Manobra Do Navio

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    02-Jan-2016

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Apostila de Manobra Marinha do Brasil

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  • MARINHA DO BRASIL DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS ENSINO PROFISSIONAL MARTIMO

    MANOBRA DO NAVIO

    (MAN-51)

    1 edio Belm-PA

    2009

  • 2

    2009 direitos reservados Diretoria de Portos e Costas

    Autor: CLC Arlindo Nazareth Carvalho Santos

    Reviso Pedaggica: Erika Ferreira Pinheiro Guimares Suzana

    Reviso Ortogrfica: Esmaelino Neves de Farias

    Digitao/Diagramao: Roberto Ramos Smith

    Coordenao Geral: CC. Maurcio Cezar Josino de Castro e Souza

    ____________ exemplares

    Diretoria de Portos e Costas Rua Tefilo Otoni, no 4 Centro Rio de Janeiro, RJ 20090-070 http://www.dpc.mar.mil.br secom@dpc.mar.mil.br

    Depsito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto no 1825, de 20 de dezembro de 1907

    IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL

  • 3

    SUMRIO 1.0 EFEITOS DE LEME E DESATRACAO ............................................................. 4

    1.1 - tipos de leme e de propulsores ......................................................................... 4 1.2 - foras atuantes no leme, hlice e casco. ......................................................... 15 1.3 funcionamento dos impelidores laterais. ......................................................... 28

    2.0 ATRACAO E DESATRACAO. ................................................................... 30 2.1 foras atuantes nas manobras de atracao e desatracao. ....................... 30 2.2 procedimentos de manobras com vento e corrente ........................................ 32 2.3 sntese sobre a utilizao de ferro e espias nas manobras. ........................... 35

    3.0 FUNDEIO E SUSPENDE ..................................................................................... 36

    3.1 procedimentos da manobra de fundear e de suspender ................................ 36 3.2 - clculo da direo do vento e o filame 4.0 REGULAMENTO INTERNACIONAL PARA EVITAR ABALROAMENTO NO MAR - RIPEAM ...................................................................................................................... 37

    4.1 situaes que envolvam as regras de governo e navegao. ........................ 37 4.2 situaes que envolvam luzes, marcas e sinais sonoros ............................... 47

    5. REFERNCIAS ..................................................................................................... 61

  • 4

    1. Efeitos do Leme e Desatracao

    1.1 - diferenciar os tipos de leme e de propulsor

    Os lemes podem ser do tipo ordinrio, compensado e semicompensado.

    LEME ORDINRIO a porta ou saia do leme fica por ante-a-r da madre; fixado ao cadaste por meio de governaduras e apoiado ao p do cadaste exterior.

    LEME COMPENSADO uma parte da porta ou saia do leme fica por ante-a-vante da madre (cerca de 1/3) e 00a parte maior da saia fica por ante-a-r da madre (cerca de 2/3), inteiramente suspenso e no tem governaduras, pois o leme no fixado no cadaste.

    LEME SEMICOMPENSADO quando a parte por ante-a-vante da madre no se estende em toda a altura da porta.

    Figura 11

    1 Leme ordinrio

    Madre do Leme

    Porta ou Saia do Leme

    Governaduras Clara do Hlice

    Abboda

    Soleira

    Cadaste Interno Cadaste Externo

    P do Cadaste

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    Figura 22

    Nos lemes compensados o governo do navio mais fcil, mesmo em grandes velocidades e exige menor potncia de mquina do leme, que pode ento ser de menor tamanho. Os navios de guerra, que devem ter grandes velocidades, boas qualidades de evoluo e o leme completamente submerso usam lemes compensados.

    Figura 33

    2 Leme compensado

    3 Leme semicompensado

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    Os navios de um par de hlices e leme ordinrio ou semicompensado, s tm um cadaste e nele so fixadas as governaduras do leme. No navio mercante de carga geral preferido o leme no compensado, pois de construo mais simples e fica em equilbrio estvel na posio a meio e tem a propriedade de voltar a meio rapidamente.

    GRAU DE COMPENSAO a relao entre as reas avante e a r da madre do leme, nos lemes compensados e varia de 1/3 a .

    lemes especiais

    LEME ATIVADO consiste num motor eltrico pequeno embutido no leme que acionando um hlice que guina com o leme, apresentando assim uma fora propulsiva na direo da guinada, o que d uma grande vantagem evolutiva. muito usado em navios especiais como os hidrogrficos, permitindo-lhes operar com cerca de trs ns de velocidade (com o MCP parado) no servio de varredura para a determinao de profundidade em zonas de navegao perigosa.

    LEME OERTZ tem a seo transversal hidrodinmica (em forma de uma gota dgua) para melhor dirigir a passagem dos filetes lquidos. A porta do leme trabalha por ante-a-r de uma pea fixa que lhe completa a forma hidrodinmica e serve de cadaste exterior do casco.

    Figura 4 LEME KITCHEN um leme que tem sido aplicado com sucesso em embarcaes pequenas. Consiste em duas ps semicirculares que se movem em torno de um eixo vertical por ao de duas madres concntricas. Com este leme governa-se, varia-se a velocidade e inverte-se o movimento da embarcao sem alterar o regime do motor. A variao da velocidade resistncia oposta corrente de descarga do hlice. Quando

    CADASTE

    LEME A MEIO LEME A BE

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    se fecham completamente as lminas a embarcao passa a dar atrs. O governo feito carregando-se o leme para um ou para o outro bordo, como nos lemes ordinrios.

    Figura 54

    A, B Marcha AV, velocidade normal, leme a meio; C Marcha a AV, velocidade reduzida, leme a meio; D Parar; E Marcha AR, leme a meio; F Marcha AV, velocidade normal, leme a BB; G Marcha AV; velocidade reduzida, leme a BB; H Marcha AR, leme a BB.

    tipos de propulsores.

    O hlice o elemento de propulso do navio, fica instalado na popa em posio submersa, com o eixo aproximadamente na horizontal. Olhando de r para vante, diz-se que este de passo direito, quando a p de cima se desloca para a direita, em marcha avante (sentido horrio). Diz-se que ele de passo esquerdo, quando a p de cima se desloca para esquerda, em marcha avante (sentido anti-horrio).

    HLICE DE PASSO CONTROLADO O passo mdio pode ser alterado por meio de um volante no passadio ou na praa de mquinas. Deste modo o hlice trabalha sempre com a mxima eficincia, absorvendo a potncia total do motor em qualquer nmero de RPM entre os dois limites MXIMA FORA DE TRAO E MXIMA VELOCIDADE.

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    As objees principais a seu emprego so o alto custo da instalao e a necessidade de se por o navio em seco para inspees e reparos. O hlice de passo controlado permite a escolha do passo timo para cada velocidade desejada e mais, elimina a necessidade de embreagem de qualquer tipo para a inverso de marcha.

    TUBO KORT A eficincia mxima de reboque depende mais do esforo de trao do que da potncia desenvolvida pelo motor. O tubo Kort que envolve o hlice, controla a direo e velocidade dos filetes lquidos que passam dentro e fora dele. Com isto aumenta-se o esforo de trao de um rebocador, especialmente em guas paradas; este aumento podendo atingir 30%.

    HLICE CICLOIDAL Instalado na Europa, em diversos rebocadores de porto. O sistema constitudo por 4 ou 6 ps de hlices verticais que giram excentricamente, com ngulos de ataques variveis. Com isto, o propulsor permite alterar a velocidade, inverter a marcha e governar a embarcao, sem mudar o nmero e o sentido das rotaes da mquina propulsora. Dispensa o uso de lemes, e permite que a embarcao faa o giro praticamente num mesmo ponto. As principais desvantagens so a exigncia de um fundo chato para a instalao do equipamento; o custo elevado de aquisio e a manuteno.

    PROPULSO AZIMUTAL Propulsor leme (THE RUDDER PROPELLER) Origem da idia dos propulsores dirigveis utilizados em navios, empurradores e rebocadores com excelente performance e grande manobrabilidade . Geralmente utilizam em seu Governo Azimutal dois propulsores. Manobrar o empurrador escoteiro (sem balsa), tem e apresenta maior diferena em manobrabilidade, pois o mesmo fica bastante sensvel, qualquer movimento mais acentuado nos joysticks produzir guinada forte, tendo em vista que o empurrador de governo azimutal no possui leme.

    4 Lemes Kitchen usado em lanchas

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    SISTEMA DE GOVERNO E PROPULSO AZIMUTAL

    Figura 65

    Figura 76

    PROPULSO LEME SCHOTTEL THE RUDDER PROPELLER o mais conhecido. Origem da idia dos propulsores dirigveis utilizado em navios, empurradores e rebocadores com excelente performance e grande manobrabilidade.

    AQUAMASTER

    SCHOTTEL NAVIGATOR Unidade de Propulso Completa de grande utilidade em barcaas, cbreas, empurradores e embarcaes que originalmente no eram propulsadas.

    SISTEMA AZIMUTAL COMPLETO

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    TIPOS DE EMBARCAES COM SISTEMA DE GOVERNO E PROPULSO AZIMUTAL

    Figura 8

    5 Propulso Leme Schottel The Rudder Propeller

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    Podem ser manobrados de duas formas:

    1. Manobra sem alterao dos propulsores ou com o sistema do aquamaster acoplado onde a acelerao mnima de 10%. A combinao da direo azimutal e acelerao dos propulsores, controlada pela manete no passadio, nos possibilita uma variedade ampla de evolues como: parar e manter parada a embarcao sem seguimento; deslocamento avante e r; manter parada a embarcao com corrente pela proa ou pela popa; girar num s eixo; deslocar-se diagonalmente e navegando na movimentao com balsas. Nas manobras com mquinas acopladas, tem que ser mantido controle ajustado de rotaes dos MCPs e os joysticks regulados em graus. possvel parar o empurrador sem, no