Minas Faz Ciência 38

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Engenharia- Meio ambiente- Energia solar- Melo-pisicultura- Bruxismo- Hipertenso

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  • 3MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 2009

    Projeto que busca o tratamento do couro e o reaproveitamento dos resduos gera-dos durante seu curtimento premiado em categoria de inovao para a indstria.

    Minas Gerais possui, desde agosto, um organismo de certificao de produtos acreditado pelo Instituto de Metrologia, Normalizao e Qualidade Industrial (In-metro).

    Banco de dados disponvel na internet fornece indicadores estatsticos e infor-maes histricas e geogrficas dos 823 municpios de Minas Gerais.

    Sob a tica da sustentabilidade, pesqui-sadores desenvolvem alimentos e raes produzidos a partir do aproveitamento de resduos.

    Equipamento inovador desenvolvido em Viosa capaz de concentrar os raios solares em uma rea menor e, com isso, atingir temperaturas mais altas.

    Pesquisadores de Ouro Preto desenvol-vem produtos anti-inflamatrios base de espcies vegetais mineiras.

    Sumrio

    Luiz Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas, fala sobre a temperatura do pla-neta e a capacidade dos seres humanos de influenciar as mudanas climticas.

    Meio Ambiente

    Hipertenso

    Bruxismo

    Produtos naturais

    Energia solar

    Piscicultura

    6 33

    36

    38

    42

    46

    4826

    50

    14

    16

    20

    23

    30

    Substncia presente no veneno do escor-pio amarelo base para medicamento que combate a presso alta, doena que atinge 30 milhes de brasileiros.

    Personalidade e estresse em crianas po-dem estar associados ao desenvolvimen-to do bruxismo noturno, caracterizado pelo hbito de ranger os dentes durante o sono.

    Pesquisas da Epamig incluem tcnicas para cultivo de peixes em tanques-rede e melhoramento gentico de algumas esp-cies.

    Lembra dessa?

    Certipem

    Alimentos

    Datagerais

    Melo

    Especial

    Mtodo de manejo da irrigao testado no Norte de Minas pode evitar desperdcios no cultivo de meles e outras frutas.

    Grupos de Trabalho do Confap planejam e sintonizam aes das Fundaes de Ampa-ro Pesquisa em reas estratgicas.

    Instituto Nacional de Cincia e Tecnolo-gia coordenado por pesquisadores minei-ros estuda o uso de materiais inteligentes em estruturas de engenharia.

    Engenharia

    O matemtico Marco Antnio Raupp, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia (SBPC), fala sobre os desafios para a cincia e a educao no Brasil.

    Cientistas brasileiros

    MINAS FAZ CINCIA tem por finalidade divulgar a produo cientfica e tecnolgica do Estado para a sociedade. A reproduo do seu conte-do permitida, desde que citada a fonte.

    Fundao de Amparo Pesquisado Estado de Minas Gerais

  • MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 20094

    ExpedienteAo leitor

    MINAS FAZ CINCIAAssessora de Comunicao Social e Editora: Vanessa Fagundes (MG-07453/JP)Redao: Vanessa Fagundes, Ariadne Lima (MG-09211/JP), Patrcia Teixeira (ES-01020/JP), Juliana Sarag e Raquel Emanuelle Dores (estagiria)Colaborao: Letcia Orlandi, Thas Pontes e Virgnia FonsecaIlustraes: Bruno VieiraReviso: Aline LuzProjeto grfico/Editorao: Fazenda Comunicao & MarketingMontagem e impresso: Lastro EditoraTiragem: 15.000 exemplaresFotos: Glnio Campregher, Marcelo Focado e Lila AlvesAgradecimentos - Agradecemos a todos os colaboradores desta publicaoRedao - Rua Raul Pompeia, 101 - 12. andarSo Pedro - CEP 30330-080Belo Horizonte - MG - BrasilTelefone: +55 (31) 3280-2105Fax: +55 (31) 3227-3864E-mail: revista@fapemig.brSite: http://revista.fapemig.br

    GOVERNO DO ESTADODE MINAS GERAISGovernador: Acio Neves

    SECRETARIA DE ESTADO DE CINCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIORSecretrio: Alberto Duque Portugal

    Fundao de Amparo Pesquisado Estado de Minas Gerais

    Presidente: Mario Neto BorgesDiretor Cientfico: Jos Policarpo G. de AbreuDiretor de Planejamento, Gesto e Finanas: Paulo Kleber Duarte PereiraConselho Curador:Presidente: Paulo Srgio Lacerda BeiroMembros: Afonso Henriques BorgesAnna Brbara de Freitas ProiettiEvaldo Ferreira VilelaFrancisco Sales HortaGiana MarcelliniJoo Francisco de AbreuJos Cludio Junqueira RibeiroJos Luiz Resende PereiraMagno Antnio Patto RamalhoPaulo Csar Gonalves de AlmeidaValder Steffen Jnior

    Capa: 787 da BoeingFoto: www. sxc.huN38 jun. a ago./2009

  • 5MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 2009

    Cartas

    Para receber gratuitamente a revista MINAS FAZ CINCIA, preencha o cadastro no site http://revista.fapemig.br ou envie seus dados (nome, profisso, instituio/empresa, endereo completo, telefone, fax e e-mail para o e-mail: revista@fapemig.br ou para o seguinte endereo: FAPEMIG

    / Revista MINAS FAZ CINCIA - Rua Raul Pompia, 101 - 12. andar - Bairro So Pedro - Belo Horizonte/MG - Brasil - CEP 30330-080

    Publicao trimestral da Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIGn 37 - mar. a mai. 2009

    MINAS FAZ CINCIA informa que as car-tas enviadas Redao podem ou no ser publicadas e, ainda, que se reserva o direito de edit-las, buscando no alterar o teor e preservar a ideia geral do texto.

    Gostaria de parabenizar a revista MINAS FAZ CINCIA pelas matrias publicadas, que so bastante interessantes e eclticas. Sou dentista e dou muito valor pesquisa em si, por isso curso um doutorado na rea de Engenharia Metalrgica e de Materiais na PUC-Rio. Estou morando em Minas Ge-

    rais, e realizo parte da minha tese na Uni-versidade Federal de Ouro Preto. Conheci a revista, inclusive, nesta Universidade e fiquei maravilhada. Li a publicao de Dez./2008 a Fev./2009 e apreciei muito os artigos l publi-cados, em especial aquele que tratava dos pro-dutos a base de prpolis, dentre os quais devo estar utilizando tambm em minha tese.

    Patrcia Gobbi Bez BattiDentista e doutoranda PUC-RJ/Ufop

    Ouro Preto/MG

    Sou professor de Biologia e esta revista tem contribudo muito para o meu trabalho.Recebo a MINAS FAZ CINCIA h muitos anos. Gostaria de agradecer e ao mesmo tem-po pedir desculpas por no ter feito isso antes. Alm das excelentes reportagens, ainda mato a saudade da minha Minas Gerais.

    Valdivino Lopes Ferreira Bilogo/Microbiologista

    Altamira/PA

    Tomei conhecimento da revista MINAS FAZ CINCIA na casa de um amigo e gostei muito do contedo. Ele me disse que recebia esta revista de forma gratuita. Assim, me interessei muito em receb-la tambm.

    Antnio de Pdua MacedoJuiz de Fora/MG

    Agradeo a toda equipe da MINAS FAZ CINCIA pela ateno ao meu pedido de assinatura da revista.Acredito que irei apre-ciar bastante a publicao e que ela ser de grande importncia para meus estudos e para me inteirar das vrias pesquisas que so rea-lizadas.

    Fbio Soares dos SantosSabar/MG

    Fiquei muito feliz em saber que irei receber revistas que falam de assuntos relacionados ao meu Estado no mbito dos avanos tecno-lgicos e cientficos. Obrigada!! Espero que um dia possa contribuir para a mesma!

    Cristiane dos Santos SanchesBetim/MG

    Gostaria de receber a revista MINAS FAZ CINCIA, uma vez que suas matrias so bas-tante interessantes e posso utiliz-las em sala de aula. Sou professora dos nveis fundamen-tal, mdio e superior.

    Daniela CordeiroProfessora

    Belo Horizonte/MG

    Estou escrevendo para elogiar o sistema de correspondncia da revista e, acima de tudo,

    o respeito da revista ao leitor. Fiz a assina-tura h menos de dez dias e recebi hoje dois exemplares. Estou impressionado. Pa-rabns!

    Ricardo Alexandrino G. de Oli-veira

    Itabuna/BA

    Ol, Sou acadmico do curso de Farmcia da Faculdade de Minas, campus Muria, e tambm estagirio do Laboratrio de Sa-de desta mesma instituio de ensino. Co-nheci a revista MINAS FAZ CINCIA atra-vs de um professor e gostei muito. Suas reportagens so de alto nvel e estimulam jovens pesquisadores.

    Emlio Santana de AbreuEstudante e estagirio do Laboratrio de

    Sade/ FaminasMuria/MG

    Meu nome Rodrigo e trabalho com Publicidade e Propaganda. Pretendo me especializar no segmento de Negcios em Comunicao e, portanto, gostaria de rece-ber as publicaes da FAPEMIG (MINAS FAZ CINCIA) para compreender melhor as questes relacionadas s cincias e economia de forma geral. Meu objetivo melhorar minha participao efetiva no mercado brasileiro, onde o conhecimento de questes de concorrncia e administra-o atravs de uma viso governamental pode ser determinante na obteno de bons resultados.

    Rodrigo de Arajo Fonseca Belo Horizonte/MG

    Recentemente tive o conhecimento de uma revista de tima qualidade e distri-buio gratuita!O nome da revista MINAS FAZ CINCIA, da FAPEMIG. Tenho interesse em receb-la e colocar em prtica as suas orientaes, pois fiquei sabendo que a publicao traz matrias bem diversificadas e prticas.

    Milton M. OliveiraEmater

    Berilo/ MG

    J recebo as edies da revista MINAS FAZ CINCIA h algum tempo e adoro as reportagens. Como estou pesquisando para o mestrado, vi pela internet uma re-portagem que saiu na edio n 19 (jun a ago de 2004) sobre os muriquis. Ser que consigo esta edio? Desde j agradeo a ateno e parabenizo pela qualidade das reportagens.

    Patrcia GomesRegistro/SP

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    Entrevista

  • 7MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 2009

    Entrevista

  • MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 20098

    Entrevista

  • 9MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 2009

    Entrevista

  • MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 200910

    Entrevista

  • 11MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 2009

    Entrevista

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    Foi a partir do veneno da jararaca que um grupo de pesquisadores brasileiros, liderados pelo qumico e farmacologista Maurcio da Rocha e Silva, descobriu, no final da dcada de 1940, a bradicinina, um hormnio de efeito vasodilatador alm de vrias outras propriedades que alguns anos depois forneceria a base para medicamentos anti-hipertensivos. Hoje, aps mais de 50 anos, novamente cientistas brasileiros utilizam peonha de um animal, desta vez o escorpio amarelo (Tityus serrulatus), como chave para desenvolver novos frmacos de combate presso alta, doena que atinge cerca de 30 milhes de pessoas no pas.

    Sade

    Substncia presente no veneno do escorpio amarelo base para estudo de medicamento contra hipertenso

    De veneno a terapia

    Foto

    : Lila

    Alve

    s

  • 13MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 2009

    As pesquisas esto sendo desen-volvidas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio de parceria entre laboratrios dos De-partamentos de Bioqumica e Imuno-logia, Biologia Geral, Fisiologia e Qu-mica, com a colaborao da Universit de La Mditerrane (Marselha, Frana) e o apoio da FAPEMIG. Segundo o bilo-go Adriano Pimenta, professor adjun-to do Departamento de Bioqumica e Imunologia, o estudo pretende levar criao de um medicamento eficiente no combate hipertenso e que, ao mesmo tempo, apresente menos efei-tos colaterais que os tratamentos uti-lizados atualmente.

    O elemento chave dos trabalhos um peptdeo encontrado no veneno do escorpio amarelo, identificado por Pimenta durante seu trabalho de ps-doutorado com o proteoma do artr-pode na Frana. Na ocasio, identifica-mos a estrutura da molcula, mas no sabamos exatamente quais eram seus atributos funcionais, conta. Atravs da sua assinatura molecular dois re-sduos de aminocido que o caracteri-zavam os pesquisadores viram que poderia se tratar de um possvel agen-te anti-hipertensivo, pois a estrutura era semelhante quela encontrada no veneno de jararaca que potenciava o efeito da bradicinina.

    Quando voltou ao Brasil, em 2001, o pesquisador deu sequncia aos es-tudos atravs da Rede Mineira de Es-tudos de Estrutura e Funo de Bio-molculas, o Projeto Proteoma, grupo formado em 2002 para estudar prote-nas presentes no veneno do escorpio amarelo e em parasitas causadores de doenas como a leishmaniose e a ma-lria. Em colaborao com a equipe do professor Robson Santos, do Depar-tamento de Fisiologia e Farmacologia, que trabalha com a linha de pesquisa cardiovascular, foi comprovada, ento, a propriedade da molcula.

    Em busca do equilbrioO controle da presso arterial fun-

    ciona como uma balana no organismo humano: preciso haver um equilbrio de fatores. Um dos elementos mais importantes a enzima conversora de

    angiotensina, que fabrica o hormnio hipertensivo angiotensina II e degrada a bradicinina, hormnio antagnico angiotensina II, capaz de abaixar a presso arterial. Um quadro patolgi-co resultado do desequilbrio entre esses tipos de substncias.

    De acordo com Pimenta, a enzima conversora de angiotensina constitui um alvo teraputico importante, pois, ao bloque-la, impede-se, ao mesmo tempo, a formao do hormnio hi-pertensor e a degradao do horm-nio hipotensor. Posteriormente des-coberta da bradicinina pelo grupo de Rocha e Silva, foram descobertos na peonha da serpente jararaca peptde-os cujo efeito potenciador da bradici-nina se dava exatamente pela inibio da enzima conversora de angiotensina. Com testes, chegou-se ao mecanismo de que inibindo essa enzima seria pos-svel obter uma reduo de presso arterial e esses peptdeos, denomina-dos peptdeos potenciadores de bra-dicinina, foram usados para desenhar sinteticamente, por volta de 1970, uma droga que ainda constitui um dos me-dicamentos anti-hipertensivos mais conhecidos, o captopril. A partir da, vrios outros frmacos foram apri-morados e elaborados com o mesmo princpio. As principais drogas utiliza-das so algumas de efeito diurtico e aquelas baseadas em inibidores da en-zima conversora de angiotensina, diz.

    Os dois resduos de aminocidos (prolina), presentes no peptdeo des-coberto por Pimenta, so bastante evidentes nos potenciadores de bra-dicinina encontrados no veneno da serpente. Os pesquisadores acreditam, entretanto, que ele tenha mecanis-mos de ao diferenciados. Um deles, j comprovado, via receptores (B1 e B2) localizados nas clulas dos va-sos sanguneos que quando em con-tato com a bradicinina so ativados, proporcionando a dilatao do vaso e, consequentemente, a hipotenso. Quando o peptdeo cai na corrente

    sangunea, ele imita a bradicinina, ligan-do-se a estes receptores e causando o mesmo efeito vasodilatador. um mecanismo totalmente diferente das drogas utilizadas hoje, explica o aluno de ps-doutorado do Laboratrio de Hipertenso do Departamento de Fi-siologia e Farmacologia, Thiago Verano.

    Os experimentos levam os pesqui-sadores a acreditar que existe ainda um segundo mecanismo, que seria a potenciao da bradicinina. Avalia-

    Nos ex et, quatie mod dolobore te exero odo odignis num zzril et erci tis num zzril utpat, veliscilis alis eraessit non hent wis exer init, voluptatie diam nullaorem veraessim velisim quam, volore te dip eratet inisl inis eraesequis dolore del iusciliquis.

    Foto

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  • MINAS FAZ CINCIA - JUN. A AGO. / 200914

    mos que ele capaz de aumentar o efeito desse hormnio e que, diferen-temente dos outros potenciadores, causa uma hipotenso imediata, diz Verano. Em testes com ratos hiper-tensos, foi administrada a bradicinina em uma concentrao X, provocando a queda da presso arterial. Se aplicada na concentrao 2X, o efeito maior, abaixando ainda mais a presso. Aps administrarmos o peptdeo, em um perodo de at 2 horas, se aplicarmos a bradicinina em uma concentrao X, seu efeito ser igual a 2X, detalha. Se-gundo ele, essa reao ainda est sen-do estudada pela equipe.

    SnteseAps constatada a ao anti-hiper-

    tensiva da protena e j conhecendo sua estrutura, o grupo buscou a sua sntese qumica, reprodu...

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