasdosindgenase dosnegros.Americanizava-seouafricanizava-se,conformefossepreciso.</p><p>E mestreSrgioprossegue:</p><p>A proprialnguaportuguesapareceter encontrado,emconfrontocoma holandesa,disposi~oparticularmentesimpticaemmuitosdesseshomensrudes.Aquelaobserva~o,fOrmuladasculosdepoisporumMar-tius,de que,paranossosndios,os idiomasnrdicosapresentamdificul-dadesfonticaspraticamenteinsuperveis,aopassoqueo portugues,co-moo castelhano,Ihes muitomaisacessvel,puderamfaz-Iabemcedoosinvasores.</p><p>Mesti~gem.Miscigena~aode corpose lnguas.Eis odispositivoqueteriaanimadoa "guerradeguerrilhas"con-tra a qualo exrcitoorgulhosoe bemaparelhadodaNovaHolandaacaboupor deixar-seabater.Leminskitentade-monstrarissona linguagem.Ou comoelemesmoresume:"O Catatau o fracassodalgicacartesianabrancanoca-lor, o fracassodo leitorementende-Io,emblemadofracas-sodoprojetobatavo,branco,notrpico".</p><p>UmaFeiraLivre Maca"onica</p><p>As influenciasnessaLeminsk{ada,comoeuaquiabati-zo,saomuitas.Algumasbvias.ComoJoyce.Maisqueo doUlysses,o doFinnegansWake,ouFiniciusRevm,j frag-mentariamenteabrasileiradoporAugustodeCamposepormimna antologiaPanaroma(111edi~ao,1962).Nadaa es-tranhar,diga-sede passagem,nessaaclimata~aodo fine-ganesjoyceanoaobrasilricoportugues.BastadizerqueomesmoSrgioBuarque,emVisaodoParafso,quemregistra</p><p>216</p><p>a presen~dasperegrina~esde SaoBrandale da para-disacailhaBrasil,HighBrazilou O'Brazil,emtrechosdaobramximadoirlandesecumenico.Evidente,tambm,ocontributodo GrandeSertaorosiano:modosdedizer,cir-cunlquiqs,cadencias.Mas outros condimentossaoigual-menteimportantesnosarapatelleminskiano.O sermonriobarrocodeumVieira,porexemplo,cujoestiloengenhoso,a contrapelodo"bomsenso"cartesiano,foi tiobemestu-dadoporA. J. Saraiva("No discursoengenhoso,aspalavrasnaosao representantesmasseresautanomos,quecomomatriapodemser recortadosparaformaroutros,e tememsi rela~esquelembrammuitomaisos elementosdacomposi~aomusicaL"). O latimescolsticoe o latinriodastertliascoimbrastambmnaoIhesaoestranhos.Esteltimodeu em nossaliteraturaas abstrusascomposi~esburlescasdaMaca"oneaLatino-Portuguesa,limita~odobeneditinoFolengo.Sobretudo,porm,meparecepresente,naprosatravadadearmadilhasdeLeminski,umlivroinse-minador,aFeiradosAnexins,do seiscentistaD. FranciscoManueldeMelo. Essaobra,AlexandreHerculanoreputa-va-aum verdadeiromanualparaos escritoresdo "generocamico".Trata-sedeumfascinanterepertriodemetforase locu~espopulares.Divididoemtresse~es,comsubttu-loscomo"Em metforadecabelos","detesta","deolhos"etc.,temcoisasdesabusadascomoesta:"Issodeo/hotra-zeiro,naomecheira;porqueosmalvistostemcincoo/hos;eosqueenxergambem,comoso//zosquetemnacara,teraotres:master no trazeiroumo//tO,e outrono rosto, serPolifemoa tortoe a direito".A fun~aodoprovrbio,comoo principalrecursodeengendramentoe articula~iodo li-vro, j foi alissalientadapor Regis Bonvicino("ComQuantosPausseFazumCatatau",artigode1979).</p><p>Urnacoisa,porm,certa.Quaisquerquesejamasex-travagancias,anomaliasou disrup~esdo projetolemins-kiano,trata-se,fundamentalmente,deumprojetodeprosa.Um projetoambicioso,levadominuciosamentelconse-cu~ao,no quala poesia(parafalarcomoW. Benjamin)apenaso mtodo(nao-cartesiano)daprosa.Urnaprosaquependemaisparao significantedo queparao significado,masqueregurgitadevontadefabuladora,deapetenciapi-</p><p>217</p></li><li><p>ca,deestratagemasretricosdedila~onarrativa.A poesia,ao contrrio,aindaquandosesirvada prosacomo"exci-piente",parecedar-semelhorcoma imagem,coma visao,como epifnico. umadistin~otendencial,ressalve-se,naocategrica.As fronteirassaomveis,podendotornar-semaisemaisrarefeitas.</p><p>o BardoUbaldoeoRapsodoLeminski</p><p>Escrevendosobreo Catatau,meveioamenteumpara-lelo quepoderparecersurpreendenteparaalguns,masque,paramim,seimpe.Trata-sedeVivaoPovoBrasi/eiro(1984),de Joao Ubaldo.Obrasquenaotemnadaa ver,umacoma outra,e temtudo.Naofaloaquideinfluencias(nemcaberia).Tudoasseparae tudoasaproxima.O com-pacto,complexo,as vezestautolgicolivro-limitede Le-minskie o desmedido,exorbitante,caudalosoromance-riodeUbaldo.O sucessodeestimadeum.O sucessodepbli-co deoutro.O significado,a mensagemprometidaesone-gadapeloenigmticoexegetaArtyschewsky,avoca~ola-tentede PauloLeminski,ostensivoromancistado.signifi-cante,da materialidadedo signo.O significante,a elabo-ra~aoverbal,ogozodapalavra,o "prazerdotexto",eis,tal-vez,a maisprofundapulsaoescrituraldeJoao Ubaldo,fa-bulistadosignificado,atento,porumlado,a intriga,afun~aonarratolgica(daqualJorgeAmado,o contadordemil-e-umahistrias, manipuladoreximio);poroutro,pro-pensoainterrogaro "quem"dalinguagem,comooRosadaprosaeJisinou.Veja-se,porexemplo,o esplendidoCap.14dagestaubldica.Datadodo"AcampamentodeTuiuti,24demaiode1866",neleserelatao embateentreossoldadosbrasileiroseo exrcitoparaguaio,narradoagoraemtermosderefregahomrica,comapuradosgirosestilsticos,substi-tuindo-seos deusesdo panteaogregopelasdivindadesdocuiorub,comseusvistososatributose nomessonoros.Mas,sobretudo,considere-seo come~ocinematogrficodeVivao Povo,quandoa "primeiraencarna~o"doAlferesJos FranciscoBrandoGalvao,emp,nabrisadaPonta.dasBaleias,estprestesa recebercontrao peitoeacabe~aasbolinhasdepedraouferrodisparadaspelasbombardetas</p><p>218</p><p>J</p><p>da frotaportuguesa,quaseentradana Baa deTodos osSantos.Coteje-seesseinciocomoutrolancepanormico,esteracontadoemprimeirapessoapeloDescartestropica-listasdoCatatau:</p><p>Ergo sum,alis,Ego sumRenatusCartesius,cperdido,aquipre-sente,nestelabirintodeenganosdeleitveis,- vejoo mar,vejoa balaevejoas naus.Vejo mais[...]Do parquedo prncipe,a lentesde luneta,CONTEMPLO A CONSIDERAR O CAIS, O MAR, AS NUVENS, OSENIGMAS E OS PRODIGIOS DE BRASiLIA.</p><p>. Destaque-se,agora,ofinal,soberbo,deVivaoPovo.Oalegrico"PoleirodasAlmas",suspensonoespa~ocsmi-co,"vibrandodetantasasasagitadase tantossonhosbran-didosaoventoindiferentedoUniverso";as"alminhasbra-sileirinhas,topequetitinhasquefaziampen",descididasadescer,lutardenovo,enquantoo sudestebate,caia chuva"embagasgrossase ritmadas"e, comoningumolhaparacima,n.ingumve "o Esprito do Homem,erradiomascheiode esperan~a,vagandosobreas guassemluz dagrandebaa".Compare-seessefinalcomaqueleoutro,in-tensssimo,doCatatu(ondeecoao apeloextremodeJoyceao leitor,no Finnegans:"...torturastntalas,e h algumquemeentenda?"):</p><p> estaterra: umdescuido,umacerca,umenganoda natura,umdesvario,um desvoques6 naovendo.Doenc;;ado mundo.E a doenc;;adoendo,euaquicomlentes,esperandoe aspirando.Vai mevercomou-trosolhosou comosolhosdosoutros?AUMENTO o telesc6pio:nasu-bida,I vemARTYSCHEWSKY. E como/ Siojoaobatavista/ V~mb~-bado,ArtyscheWskyb~bado...B~badocomopolacoque.B~bado,quemmecompreender?</p><p>Noporacaso,nosdoislivros,a antropofagiatemati-zadacomoprocessosimblico.Na irreverentedevora~ocanibal,a HistriaBraslica(numcaso),senoo prprioLogosdoOcidenteparaaquitransplantado(nooutro),soobjetodetritura~o.Digestoindigesto.Por umlado,o "ca-boco"Capiroba,gulosoda carnemaciae branquinhadosholandeses,cria~orabelaisianadobardoUbaldo.Por ou-tro,o monstroOccam,ogrefilolgico,mastigadordetextos,papa-letrase papa-lnguas,fantasmagoriasgnicadorapso-</p><p>219</p></li><li><p>do Leminski.Por cimadasmuitasdiferen~asdeconcepc;aoe de fatura,essevnculovoraginoso maisum elo em.blemticoqueosliga.</p><p>17.ARTE POBRE, TEMPO DE POBREZA,POESIA MENOS.</p><p>1.</p><p>O "procedimentomenos"naliteraturabrasileiratertalvezumadataprivilegiadaparaoregistrohistricodesuadiscussao:oanode1897,emqueSlvioRomero,conttrucu-lentaretricafisiolgica,denunciou o estilode"gago"deMachadodeAssis: .</p><p>o estilodeMachadodeAssis,semtergrandeoriginalidade,semsernotadopor um.fortecunhopessoal, a fotografiaexatadoseuesprito,desuandolepsicolgicaindecisa.Corretoe maneiroso,naovivaz,nemrtilo,nemgrandioso,nemeloqente. plcidoe igual,uniformee comopassado.Sente.sequeo autornaodispcprofusamente,espontaneamen-tedovocabulrioe dafrase.Ve-sequeeleapalpae trope~a,quesofrede</p><p> Textodatadode1981,publicadonarevistaNovosEstudos/CEBRAP,vol.1,nO3,SoPaulo,julho 1982;republicadoemRobertoSchwarz(org.),OsPobresnoLiteraturaBrosi/eira,SoPaulo,Brasilicnse,1983.</p><p>220 221</p></li><li><p>RUMOA CONCRETUDESeveroSarduy</p><p>I</p><p>Salade famma,Paris,cercadosanostrinta- ou finaldosvin-te? _: mobilirioburgues,cortinasdiantedasrvoresdealgumaavenidado bairroXVI, choveriatalvez.No mundodosfuncionriosdiplomticosdo tempo,impunham-seos recitaisde salao,.naspausasnostlgicasdeIsobremesa,queamenizavamsaudadescubanas.O doutorBaraltempreen-diaa declamayaodasestrofesmaisfreqentadasdoromantismo,prolon-gandoseurepertrio,no cursodosmeios-diaschuviscosos,ataosrima.doresdaRestaurayao.</p><p>Numcenrioassim,deexilioatapetadoebenvolo,adistanciain-sularmitigadaquemsabeporumodorpersistentedefrutasimportadase peloacajudosmveis,almdealgumas"guarachas"fonogrficas,foiquea MarianoBrull,um poetacamageianonascidonodeceniocrepus-culardo sculoe afetoaoSanjos,ocorreu"darumsentidonovoaosge-nerosfanados".A maisvelhadesuas"formosasmeninas",queimaginoparaa ocasiaovestidade tulesrosadose apropriadamenteenigmtica,comademaneshelenizantese excessivamenteortogonais,derivadosdeal-gumpitagorismodanyvelalaDuncan,irrompeucomoinsufladaporumdemoniodionisaconasalaesemmais...</p></li></ul>