Monografia Cleane Pedagogia 2011

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    25-Jul-2015

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<ul><li><p>10 </p><p>INTRODUO </p><p>A interao nos espaos de Educao Infantil algo comum e pertinente para todas </p><p>as crianas em toda e qualquer sociedade, sendo esta peculiar para o seu </p><p>desenvolvimento cognitivo e social. Atravs desta pesquisa tornou possvel </p><p>identificar e analisarcomo os professores compreendem a relevncia da interao </p><p>das crianas nos espaos de Educao Infantil e como suas prticas tem </p><p>referenciado estas compreenses. </p><p>O primeiro captulo delineia uma trajetria como as crianas foram e tem sido vistas </p><p>e tratadas no decorrer da historia brasileira. Fazendo uma breve aluso da questo </p><p>a ser tratada e o objetivo proposto. </p><p> O segundo capitulo compe o quadro terico refletindo conceito, o qual tem como </p><p>objetivo proporcionar bases tericas parra tornar a discusso deste trabalho mais </p><p>rico e slido, por aprofundar nas contribuies dos autores que tratam dos referidos </p><p>conceitos chaves delineados neste trabalho, os quais envolvem uma explanao </p><p>sobre interao, aprendizagem e desenvolvimento, professores e prtica. </p><p> O terceiro captulo descreve o caminho percorrido para a compreenso do assunto </p><p>investigado, bem como as aes e recursos para o desenvolvimento da referida </p><p>pesquisa. Referendando o lcus, os sujeitos e os instrumentos para a coleta de </p><p>dados da pesquisa enunciada </p><p> O quarto captulo trata dos resultados da pesquisa coletada dos sujeitos, bem como </p><p>a anlise e interpretaes dos dados colhidos luz do assunto </p><p>anteriormentepesquisado e estudado. </p><p> Este trabalho resultado de uma inquietao, de pesquisas e estudos. A realizao </p><p>deste trabalho se tornou real aps dias de atividades e muitopertinente, pois </p><p>chegamos a uma concluso do assunto averiguado, sendo este o objetivo proposto </p><p>no desenvolvimento do trabalho, garantindo-nos uma sensao de satisfao da </p><p>ao realizada, nos proporcionando contentamento e determinao. </p></li><li><p>11 </p><p>CAPTULO I </p><p>1. PROBLEMTICA </p><p>1.1Crianas nos Diferentes Contextos na Historia do Brasil </p><p>No decorrer da histria de nosso pas, a assistncia social e educacional das </p><p>crianas sofreram diferentes impasses para que estas fossem reconhecidas como </p><p>realmente so, crianas. Para uma melhor compreenso imprescindvel fazermos </p><p>uma breve, mas importante, retrospectiva: como as crianas tm sido vistas e </p><p>tratadas no decorrer do tempo em nosso pas. </p><p>Partindo da chegada dos portugueses ao fim do perodo escravista, pouco setem </p><p>mencionado quanto educao e ao cuidado com as crianas do nosso pas. Em </p><p>companhia dos portugueses vieram tambm os jesutas que com sua presena </p><p>marcaram o inicio da educao formal no Brasil, que visava educar no s ndios </p><p>adultos como tambm as crianas segundo suas definies e regimentos como </p><p>afirma Chambouleyron (2000), com adultos cada vez mais arredios, toda ateno </p><p>se voltava aos filhos destes... (p. 58). </p><p>Percebe-seassim, que a educao partia dos interesses da classe dominante (a </p><p>Igreja), que era at ento granjear novos adeptos ao catolicismo. Segundo </p><p>Chambouleyron (2000), a educao jesuta oferecida a estas crianas contribua </p><p>para fortalecer a ideia de que as crianas constituiriam de fato uma nova </p><p>cristandade (p. 59). Por conseguinte,a educao imposta e oferecida s crianas </p><p>no era voltada para sua condio de criana, mas envolvia formar uma sociedade </p><p>almejada pelos jesutas. </p><p>A viso que muitos adultos tinham da criana era reducionista ou determinante, </p><p>como afirma Priore (2000), a criana... vista como adulto em gesto (p. 10). Os </p><p>filhos dosbrancos eram adultos em estatura pequena, o que era evidente por suas </p><p>vestes serem iguais as dos adultos, j os filhos dos negros por sua vez eram os </p><p>futuros trabalhadores escravos que mesmo pequenos j auxiliavam nas tarefas </p><p>escravistas, como noslembra Priore (2000) ao dizer, o muleque ou </p><p>mulecacomeavam a trabalhar aos sete anos obedecendo s ordens dos seus </p></li><li><p>12 </p><p>senhores por carregar seus pertences, buscar e levar correspondncias, aban-los </p><p>etc. (p. 21). </p><p>Em relao educao das crianas durante o sculo XIX, a refernciaexistente </p><p>que esta era de carter assistencialista, na qual Kramer (1992) traz ateno: </p><p>No que se refere ao atendimento a infncia brasileira at 1874 existia a Casa dos Expostos ou Roda para os abandonados das primeiras idades e a escola de Aprendizes Marinheiros (fundada pelo Estado em 1873) para os abandonados maiores de doze anos. (p. 49) </p><p>Tratando-se da Casa dos Expostos preciso mencionar que a mesma no tinha </p><p>funo educacional, mas protagonizava uma ao assistencialista, a qual abrigava </p><p>bebs de famlias pobres ou ilegtimos de senhores e escravos. Sendoque neste </p><p>mesmo perodosurge o primeiro jardim de infncia particular no Brasil, no Rio de </p><p>Janeiro, fundado por Menezes Vieira, que visava atender a elite da poca.O que </p><p>ocasionou discursos que defenderiam que os jardins de infncia deveriam </p><p>assistencializar todas s crianas, inclusive crianas de negras libertas pela lei do </p><p>Ventre Livre e as que tivessem pouca condio econmica. </p><p>A ideia de proteger a infncia comeava a despertar, mas o atendimento se restringiaas iniciativas isoladas que tinha, portanto, um carter isolado. Assim, mesmo aquelas instituies dirigidas s classes desfavorecidas,..., eram insuficientes e quase inexpressivas frente situao de sade e educao da populao brasileira. (KRAMER, 1992, p. 49 E 50) </p><p>Percebe-se at este perodo que as iniciativas quanto educao das crianas no </p><p>Brasil eram precrias, o que ocorria muitas vezes por causa do descaso das </p><p>autoridades. Como afirma Kramer (1992) faltava de maneira geral, interesse da </p><p>administrao pblica pelas condies da criana brasileira, principalmente a pobre. </p><p>(p. 50) </p><p>Com a consolidao da Abolioe a Proclamao da Republica no fim do sculo </p><p>XIX e adentrando ao sculo XX, surge no Brasil uma nova sociedade voltada para a </p><p>aceitao de idias capitalistas e para o desenvolvimento industrial, provocando </p><p>revolues no pas. Surgindo creches populares (1908), que visava proporcionar </p><p>alimentao, higiene e segurana fsica para as crianas de mes que trabalhavam </p><p>nas indstrias ou em lares como empregadas domsticas, sendo assistidas </p></li><li><p>13 </p><p>basicamente por instituies de carter mdico sendo muito poucas as iniciativas </p><p>educacionais a elas destinadas. (Kramer, 1992, p. 55) </p><p>Torna-se necessrio lembrar que as creches no Brasil eram um reflexo do que j </p><p>acontecia no Europa desde o sculo XVIII. Situao mediada sob a influncia de </p><p>muitos pensadores, tais como: Joo Comnio (1592-1657), pai da Didtica Moderna </p><p>que defendia que desde a infncia deveria ser trabalhado tudo; Jean Jaques </p><p>Rousseau (1712-1778), que enfatizava a infncia como um momento que se v,que </p><p>se pensa e se sente o mundo de um modo prprio; Pestalozzi (1746-1827), em seu </p><p>entusiasmo pela educao pblica influenciou empresrios a construirem creches </p><p>para os filhos de operrios; Froebel (1782-1852), afirmou que a criana um ser </p><p>dinmico que interage a todo momento com objetos e pessoas; Vygotsky (1896-</p><p>1934) deu ateno a importncia da interao; Piaget; Maria Montessouri e outros. </p><p>(KRAMER, 1992,p.25 a 30) </p><p>A partir da dcada de 30, com a acelerao dos processos de industrializao e </p><p>urbanizao do pas, eleva-se a nacionalizao de polticas sociais, as quais, como </p><p>diz Kramer (1992), se refletiram nas instituies voltadas as questes de educao </p><p>e sade,...(p.50). Neste perodo a criana passa a ser valorizada no como criana, </p><p>mas sim como adulto em potencial. Mesmo com algumas inovaes na rea da </p><p>educao, a creche e a pr-escola ainda ofereciam uma ao assistencialista e </p><p>muitas vezes prestada de forma precria. </p><p>Entre as dcadas de 40 a 70, surgem diferentes rgos que deramateno a criana </p><p>brasileira, entre estes: Departamento Nacional da Criana (1940); Servio de </p><p>Assistncia a Menores (1941); OMEP Organizao Mundial de Educao Pr-</p><p>escolar (1952); FUNABEM Fundao de Bem estar ao Menor (1964); LBA Legio </p><p>Brasileira de Assistncia (1942); e outros. Inicialmente,dava-se ateno a proteo, </p><p>a sade, a assistncia social e s depois a educao. Apenasna dcada de 70 a </p><p>educao da criana brasileira reconhecida e as polticas governamentais </p><p>comeam a dar ateno ao atendimento das crianas de 4 a 6 anos. </p><p>Nos anos 80, sob a influncia de modelos piagetianos, montessourianas, </p><p>comportamentalistas e construtivistas novos rumos ocorrem na educao. </p></li><li><p>14 </p><p>Arealizao de congressos da ANPED (Associao Nacional dos Pesquisadores em </p><p>Educao) e elaborao da Constituio de 1988, a educao pr-escolar vista </p><p>como necessria, direito detodos e dever do Estado, sendo integrada no Sistema de </p><p>Ensino, tanto em creches como em escolas. Deixando seu carterassistencialista, </p><p>mas estando agora numa viso pedaggica, que como afirma Kramer (2002), </p><p>precisa se orientar por uma viso das crianas como seres sociais, indivduos que </p><p>vivem em sociedade, cidados e cidads, (p. 19). O que nos faz lembrar Angotti </p><p>(2006) ao mencionar: </p><p>Elementos da historia do atendimento a infncia precisam e merecem ser reconhecidos, entendidos e analisados, para que se possa elaborar e manter a luta pelas condies educacionais que favoream a insero da criana na sociedade a qual pertence, sua condio de direito de ser pessoa, em ser e viver as perspectivas sociopolticas histrico culturais que sustentem as bases do sujeito protagonista da historia do seu prprio desenvolvimento, interlocutor_ de dilogos abertos com um e em um mundo permanente e absoluta dinamicidade. (p.17) </p><p>Algumas mudanas ocorrem muito recentemente em nossa sociedade brasileira </p><p>quanto a Educao Infantil.A partir dos anos 90 as crianas brasileiras como seres </p><p>sociais e com suas peculiaridades recebem uma ateno maior, uma evidncia </p><p>deste evento foi criao da ECA Estatuto da Criana e do Adolescente de 1990 </p><p>(lei 8069/90). O cuidado infantil deixa de ser atribuio exclusiva da famlia, </p><p>passando a ser destacado como papel importante dispositivo social na promoo do </p><p>desenvolvimento humano, a ser garantido pelas autoridades pblicas (HADDAD, </p><p>p.43). </p><p>O ECA-Estatuto da Criana e do Adolescente, em seu artigo 54, pargrafo IV, diz </p><p>que dever do Estado assegurar criana e ao adolescente... o atendimento em </p><p>creches e pr-escolas as crianas de 0 a 6 anos e a lei 9394/96 inclui a educao </p><p>Infantil bem como seus objetivos entre as diretrizes que regem a educao. Como </p><p>nos lembra Angotti (2006) </p><p>O Brasil nas ltimas dcadas revelou em sua estrutura legal avanos sobre o que seja a infncia, em como entender a criana e oferecer-lhes garantias institucionais para que se assegure, na pratica social, o direito da mesma a ter seu desenvolvimento integral por meio de consequentemente atendimento educacional pedaggico. (p. 17) </p></li><li><p>15 </p><p>Em meio aos muitos impassesno decorrer da historia, hoje, o acesso Educao </p><p>Infantil,primeira etapa da educao bsica, garantida a todas as crianas </p><p>brasileiras. Segundo Carneiro (1998), estatem como finalidade o desenvolvimento </p><p>integral da criana, at os seis anos de idade, em seu aspecto fsico, psicolgico, </p><p>intelectual e social da criana, complementando a ao da famlia e da </p><p>comunidade...(p.96).Embora o autor mencione que a Educao Infantil envolva </p><p>crianas de 0 a 6 anos, atualmente com a mudana do Ensino Fundamental agora </p><p>com nove anos, onde a criana ingressa nesta modalidade aos seis anos, a </p><p>Educao Infantil corresponde dos 0 aos 5 anos </p><p>1.2 Interao das crianas nos espaos de Educao Infantil </p><p>A Educao Infantil uma realidade garantida por lei com atendimento educacional </p><p>pedaggico para nossas crianas nos espaos especficos para a Educao Infantil, </p><p>sendo comum a presena destes espaos na maior parte do nosso pas, o que </p><p>abrange o espao urbano ou rural e tem por objetivo um trabalho com especificidade </p><p>pedaggico, voltado para o desenvolvimento e aprendizagem das crianas. </p><p>O acesso a estes espaos de Educao Infantil permite a interao de diferentes </p><p>crianas, com peculiaridades, inseridas no espao escolar de Educao Infantil. </p><p>Tornado imprescindvel identificar como os professores compreendem a importncia </p><p>da interao nos espaos de Educao Infantil e que prticas estes tm </p><p>desenvolvido para que ocorra a aprendizageme o desenvolvimento a partir da </p><p>interao das e com as crianas nos espaos de Educao Infantil. </p><p>Este estudo tem por objetivo identificar a relevncia das prticas de interao como </p><p>condicionante noprocesso de aprendizagem e desenvolvimento das crianas </p><p>inseridas no contexto da Educao Infantil, bem como analisar quais as prticas que </p><p>os professores tem realizado na promoo das interaes com e entre professor e </p><p>educandos. </p></li><li><p>16 </p><p>CAPTULO II </p><p>2. REFLETINDO CONCEITOS </p><p>A Educao Infantil uma realidade nos espaos formais de educao. As crianas </p><p>tm a oportunidade de interagir com outras crianas, compartilhando suas diferentes </p><p>realidades, informaes, conhecimentos. O que permite que vivenciem situaes de </p><p>interao diferenciada abarcando uma gama de conhecimentos. O que nos faz </p><p>lembrar Machado, (2001) Afirma-se que a criana um ser social, o que significa </p><p>dizer que seu desenvolvimento se d entre outros humanos, em um espao e tempo </p><p>determinados, (p.27). So nas diferentes interaes que o desenvolvimento e a </p><p>aprendizagem das crianas podem acontecer. </p><p>A educao oferecida para a complementao ao da famlia em proporcionar condies adequadas de seu desenvolvimento fsico, emocional, cognitivo e social das crianas e promover a ampliao de suas experincias e conhecimentos, estimulando seu interesse pelo processo de transformao da natureza e pela convivncia em sociedade.(CARNEIRO, 1998, p. 97) </p><p>As crianas brasileiras tm a oportunidade de interagircom outras crianas e com </p><p>adultos nos espaos formais de Educao Infantil,o que torna pertinente </p><p>identificar:quais as prticas que os professores tm desenvolvido para que a </p><p>interao das crianas inseridas nos espaos de Educao Infantil ampliem seu </p><p>universoinfantil proporcionando aprendizagem e desenvolvimento? </p><p>Palavras chave:Interao. Aprendizagem e Desenvolvimento.Professor e Prtica. </p><p>2.1INTERAO: inter-agindo </p><p>O ingresso das crianas nos espaos que oferecem a Educao Infantil permite que </p><p>estas vivenciem situaes de interao diferenciadas das quais elas convivem com </p><p>a famlia. Mas que devero acontecer em ambiente que possa propiciar s crianas </p><p>interaes nas mais diferentes naturezas, pois se acredita ser a diversidade e a </p><p>heterogeneidade elementos privilegiadas no enriquecimento do universo infantil, </p><p>(Machado, 2001, p.27). </p></li><li><p>17 </p><p>Diferentes estudos enfatizam o quanto relevante construo da aprendizagem </p><p>atravs da interao e das possveis trocas num espao socializador. Interao esta </p><p>que comea na famlia e que se estende a diversos espaos, entre estes o espao </p><p>escolar. Pois o desenvolvimento pleno do ser humano depende do aprendizado que </p><p>realiza num determinado grupo cultural, a partir da interao com outros indivduos </p><p>da sua espcie, (REGO, 2002, p.71). </p><p>2.1.1 Analisando o significado de interao </p><p>Segundo Cunha (1982), a raiz etimolgica da palavra interao vem do latim </p><p>interque se refere a: entre, no meio de; eactio-onis que significa: atuao, ato ou </p><p>feito. O que nos faz perceber que interao envolve mais do que est entre, mas </p><p>tambm atuar neste meio. </p><p>Ohomem constitui-se como tal atravs de suas interaes sociais, portanto, visto como algum que transfor...</p></li></ul>