Monografia Aurelina pedagogia 2010

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    05-Jun-2015

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Pedagogia 2010

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<ul><li> 1. 9 1 INTRODUOO presente trabalho vem abordar o tema a importncia das atividadesldicas na educao infantil, trazendo como questo central analisar qual importncia atribuda pelos professores de educao infantil ao ldico comoatividade educativa. A idia de pesquisar sobre este assunto surgiu o interesseda pesquisadora em saber mais sobre o tema e sua aplicabilidade real naescola. Nossa inquietao esta relacionada em verificar como as atividadesldicasinfluenciam o desenvolvimento e aprendizagem no universo infantil.Esta pesquisa tambm se justifica pelo fato de que o ldico um dos assuntosque tem conquistado espao no plano nacional, principalmente na educaoinfantil, por serem as brincadeiras e os jogos a essncia da infncia e seu usopermitiramum trabalho pedaggico quepossibilitaa produodoconhecimento de forma contextualizada no mundo infantil.Segundo Almeida (1987) jAntiga Grcia, umdosmaiorespensadores, Plato (427-348), Afirmava que os primeiros anos da crianadeveria ser ocupados com jogos educativos, praticados em comum pelos doissexo, sob a vigilncia e em jardins de crianas. Para o autor,todo opensamento grego da poca, a educao propriamente dita deveria comearaos sete anos de idade. Plato dava ao esporte, to difundido na poca,valor educativo, moral, colocando-o em p de igualdade com a culturaintelectual e em estreita colocao com ela na formao do carter e dapersonalidade. Por isso investia contra o esprito competitivo dos jogos.Segundo Almeida (1990) Os jogos constituram sempre uma forma de atividade inerente ao ser humano. Entre os primitivos, por exemplo, as atividades de dana, caa, pesca, lutas eram tidas como sobrevivncia, deixando, muitas vezes, o carter restrito de divertimento e prazer natural. As crianas, nos jogos, participam de empreendimentos tcnicos e mgicos. O corpo e o meio, a infncia e a cultura adulta faziam parte de um s mundo. Esse mundo podia ser pequeno, mas era eminentemente coerente, uma vez que os jogos caracterizavam a prpria cultura, a cultura era a educao, e a educao representava a sobrevivncia (p.26).</li></ul><p> 2. 10A escolha do tema surgiu por uma inquietao de obter maisinformao sobre a importncia das atividades ldicas na educao Infantil. Aproblemtica qual a importncia atribuda pelos professores de educaoinfantil ao ldico como atividade educativa. Dessa forma pretendemos alcanarcomo objetivo:Analisar qual importncia atribuda pelos professores deeducao infantil ao ldico como atividade educativa?No primeiro captulo aborda as aspectos que motivaram a investigaodeste tema, bem como apresenta a problemtica, as questes norteadoras, osobjetivos sua relevncia no campo scio-educativo.No segundo capitulo so apresentadas as teorias que orientaram asdiscusses fundamentadas em autores como Lakatos (1991), Harguete(1992), Vygotsky (1989) Kishimoto (2001), Freire (2002).No terceiro capitulo trata da metodologia qualitativa. Foram utilizados aentrevista , o questionrio semi- extruturado, onde buscou-se compreender asconcepes dos sujeitos. Sendo entrevistados todos os professores deeducao infantil da Escola Fundao Apoio a criana e ao AdolescenteFundame.No quarto capitulo busca-se analisar os aspectos mais relevantes daanlise e interpretao de dados, para ento, entender a problemticaapresentada neste trabalho, bem como atingir os objetivos traados nestapesquisa.Nas consideraes finais, fazemos um relatoa respeito dosresultados encontrados, analisando os objetivos e a problemtica propostosinicialmente, luz dos conceitos tericos e da anlise de dados. 3. 11 CAPTULO I1 LDICO COMO FERRAMENTA DE ENSINO NA EDUCAO INFANTILNo final dos anos 1970 no Brasil, a importncia do uso de jogos no processoensino-aprendizagem nas escolas, sobretudo de educao infantil (crianas de2 a 6 anos, na poca), era considerada, debatida e entendida como a mais"progressista" das posturas educativas. Inspiradas no trabalho de Jean Piageta respeito dos processos de desenvolvimento da inteligncia, inmeraspublicaes tratavam o assunto.Segundo Priore (2000), por meio dos jogos a criana, em todos ostempos, estabelece vnculos sociais, ajustando-se ao grupo e aceitando aparticipao de outras criana, com os mesmos direitos, aprende a ganhar,mas tambm a perder, acatando regras, propondo e aceitando modificaes,aprende a apoiar os mais fracos e consagrar o vitorioso, ao sair-se bem, torna-se confiante e seguro. Quando perde se aborrece, mas enfrenta a realidade.Participa e eliminado, como parte do jogo. Assim, aprende a agir como sersocial e cresce.Para Piaget (1998) com relao ao jogo, o autor acredita que ele essencial na vida da criana. De incio tem-se o jogo de exerccio que aqueleem que a criana repete uma determinada situao por puro prazer, por terapreciado seus efeitos.Em perodo posterior surgem os jogos de regras, que so transmitidossocialmente de criana para criana e por conseqncia vo aumentando deimportncia de acordo com o progresso de seu desenvolvimento social. ParaPiaget, o jogo constitui-se em expresso e condio para o desenvolvimentoinfantil, j que as crianas quando jogam assimilam e podem transformar arealidade. Vygotsky (1989), por sua vez, coloca: 4. 12 enorme a influncia do brinquedo no desenvolvimento de umacriana. no brinquedo que a criana aprende a agir numa esferacognitiva, ao invs de numa esfera visual externa, dependendo dasmotivaes e tendncias internas, e no por incentivos fornecidos porobjetos externos (p.109).Nota-se neste contexto uma preocupao com as brincadeiras queso oferecidas criana devem estar de acordo com a zona dedesenvolvimento em que ela se encontra e estimular para o desenvolvimentodo ir alm; desta forma, pode-se perceber a importncia do professor conhecera teoria de Vygotsky.Para Vygotsky, a interao, se apresenta como ao que provocaintervenes no desenvolvimento da criana, pois no brincar a criana expemsua capacidade representativa, o prazer e a interao com outras crianas.Brincar a fase mais importante da infncia para o desenvolvimento humano .As atividades ldicas e os jogos permitem liberdade de ao, pulsointerior, naturalidade e, conseqentemente, prazer que raramente soencontrados em outras atividades escolares. Por isso necessitam serestudados por educadores para poderem utiliz-los pedagogicamente comouma alternativa a mais a servio do desenvolvimento integral da criana.Kishimoto ( 2001) afirma queA psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempreem conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadasem conjunto. Procurando estudar a construo do conhecimento emtoda a sua complexidade, procurando colocar em p de igualdade osaspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe esto includos. O usodo brinquedo / jogo educativo com fins pedaggicos para situaes deensino-aprendizagem (a qual envolve o ser humano em processosinterativos, com suas cognies, afetividade, corpo e interaessociais) de grande relevncia para desenvolv-lo, utilizando o jogocomo ensino-aprendizagem na construo de conhecimento,introduzindo as propriedades do ldico, do prazer, da capacidade deiniciao e ao ativa e motivadora (p.95).Por meio das atividades ldicas, as crianas se preparam para a vida,assimilando a cultura do meio em que vive, a ela se integrando, adaptando-ses condies que o mundo lhe oferece e aprendendo a competir, cooperar com 5. 13seus semelhantes e conviver como um ser social. Alm de proporcionar prazere diverso, o jogo, o brinquedo e a brincadeira podem representar um desafio eprovocar o pensamento reflexivo da criana. Assim, uma atitude ldicaefetivamente oferece aos alunos experincias concretas, necessrias eindispensveis s abstraes e operaes cognitivas. Para Dohme , (2003,p.15) afirma que, O uso do ldico na educaoprev, principalmente a utilizao de metodologias agradveis e adequadas ascrianas que faam com que o aprendizado acontea dentro do seu mundo dascoisas que lhes so importantes e naturais de se fazer, que respeitam ascaractersticas prprias das crianas, seus interesse e esquemas de raciocnioprprio. Segundo Almeida (1995)O mundo do brinquedo um mundo composto, que representa oapego, a imitao, a representao e no aparece simplesmente comouma exigncia indevida, mas faz parte da vontade de crescer e sedesenvolver. Uma criana, quando brinca com bonecas ou utensliosdomsticos em miniatura, exercita a manipulao dos objetos,compondo-os e repondo-os designando-lhes um espao e uma funo,dramatizando suas prprias relaes e eventualmente seus conflitos.Grita com as bonecas, usando as mesmas palavras da me paraexprimir suas necessidades de afeto. Pode escolher uma delas paraamar ou odiar de modo especial, caso a boneca lembre o irmozinhoamado, ou do qual tem cime. Faz do brinquedo a representao,constituindo uma autentica atividade do pensamento (p.26). Neste brincar esto includos os jogos, brinquedos e divertimentos e relativa tambm conduta daquele que joga, que brincar e que se diverte. Porsua vez, a funo educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivduo,seu saber, seu conhecimento e sua compreenso de mundo. Como afirmaPiaget (1998), a atividade ldica o bero obrigatrio das atividadesintelectuais da criana, sendo, por isso, indispensvel prtica educativa. Segundo Almeida (1995): 6. 14 Os brinquedos tero um sentido profundo se vierem representados pelo brincar. Por isso a criana no cansa de pedir aos adultos que brinquem com ela. Estes, quando brincam com a criana, tem a vantagem de dispor de uma experincia mais vasta, mais rica, podendo ir mais longe com a imaginao,aumentando com isso seu coeficiente, no s de informaes intelectivas , mas de nvel lingstico. Por exemplo, quando brinca de construo, o adulto sabe calcular melhor as propores e equilbrio. Possui um repertrio mais rico do ponto de vista lingstico, e por isso ganha em organizao, direo e abre novos horizontes. No se trata de brincar no lugar da criana, regulando-a ou levando-a ao papel de algum que alem de discernir o que serve e o que no serve, capaz de colocar-se a seu vio, de buscar com ela e para ela verdadeiros estmulos que ativem sua capacidade inventiva e criativa, dando-lhe novas possibilidades para brincar sozinha ou com outras crianas (p .28). O jogo mantm relaes profundas entre as crianas e as faz aprendera viver a crescer conjuntamente nas relaes sociais. o jogo no umaatividade isolada de um grupo de pessoas formadas ao acaso: ele refleteexperincias, valores da prpria comunidade em que esto inseridas. Segundo Kishimoto (2001)Tentar definir o jogo no tarefa fcil. Quando se pronuncia apalavra jogo cada um pode entend-la de modo diferente.Pode-se estar falando de jogos polticos de adultos, crianas,animais ou amarelinha, xadrez, adivinhas, contar estrias,brincar de mame e filhinha, futebol, domin, quebra-cabea,construir barquinho, brincar na areia e uma infinidade deoutros, Tais jogos, embora recebam a mesma denominao,tem suas especificidades. Por exemplo, no faz-de-conta, hforte presena da situao imaginaria; no jogo de xadrez,regras padronizadas permitem a movimentao das peas.Brincar na areia, sentir o prazer de faz-la escorre as mos,encha e esvaziar copinhos com areia requer a satisfao damanipulao do objeto. J a construo de um barquinhoexige no s a habilidade manual para operacionaliz-lo(p.14).Os Brinquedos podem incorporar, tambm, um imaginrio preexistentecriando pelos desenhos animados, seriados televisivos, mundo da ficocientifica com motores e robs, mundo encantado dos contos de fadas, estriasde piratas, ndio e bandidos. Como afirma Khishimoto (2009 p. 19) Obrinquedo prope um mundo imaginrio da criana e do adulto, criador doobjeto ldico. No caso da criana, o imaginrio varia conforme a idade: para o 7. 15pr-escolar de 3 anos, est carregado de animismo; de 5 a 6 anos, integrapredominantemente elementos da realidade.Para Vygotsky (1984) ,O que define o brincar a situao imaginaria criada pelacriana. Alem disso, devemos levar em conta que brincarpreenche necessidades que mudam de acordo com a idade.Exemplo: um brinquedo que interessa a um bebe deixa deinteressar a uma criana mais velha. Dessa forma a maturaodessas necessidades so de suma importncia paraentendermos o brinquedo da criana como uma atividadesingular. As crianas querem satisfazer certos desejos quemuitas vezes no podem ser realizado imediatamente. Como acriana pequena no tem a capacidade de esperar, cria ummundo ilusrio, onde os desejos irrealizveis podem serrealizados. Esse mundo que Vygotsky chama de brincadeira.Para ele, a imaginao uma atividade consciente que noest presente na criana muito pequena. Como toda a funoda conscincia, surge originalmente da ao.(p.60,61)O brincar que comporta uma situao imaginaria tambm comportauma regra. No uma regra explicita, mas uma regra que a prpria criana cria.Segundo Vygotsky, medida que a criana vai se desenvolvendo, h umamodificao: primeiro predomina a situao e as regras esto ocultas ( noexplicitas); quando ela vai ficando mais velha, predominam as regras(explicitas) e a situao imaginaria fica oculta.Vygotsky d nfase ao e ao significado no brincar. Para ele epraticamente impossvel a uma criana com menos de 3 anos envolver-se emuma situao imaginria, porque ao passar do concreto para o abstrato no hcontinuidade, mas uma descontinuidade. S brincando que ela vai comear aperceber o objeto no da maneira que ele , mas como desejaria que fosse. Naaprendizagem formal isso no possvel, mas no brinquedo isso acontece,porque onde os objetos perdem a sua fora determinadora.Segundo Vygotsky (1997)A criana no v o objeto como ele , mas lhe confere um novosignificado. Por exemplo: quando a criana monta em umavassoura e finge estar cavalgando um cavalo, ele estaconferindo um novo significado ao objeto. Este significado 8. 16 precisa de um piv que comporte um gesto que se assemelhe realidade. o mais importante no a simplicidade do objeto com a coisa imaginada, mas o gesto. Neste caso, a vassoura comporta um gesto em relao ao objeto ( cavalo ) ao qual ela est conferindo um significado. Dessa forma , no brinquedo, o significado conferido ao objeto torna-se mais importante que o prprio objeto(p.62).Vygotsky ainda chama ateno para o fato de que, para a criana commenos de 3 anos, o brinquedo coisa muito seria, pois ela no separa asituao imaginaria da real. J na limitada que preenche um papel especficoem seu desenvolvimento, tendo um significado diferente do que tem para umacriana em idade pr-escolar. Dessa forma, o brinquedo tem grandeimportncia no desenvolvimento, pois cria novas relaes entre situaes nopensamento e situaes reais.Segundo Vygotsky ( 1987)O jogo de papis se desenvolve a partir de atividades da crianacom o objeto, principalmente, no 2 e 3 anos de vida. Essasatividades que envolvem o uso de vrios objetos no so adquiridospela simples transferncia do esquema sensrio-motor, adquirido no1 ano de vida, a novos objetos. Elas so desenvolvidas somente narelao da atividade da criana com os adultos. Na criana de 1 a 2anos, a atividade no separada do objeto assimilado nem , deforma independente, transferida pela criana a um outro obje...</p>