Monografia - PRONTA

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    14-Aug-2015

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<p>UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARABA - UEPB CENTRO DE EDUCAO - CEDUC CAMPUS I CAMPINA GRANDE-PB DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTESLICENCIATURA PLENA EM LETRAS</p> <p>A ARGUMENTATIVIDADE NOS TEXTOS DISSERTATIVOS: - FUNES E CARACTERSTICAS DISCURSIVAS.</p> <p>EDIMILSON CAMILO DA SILVA</p> <p>Campina Grande-PB</p> <p>2005</p> <p>2</p> <p>EDIMILSON CAMILO DA SILVA</p> <p>A ARGUMENTATIVIDADE NOS TEXTOS DISSERTATIVOS:</p> <p>- FUNES E CARACTERSTICAS DISCURSIVAS.</p> <p>Monografia apresentada ao Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual da Paraba, como requisito para a concluso do curso de Licenciatura Plena em Letras Lngua Portuguesa.</p> <p>Orientadora: Ms. Francisca Eduardo Pinheiro</p> <p>Campina Grande-PB 20053</p> <p>EDIMILSON CAMILO DA SILVA</p> <p>A ARGUMENTATIVIDADE NOS TEXTOS DISSERTATIVOS:</p> <p>- FUNES E CARACTERSTICAS DISCURSIVAS.</p> <p>Aprovada em 14 de dezembro de 2005</p> <p>BANCA EXAMINADORA</p> <p>____________________________________________ Profa. Ms. Francisca Eduardo Pinheiro Orientadora</p> <p>____________________________________________ Profa. Ms. Eneida O. Dornellas de Carvalho 1a Examinadora</p> <p>____________________________________________ Profa. Ms. Iara Francisca de Arajo Cavalcanti 2a Examinadora</p> <p>4</p> <p>SUMRIO Agradecimentos Dedicatria Homenagem Resumo Abstract Introduo-----------------------------------------------------------------------1. Fundamentao Terica-------------------------------------------------1.1 Texto e Gnero: Conceituao----------------------------------------1.2 Abordagem de Gneros Textuais na escola e nos manuais de lngua portuguesa--------------------------------------------------------------2. Argumentatividade nos textos dissertativos--------------------------2.1 Estratgias argumentativas em textos dissertativos-------------3. Os diferentes graus de produtividade argumentativa-------------3.1 Alternncia entre modo indicativo e subjuntivo--------------------3.2 Estrutura sinttica de subordinao----------------------------------3.3 Conectores argumentativos--------------------------------------------3.4 Inferncias Pragmticas------------------------------------------------4. Elaborao do pargrafo dissertativo----------------------------------5. Anlise de textos argumentativos--------------------------------------5.1 As teses e a argumentao persuasiva-----------------------------5.2 Recursos de linguagem, convencer e persuadir------------------22 25 26 31 32 34 37 38 41 44 44 465</p> <p>12 15 16</p> <p>5.3 Texto argumentativo de base dissertativa--------------------------5.4 Texto argumentativo de base narrativa------------------------------5.5 Texto argumentativo de base descritiva-----------------------------5.6 Texto argumentativo de base injuntiva------------------------------6. Consideraes Finais------------------------------------------------------7. Referncias Bibliogrficas------------------------------------------------Anexo</p> <p>49 50 51 52 54 56</p> <p>6</p> <p>Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justia, e todas estas [outras] coisas vos sero acrescentadas. Portanto, nunca estejais ansiosos quanto ao dia seguinte, pois o dia seguinte ter as suas prprias ansiedades. Basta a cada dia o seu prprio mal. Mateus 6:33-34</p> <p>AGRADECIMENTOS</p> <p>7</p> <p>A professora Francisca Eduardo Pinheiro pela orientao segura, pelas crticas oportunas e pelo interesse demonstrado nas diferentes etapas da elaborao desta monografia. Aos professores que participaram da Banca Examinadora, por suas ricas crticas e sugestes para o aprimoramento desta monografia. Aos meus colegas de classe que me acompanharam durante toda esta jornada de estudo. A todos os meus familiares pela compreenso manifestada durante a minha ausncia devido elaborao deste trabalho, assim como, pelo incentivo e cooperao prestados diante das dificuldades. Aos meus pais que se mudaram da Zona Rural para a cidade, para que eu pudesse estudar e chegar onde estou chegando. A minha esposa Maria do Carmo por acordar s 5:00h da manh para fazer meu caf para que eu pudesse enfrentar mais um dia de estudo e trabalho e a minha filha que vai nascer em janeiro de 2006. A todos que colaboraram direta ou indiretamente para a realizao deste trabalho, a todos vocs meu muito obrigado.</p> <p>DEDICATRIA</p> <p>8</p> <p> A minha me, Maria Jos de Sousa e ao meu pai, Joo Camilo da Silva, pela lio de vida, incentivo e apoio sempre demonstrado, sem os quais no teria sentido a minha existncia. A minha querida esposa Maria do Carmo da Silva que sempre esteve do meu lado nos momentos mais estressantes e compreendeu que s vezes no lhe dava a ateno necessria por estar engajado nos estudos para concluir esta pesquisa. Dedico com amor aos meus sobrinhos Valdeir, Vitor e Emerson, a meus irmos Edilson, Edivaldo, Erivan, Adriana e Elizangela, aos meus avs Manuel Felipe e Maria Ferreira e a todos os meus tios, para que lhe sirva de estimulo no difcil caminho que a vida.</p> <p>HOMENAGEM</p> <p>9</p> <p>Para a minha Tia Dolores (in memria) Um dia a perda, a imensido da dor... Hoje a felicidade de te oferecer esta vitria, uma conquista que certamente tambm sua, pois o seu exemplo em criar as suas duas filhas praticamente sem a ajuda de uma figura paterna, conseguir educ-las e fazer com que elas sejam pessoas exemplares na sociedade. Hoje eu sinto muito a sua falta, mas guardo comigo a lembrana dos seus fortes incentivos para que eu continuasse com meus estudos...</p> <p>Eternamente... Saudades.</p> <p>RESUMO</p> <p>10</p> <p>Esta pesquisa mobiliza os fundamentos tericos da Analise do Discurso para descrever e analisar o texto dissertativo nas suas diferentes funes e usos. O emprego desse quadro terico se faz necessrio na medida em que formos analisando as diversas facetas do texto dissertativo, desde os textos simples do diaa-dia como uma carta pessoal at o texto publicitrio que exige do escritor mais conhecimento das estratgias argumentativas. Alm disso, os textos dissertativos analisados iro nos mostrar os percursos feitos pelo locutor e o interlocutor para a confirmao da argumentao. O percurso feito por esta pesquisa vai desde a citao de estudos feitos sobre tipologia e gneros textuais, passando pelas estruturas sintticas que compem a argumentao, at a anlise da</p> <p>argumentatividade em textos dissertativos, narrativos, descritivos e injuntivos e, por ltimo analisaremos a argumentao e a persuaso nos textos publicitrios.</p> <p>Palavras Chaves: Tipologia Textual, Gnero Textual e Argumentatividade.</p> <p>ABSTRACT</p> <p>11</p> <p>Este trabajo mobiliza los fundamientos tericos de la Analise del Discurso para discribir y analisar el texto disertativo em sus mltiplas funciones y usos. El empleo de esse cuadro terico s necesario al analisar las diversas facetas del texto disertativo, desde los textos senciles hasta el texto publicitrio que exige del escritor ms conocimiento de las estratgias argumentativas. Tambien, los textos disertativos analisados Ira mostrarnos los percursos hechos por el locutor y el interlocutor para la confirmacin de la argumentacion. El percurso hecho por esta pesquisa va desde la citacion de los estdios hechos sobre tipologia textual, genero textual, pasando por las estructuras sintticas que componen la argumentacin hasta la analise de la argumentatividad em los textos disertativos, narativos, descritivos y injuntivos y, en final, analisaremos la argumentacin em los textos publicitrios.</p> <p>Key words: Tipologia Textual, Genero Textual y Argumentatividad.</p> <p>INTRODUO</p> <p>12</p> <p>Quando queremos defender uma idia e convencer nosso interlocutor / leitor de nosso ponto de vista, devemos elaborar um tipo de texto que consiga apresentar com clareza nossas hipteses, justific-las com base em argumentos, refutar contraargumentos, exemplificar e encaminhar para concluses. Esse tipo de texto chamado dissertativo, e corresponde ao que conhecemos como um texto cientfico, um editorial de jornal, um arrazoado jurdico. Para direcionar nossa pesquisa iremos trabalhar com a hiptese de que quando conversamos ou escrevemos, estamos quase sempre tentando convencer nosso interlocutor ou leitor, ou seja, estamos sempre defendendo nossas opinies e procurando formar a opinio do outro; Temos como objetivos mostrar que para elaborarmos textos que encaminhem o leitor / ouvinte a determinadas concluses, precisamos desenvolver a capacidade de reconhecer e produzir argumentos lgicos; E expor alguns recursos lingsticos que nos ajudam a argumentar, tornando o texto produzido mais convincente. Uma pesquisa como esta se justifica devido a sua importncia para os profissionais da rea de educao, principalmente aqueles que trabalham com lngua portuguesa, pois temos a pretenso de oferecer alguns subsdios tericos e prticos com base na anlise de textos dissertativos. Nesta pesquisa, abordaremos algumas caractersticas da produo do texto dissertativo com base nas formulaes tericas da Anlise do Discurso (Doravante AD), a qual mostra que a perspectiva do enunciador a de um conhecer conceitual, que envolve reflexo e raciocnio, e que se apia no genrico, no abstrato para levar ao ouvinte / leitor o conhecimento pretendido. Aliada a essa perspectiva de conhecimento, vamos encontrar no texto dissertativo, de maneira explcita ou</p> <p>13</p> <p>implcita, uma inteno argumentativa, com o objetivo de influenciar, persuadir, convencer o interlocutor, fazendo-o crer em algo, aderir a uma opinio. Esse carter eminentemente argumentativo faz com que o texto dissertativo possa ser caracterizado como o momento de arregimentao de grande nmero de recursos lingsticos, que criam estruturas mais complexas do que as exigidas em textos de base narrativa ou descritiva, embora estes tambm tenham muitas marcas argumentativas. No partimos, com isso, de uma viso de tipologia textual que considera, para cada texto, um s gnero. Ao contrrio, trabalhamos com a suposio de que um texto se define por sua finalidade situacional - todo ato de linguagem tem uma intencionalidade, um certo grau de argumentatividade, e se submete a condies particulares de produo - e, portanto, para constru-lo, o falante faz uso de gneros distintos, combinando-os em funo de estratgias discursivas. Para fundamentar teoricamente nossa pesquisa, iremos trabalhar com base nos estudos realizados pelos tericos MARCUSCHI (2002), GARCIA (1975), KOCH (2002), ABREU (2004), BAKHTIN (2000), COLLARD (1999) entre outros estudiosos. Resumindo, apoiar-nos-emos nos pressupostos da AD para demonstrar que quando conversamos ou escrevemos, estamos quase sempre tentando convencer nosso interlocutor ou leitor, ou seja, estamos sempre defendendo nossas opinies e procurando formar a opinio do outro; para elaborarmos textos que encaminhem o leitor / ouvinte a determinadas concluses, precisamos desenvolver a capacidade de reconhecer e produzir argumentos lgicos; existem determinados recursos lingsticos que nos ajudam a argumentar, tornando o texto produzido mais convincente. Entre estes recursos podemos citar: - comprovao das declaraes,</p> <p>14</p> <p>alternncia entre declaraes com que o interlocutor tenha maior ou menor familiaridade, repetio e acumulao de detalhes, a escolha das palavras, a escolha da modalidade afirmativa X negativa, o tempo verbal...</p> <p>15</p> <p>1. FUNDAMENTAO TERICA Nas atividades de leitura e produo de textos, torna-se necessrio trabalhar com uma tipologia textual que possibilite a sistematizao dos recursos lingsticos e dos objetivos que se pretende atingir com a produo de cada modalidade de texto. Costumam-se classificar os textos em narrativos, descritivos, dissertativos, includos nesta ltima categoria os argumentativos. Alm desses, h tambm os textos de procedimento (injuno) segundo KOCH &amp; TRAVAGLIA (1991), em que se detalham as etapas necessrias para a realizao de um objetivo (receitas, manuais, leis, regras de funcionamento). Mas segundo os autores acima, convm esclarecer que essas modalidades dificilmente so encontradas em estado puro; elas podem se alternar num mesmo texto, cada uma desempenhando uma determinada funo no texto maior: a narrao pode ser o eixo condutor do texto, entremeada por descries de personagens ou cenrios; a discusso de um problema pode ser apoiada por pequenas narrativas, ilustrando os argumentos contra ou a favor de um determinado ponto de vista e assim por diante. H uma dominncia de um tipo sobre os demais, definindo-se, portanto, o texto em funo da categoria dominante. KOCH &amp; TRAVAGLIA (1991) diferenciam os textos em dissertativos, narrativos, descritivos e injuntivos, segundo critrios que tomam por base a perspectiva em que o locutor se coloca a respeito do objeto de seu ato comunicativo. J KOCH (2002) no faz diferena entre texto dissertativo e argumentativo. Vale salientar que esta edio do livro de Koch revisada. Os autores fazem outra distino entre textos argumentativos ou no argumentativos, segundo a perspectiva em que o locutor se coloca devido possibilidade de concordncia ou no, de adeso ou no, do destinatrio ao seu discurso. As duas classificaes se</p> <p>16</p> <p>superpem, e um texto descritivo ou narrativo pode ser considerado argumentativo, dependendo de suas condies de produo e da intencionalidade do locutor (as parbolas, os textos publicitrios, as peas judicirias so textos com inteno argumentativa). Resumindo as funes dos tipos de textos, KOCH &amp; TRAVAGLIA (1991, p. 225) dizem:Com isso, a descrio instaura o interlocutor como voyeur do espetculo; a narrao o instaura como o assistente, o espectador no-participante; a dissertao, como ser pensante, que raciocina; e a injuno, como aquele que realiza aquilo que se requer, ou se determina seja feito.</p> <p>Para os autores, esses tipos de texto mantm determinadas semelhanas entre si, principalmente no que diz respeito ao tempo de ocorrncia no mundo real: a dissertao e a descrio apresentam simultaneidade das situaes, enquanto a narrao e a injuno exigem seqencialidade. Narrao e injuno so essencialmente discursos do fazer (aes) e do acontecer (fatos, fenmenos). A descrio essencialmente o discurso do ser e do estar, enquanto a dissertao o discurso do ser e do conhecer. Uma outra semelhana que deve ser apontada diz respeito presena, nos quatro tipos de texto, do ponto de vista ou da opinio de quem os produz, seja de forma explcita, seja de forma implcita. Segundo PLATO E FIORIN (1991, p. 33), O que distingue um do outro o modo como esse ponto de vista ou essa opinio vm manifestados: - Na descrio, o enunciador, pelos aspectos que seleciona, pela adjetivao escolhida e outros recursos, vai transmitindo uma imagem negativa ou positiva daquilo que descreve; - Na narrao, a viso de mundo do enunciador transmitida por meio de aes que ele atribui aos personagens, por meio da caracterizao que faz destes personagens</p> <p>17</p> <p>ou das condies em que vivem, e, at mesmo, por comentrios sobre os fatos que ocorrem. Todo texto narrativo figurativo, e, por trs do jogo das figuras, sempre existe um tema implcito.(...) Geralmente, para depreender a viso de mundo implcita nas narraes, preciso levar em conta que, por trs das figuras existem temas, por trs dos significados de superfcie existem significados mais profundos, PLATO E...</p>